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  • há 13 horas
Transcrição
00:00Por seis meses, em 2014, um assassino em série aterrorizou Los Angeles, na Califórnia.
00:06É assim que três pessoas se lembram dos eventos.
00:16Quando eu olhei e vi aquele cano de espingarda me encarando da janela dele,
00:21foi quando eu percebi que alguém queria me assassinar, aquela pessoa queria me matar.
00:27Naquele momento, a vida passa como um filme pelos olhos.
00:31E eu só me lembro de pensar que eu não, eu não, eu não queria morrer.
00:36Não era a minha hora.
00:42Tinha coletivas de imprensa na televisão, diziam para as pessoas não saírem, tinha um assassino à solta.
00:48Naquele momento, percebemos que aquilo era sério.
00:51Eu nem acreditava.
00:54Minha mãe era a pessoa mais fofa do mundo inteiro.
01:00Foi doloroso imaginar ela morrendo sozinha.
01:04Eu achava que estaria ao lado dela, abraçando ela, até ela dar o último suspiro.
01:12Mas ela não teve isso.
01:18Esse foi o pior de todos os criminosos que eu já vi na minha carreira.
01:24Cinco homicídios e onze tentativas.
01:27Imagina pensar que alguém pode aparecer a qualquer hora e te matar sem você ter a menor ideia.
01:33É apavorante pensar que alguém assim está vivendo entre nós.
01:39Eu acho que é por isso que os investigadores fizeram de tudo para achar esse cara e achar rápido, para
01:47não deixar mais alguém morrer.
01:53O mal projeta uma sombra.
01:58Ela se espalha, arrastando suas vítimas para a escuridão.
02:09Elas encontrarão a luz?
02:15Vivendo com o inimigo.
02:17Sombras da Morte
02:23Era o dia 20 de agosto de 2014.
02:28Eu peguei a Via 5 Sul para o trabalho.
02:31Eu entrava às seis da manhã.
02:33Estava escuro.
02:35Nicole Della Mora, sobrevivente.
02:41Notei um carro chegando perto de farol apagado.
02:44Então, eu olhei para aquele carro e comecei a pensar que era estranho.
02:51Era um carro grande.
02:53Então, eu achei melhor manter aquele carro à vista para garantir que eu não ia bater nele ou entrar na
03:00faixa.
03:01Enfim, eu só queria dirigir de maneira segura.
03:04Então, eu continuei dirigindo.
03:07E quando eu peguei a saída, eu parei.
03:10Tinha uma placa de par e eu olhei para a esquerda e eu olhei para a direita e, de repente,
03:16eu escutei um estouro.
03:17E senti molhado.
03:22Eu olhei para baixo e vi que tinha sangue na minha blusa toda.
03:26E eu pensei, onde eu estou sangrando?
03:29De onde o sangue está vindo?
03:31De onde o sangue está vindo?
03:31Eu olhei em volta, pensando assim...
03:33Sangue?
03:35Ué, como assim?
03:37Eu não sentia dor.
03:38Eu não sentia nada.
03:40Naquela hora, eu me virei e, atrás de mim, eu vi o carro que estava na rodovia.
03:46Mas só dava para ver o para-choque da frente e a janela da frente.
03:51Mas eu vi o cano da espingarda.
03:55Eu pensei, na mesma hora, que era um roubo de carro.
03:59Tentei ligar para a polícia.
04:01Não consegui falar.
04:02Eu não sabia o que era aquilo.
04:05Eu ouvi uns três a cinco tiros e, aí, depois, quatro ou cinco, ou podia ser mais.
04:11Ele estava atirando na traseira do meu carro.
04:15Foi quando eu percebi que alguém queria me assassinar, alguém queria me matar.
04:24Eu fiquei pensando, sem parar, no que eu tinha feito de tão grave para alguém querer me matar.
04:34Eu fiquei falando com Deus o tempo todo.
04:37Eu dizia, tá, e agora?
04:38O que eu faço?
04:40Eu vou morrer e eu perdi muito sangue.
04:42E, quando eu olhei para cima, meu terço, que estava pendurado no retrovisor do carro,
04:47estava indo de um lado para o outro, como um pêndulo de relógio, de relógio antigo.
04:52Aí, eu pensei que eu não tinha muito tempo.
04:56Era para sair dali.
04:58Eu não podia ficar parada e sair do carro.
05:02Esse foi o sinal.
05:07Eu fiquei correndo pela rua, tentando pedir ajuda.
05:13Mas ninguém me ajudava.
05:18Eu fui até um guarda e pedi, por favor, para me ajudar.
05:23E ele disse para eu ficar tranquila que ele ia pedir ajuda.
05:27Eu achei que eu ia morrer.
05:29Eu estava sem ar.
05:33E aquele homem veio, ele me pegou e me segurou.
05:38Ele pôs pressão na minha garganta.
