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  • há 15 horas
Transcrição
00:15Eu dei tudo de mim para garantir que pessoas ruins não fizessem mal às pessoas boas.
00:22E... não deu certo.
00:24Eu tentei mantê-lo preso pelo maior tempo possível para ele não machucar ninguém e não deu certo.
00:30Esse cara não deveria estar solto andando pelas ruas da nossa cidade.
00:34Ele deveria estar preso, ficar onde ele não possa fazer mal a outras pessoas.
00:39O mal existe. E ele é um deles.
00:45Ele disse que não via a Erika desde aquele dia.
00:49Depois que revisamos as imagens da câmera do policial que parou ele, vimos que ele estava mentindo para nós sobre
00:56ter visto ela.
00:57Mas não sabíamos porque ele tinha mentido. E isso foi um alerta.
01:01Tinha um motivo para ele estar tentando se distanciar da vítima.
01:05Eu só tinha que descobrir qual era.
01:11Ela disse que tinham achado o corpo.
01:17E eu me descontrolei.
01:19Tudo que eu me lembro é do meu pai me segurando enquanto eu chorava.
01:24Minha mãe se virou e disse, eu sei quem fez isso.
01:28O policial, com lágrimas nos olhos, olhou para a mamãe bem nos olhos dela e disse,
01:36nós também sabemos.
01:37Nesse momento ele abaixou a cabeça e foi embora.
02:06VIVENDO COM O INIMIGO
02:08SOMBRAS DA MORTE
02:19Essas duas fotos são do Eric Pearson, de quando foi preso pela polícia.
02:28É assim que eu me lembro dele em 1994, quando o conheci.
02:36Tem algumas pessoas que cometem homicídios.
02:41Em um momento de raiva.
02:44Mas tem outros tipos de homicídios.
02:47Os dele eram do tipo hediondo.
03:00Dia 22 de janeiro de 1994.
03:04A Christina Whittaker foi assassinada.
03:07O corpo dela foi encontrado atrás de uma casa abandonada em Dave, na Flórida.
03:12E...
03:13Ela tinha...
03:15Apanhado até ficar com o rosto desfigurado.
03:19Na promotoria de justiça de Broward, os casos são designados de forma aleatória pelo promotor de justiça.
03:25E esse foi um dos casos designados para mim.
03:28Quando eu recebi o caso e comecei a analisar os arquivos,
03:31eu descobri que...
03:34Em 1985, o Eric Pearson tinha sido condenado por invasão e tentativa de homicídio de uma mulher.
03:42Ele tinha cortado as mãos dela e tentado cortar a garganta.
03:48Ele foi condenado a 18 anos.
03:51Infelizmente, ele só cumpriu seis anos dessa pena.
03:54O que permitiu a ele sair da prisão e...
03:57Cometeram os crimes contra a Christina Whittaker.
04:02O Pearson estava em um bar naquele dia, chamado Beer Bar.
04:07Ele teve uma discussão com a namorada da época.
04:12E, pelo visto, a Christina estava andando pela rua...
04:16Do outro lado da rua, do Beer Bar, e o Pearson viu ela...
04:20Ali.
04:21E ele disse para os investigadores, depois que ele estava preso...
04:25Que ele tinha parado o carro dando uma carona para ela...
04:27E depois que tinha surtado, começou a estrangular a Christina.
04:32Eu descobri que...
04:33O Eric Pearson tinha contado para um grande amigo dele sobre isso...
04:37E que ele achava que tinha matado uma mulher jovem.
04:41O amigo dele, com base nessa informação que Pearson tinha dado...
04:46Foi até o local em que a casa abandonada ficava...
04:49Na cidade de Dave, na Flórida.
04:51E, quando deu a volta na casa...
04:53Ele viu o que ele acreditava ser uma pedra suja de sangue...
04:58Assim como um sapato vazio jogado.
05:02Ele disse ao Pearson...
05:04Que ele tinha que contar para a mãe dele...
05:06E, pelo visto, contou para a mãe.
05:08Aí, tanto aquele grande amigo, quanto a mãe do Pearson, naquela noite...
05:13Foram até a delegacia de Dave...
05:15E comunicaram que o Pearson tinha dito a eles.
05:18A polícia de Dave, na mesma hora, reagiu àquela informação deles...
05:23Com relação à localização geográfica...
05:25Onde eles acreditavam que o homicídio tinha ocorrido.
05:29Foram até lá e, debaixo de escombros, folhas e plantas...
05:33Eles acharam o corpo de Christina Whitaker.
05:38A Christina tinha 17 anos quando foi assassinada.
05:42E isso me fez mal.
05:46Os pais dela...
05:47Queriam muito, muito mesmo poder obter justiça pela morte da filha deles.
05:54Então, no dia 2 de dezembro de 1995...
05:58Conseguimos, depois de muito debate com os pais da Christina...
06:02Um acordo em que o Eric Pearson teria que confessar o homicídio da filha deles.
06:07Que era um homicídio simples.
06:09E pegaria 40 anos na prisão estadual da Flórida...
06:12Como um criminoso habitual e muito violento.
06:16Ele pegou a pena máxima que poderia ter pegado no estado da Flórida.
06:22Eu achei que ele iria ficar preso por todo o tempo.
06:25Que seria necessário para garantir que ele nunca mais faria mal a ninguém.
06:30Eu nunca achei que fosse ouvir o nome dele de novo.
06:47Bom, isso aqui foi no verão.
