00:00O sol nascente é tão belo
00:05A nossa festa junina tá no maior pique.
00:08Não demora muito e vai tá tudo pronto.
00:11O macaco e o coelho resolveram caçar cobra e borboleta,
00:14mas na verdade, um quer passar a perna no outro.
00:18O macaco puxou as orelhas do coelho,
00:20dizendo que achava que eram borboletas.
00:24E o coelho, pra se vingar,
00:27bateu na pata do macaco
00:29e disse que pensava que era uma cobra.
00:32O macaco ficou muito bravo
00:34e saiu correndo atrás do coelho.
00:36Será que o macaco vai alcançar o coelho?
00:40Histórias de Tia Anastácia, terceiro episódio.
00:43Ai meu Deus, socorro!
00:45Socorro!
00:45Ai meu Deus, vem cá!
00:48Vem cá, focurinha!
00:49Vem cá!
00:50Eu te perco, focurinha!
00:51Eu te perco, focurinha!
00:53Eu te perco, focurinha!
00:55Ai!
00:56Sacado, um segundo!
00:58Ai!
00:59Eu te pego!
01:00Eu te pego!
01:01Eu te pego impeludo o regalo!
01:04Ah!
01:09Bota pra cá, bota pra cá!
01:17Ai meu Deus!
01:20Abel.
01:20Tá?
01:21Ai meu Deus, pego!
01:22Eu te pego!
01:23Olha aí!
01:28Descatei
01:29Alguém precisa dar um jeito nessa história
01:31Olha lá, o coelho sempre acaba estrando na toca
01:38Está aí, vou ver se encontro umas bananas para me distrair
01:46Ah, espera um minuto
01:48Que eu vou até o céu
01:50Buscar uns piotas de estrelas
01:52Procura dentro dessas lanternas que você está fazendo
01:56Precisa, sua boba
01:58Boba é você
02:00As lanternas são só para enfeitar
02:02Com as minhas estrelas, elas vão ficar mais enfeitadas
02:07As estrelas não são suas, Emília, são do céu
02:10O céu também é meu
02:26Rabicó, pega aquele barbante cheio de bandeirinhas para mim, por favor
02:30Ah não, Pedrinho, eu já peguei muitos barbantes cheios de bandeirinhas, eu estou cansado
02:37Rabicó, você não disse que queria ajudar a preparação da festa?
02:41Ah, eu disse, mas eu pensei que eu ia ajudar a Tia Nascassa na cozinha, ora
02:46Se liga, Rabicó
02:48Se você fosse ajudar na cozinha, não ia sobrar mais comida para ninguém
02:53Vocês nunca vão entender o que se passa dentro de uma barriguinha como a minha
02:58Deixa de ser chato e pega logo as bandeirinhas para mim, Rabicó, por favor
03:03Ora, tudo eu, tudo eu
03:13Deixa eu botar essas batatas doces aqui para ir esfriando
03:19Oba
03:19Oba nada, hein
03:21Eu não quero saber de ninguém mexendo as minhas batatas antes da hora
03:25Não está mais aqui quem falou louca
03:27Ah, bom
03:29Ah, meu São Jó
03:31O que é? Algum problema, Anastácia?
03:34Olha só, aqui o formigueiro começou aqui, olha
03:39Deixa eu ver
03:42Mas ainda está bem no comecinho
03:44É, mas eu só espero que essas danadas dessas formigas não venham roubar aqui os meus doces
03:51Protesto
03:51Se alguém for roubar os doces, esse alguém serei eu
03:56Eu não quero ver ninguém roubando coisa nenhuma aqui
04:00Ora, só que me faltava
04:02Deixa, Anastácia
04:03Daqui a pouco eu dou um jeito nisso aí
04:06Ai, faça isso, Barnabé, por favor
04:09Porque olha, desde que eu era criança, sempre ouvi falar que as formigas sempre foram um dos piores problemas para
04:16o Brasil
04:16Por que, vó?
04:18Porque em grande quantidade as formigas viram praga
04:24Ai, ai
04:26Que cara é essa, Anastácia?
04:28Ai, nada não
04:29Estava aqui lembrando, seu Barnabé, de uma história quando eu era menina
04:34A minha avó me contava uma história tão linda de uma formiguinha
04:39Se Anastácia, conta essa história pra gente
04:43Conto, mas tem que ser bem rapidinho que é pra não me atrasar lá pro almoço, hein?
04:46Hahaha, tá bom
04:48Era uma vez
04:49Uma formiga que andava pelos campos, né?
