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  • há 13 horas
Transcrição
00:00Em 1995, um sequestro em Conroe, Texas, muda várias vidas para sempre.
00:06É assim que três pessoas se lembram dos eventos.
00:13A polícia procurou no bosque, perto da casa dos Everett, e o casal implora pelo retorno seguro do filho.
00:19Ele é só um garoto. E é nosso filho.
00:23Não foi fácil ficar ali. Dava vontade de gritar para a câmera.
00:30Traga o meu filho de volta para mim.
00:33Eu paro para pensar, vejo que foi maldade. Foi maldade pura. O diabo encarnado.
00:42Eu queria sair dali e bater nele até a morte. Fazer justiça sozinha.
00:48Não precisa nem prender. Traz o agente funerário.
00:54Quando eu abri a porta da sala de reunião e vi os agentes do FBI,
00:59eu prendi a respiração por um tempo e pensei,
01:03ai meu Deus, isso está acontecendo mesmo?
01:07Eles não acreditavam em mim.
01:09Eles achavam que eu tinha alguma coisa a ver com aquilo.
01:12E eu pensei, será que armaram para mim?
01:19Ela perguntou se eu achava que o Maquia estava vivo e eu disse, não.
01:23Aquilo era como um pesadelo.
01:26Parecia um filme.
01:27Era uma loucura.
01:29O olhar da Paulette ficou vazio.
01:33Quando parte da sua alma morre, você percebe, ela sai.
01:41Ela sai, deixa um espaço vazio.
01:50O mal projeta uma sombra.
01:55Ela se espalha,
01:58arrastando suas vítimas para a escuridão.
02:06Elas encontrarão a luz
02:11Vivendo com o inimigo
02:13Sombras da Morte
02:24Acho que é muito difícil para todo mundo digerir que
02:28uma criança foi sequestrada.
02:32Que sumiu.
02:33Ninguém sabe se ela está segura.
02:35Ninguém sabe se ela está morta.
02:49No primeiro Natal que a Paulette, o Cal e o Maquia passaram lá em casa,
02:54eu senti uma conexão instantânea entre mim e o Maquia.
02:59Maquia chegou, se sentou no meu colo,
03:02aí olhou para a árvore e disse,
03:05Ué, tudo isso é para mim?
03:07E a maior parte era, a maior parte era.
03:12E daquele dia em diante, ficamos carne e unha.
03:18Maquia sempre vinha em outubro.
03:22Acho que tudo que a gente fazia era brincar.
03:26A gente brincava o tempo todo,
03:29andava de quadriciclo, pescava, colhia mora, cozinhava.
03:35Ele queria comprar sorvete, ele tomava sorvete direto do pote.
03:40E a poltrona.
03:42Não se ouvia não na minha casa, era só assim.
03:46Tudo que ele queria a gente fazer.
04:02Eu recebi aquela ligação apavorante no meio da noite.
04:06E você sabe que tem alguma coisa errada quando o telefone toca.
04:11Minha primeira pergunta foi, o que aconteceu?
04:16Minha irmã disse que o Maquia tinha sido sequestrado.
04:20E que foram dadas pouquíssimas informações.
04:24E ninguém sabia, naquela hora, se o Maquia estava bem ou não.
04:30E depois disso, eu só lembro de ter derrubado o telefone.
04:35Devia ser duas ou três da manhã.
04:39Eu estava chorando uma hora, tentando pensar no que fazer na outra.
04:44Estava rezando logo depois.
04:46Foi aquele momento da vida em que o pior aconteceu mesmo.
05:01Eu tive uma amiga que me falou
05:05Que se você tiver a casa mais bonita da rua, o marido mais bonito, o filho mais bonito e o
05:10cachorro mais fofo
05:11Cuidado, sua vida vai virar um inferno.
05:18Paulette Norman, mãe de Maquia
05:24O Paul era muito mais novo que eu era.
05:28Ele ainda estava no ensino médio e eu na faculdade.
05:32Minha irmã namorava o amigo dele e um dia eles foram para a casa dela.
05:37Foi assim que eu conheci o Paul.
05:40Eu era professora do ensino fundamental.
05:44Uma amiga da igreja indicou o Paul para o mercado de combustíveis.
05:49Em pouco tempo, o mercado de combustíveis começou a crescer.
05:53E por causa disso, o Paul ganhava muito bem.