06:50Em um dos dias em que fomos à piscina.
06:56Levamos as crianças e...
06:59Ela queria tirar uma foto.
07:09Nessa época, eu e a Erika estávamos falando...
07:13Sobre tentar comprar uma casa.
07:16Era o nosso objetivo.
07:18A gente queria fazer isso juntas.
07:22Mas, isso aconteceu.
07:27Meu mundo mudou.
07:40Eu era sete anos mais velha do que a Erika.
07:44Ela era minha irmã mais nova.
07:48A Erika me seguia para todo lado.
07:50E eu levava ela para todo lado comigo.
07:53Ela era tagarela, engraçada, animada.
07:58Nossa, nunca tinha um momento chato.
08:01Quando ela estava perto.
08:03Nunca.
08:09Eu sempre me preocupava com a Erika.
08:12Sempre.
08:13Todo mundo comete erros.
08:16É claro, ninguém é perfeito.
08:19Mas, olha, todo mundo escolhe um caminho.
08:22Alguns escolhem o caminho certo.
08:24E outros, não.
08:26Alguns fazem uma escolha.
08:28Para voltar e resolver a vida.
08:39Minha mãe me ligou e disse que não tinha visto e nem falado com a Erika desde o dia 24.
08:4524 de setembro.
08:48Naquela época, a Erika estava morando com a minha mãe.
08:52E o que eu soube pela minha mãe foi que a Erika tinha saído de casa na sexta para comprar
08:59um maço de cigarro e...
09:02Ela não tinha voltado.
09:04Que ela não estava atendendo o celular.
09:08Que ela não tinha publicado nada nas redes sociais.
09:12Ninguém conseguia falar com ela.
09:15A primeira coisa que passou pela minha cabeça é que tinha alguma coisa errada.
09:19Aquilo não era normal.
09:31Minha mãe foi até a delegacia de polícia de Sunrise.
09:36Eles disseram que não podiam fazer nada.
09:39Ela tinha 33 anos.
09:41E podia...
09:42Estar em qualquer lugar.
09:45Ela era adulta.
09:47Ela podia estar com amigos.
09:49Ela podia não querer voltar para casa.
09:54Minha mãe estava surtando.
09:57Minha mãe começou a dizer...
09:58Olha aqui, ela é minha filha.
10:00Ela não é sua filha.
10:01Vai ver, a sua filha faz esse tipo de coisa.
10:03Mas a minha não faz.
10:05Mas eles não queriam dar ouvidos.
10:14Quando eu falei com a mãe da Erika, eu diria que ela estava no limite com relação ao pânico e
10:20preocupação com a filha.
10:27Dava para ver que ela estava preocupada.
10:30Ela estava com medo pela filha.
10:33Ela tinha uma relação boa com a filha e sabia que ela não era do tipo, sabe, que ficava por
10:40aí, sumida por um tempo, sem entrar em contato.
10:42Mas, para mim, como investigador, eu tinha que dar um passo para trás.
10:46Eu não podia me permitir ignorar outros fatores e outros indícios que eu não podia ignorar.
10:53Ela era adulta, não tinha nada especialmente suspeito.
10:57Tinha um milhão de possibilidades.
10:59Ela podia ter conhecido alguém e entrado em uma relação romântica e fugido da cidade.
11:08Com base no passado dela, sabíamos que também tinha a chance dela ter ido para algum lugar para usar drogas
11:16e tudo mais.
11:17Procuramos em hospitais para ver se ela tinha sido internada.
11:20Às vezes, as pessoas sofrem em acidentes e não estão com os documentos, então são internados sem identificação em um
11:26hospital.
11:27Ou então ela tinha sido presa sem identificação, sem ter dado nenhuma informação.
11:31Mas, a cada dia sem encontrar ela, sem que ela estivesse em um hospital ou estivesse presa,
11:36era mais um indicador de que alguma coisa podia ter acontecido.
11:46Eu morava em Maine.
11:49Quando a minha mãe me ligou e me disse que a Erika estava grávida, eu disse, como assim?
11:56E aí, quando eu falei com ela, ela perguntou, você acredita que eu estou grávida?
12:00E eu falei, não, mas você agora vai ser mamãe.
12:05E ela disse, é, mal posso esperar.
12:08E depois daquele dia, ela ficou feliz.
12:12Ela chegou num ponto de querer melhorar.
12:17A minha irmã sempre quis se recuperar e fazer de tudo pela filha.
12:23Isso que sempre motivou a Erika, a filha dela.
12:29Ao longo dos anos, a Erika ficou sóbria e ficou muito bem.
12:35Eu tive muito orgulho dela.
12:42Quando eu cheguei na Flórida,
12:44meu pai chorou e aí...
12:49E aí ele disse, eu sei que minha filha morreu.
12:53Eu sinto, aqui no meu coração, ele fazia assim.
12:56Ele batia no peito.
13:01Mas...
13:02Minha mãe ainda tinha esperança.
13:05Minha mãe ainda achava...
13:07Que a Erika ia entrar por aquela porta.
13:14Nós saímos na rua e pregamos cartazes.
13:19Aí, enquanto nós pregávamos os cartazes,
13:22começamos a receber umas capturas de tela de postagens
13:26que alguém fazia no Facebook.
13:29Dizendo, sou eu, a Erika.
13:31Me deixem em paz.
13:32Eu sou uma mulher adulta.
13:33Eu não vou pra casa.
