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  • há 15 horas
Transcrição
00:00De 2003 a 2005, um assassino em sério em Pyrrha, Illinois, arruinou a vida de diversas pessoas.
00:07É assim que três delas se lembram dos eventos.
00:16Tá ligado agora?
00:19Oi, mãe.
00:20Tá, pode falar, Larry.
00:22Mãe?
00:23Vai, pode falar.
00:24Tá bom.
00:25Mãe, eu só queria pedir desculpa.
00:30É que eu tive que contar pra eles o que eu fiz pra te poupar de mais sofrimento.
00:37Eu peço desculpas.
00:39Pra famílias das garotas que eu matei, eu só queria dizer que eu sinto muito mesmo.
00:45E eu rezo todo dia pelas almas delas.
00:52Mãe, eu te amo de coração.
00:55E me desculpa por eu ter virado um filho tão ruim assim.
01:01Tomara que você me perdoe, mamãe.
01:05Eu te amo de coração.
01:09Me desculpa mesmo, mãe.
01:13Eu acabei aqui.
01:28O mal projeta uma sombra.
01:34Ela se espalha,
01:37arrastando suas vítimas para a escuridão.
01:45Elas encontrarão a luz
01:50Vivendo com o inimigo
01:52Sombras da Morte
02:00A minha mãe, ao contrário de outras mulheres, nunca desapareceu.
02:07Ela foi vista na noite antes do assassinato.
02:12Então, por pior que tenha sido a história, essa parte foi bem reconfortante.
02:21Carmeia Irwin, filho de Berna
02:26Hoje, está sendo o dia mais difícil para mim em muito tempo.
02:33Eu estou fazendo isso por você.
02:45Eu já nem lembro por quanto tempo a minha mãe trabalhou num restaurante de frango.
02:51Todo mundo no bairro chamava ela de Moça do Frango.
02:54E ela levava frango para casa todo dia, até que ela...
02:58A gente não aguentava mais comer aquilo.
03:01Mas, não tinha jeito.
03:04A gente comia o frango.
03:06Para a gente e as filhas, ela era a mãe perfeita.
03:09A gente não enxergava nada nela, além de pura perfeição.
03:24Eu nem sei dizer direito quando começou a relação da minha mãe com as drogas.
03:30Mas, eu devia ter, tipo...
03:33Uns 12 anos.
03:36De manhã, a gente acordava e ia lá para baixo, depois das noites de festa dela com os amigos lá
03:43em casa.
03:45E tinha vários canudos.
03:48A gente guardava e depois brincava com eles.
03:51Só que a gente acabou descobrindo que eles usavam os canudos para...
03:58Tirar a cocaína, basicamente.
04:04A gente só começou a notar que a minha mãe era dependente de química quando as pessoas foram comentando.
04:13E as crianças falavam...
04:15Ai, eu vi sua mãe drogada e...
04:17A gente já ia defender.
04:19Não tem nada errado com a nossa mãe.
04:20A sua que usa.
04:21A minha não usa droga, não.
04:23Para com isso.
04:25Mas, acontece que, uns anos depois, a gente foi notar os efeitos.
04:34Mas, a gente sempre teve uma ideia de que ela tinha tempo para se livrar das drogas.
04:40Ai, a gente começou a ver os amigos que sempre se chamavam com ela, alguns anos antes.
04:47Todos eles saindo daquelas vidas desregradas.
04:50Então, a gente só esperava pacientemente.
04:52A vez dela chegar.
04:55Só que, a vez dela nunca chegou.
05:10Ela era uma pessoa com quem eu andava com orgulho na rua.
05:17De mãos dadas.
05:19Eu nem ligava para o que as pessoas diziam sobre um relacionamento interracial.
05:25Paul Dart, marido de Laura.
05:31Era um relacionamento de amor.
05:34Não...
05:35Não tinha preto ou branco.
05:38Era só amor.
05:42Era a única coisa que importava.
05:46Eu te amo e sinto saudade.
06:01A primeira vez que eu vi a Laura foi numa quadra de basquete.
06:08Ela estava assistindo a gente lá da cerca.
06:11Aí, um amigo meu me falou que ela estava interessada em mim.
06:18Eu virei para ela e meus olhos brilharam.
06:22Ela era linda.
06:25Aí, eu fui lá e a gente bateu um papo ótimo.
06:30Ela ria e eu adorava a risada e o sorrisão dela.
06:34Era uma sensação maravilhosa que eu nunca esqueci.
06:41Era demais.
06:43E não demorou para ela me falar que estava grávida.
06:48E foram cada vez mais filhos.
06:51Chegou a sete meninas e um menino.