04:53Um belo dia, ela ficou presa na neve
04:56E depois de tentar se soltar de todas as formas e não conseguir
05:00Ela virou pra neve e disse
05:04Oh, neve valente, desprende os meus pezinhos
05:08Sou valente, mas o sol me derrete
05:10Ai, sol valente, que derrete a neve, desprende os meus pezinhos
05:15Sou valente, mas a nuvem me esconde
05:20Ah, nuvem valente, que esconde o sol, que derrete a neve, desprende os meus pezinhos
05:25Sou valente, mas o vento me desmancha
05:30Vento valente, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, que derrete a neve, desprende os meus pezinhos
05:36Sou valente, mas o muro me para
05:38Ai, muro valente, que para o vento, que desmancha a nuvem, que esconde o sol, que derrete a neve, desprende
05:44os meus pezinhos
05:46Sou valente, mas o rato me foda
05:50Sou valente, mas o gato me come
05:52Eu sou valente, mas o cachorro me pega
05:56Eu sou valente, mas a onça me devora
05:59Sou valente, mas o homem me caça
06:03Sou valente, mas Deus pode comigo
06:08Ah, Deus que pode com o homem, que caça a onça
06:12Que devora o cachorro, que pega o gato, que come o rapo
06:15Que fura o muro, que para o vento
06:17Que dissolve a nuvem, que esconde o sol, que derrete a neve
06:21E desprende os meus pezinhos
06:25Fala logo, Tia Anastasia, o que foi que Deus respondeu?
06:29Deus respondeu, formiguinha, espera com essa história e vá furtar
06:36E é por isso que as formigas vingem na maior atividade
06:39É furtando, furtando, a coisa
06:42Até que tem uma história que merece nota 10
06:46Parabéns, Tia Anastasia
06:47Eu só não concordo com o fim
06:49Formiga não rouba
06:51É isso aí, Mãezinho
06:53As coisas da natureza são tão dela quanto dos outros animais
06:57São de todo mundo
06:59Por que chamar a formiga de ladra?
07:02Ah, entra aí o dedo das contadeiras de história
07:08Dona Bento, eu não inventei nada não, hein?
07:11Não estou falando de você, Anastasia
07:16Em geral, essas histórias eram contadas por donas de casa, babás, cozinheiras
07:22Pessoas para quem as formigas não passam de gatuninhas
07:28Que vivem invadindo prateleiras e guarda comidas para roubar açúcar
07:35Agora, se vocês repararem, há nessa história uma outra coisa curiosa
07:42Eu sei o que é
07:43Eu sei o que é
07:44Não sabe nada
07:45Não sabe nada
07:45Sei sim
07:47Essa é uma das histórias brasileiras da Tia Anastasia
07:51E nela aparece uma coisa que não tem aqui no Brasil
07:55Neve
07:56Muito bem, Emília
07:58As histórias brasileiras que tem reis, rainhas
08:03Ou outras coisas que não tem na nossa cultura
08:07Como a neve
08:08Mostram as influências que sofremos nos povos europeus
08:13Que colonizaram o Brasil
08:14Tia Anastasia
08:16Conta uma instante, reis e rainhas
08:18Só para mim
08:18Depois eu posso
08:20Porque agora eu tenho que ir lá para
08:21Ah, meu São Jorge
08:22Esqueci
08:24Deixei a canjica no fogo
08:25Vai lá, vai lá
08:28Tá vendo?
08:29Fui mais esperta do que você mais uma vez
08:32Mas quem ri por último ri melhor
08:35Mas ri menos
08:42Não, não é seguro não
08:50Eu prefiro...
08:55É melhor
08:56Nunca se viu no pica-pau
08:58Bicho feroz assim
09:00Nunca se viu neste lugar
09:03Bicho tão doce assim
09:04É o professor de inglês
09:07Só no martelinho
09:08Não, não é seguro
09:11Não, não é seguro
09:11Não, não é seguro
09:11Nunca se viu neste lugar
09:13Por tão forte assim
09:15Nunca se viu no pica-pau
09:18Bicho tão canso assim
09:20É o professor de inglês
09:22Quim bandim
09:26O que indiche fruto
09:28Mete medo com todo o mundo
09:30Na mula
09:34Não, não é seguro
09:38Não, não é seguro
09:40Não, não é seguro
09:40Não é seguro
09:42Ah, meu Deus
09:48Não, não é seguro
09:50Número
09:50Eu prefiro
10:02Não acredito.
10:04Muito obrigado por mais essa ajuda, meu anjo.
10:08Que ótimo.
10:10Que beleza.
10:11Já está prontinho.
10:15Deixa eu ver.
10:19Isso.
10:21Deixa eu medir mais um pouquinho.
10:30Vamos lá, vamos fora.
10:31Ah, isso.
10:32Falta mais.
10:33Eu vou ser a mãe.
10:35Que nada.
10:36A mãe eu vou ser eu.
10:38Eu.
10:39Eu.
10:41Eu acho que essa briga não vai acabar nunca.
10:44Eu tive uma ideia.
10:48Posso falar uma coisa?
10:49Não.
10:51Se vocês duas forem a noiva, quem vai ser o xerife?
10:55Xerife?
10:57Vai ser o joelho de xerife?
10:59Sim, tem.
11:00A pessoa fica com essa estrela no peito, prendendo todo mundo.
11:05Ah, pode ficar com o papel da mãe.
11:08Eu vou ser a xerife.
11:10Vou botar uma porção de pisca-pisca na minha estrela.
11:14Obrigada, Pedrinho.