13:35Eu não preciso ir pra casa agora.
13:36Só me deixem em paz, porque eu tô bem, tá legal?
13:41Teve outro que dizia assim,
13:42quantas vezes eu vou ter que falar pra vocês
13:44que eu sou uma mulher adulta.
13:46Eu quero que vocês me deixem em paz.
13:48Quase todo mundo achou que fosse a Erika.
13:51Mas quem conhecia a Erika sabia,
13:54na mesma hora, que...
13:56Que não era ela.
13:57Que era outra pessoa que tava escrevendo.
14:01Nós achávamos que era um dos amigos da Erika ali,
14:05da vizinhança, sabe?
14:10Ele era uma pessoa que não tinha cabeça no lugar.
14:13E tava sempre ali.
14:15E a minha irmã,
14:16ela fazia amizade com qualquer pessoa, sabe?
14:20Mas acabou chegando num ponto em que...
14:22Ele se apaixonou.
14:24Ficou obcecado pela minha irmã.
14:29Isso era irritante.
14:30Porque estávamos muito estressados na época.
14:33Ainda nem sabíamos de nada e...
14:36Enfim, todo mundo podia ser um suspeito.
14:47Era possível que tivesse sido alguém que tinha a ver com o desaparecimento
14:51e estava só tentando nos despistar,
14:53nos impedir de encontrar ela ou de encontrar ele.
14:58Com ferramentas de investigação,
15:00conseguimos entrar em contato com a rede social,
15:02entrar em contato com o provedor da internet
15:05e determinar de onde a publicação tinha sido feita por um amigo de infância da Erika,
15:10que, segundo a mãe dela, era mentalmente instável.
15:15Então, foi importante pra gente falar com aquele indivíduo
15:19e descobrir por que ele tinha feito aquilo.
15:27Logo depois, fomos até a casa dele.
15:30Falamos com ele
15:31e ele estava claramente preocupado com a presença da polícia em frente à casa dele.
15:37Aí explicamos pra ele por que estávamos lá.
15:40E ele pediu desculpas por fazer uma conta falsa na rede social.
15:45Ele não deu um motivo pra ter feito aquilo.
15:47Ele só pediu desculpas,
15:49disse que estava tentando achar a Erika sozinho
15:51porque ela tinha passado na casa dele no dia do desaparecimento.
15:56Aquilo era realmente suspeito.
15:58Mas ele nos deixou revistar a casa dele
16:00só pra garantir que ela não estava lá.
16:04Entramos na casa, demos uma olhada,
16:06mas não vimos nada que fosse suspeito.
16:07Ele disse que não tinha visto a Erika desde aquele dia.
16:11Ele disse que ela tinha pegado uma carona com uma pessoa
16:14que ele descreveu como um homem branco num carro.
16:17Ele dividia a casa com um colega
16:19e esse colega deu a mesma versão da história.
16:23Então, conseguimos determinar que ele estava sendo honesto com a polícia.
16:28Eu pedi pra ele tirar o perfil da rede
16:30e ele concordou e tirou do ar.
16:33Naquela época, não tínhamos nenhum indício
16:35que levasse a crer que ele tinha alguma coisa a ver com o desaparecimento.
16:46A minha mãe, desde o começo,
16:50ficava fazendo todas as coisas que ela podia.
16:54Ela ficava nas redes sociais,
16:56falava com nossos conhecidos.
17:00Alguma hora, minha mãe ouviu que a Erika estava com o Nick em um carro.
17:07Minha mãe publicou isso na internet.
17:12Se alguém conhecesse esse tal de Nick,
17:16era pra avisar.
17:19Aí, um dos amigos da Erika apareceu na casa da minha mãe
17:24e avisou pra minha mãe
17:27pra ela parar de publicar que a Erika estava com o Nick.
17:32Porque não era o nome dele.
17:35Aí, minha mãe perguntou pro amigo da Erika,
17:38Ué, como é que você sabe disso?
17:40E ele disse,
17:42porque eu vi a Erika no posto de gasolina.
17:45Mais cedo.
17:46Na sexta-feira.
17:59Aí, ele disse que ela tinha saído do carro
18:02pra comprar cigarro no posto de gasolina.
18:06E ele decidiu ir lá falar com ela, dar um oi.
18:10Mas, quando ele foi até o carro,
18:14o que ele viu foi um cara estranho.
18:17Ele tinha uma cara meio sinistra.
18:21Ele parecia ser uma pessoa doente.
18:27Ele achou aquilo estranho.
18:30Então, ele fez questão de saber o nome dele.
18:35O amigo da Erika decidiu se apresentar
18:39pro motorista do carro.
18:43Ele se apresentou e
18:46perguntou, agora, qual o seu nome?
18:49O cara se virou, olhou pra ele e respondeu,
18:51meu nome é Eric Pearson.
18:53Por quê?
19:03Quando você olha pra ficha do Pearson,
19:06uma das primeiras coisas que chama a atenção
19:08é que esse cara não deveria estar solto
19:10andando pelas ruas da nossa cidade.
19:13Ele devia estar preso,
19:14ficar onde ele não possa fazer mal a outras pessoas.
19:18Quando eu me mudei pra Flórida,
19:21em 1987,
19:23as pessoas só serviam
19:24cerca de 24% de qualquer pena
19:26que recebiam.
19:28Então, não era só o Pearson,
19:30eram todos os presidiários do estado da Flórida.