06:54Ela era uma mãe ótima.
06:57Era uma pessoa especial para mim e na minha vida.
07:01Era a minha esposa.
07:02Ficamos juntos por 21 anos.
07:05Até que...
07:07Um cara por aí...
07:11Teve que arruinar tudo para mim.
07:14Não é, Caio?
07:14Isso não está certo, cara.
07:18Não está certo.
07:33Essa foto é do local onde o Larry queimava os corpos.
07:42Dave Hoyle, investigador.
07:47Sempre me perguntam isso.
07:49Tem 15 anos que eu ouço essa questão.
07:52Por que ninguém no bairro percebeu que ele estava queimando corpos?
07:57É que quando se queima a carne, o cheiro já é conhecido.
08:03Eu acho que não teve nenhum único relato ou reclamação sobre ele queimando nenhum.
08:19No começo desse caso, eu era investigador.
08:24Devia ter cerca de dois anos, talvez três.
08:27Eu era um policial novato.
08:30Em 2004, a polícia do condado de Pyrrhea segue com dois casos de mortes sem solução.
08:36A primeira garota foi a Sabrina Paine, que foi achada um ano antes, numa plantação de milho.
08:44Acho que ela estava parcialmente vestida.
08:49Depois, a Barbara Williams foi a segunda vítima, uma mulher negra jogada numa beira de estrada.
08:58Os corpos foram achados dentro de um raio de 40, 50 quilômetros.
09:05Elas claramente não tinham sido mortas lá.
09:09Era o que chamamos de local de desova.
09:14As duas eram da mesma região, tinham o mesmo estilo de vida.
09:18As duas mulheres eram prostitutas negras.
09:23Alguns investigadores pensaram que era overdose de drogas e só tinham desovado os corpos.
09:28Mas eu fiquei matutando que tinha alguma coisa errada.
09:36Eu e um dos investigadores falamos para o chefe que podia ser um assassino em série.
09:42O chefe disse para ninguém falar aquilo que isso era problema.
09:47Ele com certeza estava preocupado com gasto, com hora extra, porque naquela época a polícia estava limitando.
09:55Não tinha orçamento. Se fosse um assassino em série, aquilo ia sair bem caro, né?
10:00Certeza que foi por dinheiro.
10:03Claro, eu me irritei.
10:05Eu lembro muito bem de dizer que se elas fossem brancas e loiras, a gente ia estar ralando bastante.
10:13Olha, eu odio admitir e é capaz de falar um monte para mim se isso entrar no programa, mas essa
10:21é a verdade.
10:23Então, eu falo sem medo.
10:2527 de setembro de 2004
10:30Eu não lembro onde eu estava, só lembro do chefe ligando e falando que tinham achado outra mulher negra nua.
10:38E eu saí na hora.
10:41Mas falei para ele, acredita agora, é um assassino em série.
10:52Cada investigador da polícia tem seu jeito de lidar quando vê um cadáver.
11:00O que eu faço quando eu vejo um cadáver é bem simples.
11:04Bom, eu sou cristão e acredito em Deus.
11:08Vou na igreja de domingo.
11:10Chegando na cena, eu pego dez segundos sem ninguém saber para uma oração.
11:15Meu Deus, por favor, me deixe solucionar o caso.
11:19Leve a alma e faço o que precisa.
11:22Mas me deu necessário para descobrir o que aconteceu.
11:26E ali eu começo.
11:32Em setembro de 2004, um terceiro corpo é identificado como Linda Neal, uma mulher que o investigador Royal conheceu semanas
11:38antes.
11:42A Linda atuava como prostituta e um cara pegou ela numa picape surrada, levou-o numa estrada de cascalho e
11:51ali ele agrediu, fez sexo, se recusou a pagar, tirou do carro e abandonou ela no acostamento.
12:01Me ligaram no dia seguinte para investigar o que tinha ocorrido com a Linda.
12:07Eu só estou dizendo que...
12:09Eu coloquei ela na minha viatura e dirigi pelo sul todo e pedi para a Linda me dizer se ela
12:17visse o tal carro.
12:18E naquilo, a gente começou a rir e fazer graça.
12:24Ela era engraçada, ela era muito divertida, ela era uma pessoa muito boa, que tomou decisões erradas e era dependente
12:34química.
12:37Na nossa última conversa, eu falei que ela precisava parar com as drogas, que ia se dar mal e ela
12:44disse...
12:46Eu sei, Dave, eu sei, Dave. Eu vou parar.
13:02Chegando na cena do crime, um policial...
13:08Me levou até o corpo, assim que eu olhei, confirmei que sim.
13:13Era a mesma Linda. Ela estava lá sem roupas.