05:40Ele foi um anjo.
05:45Eu disse que eu tinha um filho.
05:47Eu falei para ele que...
05:51Não podia abandonar meu filho.
05:58Ele disse que eu ia ficar bem.
06:02Todo o otimismo e aquelas palavras me ajudaram a passar por aquele momento.
06:16Eu só me lembro de pensar que não, que não, não era minha hora.
06:23Eu não queria morrer daquele jeito.
06:38Eu achei essa foto na caixa de joias dela.
06:42E eu acho que deve ser ela...
06:45Numa foto da escola, em Seno Médio, em El Salvador.
06:52Isso me deixou feliz.
06:53Sei lá, essa é uma memória dela na juventude.
07:05Minha mãe era a mulher mais fofa do mundo inteiro.
07:11Ela só queria saber dos filhos, dos netinhos e de ir para a igreja.
07:16A fé era tudo para minha mãe.
07:18E ela conseguia seguir essa fé.
07:22Ela dizia para mim que, quando morresse, com certeza, ela iria para o paraíso.
07:28Ela não tinha medo.
07:35Em 23 de agosto de 2014, Glória organiza um grupo de oração para um homem da região Gildardo Morales, assassinado
07:42dois dias antes.
07:43Fotos da polícia.
07:44Ele estava passando pela área de San Fernando.
07:47Parou em um sinal.
07:49Aí ele tomou um tiro e morreu.
07:51Era um crime sem solução.
07:54E pensar que alguém pode parar num sinal, indo para o trabalho de manhã e morrer, qualquer um pode.
08:04Então eles se juntaram, rezaram o rosário, se abraçaram e também tentaram consolar a família Morales.
08:13Eles queriam rezar bastante para ele e para a alma dele descansar.
08:26No dia 24 de agosto de 2014, devia ser umas sete da manhã.
08:32A minha prima me ligou.
08:34Ela estava com medo de me dizer alguma coisa.
08:37E aí ela disse...
08:39A sua mãe tomou um tiro.
08:43Ela não disse muitos detalhes, só disse que a minha mãe tinha tomado um tiro e indo para a igreja.
08:50Eu fiquei chocada.
08:53E eu não sabia o que estava acontecendo.
08:56Eu fiquei com medo.
08:58E eu mal acreditei.
09:02Eu torcia muito para ela estar viva.
09:07Eu só pensava em estar perto dela.
09:20Esse é o carro da Glória Tovar.
09:23Onde ela foi achada baleada e morta.
09:26Michelle Hanacy.
09:28Procuradora de Justiça de Los Angeles.
09:32E é claro que a polícia tampou o carro com uma lona para os transeúntes não verem o corpo lá
09:41dentro.
09:42Foto da polícia.
09:44Foi uma cena de crime horrível.
09:48Na manhã do homicídio de Glória Tovar, a polícia avisara sobre mais duas ocorrências.
09:53A primeira chamada de emergência daquela manhã foi do filho de 12 anos do Franco.
09:595h40 da manhã, dizendo que os pais e a irmã tinham sido baleados.
10:03Mas ao mesmo tempo, eles ouviram no rádio da polícia de outra vítima baleada em um parque de Zilmar.
10:12O Michael Planels.
10:15E aí, poucos minutos depois, 6h48, a Glória Tovar foi baleada.
10:22Fotos da polícia, caso Tovar.
10:24Foram três ocorrências em pontos geográficos muito próximos, em um curto período de tempo envolvendo espingarda.
10:31E em duas ocorrências, o veículo do suspeito foi descrito como um veículo do tipo SUV grande, de cor dourada
10:39ou laranja.
10:40E isso acendeu um alerta.
10:44Todos os agentes da polícia foram notificados.
10:47E um agente de maus-tratos aos animais trouxe uma informação.
11:00É, esse é.
11:03É o vídeo crucial em que ele atira nos cachorros.
11:08Dá pra ver o suburban bem na frente do portão.
11:12E ele atira três vezes.
11:15E escancara o portão lateral, matando dois cachorros e machucando o outro.
11:21E dá pra ver os rabinhos balançando.
11:24Na manhã seguinte, é claro, tinha os três homicídios.
11:30Assim como em outros homicídios, o assassino dos cachorros parece estar dirigindo um SUV dourado.
11:36A arma também é a mesma.
11:38Fotos da polícia.
11:39Na mesma hora, é claro, suspeitaram e tiveram medo de ter um assassino em série, à solta.
11:46Se um homicídio acontece numa cidade pequena, todo mundo fica sabendo e todo mundo tem alguma ideia de quem está
11:53envolvido.
11:53Mas em Los Angeles, você pode desaparecer.
11:57É apavorante pensar que alguém assim está vivendo entre nós.
12:02Eu acho que é por isso que os investigadores fizeram de tudo pra achar esse cara e achar rápido, pra
12:09não deixar mais alguém morrer.