05:56Nos casamos quase 12 anos antes do Maquia nascer.
06:02Sempre achamos que não podíamos ter filhos.
06:04Foi uma gravidez difícil.
06:07Eu quase morri durante o parto, então ficou claro que o Maquia seria o nosso único filho.
06:14Eu estava encantada porque finalmente tínhamos um filho.
06:22Ele era diferente.
06:24Ele me chamava de moça em vez de mãe.
06:27Olha, eu lembro que ele brigou com o cachorro.
06:30Aí o cachorro mordeu ele, um dos cachorros.
06:33E fomos levar ele para levar ponto.
06:37Eu só conseguia chorar.
06:40Aí ele olhou para mim e disse, moça, não chora por mim.
06:47As pessoas diziam que ele tinha uma alma antiga.
06:50Ele era desse jeito.
06:52Quando eu tinha um dia difícil, ele falava,
06:55deixa eu pegar sua bolsa porque eu sei que você vai deitar e não vai se lembrar de onde colocou
07:00ela.
07:07Terça, 12 de setembro de 1995.
07:11Paulette Carr se preparam para deixar Maquia de 12 anos em casa para irem a um evento do trabalho.
07:16Tínhamos todo um sistema para ligar o nosso alarme.
07:20E o Maquia sabia que não podia abrir a porta.
07:24E ele sabia com certeza porque vários meses antes o alarme de alguém disparou,
07:29a polícia teve que aparecer e ele não queria abrir a porta para a polícia, para falar com a polícia.
07:35Ele falou com eles e porta fechada.
07:37Então, ele tinha aprendido que não podia abrir a porta.
07:40Eu me despedi dele e nós fomos embora.
07:45Quando paro para pensar, lembro de ver pela porta dos fundos.
07:49Era uma porta de correr de vidro.
07:51E ele estava sentado na cadeira assistindo televisão.
07:54E ele estava com os pés apoiados no puff, tomando sorvete e curtindo a vida.
08:01Feliz, sorrindo, zero preocupações, sabe?
08:11Fomos para a reunião e a cada 30 minutos o call ligava para saber se o Maquia estava bem.
08:20Nós ficamos um tempinho no restaurante.
08:24Pedimos e aí o call levantou para ligar para o Maquia.
08:31Ele voltou para a nossa mesa e disse que ia correr para casa ver como o Maquia estava
08:37e que eu podia ir de carona com o vizinho.
08:39Ele não me falou nada.
08:41Ele só disse que ia para casa olhar o Maquia.
08:45Naquela hora, eu achei que ele estava cansado, que ele ia para casa,
08:49que ele ia encerrar a noite logo e que ele ia tomar conta do Maquia.
08:58Comemos a sobremesa e aí meu vizinho foi usar o telefone.
09:05Aí ele voltou e disse que era hora de ir.
09:09Eu achei normal, era hora de ir para casa.
09:13E aí nós entramos no carro, ele estava dirigindo.
09:18E ele disse para mim que o call estava em casa e não conseguia achar o Maquia.
09:29Eu pensei que estava sonhando, que não tinha ouvido direito.
09:36O que você faz quando alguém te diz que seu filho está sumido?
09:44Eu voltei para casa e o call estava na frente da casa, na rua da frente.
09:49Eu não tinha ideia do que tinha acontecido, estava uma bagunça.
09:53Tinha fita da polícia, eu olhei e vi pó para revelar impressões digitais no batente da porta e tudo mais.
10:01O call me disse que quando chegou em casa, o alarme estava desligado e a porta estava entreaberta.
10:07E aí ele entrou gritando pelo Maquia, chegou perto da porta e o telefone começou a tocar.
10:16O Paul me falou que havia um pedido de rescate.
10:20Ele disse que a pessoa era uma mulher e tinha uma voz rouca.
10:26Tinha alguém do outro lado da linha dizendo que tinha sequestrado meu filho.
10:29Tá bom.
10:30Estavam pedindo 500 mil dólares e iam me ligar de manhã, às oito da manhã.
10:35Se eu quisesse ver meu filho vivo e bem de novo.
10:42Parecia que eu estava em câmera lenta, meu corpo se mexia, mas tudo o resto ao redor acontecia muito rápido.
10:48Eu estava em choque, meu corpo estava sentindo o estresse mais intenso que já tinha sentido na vida inteira.