13:19Eu lembro que houve larvas.
13:21E ela estava com o cadastro do tênis em forma de nó ao redor do pescoço.
13:29Eu senti que a decepcionei.
13:39Não tinha nenhum DNA na Bárbara. Também não encontraram na Sabrina.
13:44O primeiro DNA que a gente pôde coletar foi o da Linda New.
13:50Achávamos que era só achar a compatibilidade pra chegar no cara.
13:55Mas um DNA sem nome é um DNA inútil.
14:00Tem que ser compatível, né?
14:07Depois de ver vários homicídios passando na TV...
14:13A gente ficou preocupado, né?
14:16Porque os perfis das mulheres eram meio parecidos com o da minha mãe.
14:23Eram todas mulheres negras que lutavam contra a dependência química.
14:33Eu lembro que eu via no jornal.
14:37E parecia que toda vítima que achavam, a minha mãe conhecia.
14:47E até que bem.
14:50E a gente ficava falando pra ela...
14:53Mãe, por favor, toma cuidado.
14:55Vê se tenta ficar mais tempo em casa, tá bom?
14:58E ela sempre respondia...
15:01Não se preocupem comigo, tá... tá tudo bem.
15:05Ela dizia que não era que nem elas.
15:08Só que a gente enxergava claramente as semelhanças.
15:13Mas ela devia achar que tava... tava livre.
15:18Do que tava acontecendo lá no nosso bairro.
15:25Até que a dependência química da minha mãe...
15:28Saiu...
15:29Totalmente do controle.
15:34Foi aí que eu comecei a ver a minha mãe desmoronar.
15:39Primeiro foi basicamente...
15:41Com aparência física.
15:43Depois, ela...
15:44De repente...
15:46Desaparecia por dias seguidos, sabe?
15:49Podiam ser dois...
15:50Ou três dias da gente perguntando por ela.
15:56Até hoje, eu ainda me lembro que uma vez...
15:59Ela veio...
16:00Falar pra gente que...
16:01Tava disposta a ficar limpa.
16:04E deixou a gente...
16:06Levar ela...
16:07Pra reabilitação.
16:13A gente levou...
16:15E deixou ela na porta do lugar.
16:17Só que uma hora depois...
16:19Ligaram falando que...
16:21Ela tinha pedido alta.
16:24Foi...
16:25Naquela hora que a gente percebeu...
16:28Que tinha um limite pra poder ajudar.
16:31Quando...
16:31Ela saiu daquela clínica...
16:34A gente viu que...
16:36Ia ser uma luta.
16:39E a partir dali...
16:41Ia virar uma batalha.
16:49Eu e Laura...
16:50Começamos a usar drogas.
16:53Crack, cocaína...
16:54Eu acho que eu experimentei antes do que ela ir.
16:57Nós dois gostamos.
16:58Com certeza.
17:00Bom, e aí?
17:03No começo era só um...
17:06Negócio de fim de semana.
17:07Mas dentro de quatro anos...
17:09O uso de drogas virou quase que...
17:12Diário.
17:14Eu sempre me segurava.
17:16Assim...
17:17Eu acho que nunca me deixei levar por completo.
17:20Mas...
17:21Com a Laura, eu fiquei preocupado.
17:26Em 2004...
17:27Paul segue o tratamento.
17:28Mas Laura...
17:29Continua sofrendo com a dependência química.
17:32No outono de 2004...
17:33Tudo muda.
17:37Já era bem tarde.
17:39Eu acho que...
17:40Entre onze e meia e meia-noite.
17:42Alguma coisa assim.
17:43E uma mulher...
17:45Bateu lá em casa...
17:47Chamando-o pela Laura.
17:49Eu perguntei pra quê.
17:50Ela só queria falar com a Laura.
17:53E na frente tinha um carro...
17:54Que estava ligado e com os faróis apagados.
17:57Eu não sabia quem estava dentro.
17:59A Laura foi na porta...
18:01Falar com uma mulher.
18:04E deve ter dado uns cinco minutos.
18:08Aí a Laura disse...
18:09Que ia sair um pouco com eles...
18:11Mas que já voltava.
18:13Eu disse...
18:14Tá tarde.
18:15Não é melhor você ficar aqui?
18:17A gente não estava se divertindo.
18:19Por que é que você vai sair agora?
18:21Ela disse que ia só fazer um negócio...
18:23E já voltava.
18:27Depois que a Laura saiu por aquela porta...
18:30Aquela seria a última noite da sua vida.
18:41Eu acho que deu uma meia hora...
18:44Talvez passaram uns quarenta e cinco minutos.
18:47E foi aí...
18:48Quando eu comecei a me preocupar.