12:15Depois eu só me lembro de acordar e eu pensava, o que está acontecendo?
12:22Eu estava no hospital.
12:25Eu estava tentando entender o que tinha acontecido.
12:29E foi aí que eu pus a mão na garganta.
12:31Eu senti a garganta com um tubo e pensei, oh oh, ai meu Deus, não dá pra falar.
12:35Era só o ar saindo, mas não tinha nenhum som.
12:40Então trouxeram um quadro branco, porque eu tinha que me comunicar assim.
12:44Eu perguntei o que tinha acontecido, porque não dava pra falar.
12:49Era por causa de uma lesão na garganta.
12:51Aquele momento foi difícil pra mim, porque eu queria saber se era temporário.
12:55Mas eles ainda não sabiam.
12:57E eu disse, como assim não sabiam?
12:59Eu pensei, ai meu Deus, eu lutei pela minha vida.
13:03Eu passei por uma cirurgia e quase não sobrevivi.
13:05E agora eu posso nunca mais voltar a falar?
13:08Eu posso nunca mais dizer as palavras, eu te amo, pro meu filho?
13:12Eu fiquei com mais raiva ainda de quem tinha feito aquilo e por ele estar a solta.
13:20A polícia precisa que Nicole se lembre de tudo o que puder sobre o criminoso.
13:26Melhoras
13:29Eu ainda tava tomando muitos analgésicos e me sentindo meio dopada.
13:34E ainda tinha certas coisas que eram confusas pra mim.
13:37Eu fiquei tentando lembrar de tudo, o máximo que eu podia.
13:42Eu tive que usar um quadro branco pra dar a descrição do veículo.
13:49Mas eles ficaram muito confusos porque eu desenhei a traseira do carro.
13:55O investigador me perguntou quem tinha atirado no meu carro.
14:00Mas eu não sabia, não tinha certeza.
14:03E eu pensei que não, que não tinha visto a parte de trás do carro.
14:07Eu não tinha.
14:08Eles tinham razão.
14:10Eu nunca tinha sido ultrapassada.
14:11Eu disse que eles estavam certos, que eu não tinha visto.
14:14Mandei eles relevarem aquilo.
14:17Foi muito frustrante.
14:19Mas eu senti uma força.
14:22Eu tinha uma missão a cumprir.
14:24Eu não podia ficar ali quieta, sentindo pena de mim.
14:27Eu tinha que voltar à ativa e tinha que ajudar a pegar o cara.
14:30Porque ele ia machucar mais pessoas.
14:34E quando meu filho chegou, ele pegou na minha mão.
14:38Eu ainda tinha sangue seco da agulha.
14:43Ainda não tinha tomado um banho.
14:45E ele disse que tinha segurado a minha mão, que tinha sangue.
14:52Ele disse que queria limpar, que queria fazer minha dor ir embora.
14:56E eu não conseguia proteger o meu filho daquilo.
15:00Eu tinha muita dor nos olhos dele.
15:05Meu filho foi minha grande força.
15:08Foi ele que me fez continuar.
15:25Quando chegamos na cena, tinha alguns policiais que já tinham cercado a área.
15:32E eu perguntei se a gente podia chegar perto.
15:36Se eu podia encostar.
15:38E aí disseram que não.
15:41Eu lembro que a pessoa que de fato ligou pra polícia pra denunciar, veio conversar e perguntou se ela era
15:51a nossa mãe.
15:52E aí dissemos que sim, ela era a nossa mãe.
15:55E ele disse que era melhor não olhar.
15:58Pra não lembrar da nossa mãe assim.
15:59E aí, tava muito feio.
16:04Foi doloroso imaginar ela morrendo sozinha.
16:08Sem mais ninguém por perto.
16:12Eu achava que eu estaria com ela.
16:17Abraçando ela.
16:19Com a família ao redor.
16:21Até ela dar o último suspiro.
16:25Mas ela não teve isso.
16:29Ela morreu sozinha dentro do carro.
16:37O pai de Lúcia chega logo depois.
16:45Ver o meu pai daquele jeito foi horrível.
16:51Era esposa dele.
16:52Ele só queria chegar perto.
16:54Queria proteger ela.
16:57E aí...
17:01O meu irmão e eu tivemos que falar pro meu pai.
17:05Pra ele se acalmar.
17:09E não chegar muito perto.
17:15Que ele nunca mais ia ver ela.
17:18Nem ia segurar a mão dela.
17:25Ninguém mais ia.
17:36Meu pai disse pros investigadores que nos interrogaram.
17:40Que ele ia orar pros olhos de Deus.
17:43Ajudarem a encontrar a pessoa.
17:46Que tinha feito aquilo com a esposa dele.
17:49Que Deus ia mostrar quem tinha feito aquilo.
17:51E eles iam achar o culpado.