19:33A quantidade de tempo que eles cumpriam
19:38dependia somente do
19:40departamento correcional.
19:41eles determinavam
19:43quem saía,
19:44quando saía
19:45e qual seria o argumento
19:46para cada soltura.
20:01A mãe da Cristina
20:02estava chateada
20:04que o Pearson tinha saído da prisão
20:06e não tinha cumprido
20:07a sentença completa na prisão
20:09que ela quis fazer alguma coisa
20:11para mudar essa situação
20:12de uma forma positiva.
20:15Ela teve sucesso
20:16e como resultado,
20:19em 1995,
20:21uma emenda constitucional
20:23foi aprovada na Flórida
20:24e os presidiários
20:25tinham que cumprir 85% da pena.
20:28Infelizmente,
20:29não se pode aplicar uma lei
20:30que não estava em vigor
20:31na época em que o crime foi cometido.
20:34E, portanto,
20:35Eric Pearson
20:35não podia ser submetido a essa lei.
20:44a minha irmã Erica
20:45nunca tinha falado nada
20:47sobre o Eric Pearson
20:48para mim.
20:49Nunca.
20:50Nenhuma vez.
20:56Quando eu pesquisei
20:58pelo nome dele,
20:59a primeira coisa
21:00que apareceu para mim
21:01foi o Sun Sentinel.
21:04e eu surtei.
21:07O Eric Pearson
21:09tinha um histórico
21:10de crimes violentos.
21:13Tentativa de homicídio,
21:15homicídio
21:16e bem perto
21:17de onde minha mãe morava.
21:20As coisas
21:21que se passavam
21:22pela minha cabeça
21:23eram como ela conheceu
21:24esse homem.
21:26Eu não conseguia entender
21:28de onde é que
21:29esse cara tinha saído.
21:32Então,
21:33eu entrei
21:34nas mídias sociais
21:35e pesquisei
21:36o Eric Pearson
21:38na rede social.
21:39Eu encontrei
21:40o perfil,
21:42capturei a tela
21:43e mandei
21:44para minha mãe.
21:48Aí,
21:49a minha mãe
21:50acabou voltando
21:51para onde
21:53o amigo da Erica
21:53morava
21:54e ele disse
21:55isso,
21:56esse é ele.
22:05A mãe da Erica
22:07foi até
22:07a delegacia
22:08de polícia
22:08com a informação
22:10de que
22:11a filha
22:12tinha sido vista
22:12como a pessoa
22:13que tinha saído
22:14recentemente
22:15da prisão
22:15por homicídio.
22:17Quase um ano
22:18tinha se passado
22:19desde a soltura
22:20e ele ainda
22:22estava em condicional.
22:24eu liguei
22:25para a agente
22:25da condicional
22:26e falei
22:27para ela
22:27que não tinha
22:28problema,
22:30que eu só
22:30queria falar
22:31com ele
22:31porque ele
22:32tinha sido
22:32o último
22:33a ser visto
22:34com a vítima.
22:40Eu estava
22:41parado
22:41no estacionamento
22:42do condomínio
22:42dele
22:42antes de
22:43ligar para ele.
22:45Eu liguei
22:46para ele
22:46e disse
22:47oi,
22:48então,
22:48eu só queria
22:48saber como você
22:49está,
22:49eu sou o
22:50investigador
22:50coronado,
22:51você tem
22:51um tempinho
22:52para falar
22:52comigo
22:52sobre uma
22:53pessoa
22:53desaparecida?
22:54A Erica
22:54está sumida,
22:55eu gostaria
22:56que você
22:56descesse
22:57para falar
22:57comigo.
22:58Ele perguntou
22:58você está
22:59aqui e eu
22:59estou,
23:00pode vir
23:00aqui.
23:02A primeira
23:03impressão
23:03do Eric
23:04Pearson
23:04como ele
23:04é muito
23:05alto,
23:06é que
23:06ele assusta
23:07um pouco,
23:08ele tem
23:09tatuagens
23:09típicas
23:10da prisão,
23:11parece um
23:12homem forte.
23:14Ele deixou
23:14claro que
23:15não queria
23:16nenhum problema
23:16com a polícia
23:17e ele
23:18me contou
23:19que tinha
23:20conhecido
23:21ela pela
23:21internet
23:22quando estava
23:23na prisão,
23:24que eles tinham
23:25saído algumas
23:25vezes depois
23:26que ele tinha
23:26saído da
23:27prisão.
23:33naquele dia
23:34ele tinha
23:34saído
23:35para encontrar
23:35com ela
23:36e ido
23:37até o
23:37posto
23:38de gasolina.
23:40Eu perguntei
23:41se ele podia
23:41dar uma volta
23:42comigo,
23:44aí eu sairia
23:45com ele
23:45para ver
23:46se a gente
23:46podia,
23:47enfim,
23:47traçar uma
23:47rota
23:48com os lugares
23:49aonde ele
23:49tinha ido
23:50e lugares
23:50de interesse
23:51para o caso.
23:52eu falei
23:53que não
23:54estava
23:54atrás dele,
23:55que tudo
23:56seria feito
23:56de forma
23:57voluntária
23:57e que eu
23:58agradeceria
23:58muito pela
23:59ajuda dele
23:59com aquilo.
24:01Então,
24:01ele concordou.
24:13Quando ele
24:13entrou no meu
24:14carro,
24:15fomos na
24:15direção
24:15da casa
24:16do amigo
24:16da Erica.