18:51Eu fui pra rua...
18:52E comecei a procurar por ela.
18:56Por acaso...
18:56Eu sabia onde morava a mulher...
18:58Que tinha ido em casa.
18:59Então eu fui até lá...
19:00E bati na porta dela.
19:02Aí...
19:03Eu perguntei da Laura.
19:06Ela não estava lá.
19:07E eu perguntei onde é que ela estava.
19:09E ela tinha saído com o cara.
19:11Eu perguntei o nome.
19:13Ela disse Larry.
19:15Eu não conheço o cara...
19:17E não sei mais nada.
19:19E aí fechou a janela.
19:22Eu procurei até duas e meia...
19:24Três da manhã.
19:27Tive um pressentimento...
19:28Que eu não gostei.
19:31Então eu não podia parar de procurar.
19:38Aí eu fui pra casa dormir um pouco...
19:40E continuei procurando ela no outro dia.
19:43Fui em várias casas...
19:45Onde eu sabia que ela podia estar.
19:47Mas ninguém a tinha visto.
19:48Ninguém.
19:53E aí...
19:54Passaram alguns dias...
19:58Acho que dois no máximo.
20:00Eu fui na casa da mãe dela...
20:02E falei pra gente...
20:03Abrir um boletim de desaparecimento.
20:05A Laura não fazia aquilo.
20:08Me dava...
20:09Uma sensação terrível...
20:12De pensar...
20:13Será que ela...
20:14Será que ela fugiu?
20:16Foi embora da cidade?
20:26No último dia que...
20:40No último dia que eu vi a minha mãe...
20:43Viva...
20:45Ela tinha ido...
20:47No mercado que eu trabalhava.
20:51E...
20:52Durante toda...
20:54A infância...
20:56Eu sabia...
20:57Que ela amava a gente.
20:59Ela quase nunca falava isso.
21:02A gente sentia...
21:04Mas ouvir mesmo...
21:05A gente nunca ouvia.
21:07E...
21:08Naquele dia...
21:09Ela foi lá e comprou as coisas dela e...
21:12A gente se despediu.
21:15Mas quando ela estava na porta...
21:18Ela...
21:19Virou pra trás...
21:22E me falou...
21:24Mia...
21:25Você sabe que eu te amo.
21:26No começo...
21:27No começo...
21:28Eu fiquei travada...
21:29Porque...
21:30Ela nunca...
21:31Falava aquilo.
21:33E...
21:34É claro...
21:35A minha reação natural foi dizer...
21:37Mãe...
21:37Eu também te amo.
21:38Aí...
21:39Depois ela saiu...
21:42E...
21:43Aquelas foram as últimas palavras...
21:45Que a gente disse uma pra outra.
21:53Quando Carmeia vê a mãe pela última vez...
21:55A polícia de Pyrrha...
21:56Já tem três homicídios não solucionados...
21:59E quatro casos de mulheres desaparecidas.
22:02Quando a Força-Tarefa foi formada...
22:04Tinha só um monte de investigadores...
22:07Uns caras da Forense...
22:08E alguns supervisores.
22:11E acontecia que...
22:13Todo dia a gente recebia pistas pra ir investigar.
22:18E...
22:18Eu e meu parceiro, na época...
22:21Queríamos pegar as melhores pistas.
22:24Porque...
22:24O nosso objetivo era pegar aquele cara.
22:29Acho que tinha umas mil e duzentas pistas.
22:32E elas não paravam de chegar.
22:34E tinha informações como...
22:36Meu carteiro é bem sinistro.
22:38Outra pista era...
22:40Vou investigar esse cara...
22:41Porque eu sei que ele assiste pornô sem parar.
22:46Todo mundo na Força-Tarefa...
22:48Trabalhava de 12 a 16 horas por dia.
22:51A gente estava atrás de uma agulha no palheiro.
22:59Em 15 de outubro de 2004...
23:01Outro corpo é encontrado.
23:05Eu lembro bem que eu falei...
23:07Como é possível isso acontecer?
23:10A polícia estava agindo por todo lado.
23:13Então, como era possível?
23:16Como?
23:17Tinha vários investigadores na região...
23:20Onde as garotas eram pegas.
23:22E observando as prostitutas...
23:25Se pegassem uma delas...
23:27A gente olhava a placa...
23:28Ia atrás do carro...
23:29E observava...
23:30Fazia de tudo.
23:31A gente estava fazendo de tudo...
23:33Para evitar que aquilo acontecesse de novo.
23:36E literalmente...
23:37Aconteceu debaixo dos nossos narizes.
23:41E a sensação daquela ligação...
23:44Verde um soco no estômago...