10:57O que eu ia fazer trazer o meu filho de volta?
11:01Onde está o Maquia?
11:02O que eu ia fazer trazer o meu filho de volta?
11:12É assim que eu me lembro deles.
11:17É assim que eu sempre quero me lembrar deles.
11:22Rick Meads, amigo da família.
11:28Os Everettes tinham sim uma vida linda.
11:33Não precisavam de nadinha.
11:35Tinham um ao outro, tinham um filho, tinham um bom emprego, tinham a igreja.
11:41Eles tinham tudo de bom na vida deles.
11:47Em 1987, eu entrei para a primeira igreja batista e o Carl era chefe do corpo de decanos na época.
11:55Foi assim que nós nos conhecemos e viramos amigos de longa data dali em diante.
12:02Algumas vezes eles tinham reuniões fora da cidade e eu ia até lá para passar a noite cuidando do Maquia.
12:09Mas era fácil cuidar daquele garoto.
12:13Eles me deram a chave, assim como o código do sistema de segurança.
12:20Porque acho que eu era uma pessoa de confiança.
12:24E eles faziam viagens curtas de um final de semana e me perguntavam se eu estava disponível para cuidar do
12:30filho deles.
12:31E eu sempre estava.
12:43Era quarta-feira de manhã e eu fui trabalhar.
12:46O telefone tocou, eu atendi e era a bibliotecária da escola.
12:52Ela era uma amiga da igreja também.
12:54Aí ela disse que tinha ouvido que o Maquia tinha sido sequestrado.
12:59Eu perguntei do que ela estava falando.
13:01E ela disse que era o que tinha falado e o Maquia não tinha ido para aula no dia.
13:06Eu disse que ia tentar descobrir alguma coisa e ligar de volta.
13:11Primeiro eu achei que fosse uma piada.
13:13Como assim sequestrado?
13:15Como assim desaparecido?
13:17Eu pensei, o Maquia tem 12?
13:19Ele não é uma criança que se esconderia, que fugiria de casa e pregaria uma peça dessas nos pais?
13:26Aí o presidente da empresa apareceu e disse para mim que tinha alguém ali para me ver.
13:33Eu fui até o corredor e perguntei onde ele estava.
13:37Ele disse que eles estavam na sala de reuniões.
13:40Eu questionei.
13:41Ele disse que o FBI estava ali para me interrogar.
13:44Eu disse, ah, tá bom.
13:48Mas o que eles queriam conversar comigo?
13:54Quando eu abri a porta, não tinha um, tinham vários.
14:00Aí eles começaram a fazer umas perguntas.
14:03Você sabe por que você está aqui?
14:05Eu disse, bom, eu soube que o Maquia desapareceu.
14:08Você tem alguma coisa a ver com isso?
14:11Ué, não?
14:13Várias vezes eles falaram para eu confessar logo, para eu dizer onde ele estava.
14:17Foi aí que eu fiquei bravo e de repente tive medo.
14:21Não acreditavam em mim.
14:22Eles achavam que eu tinha alguma coisa a ver com aquilo.
14:26Eu pensei, ah, meu Deus.
14:30Isso está acontecendo?
14:32Será que armaram para mim?
14:36Eu fiquei nervoso.
14:37Eu disse que eles estavam perdendo tempo comigo.
14:40Que a pessoa que tinha feito aquilo ainda estava solta pelas ruas.
14:45E ele poderia pegar o filho de outra pessoa.
14:49Me disseram que eu estava em foco naquela hora.
14:52E eu disse que não tinha feito nada.
14:55E me perguntaram se eu estava disposto a fazer um teste do polígrafo.
15:00E eu disse que sim.
15:14Quando eu cheguei na casa da Paulette e do Cal, estava um caos absoluto.
15:22Desamparado, sem saber o que fazer.
15:24Agentes do FBI para todo lado, tinha polícia, tinha helicóptero sobrevoando.
15:28Uma confusão.
15:30Era um grande caos.
15:32Uma confusão.
15:35O Cal estava abalado demais.
15:39Dizendo que era um fracasso.
15:41Que tinha que ter protegido o filho contra o mal.
15:43Que tinha que trazê-lo de volta.
15:46Tinha que trazê-lo para casa.
15:49A Paulette estava péssima.
15:52Quase catatônica.
15:54Mal conseguia falar.