11:16Depois você me paga um sorvete.
11:23O que vocês querem?
11:26Abaixa aqui que a gente precisa te dizer um negócio muito sério.
11:31Seríssimo.
11:31Emília, a Cuca está trazendo todos os personagens das histórias que a Tia Anastácia está contando.
11:54Você tem certeza?
11:56Palavra de macaco, coelho.
11:59Pode sair.
12:00Eu não vou te fazer nada.
12:12Estou se estranhando, hein, macaco?
12:14Coelho, rapaz.
12:16Você estava tão bravo.
12:17O que foi hoje?
12:18Já passou.
12:19Já passou.
12:20Qual que é?
12:21O que é?
12:21Vai lá.
12:22A gente podia brincar agora.
12:25Vamos lá no ribeirão?
12:26Vamos, vamos, vamos.
12:31Aí, legal.
12:34Vamos aqui, gente.
12:36Já temos que vocês estão aqui?
12:38Mais ou menos.
12:40Já sei.
12:41Vamos tomar um banho no ribeirão, todo mundo.
12:42Vamos, vamos.
12:44Não.
12:45Ué, não.
12:47É comigo, né?
12:48Sem problema.
12:48Estou ouvindo, hein.
12:49Estou ouvindo, hein.
12:50Estou vendo, hein.
12:52Será?
12:56Então, casco ou cascadura disseram a verdade?
12:59Os personagens das histórias que a Tia Anastasia está contando estão vindo para cá, para o sítio.
13:05Será que isso é bom ou ruim?
13:12Ah, está na hora de voltar ao trabalho.
13:14Eu espero que o meu anjo da guarda tenha feito mais um pedaço de cerca para mim.
13:19Ah, como é bom a gente se sentir protegido por um anjo da guarda.
13:24Dá uma sensação de segurança, de...
13:27Ah, mas...
13:29Então, é você o meu anjo da guarda?
13:32Ah, como assim?
13:34Que eu saiba, eu sou o tomador de conta do sítio.
13:38Não, é que...
13:40Bom, eu achei que fosse o meu anjo da guarda que estivesse me ajudando a fazer a cerca.
13:48Então, é o seu anjo da guarda que está me ajudando a fazer a cerca que o Tio Barnabé me
13:53pediu?
13:54Bom, eu já entendi tudo.
13:56O Tio Barnabé pediu para você e a Dona Benta pediu para mim.
14:00E cada um fez um pedaço da cerca.
14:04Mas não se incomode, não se incomode.
14:09Pode fazer sozinho, eu já estava mesmo de saída.
14:14Não, não, não, pode ficar.
14:16Olha só, Quindim, olha, você pode ficar.
14:18Olha, eu não quero atrapalhar você.
14:21Ora, mas de jeito nem maneira.
14:24Não, não, não, por favor, continue, Quindim.
14:27Olha, o seu trabalho estava indo tão bem, uma maravilha.
14:32Ah, mas eu já estou indo embora.
14:33Não, não, espera, Quindim, não, por favor, só mais um pouco.
14:37Quindim, pode continuar.
14:44Deixa eu insistar aqui.
14:47Vamos procurar, vamos procurar.
14:49Ai, não está, não está.
14:52Onde foi que eu anotei a receita da mousse de enxufre?
14:56Ai, olha, se fosse uma bruxa mais organizada, achava fácil a receita do espetivo.
15:03Mas dessa bagunça que não dá pra achar é nada.
15:07Ninguém pediu a sua opinião.
15:10É verdade.
15:12Faz tempo que você não pede a minha opinião, né?
15:16Por isso é que anda fazendo tanta besteira.
15:18Ah, e do que é que você está falando, hein, Saci?
15:24Eu acho que você está regulando muito bem.
15:30Esse, esse pediço que você colocou lá na história daquela casa não vai dar em nada.
15:38Só parece macaco, coelho e formiguinho.
15:45Ah, formiguinhas, é?
15:50Espere e verá porque são capazes as formiguinhas.
15:56Aliás, está na hora da formiguinha entrar em ação.
16:03Pega, pega daqui e pega de lá.
16:06Cera, puta.
16:08Onde será que a prima está indo?
16:10Cuidado com a cuca, que a cuca te pega e pega daqui.
16:14Sabe o que é tijola?
16:16Falou pro tijolo.
16:17Faça a menor ideia.
16:18Eu não sei, não sei.
16:20Você anda muito ciumento.
16:24Não entendi, não entendi.
16:27Não entendi, não é.
16:28Tijolo, tijola.
16:31Cimento, ciumento.
16:32Cimento, cimento.
16:34Ah, agora eu entendi.
16:36Ela vai ser a menor graça.
16:38Ah, mas é sempre macaco, né?
16:40Formiga, formiga não tem camisa.
16:41Olha aí, olha, eu estou vendo, hein?
16:43Eu estou ouvindo, hein?
16:47Ah, você fica, ô formiga.
16:50Se não, eu acabo com a sua história.
16:56E fique bem quietinha,
16:58porque nós vamos ter uma conversinha básica.
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