18:01Na manhã de domingo, com os três homicídios na mídia, em uma hora e em locais muito próximos,
18:06A polícia estava sob muita pressão para achar aquele criminoso e levá-lo preso.
18:12Foto da polícia.
18:14Caso Tovar.
18:15A espingarda não é uma arma usada em muitos crimes.
18:18A maior parte dos homicídios de Los Angeles com tiros envolve pistolas.
18:22Então parecia, logo de cara, que o culpado tinha o mesmo modo de agir em todos os casos.
18:27E eram muitos homicídios para uma pessoa só cometer.
18:31Os donos dos cachorros mortos disseram à polícia que dias antes haviam ajudado um homem com SUV dourado sem gasolina
18:37ao lado da casa deles.
18:41Ele se apresentou, disse que se chamava Alex.
18:44E aí o Alex perguntou se eles podiam ajudar a encher o tanque do carro.
18:48Eles levaram ele para a casa dele, que ficava bem pertinho dali, para ele pegar uma lata de gasolina.
18:53Eles fizeram isso e levaram ele de volta para a Suburban.
18:57Então eles sabiam como era o carro dele, eles sabiam o nome dele e onde ele morava.
19:03Os investigadores foram até lá e viram o Suburban estacionado atrás do portão daquela casa.
19:14A placa do carro estava registrada em nome de Alexander Hernandes, de 34 anos, que mora com a mãe e
19:20duas crianças.
19:22Na mesma hora, eles puseram a casa sob vigilância.
19:25Ela ficou cercada por todos os lados pela SWAT e chamaram helicópteros para sobrevoar a casa na mesma hora.
19:33Todos os familiares do Sr. Hernandes saíram da casa.
19:37Ele não saiu da casa.
19:39Ele ficou na casa.
19:41Ele ficou no quintal.
19:44Os agentes que estavam no helicóptero observaram ele e disseram que ele estava se arrastejando,
19:51tipo, com os braços e a barriga no chão, para ficar abaixado, se esconder.
19:57Foto da polícia.
19:58Ele pulou o muro de tijolos para a casa do vizinho, para o quintal dele, mas tinha dois agentes da
20:06SWAT parados ali.
20:07E ele foi pego na mesma hora em que ele pulou o muro.
20:10Ele tinha espingarda na mão.
20:11Estava carregada.
20:13E ele jogou ela no chão quando viu os agentes e foi apreendido.
20:18Mas ele não se rendeu com calma.
20:20Ele resistiu à polícia, que usou o taser.
20:23Depois disso, ele foi levado para o hospital para saber se estava tudo bem com ele.
20:32Foto da polícia.
20:34Acho que as circunstâncias da prisão dele dizem muito sobre o que ele estava pensando e estava planejando.
20:44Ele tinha uma espingarda carregada.
20:47Ele tinha munição extra no bolso e tinha uma mochila com todos os documentos dele.
20:54Chave do carro, passaporte, certidão de nascimento.
21:00Nós pesquisamos tudo o que pudemos sobre o Sr. Hernandes.
21:04E eu já adianto que não tinha nada de mais com ele.
21:08Ele já tinha sido preso uma vez.
21:10Mas os antecedentes criminais não eram de crimes violentos.
21:15Ele não atirava nas pessoas.
21:16Ele tinha armas.
21:17Ele tinha ficha criminal por posse de armas de fogo.
21:21Tinha antecedentes com drogas.
21:22Mas nada que tivesse a ver com o homicídio.
21:25Ele tinha uma família que morava na casa dele.
21:27E pareciam pessoas boas.
21:31Não tinha nada na ficha dele.
21:33Nada no passado dele.
21:35Nem no presente dele que dessem qualquer indício.
21:39De que ele era um assassino.
21:41Mas acho que qualquer análise básica dos fatos...
21:45Dos três homicídios que ocorreram na manhã de domingo...
21:49Levaria qualquer pessoa racional a ter muita certeza que eles tinham relação.
21:54Mas também sabíamos que o veículo estava sendo analisado.
21:57Estavam procurando indícios de armas de fogo.
21:59E ainda estavam analisando as provas.
22:02Especialmente as provas do tipo forenses, DNA.
22:05Não são analisados rápido.
22:07Isso leva tempo.
22:09Mas nós temos 48 horas para prestar queixa.
22:13Depois de prender alguém.
22:15Isso tem que ser feito nesse período de tempo.
22:17Ou a pessoa é solta.
22:18E é claro que todos tinham muito medo que o senhor Hernandes fosse solto.
22:22E que isso seria muito perigoso para os cidadãos.
22:29Quando minha mãe foi tirada da cena do crime...
22:33Todos nos juntamos na casa dos meus pais.
22:37E aí eu fui até um dos quartos onde ela guardava todas as roupas...
22:43As coisinhas dela.
22:45E aí eu peguei uma das roupas e eu cheirei.