23:46Porque a gente faz tudo o que pode...
23:48E...
23:49Acha que tomou as medidas para resolver...
23:52E de repente...
23:53Bum!
23:53Foram dois passos para trás.
24:05A Brenda fechada na Taga Road...
24:08No condado de Peoria...
24:09Perto de Farmington...
24:11Totalmente nua...
24:12Tirando que ela devia estar com uma meia...
24:14De rosto para baixo...
24:16Numa estrada de lama e cascaio.
24:21Com a Brenda...
24:23Eu lembro que a gente...
24:25Não tirou nada da cena.
24:27Acho que a gente só viu...
24:29Umas trilhas de pneu...
24:30Que não dava para identificar...
24:35Aí...
24:35Tinha a vítima...
24:37E nada mais...
24:39Então, claro...
24:39Foi frustrante...
24:40Porque...
24:41Do que tinha ajudado?
24:42Nada.
24:44Nada.
24:45Não tinha nada.
24:49Sempre que tem um corpo...
24:51A pressão aumenta...
24:56Ele tinha que poder ter um erro...
24:59Para a gente poder pegar...
25:01Mas o que a gente estava deixando passar...
25:04Tinha alguma coisa...
25:05O que era?
25:06O que era?
25:08Investigadores fazem isso...
25:09Juntam as informações...
25:11E conversam...
25:11Debatem...
25:12E discutem...
25:13E acham pontos comuns...
25:15Mas o que importa mesmo é...
25:17O que deixaram passar...
25:19Quando a gente encontrar isso...
25:22Está resolvido.
25:23Resolvido.
25:34Três dias...
25:35Depois da última visão...
25:38Da minha mãe viva...
25:39Veio uma ligação do meu...
25:41Do meu tio...
25:43Ele estava em pânico no telefone...
25:46E...
25:46Ele ficava falando...
25:48Mia...
25:48A Brenda morreu...
25:49A Brenda morreu...
25:50Na hora...
25:52Eu nem consegui registrar...
25:54O que ele tinha falado para mim...
25:57Eu só lembro que...
26:00Derrubei o telefone no chão...
26:07Pois é...
26:08Aí eu cheguei lá...
26:09E...
26:10Estava cheio de...
26:12Investigador...
26:12E...
26:13Policial...
26:14E...
26:14Eu...
26:15Lembro que eu perguntei para eles...
26:18Como é que...
26:19Eles sabiam que era ela...
26:20Já que estavam falando tanto...
26:22Que informações eles tinham...
26:23Para...
26:24Ter certeza...
26:25Que era ela...
26:27E...
26:28Eles disseram que tinham identificado ela...
26:30Pelas...
26:31Digitais...
26:32Por isso eles sabiam...
26:35Que era ela mesma...
26:37Então...
26:38Uma vez que a gente...
26:39Tinha aquela confirmação...
26:41Eu só pensava...
26:43Nas...
26:43Minhas irmãs...
26:45Como...
26:48Como é que elas...
26:50Iriam poder viver assim...
26:51A mãe delas...
26:52E como...
26:53É que se dá esse tipo de notícia...
26:55Para uma pessoa...
26:56Tem hora...
26:58Que eu...
26:59Queria ser a última...
27:00Ficar sabendo em vez de...
27:02Ser a primeira...
27:06Foi uma das coisas mais difíceis...
27:08Que eu tive que fazer...
27:12Após meses de investigação...
27:14Uma profissional do sexo negra...
27:16Chamada Vic...
27:16Diz a polícia que foi estrangulada...
27:18Por um homem chamado...
27:19Larry Bright...
27:20Um dos investigadores...
27:22Seguiu...
27:23Uma pista da Vic...
27:24E aquela foi a primeira vez...
27:26Que eu escutei o nome...
27:29Bright...
27:29E eu lembro...
27:30Bem do investigador falando...
27:32Que a gente tinha que...
27:33Investigar aquilo...
27:35Aí eu e meu parceiro...
27:37Fomos lá na casa...
27:38Onde ele morava...
27:39E eu acho que aquilo...
27:41Era uma caragem...
27:42Que tinha virado um apartamento...
27:45E ficava bem atrás da casa da mãe dele...
27:47Tinha...
27:48Um lago com carpas...
27:50Um jardim com flores lindo...
27:52Que ele tinha plantado entre a casa dele...
27:54E a da mãe...
27:55Era bem cuidado...
28:04O Larry era...
28:05Era bom de conversa...
28:08Não era muito inteligente...
28:10Mas parecia ser um cara tranquilo...
28:12Enfim...
28:13Ele era só um trabalhador comum...
28:15Lá do centro-oeste...