15:56Mal conseguia andar.
15:58E começava a chorar.
16:03Chorava, chorava.
16:05E tudo que eu podia fazer era balançar a cabeça.
16:09Quando ela dizia, ele sumiu.
16:13Ele sumiu.
16:14Maquei.
16:14O que eu vou fazer?
16:15Ele sumiu.
16:16Temos que achar o Maquei.
16:20Eu achei a Paulette tão perdida que eu tive que segurar a barra deles.
16:27Eu não chorava.
16:30Eu só dizia que tudo ia ficar bem.
16:33Que tudo ia ficar bem.
16:36Foi isso que eu tive que fazer.
16:45A Paulette e o Cal, naquela época, tinham se envolvido com uma empresa de comércio.
16:52Na minha opinião, era um esquema de pirâmide.
16:55Então, na mesma hora, eu pensei que podia, talvez, ter alguém da empresa envolvido naquele sequestro.
17:04É assim, a gente começa a investigar todo mundo.
17:07Todo mundo é suspeito até que se prove o contrário.
17:12Várias pessoas da empresa de comércio foram para casa.
17:16Uma em especial estava no telefone.
17:18Dizendo o que o fulano tinha ou não feito.
17:21Aí, eu virei para o Cal e disse, e se aquela pessoa que ligou pedindo resgate e ligar de volta,
17:29fazendo mais exigências, e você estiver no telefone, manda eles embora.
17:35Eu fiquei muito brava.
17:37O que eu queria era tomar as rédeas e começar a expulsar aquelas pessoas da casa.
17:43Eu queria fazer isso mesmo.
17:45Afinal, era meu sobrinho.
17:50Os investigadores montam uma base na casa dos Everett's para aguardar a ligação das oito da manhã.
18:01Eu não dormi.
18:03Eu vigiava as pessoas.
18:05Eu vigiava quem estava na casa.
18:08Eu vi mais e mais policiais aparecerem.
18:12O tempo passava, o tempo passava.
18:16Aí, o FBI grampou os telefones e ficaram ali.
18:23Estavam prontos.
18:25Nós esperamos, esperamos, esperamos e sentimos um vazio.
18:30Um vazio interno.
18:32Um vazio frio por dentro, quando o telefone não tocou.
18:38Na minha cabeça, aquilo não devia ser bom.
18:42E eu queria entender por que não ligaram.
18:46Tem um motivo para não ligarem.
18:49Algo deu errado.
18:59Conforme o tempo passa, é assim.
19:02Quanto mais tempo leva para alguém ser resgatado de um sequestro desses,
19:06menor a chance da vítima voltar para casa.
19:11Onde ele estava e com quem?
19:14Tinha que ser com alguém.
19:19Falamos com o perito do FBI.
19:21Falamos um bom tempo com ele.
19:23Porque ele queria traçar o perfil do tipo de pessoa que faria aquilo.
19:28E a pergunta central era, quem a gente conhecia e para quem o Maquia abriria a porta?
19:35Tivemos que listar amigos.
19:39Isso foi quase surreal.
19:41Parando para pensar, a gente tinha que listar pessoas que a gente conhecia.
19:46E não pessoas estranhas ou meros conhecidos que bateriam na minha casa.
19:55Eles queriam pessoas conhecidas que podiam pegar o Maquia.
19:59Aquilo era apavorante.
20:02Eu fiquei horrorizada de pensar que alguém que eu conhecia, que o Maquia conhecia e amava,
20:09teria a coragem de levar ele.
20:19Foi muito humilhante pensar que as pessoas que me conheciam pensariam que eu pudesse machucar uma criança.
20:29Eu mal conseguia matar uma baratinha.
20:32Eu nunca machucaria uma criança.
20:35E eu sabia que a mulher que tinha ligado tinha uma voz rouca.
20:39Minha irmã também tinha.
20:41E que eu tinha a chave.
20:44E alguém disse que como eu morava na região leste, eu tinha feito aquilo por dinheiro.
20:49Para!
20:50Que loucura!
20:52Foram comentários que eu escutei.
21:01O teste do polígrafo foi bizarro.
21:04Onde você estava na noite do dia 12?
21:07Tem alguém que possa confirmar onde você estava?
21:10Você sabe onde o Maquia está?
21:13Você conhece alguém que poderia machucar ele?