22:48Tinha o cheirinho dela.
22:55Eu não conseguia acreditar que ela tinha morrido.
23:06Descobrimos depois uma série de assassinatos na mesma manhã.
23:10Minha mãe não tinha sido a única.
23:13E que tinha mais duas ocorrências naquela área.
23:17Não muito longe de onde a minha mãe tinha sido baleada.
23:21Tinha coletivas de imprensa na televisão.
23:24Diziam para as pessoas não saírem.
23:26E tinha um assassino a solta.
23:28Naquele momento percebemos que aquilo era sério.
23:32Eu lembro de assistir a polícia cercando a casa dele.
23:35E o assassino sendo levado para a ambulância e sendo preso.
23:41Tava todo mundo na sala dos meus pais.
23:44Vendo as notícias.
23:47Aquilo ajudou.
23:49Vimos que a pessoa que tinha feito aquilo estava sendo presa.
23:53E não ia fazer mais aquilo com mais ninguém.
23:55Sério.
23:56Quem faz isso?
23:57É inimaginável.
24:00E eu fiquei aliviada.
24:03Porque ele estava sendo preso.
24:05E que parte daquela história tinha acabado.
24:09Mas ainda faltava muita coisa.
24:19Eu lembro do investigador falando para mim que tinham pegado ele.
24:24Eu estava no hospital.
24:27E perguntei se tinham certeza.
24:29E ele confirmou.
24:30Eu disse que não, não, não, não, não.
24:32E ele jurou para mim.
24:33Sério, eu não acreditei que tinham pegado ele tão rápido.
24:38Eu pedia a Deus para me dar os sinais no processo de que estávamos no caminho certo.
24:44Que íamos ter justiça.
24:45Que ele ia ficar longe das pessoas.
24:47Que não ia machucar mais ninguém.
24:48Minha família ia ficar segura e eu pude ir para casa e dormir à noite.
24:54Minhas orações foram atendidas.
24:59A polícia tenta comprovar a ligação entre ele e os tiros em Nicole.
25:07Eu sabia que eu tinha que dar para a polícia alguma informação do veículo.
25:13Mas dois meses, fiquei dois meses sem minha voz.
25:18Eu nunca esqueço da última vez que eu fui para o meu otorrino e ele disse que ia tirar o
25:25tubo.
25:25Diz que seria o meu grande dia e eu estava tranquila.
25:28Eu ia conseguir.
25:31Aí ele falou que ia puxar o tubo.
25:32Ele disse, fala aí.
25:34Eu disse, e.
25:35Fala aí.
25:36E ele disse, você está falando.
25:39E eu disse, sim, eu estou.
25:42Eu queria poder falar com os investigadores.
25:51Eu queria que meu filho visse que eu tinha caído, mas que eu ia me recuperar.
25:56Eu lembro de chegar em casa e ele me dizia,
25:58Mãe, eu estou bravo.
26:00Estou com raiva.
26:01Como Deus podia deixar aquilo acontecer?
26:03E eu disse que eu tinha criado ele com muita fé, que tinha Deus e tinha o diabo, que tinha
26:07o bem e o mal.
26:09Todo dia era uma batalha nesse planeta.
26:11Mas, olha para mim, eu era a prova viva de que Deus era um cara bom.
26:16Eu ainda estava aqui.
26:18Eu podia ter morrido.
26:19Todos podiam ter ido no meu velório.
26:21Porque quando você olha as provas desse caso, é um milagre eu estar aqui.
26:26Como uma bala pegou no meu rosto.
26:29Como não pegou no osso.
26:31Como não pegou num nervo.
26:32Como eu estou aqui falando hoje?
26:35Então eu disse para o meu filho, por favor, pensar no lado bom.
26:39Para parar de pensar no lado negativo.
26:50Os investigadores foram lá em casa e levaram mapas.
26:53Com o meu trajeto para o trabalho, com minha saída.
26:57Ele ficava dizendo que a única coisa que eles não sabiam era o que tinha acontecido na rodovia.
27:04E eu disse que o farol apagado chamava a atenção.
27:09Então eu fiquei analisando o carro.
27:11Tipo, era um carro grande, um Suburban ou um Yukon.
27:15Mas muito atrás de mim.
27:17Eles disseram que eu tinha visto a traseira.
27:20Eu tinha.
27:21Eu tinha descrito ela.
27:23E eles queriam que eu me lembrasse.
27:28E foi assim como se uma luz se acendesse.
27:32Ah, meu Deus.
27:33Eu comecei a chorar.
27:34E a minha mente começou a se clarear.
27:37Eu lembrei mais.
27:39Eu fui até o carro desse homem.
27:42Depois que ele tentou me matar.
27:44Por isso eu vi a parte de trás do carro.
27:51Foi traumático.
27:52E eu acho que minha mente suprimiu algumas coisas.