28:18Ele se acabou do lago de carpas...
28:20Que tinha feito para a mãe...
28:21Das flores que tinha plantado para a mãe...
28:24Então...
28:25Tudo girava em torno da mãe...
28:26A mãe dele...
28:28A gente tinha DNA de uma das vítimas...
28:31Aí eu pedi para o Larry...
28:33Uma amostra do dele...
28:34Para a gente poder comparar...
28:36O Larry negou...
28:38Mas durante a conversa...
28:40A gente deixou ele...
28:42Fumar um cigarros...
28:43E...
28:44É normal para mim...
28:46Pegar bituca de cigarro...
28:48Se eu preciso de um DNA...
28:51Só que...
28:53Acabou a conversa...
28:56E o Larry...
28:57E o Larry...
28:57Tinha comido todas as bitucas...
29:00Para não deixar nenhum DNA...
29:08Mas na hora que eu vi que ele tinha engolido as bitucas...
29:11Eu pensei...
29:12Tá bom...
29:12É ele...
29:13Tem que ser ele...
29:14Por que alguém faria isso?
29:16Sério...
29:17Conhece alguém que come bituca de cigarro?
29:21Não lembro bem como a gente pegou o DNA...
29:24Pode ter sido na garrafa plástica...
29:26Que estava na sala na hora das bitucas...
29:28Ele engoliu as bitucas...
29:30Esqueceu da garrafa...
29:31Não sei bem como conseguiram...
29:33Mas...
29:33O teste mostrou que...
29:35O DNA coletado...
29:37Lá da Linda...
29:38Batia com o Larry...
29:41E já foi o suficiente...
29:43Para um mandado de busca...
29:44Para toda a propriedade...
29:50Logo para fora da porta...
29:52Entre a casa dele...
29:53E o campo de softball...
29:54Tinha uma fogueira...
29:57Um cara da polícia forense...
29:59Falou que tinha...
30:00Um cheiro bem ruim...
30:04A gente achou ossos...
30:06Na fogueira do quintal...
30:07E no fim...
30:09Eram humanos...
30:10Eu sei que era o tamanho de uma moeda...
30:12De 25 centavos...
30:15Não mais...
30:16É não só uns pedacinhos de ossos...
30:19Mas com aquilo...
30:21A gente prendeu ele...
30:29Na época...
30:30Ele já estava com um advogado...
30:33Então...
30:34A gente precisava de...
30:36Um plano...
30:37Para fazer o Larry falar...
30:39Sim, a gente pedia...
30:41Para ele começar a falar...
30:43E eu logo pensei na mãe dele...
30:45Assim que ele descobrisse...
30:47Que a gente ia escavar o jardim...
30:49Das flores da mãe dele...
30:50Ele não ia gostar...
30:52Então...
30:52A gente decidiu seguir esse plano...
30:56Larry...
30:56A gente vai escavar as suas flores...
30:59Vai escavar do seu lago...
31:00Vai escavar todos ao jardim...
31:03E...
31:03A resposta dele foi...
31:05Não precisa fazer isso...
31:06Eu falo...
31:08Eu perguntei...
31:09O que iria falar...
31:10E eu disse...
31:11Tudo...
31:12Na hora a gente parou...
31:14E foi para a sala de interrogatório...
31:18Tudo certo?
31:22É...
31:23Eu matei...
31:24Quantas você matou?
31:26Só oito...
31:28Vamos esclarecer...
31:30Oh, Larry...
31:30Aguenta firme, cara...
31:32Tá legal?
31:33Aguenta...
31:34Aguenta aí...
31:38Aguenta firme...
31:40E como elas morreram?
31:42Você estragulou ou fez outra coisa?
31:45Isso...
31:45As oito foram estraguladas...
31:47O que você usou para isso?
31:49Minhas mãos...
31:50Suas mãos?
31:51E é que estava com cadastro de tênis no pescoço...
31:58É que...
31:59Sei lá...
32:00Eu vim no programa na TV...
32:02E eu tentei deixar diferente...
32:05Foi bem esperto...
32:07Não fui...
32:08Eu estou aqui...
32:10Eu queimei os corpos...
32:14E quantas ainda estão desaparecidas?
32:17Quatro...
32:18Foram quatro garotas...
32:21Entendo...
32:28Me perdoa, meu Deus...
32:34Foram as drogas...
32:39Eu comecei a fazer isso...
32:42Porque...
32:42Porque eu descobri que eu acabei...
32:44Contraindo o HIV...
32:47Como descobriu isso?
32:50Quando eu fui...
32:52Doar sangue...
32:53Lá no banco de sangue...
32:55Bom...
32:56Se quiser...