21:17Eles faziam a pergunta e tinham uma pausa.
21:21E acabou quando disseram, tá bom, já chega.
21:24E eu perguntei, o que eles achavam?
21:26E disseram, tá liberado.
21:28Pode sair.
21:36Eu voltei ao trabalho e, é claro, que as pessoas naquela hora já tinham começado a fofocar.
21:44Eu lembro de um colega de trabalho que perguntou se eu ia subir no telhado do prédio e pular.
21:51Ele estava sugerindo que eu tinha feito alguma coisa e que eu ia cometer suicídio para evitar ir para a
21:57prisão.
22:01De noite, meu pai disse que os agentes do FBI tinham acabado de sair.
22:07Eu perguntei por quê?
22:08Ele disse que tinham seis agentes lá, que eles tinham revirado a casa, entrado no celeiro
22:13e rastejado de uma ponta da casa até a outra pela fundação da casa.
22:20Eles não tinham mandado de busca.
22:23Eles só chegaram e meio que foram entrando na casa.
22:31Quando o FBI me liberou, na manhã seguinte, o Carl pediu para um amigo me avisar que ele queria que
22:39eu fosse falar com ele.
22:41Então, eu fui falar com ele e fomos até a sala dele.
22:46Foi lá que ele me pediu desculpas.
22:49Ele disse que a polícia só estava tentando achar o McKay e eu disse que eu sabia.
22:53Eu sabia que não tinha a ver comigo.
22:56Sei que eles queriam achar o filho dele.
22:58Não tinha a ver comigo.
23:00Eles tinham que achar o garoto.
23:08Bom, o FBI basicamente sabe muito bem o que fazer.
23:11Eles sabem que muitas vezes as pessoas que abusam de crianças, fazem mal a elas, são entes queridos.
23:20Não são estranhos.
23:23Bom, nessa hora um vizinho se pronunciou e disse que estava tirando lixo quando um carro quase atropelou ele.
23:31E disse como aquele carro era.
23:33Ele deu a descrição do carro, disse que tinha um emblema na traseira,
23:37que ele não sabia de quem aquele carro era, mas era dourado, uma cor dourada.
23:46O Zeverett tinha um amigo cujo carro correspondia à descrição, Hilton Crawford.
23:54No começo, quando conhecemos o Hilton, a esposa e os dois filhos, eles pareciam ser uma família bem comum.
24:03Os filhos jogavam beisebol, o Hilton era um treinador de beisebol.
24:07O Hilton Crawford tinha experiência trabalhando com a polícia.
24:12Ele trabalhava no mercado de segurança, para uma empresa de segurança.
24:16O Marquês chamava o Hilton de Tio Hilt.
24:20É que no sul, às vezes, de forma carinhosa, as crianças dizem que um adulto é o tio delas, Tio
24:27Hilt.
24:31Em algum momento, o Hilton nos abordou pedindo para fazer negócio com ele.
24:39Ele ligou para o Cal, querendo que o Cal investisse em um restaurante com ele, para eles serem sócios.
24:47E ele pediu para o Cal, para dar uma olhada nas finanças da família, para eles serem sócios.
24:53Eu disse que não sabia nadinha sobre o mercado de restaurantes.
24:59E eu não queria me meter com aquilo.
25:02Eu falei para o Cal nunca mostrar as finanças da família para ninguém.
25:07Eu não sabia.
25:09Mas o Cal tinha mostrado nossas finanças para o Hilton.
25:15Eu vivo todo dia sabendo que o Hilton Crawford tinha uma noção do que um pedido de resgate podia ou
25:24não podia ser.
25:30Paulette tem uma lembrança da noite do sequestro.
25:37Eu recebi uma ligação cinco da tarde.
25:40Era o Hilton querendo saber se eu iria comparecer à reunião.
25:45Sei lá, isso faz sentido para a gente agora.
25:49Ele estava mapeando onde a gente estar quando o Maquia ficaria vulnerável.
25:54Era o que ele queria.
25:57Isso quase não pareceu verdade.
26:00E foi quase como tomar um soco na barriga.
26:06Como alguém sai daquele papel de uma pessoa que cuida de crianças e vira um monstro?
26:17Vira um homem perverso assim?
26:24Ele achou mesmo que ele ia conseguir?
26:28Ele achou mesmo que aquilo ia dar certo?
26:31Aquilo me arrasou.