27:56Uma hora eles acabaram conseguindo o vídeo do local onde me balearam.
28:06O vídeo ajuda Nicole a preencher os lapsos na memória.
28:21Tá, então aqui é quando ele estava chegando perto de mim dentro do Suburban.
28:28Aí eu saí do meu carro.
28:31Eu andei até o carro dele.
28:33Do lado do passageiro.
28:35Mas não dava pra falar direito.
28:37Eu estava gorgolejando e com muita raiva.
28:41Eu fui até a janela dele e perguntei quem era ele.
28:45Por que ele fez aquilo.
28:47Ele me deu um olhar nulo.
28:50Vazio.
28:51Olhar sem alma.
28:53Nada.
28:54Por que ele não atirou de novo ali?
28:56Eu não sei.
28:59Então, nessa parte do vídeo, eu estou batendo nas janelas, tentando conseguir ajuda.
29:05E as pessoas estão passando por mim.
29:06Eu tentei implorar, pedir para as pessoas, por favor, me ajudem.
29:10Mas as pessoas pensavam, não, não.
29:13Não queriam se envolver, não queriam me ajudar.
29:15Diziam, vai pro inferno, vai pro, sei lá, eu não sei, ninguém queria se envolver com a situação.
29:21Eu me senti enojada, me senti impotente, eu me senti derrotada.
29:26Não podia nem respirar.
29:34Ainda é difícil assistir?
29:38Eu me joguei em cima dela, do lado do carro, pedindo por favor, socorro.
29:43E ela disse que não.
29:45Porque ela não me ajudou.
29:47E aí...
29:51Eu vejo outro homem que veio me segurar.
29:55Eu gostaria de saber quem ele é e entrar em contato com ele para dizer obrigada.
30:03Porque ele não precisava fazer aquilo.
30:09Eu sou eternamente grata por ele me dar mais tempo com a minha família, meus amigos, minha vida, o que
30:17ele fez.
30:19Ele salvou a minha vida.
30:22Ajudou a salvar minha vida.
30:24Ele ajudou muito.
30:34Nicole se lembra de um detalhe crítico.
30:37Um adesivo na janela traseira do carro, que correspondia ao do carro de Hernandes.
30:43Eu nem sabia que eles tinham comprovado.
30:46Ninguém me avisou de nada sobre o caso.
30:49Só disseram que era um assassino em série.
30:51E foi aí que eu entendi.
30:54Tipo...
30:55Ah, meu Deus!
30:56Deve ter tido mais gente baleada além de mim.
30:59Esse cara...
31:01O termo assassino em série foi muito impactante para mim.
31:06Um assassino em série tentou me matar.
31:11Eu sabia o que tinha que fazer.
31:13Eu tinha que depor, correr atrás de justiça.
31:16Ele levou a minha voz, mas minha voz voltou.
31:19E ele ia ter que me ouvir.
31:26Quando as provas mostraram que era um assassino em série,
31:32tivemos que investigar para responder uma pergunta óbvia.
31:37Quando aquilo começou?
31:40Quantas vítimas íamos encontrar?
31:44Foram os investigadores da polícia de Los Angeles,
31:47da divisão de roubo e homicídio,
31:49que começaram a juntar as peças.
31:52Eles pesquisaram não só os baleados por espingarda,
31:55como também pesquisaram as vítimas baleadas por tiro de pistola.
31:59E nós conseguimos achar várias vítimas nos seis meses anteriores,
32:07incluindo várias pessoas baleadas pelo Sr. Hernandes.
32:14Começando pelo Sérgio Sanches,
32:17que estava com o caso totalmente sem solução,
32:20que foi achado morto no carro no meio da rodovia,
32:23sem nenhuma prova contundente,
32:26além de um indício vago,
32:28uma pista de um motorista de caminhão
32:30que tinha visto um SUV grande e dourado.
32:38O próximo caso foi outra vítima,
32:41um senhor chamado Mário Gamboa.
32:42Mário estava dirigindo na rodovia tarde da noite.
32:45Ele viu um SUV grande seguindo ele pela rodovia 5.
32:49De novo, o mesmo Suburban parou atrás dele
32:52e disparou vários tiros de pistola no carro dele.
32:55E um dos tiros pegou nas costas dele.
32:58E ele correu e se escondeu, na verdade.
33:02O terceiro foi um homem chamado Luiz Valdez.
33:06Luiz Valdez tinha saído à noite e voltado tarde.
33:10Ele não queria acordar o pai,
33:11que dividia apartamento com ele.
33:13Então ele foi estacionar na rua perto do apartamento
33:16e foi dormir no carro até de manhã.
33:19E tudo que ele lembra
33:20é de ser acordado com vários tiros disparados para o carro dele.
33:25Ele acordou, é claro, em pânico.
33:28Ele olhou para fora e viu um SUV dourado grande ao lado dele.