32:57Pode pedir um tratamento...
32:58Para AIDS...
32:59Na cadeia...
33:00Eu não quero viver...
33:07Eu não quero viver...
33:30Me falando...
33:31Para fazer coisas...
33:32Sei lá o que...
33:33Não deu para parar...
33:34Nem tinha mais a ver com sexo...
33:36Não era mais lixo...
33:37Era por vingança...
33:38Vingança por quê?
33:40Por me matarem...
33:41Pelo HIV...
33:43É...
33:45É...
33:46Os registros policiais mostram...
33:49Que o teste de HIV de Larry Bright...
33:50Na cadeia deu negativo...
33:55Ele matava elas dentro da casa dele...
33:58E...
33:59Depois...
34:00De matar...
34:01Ele limpava elas com água sanitária...
34:05Daí levava para o quintal...
34:07E fazia uma fogueira...
34:10Esperava ficar bem quente...
34:12E colocava os corpos...
34:13Sobre a madeira e o carvão...
34:15Enquanto o fogo queimava...
34:17O Larry pegava um tipo de pá...
34:19Ia cortando os corpos das mulheres...
34:21De pouco em pouco...
34:23E depois disso...
34:24Ele punha...
34:25Os pedaços num balde...
34:27E descartava em vários locais da cidade...
34:38Aqui estão Brenda...
34:42Laura...
34:44Linda...
34:46Sabrina...
34:48Bárbara...
34:50Tamara...
34:50Shirley...
34:52E Chaconda...
34:54Eu perguntei para ele um motivo...
34:57E ele disse que não sabia...
35:00O Larry tem uma crueldade muito profunda, sabe?
35:05É impossível compreender o mal que é necessário...
35:09Para fazer aquilo...
35:19Pronto...
35:19Estou gravando...
35:21Como parte da confissão em 2005...
35:24Larry Bright leva a polícia a vários locais de desova...
35:26Onde ele escondeu restos mortais queimados...
35:28Este vídeo da polícia é de um dos locais...
35:34E deve ter mais...
35:35Então aponta para a gente onde estão os fragmentos grandes...
35:39Parece que tem um aqui...
35:41Tá bom...
35:42E parece que tem outro ali e ali...
35:44E deve ter um lá...
35:46Talvez dentro do balde...
35:47Mas eu não sei...
35:48Pois é...
35:48Tem um aqui...
35:52Ah...
35:52É mesmo...
35:58Na noite antes do homicídio...
36:01Choveu...
36:02E...
36:03Por causa disso...
36:04Ele achou...
36:05Que não daria para...
36:07Queimar o corpo...
36:09Já que...
36:09A água...
36:10Ia acabar apagando o fogo...
36:13Aí...
36:14Ele decidiu que...
36:16Era melhor...
36:18Colocar...
36:19O cadáver dela...
36:20Nu...
36:21Dentro do carro...
36:22E...
36:23Saiu dirigindo...
36:24E...
36:25Jogou o corpo dela...
36:29Num acostamento...
36:31Da estrada...
36:41Eu soube...
36:44Que os corpos...
36:45Das outras vítimas...
36:47Que eles acharam...
36:48Muitos meses depois...
36:50Muitos foram...
36:52Cortados e queimados...
36:58Que bom que...
36:59Ele não fez isso com a minha mãe...
37:01A gente até...
37:02Conseguiu fazer um funeral...
37:04De caixão aberto...
37:05Para ela...
37:07E...
37:07Podemos ver o corpo dela...
37:09E é claro...
37:12Isso não mudou...
37:13Muita coisa...
37:14Mas...
37:15Me deu uma sensação...
37:16De ponto final...
37:24Meses após o desaparecimento...
37:26Paul Tart...
37:26Descobre sobre o destino de Laura...
37:28No noticiário...
37:32Eu ouvi o que ele fez com ela...
37:34Não tinha corpo...
37:37Ela foi...
37:38Picotada e queimada...
37:41Cortada e queimada...
37:43Uma das coisas mais devastadoras da minha vida...
37:46Eu...
37:47Eu nunca senti...
37:48Um ódio tão forte...
37:49Que nem aquele...
37:51E...
37:52Eu ficava...
37:53Pensando no que fazer com ele...
37:55Eu imaginava...
37:56Por que...
37:56Que eu não tinha ido...
37:57Estourar a porta...
37:58Onde ela estava...
37:59Para salvá-la...
38:02Eu vi ela sair...
38:04Eu deixei ela ir...
38:07Com...
38:08Um assassino em série...
38:10Que eu nem imaginava...
38:11Que existia...
38:14Mas quando eu falei...
38:15Para as crianças...