24:18Ele falou
24:19que antes
24:20de irem
24:20ao posto
24:21de gasolina,
24:21tinham sido
24:22parados
24:23pela polícia.
24:24Eles foram
24:25parados
24:25porque tinham
24:26um problema
24:26com a etiqueta
24:27da placa.
24:28Quando chegamos
24:29no posto
24:30de gasolina,
24:30ele me levou
24:31até a bomba
24:32que ele
24:32tinha usado
24:34e ele me
24:35disse,
24:35aqui,
24:36olha,
24:36foi aqui
24:36que ela
24:36desceu.
24:37Ela disse
24:38que ia sair
24:39para comprar
24:39drogas.
24:41E aí
24:42ela foi
24:42embora.
24:44Depois de
24:44abastecer,
24:45ele disse
24:45que ela
24:45tinha sumido
24:46e que ele
24:47resolveu
24:47dar uma volta
24:48de carro
24:48para procurar
24:48ela,
24:49mas não
24:49encontrou
24:50e voltou
24:50para casa.
24:51e aí
24:51depois disso
24:52não teve
24:52mais notícias
24:53dela.
24:54Ele colaborou
24:55e eu agradeci
24:56muito pela
24:56ajuda.
24:57E aí
24:57nos despedimos
24:58e eu fui
24:58embora.
25:02Naquele
25:03momento,
25:03pelo que
25:04o Eric
25:04tinha me
25:05contado,
25:05eu tive
25:06esperança
25:06de encontrar
25:07a Erica.
25:09então,
25:10fomos
25:11até o
25:11posto
25:11de gasolina
25:13e falamos
25:14com os
25:14funcionários
25:14do posto
25:15que nos
25:16deram
25:16acesso
25:17às imagens
25:17de segurança
25:18que nós
25:18verificamos.
25:21Tinha um
25:22vídeo
25:22do carro
25:22dele na
25:23bomba.
25:25Uma
25:26mulher
25:26estava
25:27indo
25:27embora
25:27e a
25:28aparência
25:28dela
25:28batia
25:29com a
25:29da
25:29Erica.
25:30Ela
25:30estava
25:30saindo
25:30do
25:31campo
25:31de
25:31visão.
25:32Então,
25:32as
25:32imagens
25:33do
25:33carro
25:33saindo
25:33de lá
25:34poucos
25:34minutos
25:35depois
25:35daquilo.
25:36Então,
25:37conseguimos
25:37confirmar
25:38a história.
25:39E aí,
25:40quando voltamos
25:41para a
25:41delegacia,
25:41eu comecei
25:42a procurar
25:42as imagens
25:43da câmera
25:43do policial
25:44que parou
25:44o carro.
25:46E eu
25:46encontrei.
26:06tudo bem,
26:07sou o policial
26:07Ryan,
26:08da delegacia
26:08de São
26:08Rádio.
26:09Tudo bem,
26:09e com o senhor?
26:09Não parei você
26:10porque sua etiqueta
26:11não é uma etiqueta
26:14temporária
26:14correta.
26:15Ah, tá,
26:15eu tenho os papéis.
26:18Alguma arma
26:18no carro?
26:19Não, senhor.
26:22Desliga o carro.
26:31Oi,
26:31como estão?
26:32Tudo certo, senhor.
26:33Eu posso
26:33mandar um lugar?
26:34É claro.
26:38Você parece
26:39novo.
26:40Perdão?
26:40Você parece
26:41novo.
26:4127.
26:42Ah,
26:42eu sou mais velha
26:43que você.
26:44Eu queria
26:44ter 27.
26:46Ah,
26:46se eu pudesse
26:46voltar com 26,
26:48eu fui mãe.
26:49Aqui,
26:50seus documentos.
26:51Obrigado, senhor.
26:51Tá bom,
26:52boa noite.
26:53Aliás,
26:55eu não vi vocês
26:56porque quando eu vejo
26:57a polícia
26:57eu desacelero,
26:58mas aí,
26:58sempre que vocês
26:59aparecem,
26:59eu...
27:00pode ficar tranquilo.
27:01Obrigado, senhor.
27:02Boa noite.
27:05Aquela era só
27:06uma blitz normal.
27:08Eles confirmaram
27:09os documentos,
27:10ela não parecia
27:11estar em perigo nenhum.
27:12Então,
27:13o primeiro policial
27:14deu uma advertência verbal.
27:15Falou pra ele
27:16trocar a etiqueta
27:17e deixou ele
27:19ir embora dali.
27:29Quando falamos
27:30com o Eric,
27:31ele disse
27:31que tinha sido
27:32parado pela polícia
27:33antes e depois
27:34ido até o posto
27:35de gasolina.
27:36Mas comparando
27:37a hora
27:37das duas gravações,
27:39determinamos
27:40que ele tinha
27:40trocado a ordem.
27:42As imagens
27:43da câmera corporal
27:44eram de depois
27:45do posto de gasolina.
27:46E ele estava
27:47com ela
27:48depois de parar
27:49no posto.
27:50ele estava
27:51mentindo
27:51e aquilo
27:52foi um alerta.
27:54Existia um motivo
27:55pra ele
27:55tentar inverter
27:57a ordem
27:58dos acontecimentos
27:59e eu só
27:59precisava descobrir
28:00qual.
28:06Quando eu descobri
28:08o passado
28:08do Eric Pearson,
28:11quando eu vi
28:12a ficha criminal
28:13que ele tinha,
28:14eu vi
28:15que ele tinha
28:16a ver com o sumiço.