33:33Ele acabou sendo levado para o hospital
33:35e tratado com várias feridas de tiro.
33:40Outra ocorrência importante foi com o Julian Archer.
33:45O Julian Archer é um jovem que estava
33:48levando a namorada para a casa do baile da escola.
33:50Ele deixou ela em casa
33:52e foi embora da casa dela.
33:54Foi voltar para casa
33:55quando um carro grande estacionou perto dele
33:58e disparou vários tiros no carro dele com uma pistola.
34:04Julian Archer levou vários tiros nas costas.
34:07Ele teve lesões na coluna.
34:09Ele conseguiu ligar para a emergência sozinho
34:12antes de desmaiar dos ferimentos no carro.
34:27E descobrimos
34:29que a casa
34:31que o Julian Archer passou na frente
34:34poucas quadras antes de ser baleado
34:38era a casa da namorada do réu Hernandes.
34:43E eles interrogaram o pai dele.
34:45Ele disse que sim.
34:47Tinha ouvido tiros na noite anterior.
34:49Ele estava acordado
34:50porque a filha tinha chegado com o namorado
34:52e estavam tendo uma discussão.
34:53E que depois que a filha entrou em casa
34:55ele tinha ido embora.
34:57Poucos minutos depois
34:58ele ouviu os tiros vindo daquela direção.
35:01Aquele era o senhor Hernandes
35:03fugindo da cena.
35:04Julian Archer acabou identificando ele
35:06num grupo de fotos.
35:08Fotos da Polícia
35:16Suburban
35:17era a prova mais importante que tínhamos.
35:21Quando levaram o carro para o laboratório
35:23e fizeram um exame bem rigoroso
35:27com luzes
35:28eles começaram a achar sangue
35:30tecido
35:32e eles tiraram amostras
35:35de várias partes do carro.
35:38tinha provas embaixo do motor
35:40no volante do carro
35:42tinha dentro do carro
35:43no banco do passageiro
35:44porque a janela estava aberta.
35:48Então o Suburban
35:50era uma mina de ouro de provas.
35:56Os fragmentos do carro de Hernandes
35:58também foram encontrados
35:59na cena do crime de Gildardo Morales
36:01elevando o número de ocorrências a 16
36:04incluindo os cachorros.
36:06Cinco vítimas de Hernandes
36:08perderam a vida
36:09Gildardo Morales
36:10Gildardo Morales
36:10Sérgio Sanchez
36:11Mariana Franco
36:12Michael Planels
36:13e Gloria Tovar
36:14Fotos da polícia
36:15não tinha nenhum motivo
36:17para ele matar aquelas pessoas
36:19não tinha motivo óbvio
36:22não tinha motivo óbvio
36:23e procuramos
36:24olha, nós tentamos encontrar
36:26o que as vítimas tinham em comum
36:28eram os carros
36:29era a etnia
36:31era o gênero
36:32alguma coisa
36:34tinha acontecido
36:35e não tinha nada
36:37não tinha nada
36:39o motivo podia ser simples
36:41ele gostava de matar gente
36:44foi um processo longo
36:46nós tivemos que
36:47adicionar várias vítimas
36:50às acusações
36:51nos dois primeiros anos do caso
36:53ele foi acusado
36:56de 32 ocorrências
36:59no julgamento de Hernandes
37:01em 2022
37:02Lúcia Montano
37:03teve que encarar
37:04o assassino da mãe em pessoa
37:09foi um turbilhão de emoções
37:12toda vez que alguma coisa aparecia
37:14eram os mesmos sentimentos
37:16era como abrir
37:17minha caixa de Pandora pessoal
37:19foto da polícia
37:21pedaços do cérebro da minha mãe
37:23foram achados no motor
37:24e várias partes do DNA dela estavam lá
37:27na minha opinião
37:30isso mostra que Deus deu uma ajudinha
37:32eu acho que Deus garantiu
37:35que tinha alguma coisa
37:37que definitivamente
37:38ligasse eles dois
37:41ela foi assassinada
37:43de forma violenta
37:44ela foi tirada de nós
37:45ele não tinha humanidade
37:48esses seres humanos
37:50esses entes queridos
37:51que perdemos
37:51não eram nada
37:52era como se ele fosse
37:54só um caçador
37:55e eles fossem as presas
37:58mas alguém assim
38:00não precisa de
38:02uma simples advertência
38:04precisa mesmo é passar o resto da vida
38:06na prisão
38:14então
38:14esse é o terço
38:16que eu estava descrevendo
38:18que estava no meu carro
38:19quando fui baleada
38:22quando eu vi o meu carro
38:24antes dele ser destruído
38:25eu chorei
38:26porque
38:27o terço
38:28estava lá esperando por mim
38:30foto da polícia
38:31quando eu voltei a dirigir