26:33Eu queria sair dali e bater nele até a morte.
26:38Fazer justiça sozinha, economizar para o tempo do julgamento.
26:43Não precisa nem prender.
26:45Traz um agente funerário.
26:53O tempo esperando pelas respostas foi excruciante.
26:59Foi muito longo.
27:02Pareceram meses.
27:03A gente ficava esperando por várias horas.
27:07Eu acho que o Carl tinha esperança de que o Maquiai estivesse vivo.
27:14Eu acho que a Paulette não conseguia digerir aquilo.
27:18Ela não estava bem.
27:20Eu achei que o pior tinha acontecido e o Maquiai tinha morrido.
27:24Só que eu não falei aquilo para a Paulette.
27:29Acho que eu estava permitindo que eles tivessem mais um dia de paz.
27:34Até a resposta final chegar.
27:38Mas a Paulette perguntou se eu achava que o Maquiai estava vivo.
27:42E eu disse não.
27:43O olhar da Paulette ficou vazio.
27:48Uma sensação de vazio.
27:51Que acho que ninguém sente até ter perdido parte da alma.
27:57Quando parte da sua alma morre,
28:01você percebe.
28:03Ela sai.
28:05Ela sai.
28:06Deixa um espaço vazio.
28:14Sexta, 15 de setembro de 1995.
28:18Desaparecido há três dias.
28:21Eles começaram a se ater ao Hilton e observar o comportamento dele.
28:26Eles descobriram que ele tinha problemas financeiros.
28:31E ele também tinha uma dívida de jogo grande e não tinha dinheiro para pagar a dívida.
28:39Aí o FBI descobriu qual lavanderia o Hilton Crawford usava e tinha uma camisa lá que parecia ter alguns respinos
28:49de sangue.
28:50Tudo indicava que era ele.
28:57A polícia prendeu o Hilton Crawford, de 56 anos, amigo de longa data da família, chamado de Tio Hilti, pelo
29:04jovem Maquiai.
29:04Após ser preso, Hilton Crawford confessou apenas ter sequestrado Maquiai e entregado o menino para um homem chamado Air Lee
29:12Remington.
29:13Ele deu poucas informações.
29:16Ele estava transferindo a culpa para o Remington.
29:20Ele só confessou ter levado o Maquiai e disse que não tinha agido sozinho.
29:26A mulher que fez a ligação para a gente pedindo resgate era a Irene Flores.
29:33Ela trabalhava para o Hilton na empresa de segurança.
29:38Eu não ligava muito naquela época.
29:42Para quem fazia o quê?
29:44E eu só queria saber do meu filho.
29:54O FBI já estava sem pistas.
29:58Eles não sabiam onde procurar ou com quem mais conversar.
30:03O Cal virou para mim e disse que queria que eu falasse com a esposa do Hilton.
30:08E que eu dissesse para ela levar os dois filhos deles para a prisão.
30:16E para ela não sair de lá até o Hilton Crawford desenhar um mapa de onde o Maquiai estava.
30:25Eu acho que eles tinham esperança de que se o Hilton Crawford tivesse que enfrentar a esposa e os dois
30:33filhos,
30:33isso mexeria com ele, a ponto de fazer um mapa.
30:37Porque naquela época o FBI tinha certeza que o Hilton sabia onde o Maquiai estava localizado.
30:45E eu garanto que eles estavam ficando sem opção.
30:52Então, nós fomos até lá.
30:55A esposa do Hilton saiu e eu disse que queria que ela pegasse os dois filhos,
31:04fosse para a prisão e pedisse para visitar o Hilton.
31:07Que ela pedisse para ele desenhar um mapa de onde o Maquiai estava.
31:12Eu falei para ela não sair sem aquele mapa.
31:18Ela só olhou para mim e eu disse que tinha que ir para casa.
31:30Eu estava sentindo o maior estresse de toda a minha vida.
31:35Meu corpo estava falhando.
31:37Ele estava totalmente sobrecarregado.
31:42Eu nunca tinha sentido tanto estresse na minha vida.
31:48Então, eu deitei e apaguei de sono.
31:55E aí, umas duas em ponto da manhã,
32:02o Cal me acordou e eu olhei para os lados.
32:07O Cal estava inclinado do lado da cama.
32:10Aí, ele disse...
32:13Pauli, me desculpa.