28:17Foi uma intuição
28:18forte que eu tive.
28:21então,
28:23nós saímos
28:24e prendemos
28:24cartazes
28:25pra todo lado,
28:26começando em
28:27Dave,
28:28porque era lá
28:29que o Eric Pearson
28:31morava.
28:33Pregamos em
28:33postos de Dave
28:34pertinho
28:35da casa
28:36do Eric Pearson.
28:38Pregamos também
28:39nas lojas
28:40do bairro.
28:42nós recebemos
28:44uma pista
28:44de que o Eric Pearson
28:46frequentava
28:47um bar
28:47todo dia.
28:49Aí,
28:50fomos lá
28:51e pregamos
28:52os cartazes
28:53pelo bar
28:53todinho.
29:02cerca de 20 minutos
29:05depois de ter colocado
29:06os cartazes
29:08naquele bar,
29:09recebemos
29:10uma ligação
29:11falando que
29:12o Eric Pearson
29:13tinha entrado
29:14naquele bar.
29:18ele viu
29:19as fotos
29:20da minha irmã
29:21pra todo lado
29:21e aí
29:24ele olhou
29:24pras pessoas
29:25que estavam lá
29:26e falou
29:27bem alto
29:27que por causa
29:28daquilo
29:30a polícia
29:31tava atrás dele
29:32o dia todo.
29:33ele se virou
29:37chutou a porta
29:38da frente
29:38e foi embora
29:39do bar.
29:42E quando
29:43eu recebi
29:44essa ligação
29:46aí foi certeza
29:48eu soube.
29:54Eu então
29:55liguei
29:56pros investigadores
29:57e avisei
29:58a eles
29:58que era
29:59o Eric Pearson
30:00que tinha feito
30:01alguma coisa
30:02com a minha irmã.
30:05Falaram
30:05pra gente
30:06parar de pregar
30:07os cartazes
30:08que tava atrapalhando
30:09a investigação
30:10deles
30:11pra parar
30:12de pregar
30:14os cartazes
30:14na rua
30:15pra parar
30:16de fazer isso
30:17parar de fazer aquilo
30:19mas
30:19a gente
30:20não ia parar
30:21eu não ia conseguir
30:22parar.
30:24Por que vocês
30:25não vão logo
30:26prender
30:27quem fez isso?
30:30Eu tava
30:31determinada
30:32que ele tinha
30:32feito alguma coisa
30:35e eu falei
30:36pra polícia
30:36eu espero
30:37que vocês
30:37peguem ele
30:38antes que eu pegue.
30:47durante a investigação
30:49a família
30:49fez
30:50os próprios
30:51cartazes
30:51e iam
30:52pros lugares
30:52sozinhos
30:53o que é
30:53compreensível
30:54porque
30:54estavam sofrendo
30:55tentando achar
30:56um ente querido
30:57mas de uma forma
30:58que entregava
30:59a investigação
30:59porque ele poderia
31:00se fechar
31:01pra gente
31:02se descobrisse
31:03que a polícia
31:03estava na cola
31:04dele também
31:06então eu tive
31:07que ser
31:07muito cuidadoso
31:08com eles
31:09pra ganhar
31:09a cooperação
31:10dele
31:22quando ele
31:23veio me encontrar
31:24ele trouxe
31:25a namorada
31:26pra delegacia
31:27de polícia
31:28então eu disse
31:29pra ele
31:29que a Blitz
31:30tinha sido
31:31depois
31:31do posto
31:33de gasolina
31:33e que ele
31:34não tinha visto
31:35ela pela última
31:35vez no posto
31:36porque estava
31:37com ela
31:37no carro
31:37ele começou
31:38a entrar
31:38na defensiva
31:39um pouco
31:40dizendo que
31:41ele não se
31:41lembrava
31:41muito bem
31:42daquilo
31:43eu não estava
31:44sendo enfático
31:45nem dizendo
31:46que era mentira
31:47na cara dele
31:48eu estava
31:49tentando fazer
31:50ele cooperar
31:52comigo
31:52pra ver
31:53se ele podia
31:54me contar
31:55o que tinha
31:56acontecido
32:02enquanto eu
32:03e ele
32:03estávamos
32:03conversando
32:04na sala
32:04de interrogatório
32:05os investigadores
32:07abordaram
32:07a namorada
32:08e foram
32:08conversar
32:09com ela
32:10uma das
32:11investigadoras
32:11da delegacia
32:12se deu
32:12muito bem
32:13com a namorada
32:14dele
32:14e elas
32:15trocaram
32:15números
32:15de telefone
32:19naquela hora
32:20ele não
32:20estava preso
32:21ele podia
32:22ir embora
32:22então ele
32:23saiu
32:24da sala
32:24de interrogatório
32:30naquele mesmo
32:31dia
32:31umas 11
32:32da noite
32:32a namorada
32:33acabou
32:34ligando
32:34pra nossa
32:35investigadora
32:36e disse
32:37pra ela
32:37que se lembrava
32:38de coisas
32:38preocupantes
32:40ou alarmantes
32:43a namorada
32:44morava
32:44em um trailer
32:45estacionado
32:46perto de um canal
32:48ela disse
32:49que o Eric
32:50ia até a casa
32:51dela
32:51ficava olhando
32:52pra água
32:53e falava
32:54palavrões
32:54tipo
32:54que merda
32:55ela não sabia
32:58do que ele
32:58estava falando
32:59mas achou
32:59aquilo estranho