38:16É que eu acho que a ficha caiu...
38:18De verdade...
38:21Eu perguntei...
38:22Vocês acreditam em anjos?
38:24E eu percebi que...
38:26Eu...
38:27Eu...
38:27Eu percebi que as filhas...
38:30Mais velhas...
38:31Já sabiam o que eu ia falar...
38:33Eu vi...
38:34Eu vi nos rostos...
38:35Que estavam desmoronando...
38:36Antes de eu falar...
38:38E lembro que todos falaram...
38:40Sim...
38:41A gente acredita em anjos...
38:43Foi quando eu falei...
38:44A sua mãe...
38:44Virou um anjo...
38:47A sua mãe...
38:48Ganhou asas...
38:49E é um anjo...
38:52Foi bem difícil...
38:53Dava para ver...
38:54Nos rostos deles...
38:55Deu para ver...
38:56Na hora...
38:57Que eu ia dar a notícia...
38:59E é isso...
39:00Isso não está certo...
39:03Não está certo...
39:08Não está certo...
39:09Não está certo...
39:10E é tudo por causa de um...
39:13Cara mau...
39:16Um cara mau...
39:17Levou a minha alma a gêmea...
39:24Larry Bright...
39:26Se alega culpado...
39:26Por sete acusações de assassinato...
39:28Em primeiro grau...
39:28E uma acusação de homicídio...
39:30Induzido por drogas...
39:31Em 30 de maio de 2006...
39:33Larry Bright...
39:33É condenado a oito...
39:34Prisões perpétuas...
39:35Sem ter a possibilidade...
39:38Incondicional...
39:45Você lembra de um homem...
39:47O investigador...
39:49Dave Hoyle?
39:50Com certeza...
39:52Eu nunca ia esquecer...
39:54Daquele homem incrível...
39:56É claro que eu lembro...
39:57Ele foi o único...
39:59Que...
40:00Falou que se...
40:03A gente...
40:04Precisasse...
40:04Ou quisesse...
40:06Saber de alguma coisa...
40:08Ele...
40:09Ia ser muito sincero...
40:11E ia dar...
40:13Toda a informação possível...
40:16E...
40:17Isso...
40:18Eu posso te garantir...
40:19Ele é um homem de palavra...
40:20Ele é um homem de palavra mesmo...
40:23E...
40:24Eu acho que ele não faz...
40:26Nem ideia...
40:26Do quanto é importante...
40:27Para mim e para minha família...
40:31As filhas da Brenda...
40:32Lembram bem...
40:33De toda a sua atenção...
40:55É muito bom...
40:59Poder ajudar as pessoas...
41:02Só que é ruim...
41:06Quando...
41:09A gente tenta...
41:10Mas não dá para...
41:12Para te ajudar a tempo...
41:21Não tem como...
41:26Pedir que isso importa...
41:30As pessoas percebem isso na hora...
41:33E...
41:34A gente tem que se...
41:38Importar...
41:51Eu chego a ficar aliviada de...
41:55Não ter mais que me preocupar...
41:57Com a minha mãe...
41:59Sobre onde ela estava...
42:00Se ela ia voltar para casa...
42:02Se tinha acontecido alguma coisa com ela...
42:05Mas eu odeio...
42:07A forma como aconteceu...
42:08O jeito...
42:09Que...
42:10Ela vai ser lembrada...
42:11Por quem não conhecia ela...
42:14Ela é taxada de...
42:16Olha...
42:17Dependente química...
42:19E prostituta...
42:20Só porque as outras vítimas...
42:22Tinham esse padrão de comportamento...
42:25Não dá para rotular todas igual...
42:27Elas tinham...
42:28Vidas diferentes...
42:29Motivos diferentes...
42:30Para fazer o que faziam...
42:31E...
42:32Eu acho que isso...
42:34É o que mais me dói...
42:36Quem não conhecia ela...
42:38E...
42:39Pesquisar na internet...
42:40Só vai ver...
42:41O...
42:42Larry Bright...
42:43E ela...
42:44Não viveu por ele...
42:47Ela não morreu por ter cocaína no organismo...
42:50Ela morreu porque...
42:52Simplesmente um monstro botou as mãos nela e matou ela...
42:55Não porque ela usava drogas...
42:59Enquanto eu puder...
43:01Eu vou sempre...
43:02Falar do lado bom da minha mãe...
43:06Porque antes dele...
43:08Ela era uma boa pessoa...
43:09E ela ajudou muita gente...
43:12E mesmo depois dele...
43:14Ela tocou...
43:15Muita gente...
43:17Versão Brasileira...
43:20Vox Mundi...
43:21Legenda Adriana Zanotto
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