32:14Eu não consegui trazer o Maquiai para casa.
32:18Ele tinha morrido.
32:19Estava morto.
32:27Foi como se o tempo tivesse parado.
32:33Eu tentei me mexer, não deu.
32:36Tentei falar, não deu.
32:39E minha cabeça estava acelerada.
32:42Aí, eu pensei assim,
32:43que eu tinha sofrido um acidente de carro,
32:46estava de coma, estava acordando de um coma.
32:50Estava criando uma história,
32:52uma fantasia que eu podia aceitar.
32:56Aí, eu pensei que era melhor não fazer aquilo.
32:59Não era verdade.
33:00Ele tinha morrido.
33:02Estava morto.
33:09O corpo de Maquiai foi encontrado a 400 quilômetros em Louisiana.
33:14Mesmo que Hilton ainda alegue não ter matado Maquiai,
33:17o corpo foi encontrado com o mapa feito por ele.
33:22Naquela época, o Hilton ficava dizendo que não tinha agido sozinho.
33:28Mas o Remington nunca foi achado pela polícia.
33:32Nós achamos que isso era só uma invenção dele.
33:36A melhor explicação que o FBI pôde dar naquela época
33:40é que quando o Hilton Crawford viu que o Maquiai estaria sozinho em casa,
33:46ele apareceu ali e ele disse para o Maquiai que o Cal e eu estávamos mal.
33:51O FBI acha que foi por isso que o Maquiai desarmou o alarme da casa e abriu a porta.
33:57Mas em algum momento pelo caminho, o Hilton disse que o Maquiai tinha ido para o porta-malas de um
34:05carro.
34:07Tinha marcas no porta-malas do Maquiai tentando sair.
34:12Em algum momento, o Hilton deve ter batido no Maquiai com uma lanterna bem grande,
34:19porque tinha uma marca que parecia ter sido feita por uma lanterna grande.
34:25Se encaixava com perfeição.
34:29Aí eles foram até os pântanos de Louisiana.
34:35O Maquiai foi arrastado como um saco de fertilizante pelo chão, pelo mato,
34:44e aí ele foi baleado.
34:50Dizem que o Maquiai foi sequestrado e morto.
34:52Bom, se esqueceram de uma etapa.
34:54O Maquiai foi sequestrado, torturado e morto.
34:59Esse não foi um crime sem dor nenhuma.
35:03Nada disso.
35:05Dá para imaginar o dano emocional de uma criança que é tratada assim?
35:11Eu paro para pensar e vejo que foi maldade.
35:15Foi maldade pura.
35:17O diabo encarnado.
35:27Teve um dia no tribunal em que eles estavam depondo sobre o caso,
35:32sobre o que ele tinha feito no porta-malas.
35:35Ele estava tirando a borracha de vedação.
35:38A borracha do porta-malas.
35:39E se ele tivesse tido mais dez minutos, ele poderia ter escapado.
35:46E aí...
35:49Foi...
35:50De repente, a Paulette começou...
35:53Ela começou a gritar.
35:55Gritar que não, não, não.
35:58Os detalhes foram além do que Paulette conseguiu suportar.
36:02Seus gritos ecoaram pelo tribunal.
36:07Quando ela percebeu a gravidade do que o Maqui tinha sofrido,
36:12quando pensou nele apavorado, foi...
36:16Como um pesadelo.
36:19Quase como um filme.
36:21Como um filme.
36:22Uma...
36:23Loucura.
36:25Pelo resto do julgamento,
36:27Cal e eu comparecemos todos os dias.
36:30E a Paulette ficava em casa.
36:31Contávamos tudo para ela.
36:37Em 24 de julho de 1996,
36:40Hilton Crawford foi julgado culpado por homicídio e condenado à morte.
36:43Irene Flores foi condenada a 25 anos de prisão
36:46e saiu em liberdade condicional em 2018.
36:48É uma batalha do bem contra o mal.
36:51Todo dia.
36:52E o mal ganhou aquela batalha.
36:55Não a guerra, só a batalha.
37:01A vida da Paulette e do Cal desmoronou
37:03depois da morte do Maqui.
37:06Eu não sei se eles se sentiram...
37:09se sentiram culpados pela morte do filho,
37:13mas me deixou muito triste e me fez chorar.
37:18Eu chorei muito porque o Cal sempre seria o pai do Maqui
37:22e a Paulette sempre seria a mãe do Maqui.