33:00então
33:01acabamos
33:02decidindo
33:02ir até lá
33:03com a unidade
33:04canina
33:05para farejar
33:05cadáveres
33:09eles farejaram
33:10um corpo
33:11nas margens
33:12do canal
33:13e
33:14quando eles
33:15olharam
33:16ali
33:16tinha alguma
33:17coisa coberta
33:17por folhas
33:19de palmeira
33:19e pedras
33:20na parte
33:21mais rasa
33:21da água
33:24e quando
33:24eles
33:25removeram
33:25tudo aquilo
33:26eles conseguiram
33:27ver o que
33:27parecia ser
33:28um corpo
33:28que estava
33:29coberto
33:29com uma lona
33:31e um lençol
33:32enrolado
33:32com fita adesiva
33:39estava
33:39em um estado
33:41bem avançado
33:42de decomposição
33:43para um corpo
33:44na água
33:46naquela hora
33:47ela estava
33:47irreconhecível
33:48mas vimos
33:50tatuagens
33:50iguais
33:51as tatuagens
33:52que ela tinha
33:52e os acessórios
33:53que ela estava
33:54usando
33:54também eram
33:55os mesmos
33:55que a mãe
33:56dela tinha
33:56descrito
33:57para a polícia
34:11então
34:12em 16 de outubro
34:18eu cheguei
34:19num ponto
34:19em que eu estava
34:22precisando
34:23ficar quieta
34:24e sozinha
34:27aí eu fui
34:28até o quarto
34:29me deitei
34:30na cama
34:30e acabei
34:31pegando no sono
34:32enquanto rezava
34:37eu dormi
34:38rezando
34:40pedindo a Deus
34:41para
34:41por favor
34:43traz ela
34:43para casa
34:44e
34:46isso foi
34:47tipo
34:48duas e quarenta
34:50acho que
34:51duas e quarenta e cinco
34:52da manhã
34:53e a porta
34:55do quarto
34:56se abriu
34:57e
34:58minha mãe
35:00caiu
35:00caiu
35:01no chão
35:02de joelhos
35:02ela estava
35:04gritando
35:06estava gritando
35:07ela disse
35:08que tinha
35:09um achado
35:09corpo
35:15eu perguntei
35:16gritando
35:17o que foi
35:19que você disse
35:20para mim
35:20e ela respondeu
35:22eles acabaram
35:23de sair
35:24minha filha
35:27eles acharam
35:28o corpo dela
35:30eu pulei
35:31da minha cama
35:32e saí
35:33correndo
35:34para a porta
35:35da frente
35:37para perguntar
35:38para eles
35:40peraí
35:40o que foi
35:41que vocês
35:41disseram
35:41para minha mãe
35:43o que foi
35:44que vocês
35:44disseram
35:45para minha mãe
35:45eu só lembro
35:46do meu pai
35:47me abraçando
35:48enquanto eu chorava
35:52a minha mãe
35:53se virou
35:54e disse
35:54eu sei
35:55quem fez isso
35:57o policial
35:58com lágrimas
36:00nos olhos
36:00olhou para minha mãe
36:02bem nos olhos dela
36:03e disse
36:03nós também sabemos
36:06abaixou a cabeça
36:07e foi embora
36:17não existia
36:18sinais
36:18evidentes
36:19de trauma
36:19para alguém
36:20poder dizer
36:21tá bom
36:21essa pessoa
36:22tomou um tiro
36:22essa pessoa
36:23foi esfaqueada
36:24por causa
36:25do estado
36:25de decomposição
36:26avançado
36:27então
36:28mesmo enrolada
36:29num lençol
36:29por alguém
36:30de forma
36:31suspeita
36:32não tínhamos
36:33a causa
36:34da morte
36:34a forma
36:35como ela
36:36tinha morrido
36:38então
36:38tínhamos que esperar
36:39a autópsia
36:40e tínhamos que falar
36:42com o Eric Pearson
36:44eu achava
36:45que ele estava
36:45quase nos contando
36:47o que tinha ocorrido
36:49ele estava
36:50claramente
36:51com medo
36:51da repercussão
36:52e tudo mais
36:53mas eu achei
36:54que ele queria
36:55falar
36:56ele queria contar
36:57pra gente
36:57o lado dele
36:58da história
36:58bom eu cheguei
37:00no meu apê
37:00eu estava
37:02eu estava sentado
37:03
37:03tranquilo
37:03só conversando
37:04eu estava
37:05escutando ela
37:05eu estava
37:06fumando um cigarro
37:07e aí ela
37:08ela perguntou
37:09quer transar comigo
37:09e eu
37:11eu falei
37:12tudo bem
37:12aí ela começou
37:13a tirar a roupa
37:15ele contou
37:16que eles começaram
37:17a fazer sexo
37:18a camisinha
37:19saiu
37:19e ela ficou
37:20furiosa
37:21quando descobriu
37:22que a camisinha
37:22tinha saído
37:23e eles tinham
37:24continuado
37:24a fazer sexo
37:26ele estava
37:26contando
37:27meias verdades
37:28na minha opinião
37:30e aí a vaca
37:31me deu um suco
37:32eu falei
37:33como assim
37:33aí ela me chutou
37:36ela me chutou
37:37na coxa
37:37ela me chutou
37:38na perna
37:38e eu pensei
37:39qual é o seu problema
37:40e eu fiquei
37:40tentando acalmar ela
37:41mas ela surtou
37:42e de repente
37:43ela pegou
37:44a chave de fenda