38:34quando eu pude voltar ao trabalho
38:36meu filho e eu
38:38pusemos ele
38:38juntos no retrovisor
38:40eu tirei uma foto dessa hora
38:44isso me anima
38:45a trabalhar todo dia
38:48toda vez que eu entro no carro
38:49o terço
38:50guia meu caminho
38:52me protege
38:53como naquela manhã
39:08depois que eu depus
39:09a irmã do Morales
39:10me puxou
39:11quando eu saí do púlpito
39:12e eu não sabia quem era
39:14e ela disse
39:15que eu era a voz do irmão dela
39:17que eu ia ajudar a fazer justiça
39:20ela me abraçou
39:21e me agradeceu
39:26eu também
39:27sinto muito por eles
39:31eu sinto culpa
39:32porque eles não estão mais aqui
39:36teve muita perda
39:37e
39:39eu senti isso
39:40quando tive momentos ruins
39:42e eu tive vários
39:44eles não estão mais aqui
39:46para falar
39:47nem para dizer
39:48o que sentiram
39:49ou viram
39:50ou então
39:51qual foi a luta deles
39:53o que pensavam
39:55então meus medos
39:56não importavam
39:57nem se eu tinha dias bons
39:59ou ruins
40:00eu tinha que seguir em frente
40:02e
40:03eu fico feliz
40:04que a dor que eu senti
40:06o sofrimento que eu tive
40:07foi usado para
40:08criar algum tipo de documentação
40:11para ligar aquele cara
40:12aos crimes
40:13porque agora a justiça
40:15foi feita
40:20Alexander Hernandez
40:22foi condenado
40:23por todas as acusações
40:24antes do julgamento
40:26o estado da Califórnia
40:27emitiu uma moratória
40:29sobre a pena de morte
40:32a sentença
40:33nesse caso
40:34foram cinco penas
40:35perpétuas consecutivas
40:36sem possibilidade
40:37de condicional
40:38e somando-se a isso
40:40consecutivo a isso
40:42mais 400 anos
40:43de prisão
40:45foto da polícia
40:47a questão é que
40:48até na prisão
40:50ele pode receber
40:52visitas da família
40:53escrever e receber cartas
40:55ler o jornal
40:56assistir notícias
40:57ver TV
40:57ver os filhos crescerem
41:00as famílias das vítimas
41:02não vão ter isso
41:03com seus entes falecidos
41:04não podem mais fazer isso
41:09esse caso
41:10foi mais importante
41:11para mim
41:11do que qualquer outro
41:12que resolvi
41:13por causa
41:16da absoluta
41:17inocência
41:18das vítimas
41:19e da forma aleatória
41:20como elas foram escolhidas
41:22de forma
41:23que não fazia sentido
41:25e não tinha
41:25nenhuma justificativa
41:29fica sentimental
41:31quando você
41:32passa pelo processo
41:33por tantos anos
41:34com as vítimas
41:36fica sentimental
41:37no sentido
41:38de que eu me importo
41:39muito com elas
41:41eu falei para as vítimas
41:43que eu resolveria
41:44o caso
41:44e vou cuidar
41:45desse caso
41:45pelo resto
41:46da minha vida
41:47e eu vou
41:52porque elas merecem
42:02eu acho que a minha mãe
42:03teria perdoado ele
42:05sério mesmo
42:06eu acho que a minha mãe
42:07até rezaria
42:08para ele ser perdoado
42:11era o tipo de pessoa
42:12que ela era
42:13eu
42:16sinto tanta saudade
42:18dela
42:18todo dia
42:20eu acho que
42:22mesmo tendo
42:23muita força
42:24às vezes
42:25eu desmorono
42:26porque eu queria
42:26que ela estivesse aqui
42:27porque eu sei
42:28que ela me ajudaria
42:29muito
42:29no ano passado
42:31meu marido
42:32ficou bem doente
42:33e agora ele está lutando
42:34contra um câncer
42:35e eu
42:38eu não sei o que fazer
42:40porque está sendo
42:42muito difícil
42:42passar por isso
42:43sem ela
42:45eu sei
42:47que se
42:48ela estivesse aqui
42:50ela estaria
42:51me ajudando
42:52eu sei que ela
42:53ficaria
42:54ajudando
42:55ele também
42:56eu espero que
43:00as pessoas
43:01um dia
43:01entendam
43:02quem ela era
43:03a pessoa
43:04que nós
43:05perdemos
43:10e não esperem
43:11para falar nada
43:13não digam
43:14fica para a próxima
43:15ou eu te vejo
43:16da próxima vez
43:18porque nunca se sabe
43:19não se sabe
43:20se aquela pessoa
43:21ainda vai estar ali
43:23e agradeça
43:25todos os dias
43:25pelo que você tem
43:27por acordar
43:28e por poder
43:29dividir sua vida
43:30com a sua família
43:31versão brasileira
43:33voxmund
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