37:27E, para mim, eles deviam ficar juntos.
37:31Mas as batalhas que...
37:34que cada um luta...
37:37O furacão de emoções quando você perde um filho é...
37:41Bom, é diferente para cada pessoa.
37:44Tem uma culpa, tem uma raiva, tem uma amargor.
37:49Isso fez eles se afastarem.
37:52O Maqui era o elo que manteve a família por tantos anos.
37:57Era um elo do bem.
38:03Em 2011, anos depois do divórcio dos Everettes,
38:07Carl morre de ataque cardíaco.
38:11Eu acho que o Cal morreu mesmo, foi de coração partido.
38:15Ele nunca se recuperou da perda do filho.
38:20Tem tantas coisas que ele fez por mim e para muita gente,
38:25mesmo estando arrasado por ter perdido o filho.
38:30Deu para ver que ele nunca mais foi o mesmo.
38:33Ele ficou muito triste.
38:37O Hilton foi perverso para sequestrar o único filho de 12 anos de alguém.
38:42Só sendo perverso para fazer o que ele fez.
38:45Ele tirou tudo da família Everett.
38:56Foi ofensivo ser acusado de um crime tão trágico assim.
39:00Aquilo me afetou.
39:03Eu ia trabalhar, mas eu voltava para casa logo,
39:07porque não queria conversar sobre o assunto.
39:11Eu queria que aquilo meio que acabasse.
39:14Mas um crime dessa gravidade leva tempo para sumir.
39:18A parte da raiva não durou muito tempo,
39:21porque como cristão você precisa perdoar.
39:26Eu sempre disse que era importante eu ajudar a Paulette como eu pudesse,
39:30para que ela pudesse se curar daquilo.
39:33E fico muito feliz de ainda sermos amigos.
39:40Algumas pessoas perguntam como eu consigo ser amigo dela.
39:43Ela não me acusou.
39:46Ela foi a pessoa que perdeu seu maior tesouro na vida, o único filho.
39:50Eu tinha que ficar do lado dela, ajudar ela a continuar seguindo em frente e se curar.
39:57Porque eu acho que o processo de cura vai durar o resto da vida da Paulette.
40:08Depois do julgamento, Paulette Norman pede todos os arquivos do caso do filho.
40:16Quando eu pedi todos os arquivos do caso para o procurador,
40:20eles me falaram que eu não devia mexer naquilo.
40:24E eu sabia que eu não era uma pessoa fraca.
40:30Então, eu revirei a caixa, eu abri todos os envelopes e olhei para as fotos do corpo do McKay.
40:42A violência horrorosa que eu vi naquelas fotos,
40:47o que tinha acontecido com o McKay,
40:49o que ele tinha sofrido,
40:51aquilo virou o meu ponto guia para seguir em frente.
40:57Eu escolhi fazer com que aquela situação me fortalecesse, não me derrubasse.
41:05Eu sei porque eu faço o que faço.
41:09É só olhar para as fotos que dá para entender.
41:13Foi isso que me deixou mais forte.
41:16Isso não me destruiu.
41:18Isso não me deu a coragem que eu precisava.
41:33Por anos, eu achei que não fosse ver a execução.
41:38Mas a data foi se aproximando mais e eu me abri mais para a ideia de comparecer.
41:48Então, eu tomei a decisão de assistir.
41:52No momento da execução, ele só disse que queria ser perdoado.
41:56Mas ele nunca admitiu, nunca, nunca ter matado o McKay.
42:02E eu sou da opinião que para receber o perdão de Deus,
42:08você tem que confessar.
42:11Se não confessar,
42:14como você vai conseguir perdão?
42:20E então, declararam ele morto.
42:25E eu fiquei...
42:29Acabou.
42:30Essa parte acabou.
42:32Agora eu podia ficar de luto pelo McKay.
42:36Sentir falta dele.
42:39E desejar escutar.
42:42Ele batendo no piano e correndo pela casa.
42:46Batendo a porta na hora de entrar e sair.
42:50Esses dias nunca mais vão voltar.
42:52Acabou.
42:55Mas agora aquele homem não vai mais machucar ninguém na vida.
43:02E era importante para mim que pegassem o criminoso.
43:12Versão Brasileira.
43:14Vox Mundi.
43:18Amém.
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