37:46como assim
37:47e aí a situação
37:49começou a piorar
37:51aí finalmente
37:52eu consegui
37:53mobilizar ela
37:54entre os meus braços
37:54e eu pus a lâmina
37:55quer dizer
37:56a parte pontuda
37:57da chave
37:57na direção
37:57do olho
37:58dela
37:58aí eu fiz
37:59força e
38:00furei o olho
38:01dela
38:01furou com a ouro
38:02eu acho que o esquerdo
38:04foi o primeiro
38:07quando eu furei o segundo
38:08ela fez
38:12algum barulho
38:13que saia da boca
38:15como um suspiro
38:16ou como se falasse
38:16alguma coisa
38:17e aí os movimentos
38:18dela diminuíram
38:21furar os dois olhos
38:22furar os dois olhos
38:22de uma mulher
38:23cortar o pescoço dela
38:25enrolar o corpo
38:26com lona
38:26e colocar na água
38:28pra mim já é um ato
38:29hediondo
38:30que se sobrou
38:31olha deixa eu te perguntar
38:33porque é importante
38:34esclarecer
38:34tá bom
38:35você deu um depoimento
38:36e corrija se eu tiver
38:39errado
38:40que você tem um monstro
38:41que pode se revelar
38:42isso
38:44acha que esse monstro
38:45se revelou durante a sua
38:46briga com ela
38:47sim
38:48ok
39:04quando eu soube
39:05do Eric Pearson
39:06parece que eu fiquei
39:07sem ar pra respirar
39:09então eu pensei
39:10ele não deveria ter saído
39:11eu não acredito
39:12que isso aconteceu
39:13de novo
39:14da última vez
39:15que eu olhei
39:16acho que em 2005
39:18no site
39:19do banco
39:20de dados
39:21da prisão
39:22parecia que ele ainda
39:23tinha muito tempo
39:25de pena
39:25pra cumprir
39:27e aí de repente
39:27eu estava lendo
39:28uma reportagem
39:29sobre uma moça
39:30assassinada
39:30em Sunrise
39:45eu dei
39:45tudo de mim
39:46pra garantir
39:47que pessoas ruins
39:48não fizessem mal
39:49a pessoas boas
39:50e
39:51e
39:53não deu certo
39:55isso
39:56isso é que é frustrante
39:57eu tentei
39:58prendê-lo
39:58por mais tempo possível
40:00pra ele não machucar
40:01ninguém
40:01e não deu certo
40:02isso dói muito
40:04isso machuca demais
40:15ela ficaria arrasada
40:17se estivesse viva
40:19e soubesse
40:20que o Eric Pearson
40:21tinha sido solto
40:23e matado
40:24outra pessoa
40:24o que me assombra
40:27é que ele conseguiu
40:27matar de novo
40:32o Eric Pearson
40:33é uma daquelas pessoas
40:34que não devia
40:35estar solta
40:36andando por aí
40:36pela nossa cidade
40:37agredindo pessoas
40:39inocentes
40:39ele devia estar
40:40trancafiado
40:41o lugar dele
40:42na prisão
40:42e é lá
40:43que ele precisa
40:43ficar pelo resto
40:44da vida
40:46o mal existe
40:47ele é um deles
41:00eu tenho nojo
41:02do nosso
41:04sistema de justiça
41:06eu tenho nojo
41:09ele matou aquela garota
41:10de 17 anos de idade
41:12era uma menina
41:1217 anos de idade
41:15só porque ele se comportava
41:17na prisão
41:18ele podia sair de lá
41:20não
41:22não
41:23aquilo estava tudo errado
41:24tem pessoas que traficaram
41:26drogas
41:26que cometeram crimes
41:27não violentos
41:28na prisão
41:29por 40
41:2950
41:3060 anos
41:32mas esse cara
41:33que tentou matar
41:34e conseguiu matar
41:35pode ser solto
41:38ele é um monstro
41:41o lugar dele
41:42é um inferno
41:54eu não desejo isso
41:56pra ninguém
41:57eu não desejo
41:58pra ninguém
41:58é a pior
42:01sensação do mundo
42:02pra mim
42:03eu sinto que
42:04meu coração todo
42:05foi arrancado
42:05aqui de dentro
42:09eu acho que
42:10eu nunca vou me curar
42:12eu nunca mais
42:13vou ser a mesma
42:15até o dia
42:16em que eu morrer
42:18eu vou viver
42:18de coração partido
42:22é isso
42:26e minha sobrinha
42:31e minha sobrinha
42:32que nunca vai poder ver
42:33a mãe na formatura dela
42:36nem em nada
42:39nem em nada
42:52ai meu Deus
42:57eu pus a foto dela
42:59na frente das cinzas
43:02ela tem
43:03um lugarzinho especial
43:04na minha casa
43:07a Erika adorava
43:09beber café
43:11então
43:12em casa
43:13eu passo café
43:15e eu
43:16eu ponho
43:16uma xícara de café
43:18perto da foto
43:19e das cinzas dela
43:22eu só quero que
43:23todo mundo se lembre
43:25da pessoa legal
43:27e amorosa
43:28que ela era
43:29eu quero que
43:31todo mundo
43:32saiba
43:33que ela tinha
43:35uma alma
43:35muito linda
43:36versão brasileira
43:38vox mundi
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