Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 8 meses

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:00Foi terrível. Aquilo foi devastador. Transformou as nossas vidas.
00:09Eu só fui até meus filhos e os abracei. Eles perguntaram, por que está chorando?
00:16E eu falei que uma amiga minha tinha falecido. Tinha ido para o céu.
00:24A polícia encontrou o carro e a maior parte do corpo da irmã Filomena Fulgary
00:28debaixo dessa coberta na quarta-feira de manhã.
00:31A cabeça, as mãos e os pés haviam sido extraídos.
00:38Deus que vai cuidar dele.
00:42Deus faz o julgamento. Deus é o juiz, não o meu.
00:47Rezo para Deus Todo-Poderoso, para que ninguém mais no mundo sofra.
00:59Rezo pelas almas deles.
01:05Eu só lembro de um cara com um sorrisão fácil e sempre feliz de me ver.
01:10A gente era bem próximo. Ele era quase como um irmão para mim.
01:15O Adrian que eu conhecia não existia mais.
01:19O Adrian que eu conheci não era aquele.
01:33Eu não acredito que o Adrian o seja mal.
01:37Alguma coisa deve ter influenciado para ele ir atirar em alguém 16 vezes.
01:46Foi um tipo de insanidade.
01:48Eu acho que foi alguma loucura que resultou no homicídio do Henry.
01:58Nós achamos vários buracos ao redor do crânio e mais alguns na região do peito.
02:04Foi uma ação exagerada. Foi a pior coisa que eu já vi.
02:09Como maior que seja a nossa experiência, tem coisas para as quais não estamos preparados.
02:15Me disseram, pega esses sentimentos, a raiva, a desolação e coloca numa caixa.
02:23Eu só abro a caixa se precisar muito.
02:35A Morte
02:53Vivendo com o Inimigo
02:56Sombras da Morte
03:05Sombras da Morte
03:16Durante a infância, eu acreditava que tudo tem motivo.
03:22Deus sempre tem uma razão.
03:24E quando uma porta fecha, outra vai se abrir.
03:28Sempre tive essa esperança.
03:34Eu não questiono as ações de Deus.
03:37E sei que Ele não fez aquilo.
03:42Eu sei que foi um trabalho do mal.
03:50A família Robinson morava a uns 300 metros da minha casa.
03:57O Adrian praticou luta com meu filho no ensino médio e no colegial.
04:03E vivia lá em casa.
04:06A última vez em que vi o Adrian foi umas duas semanas antes daquilo.
04:11O Adrian que eu vi naquele dia estava bastante à vontade.
04:17Ele queria se divertir e brincar.
04:21Quem via aquele Adrian sendo um garoto normal e imaginaria que ele pôria a vida de alguém em risco.
04:34A Morte
04:44Me ligaram da delegacia.
04:48E perguntaram se eu tinha visto o Adrian naquele dia.
04:55É claro que eu disse não.
04:58Na hora eu pensei, bom, deu algum problema com o Adrian.
05:02Tá todo mundo procurando por ele.
05:04Aconteceu alguma coisa.
05:07Não achei que ele tivesse feito alguma coisa.
05:10Nunca imaginei ele ferindo alguém.
05:14Eu nunca nem sonhei que aquilo aconteceria.
05:22Pobre o Adrian.
05:24Eu rezo por ele.
05:26É o que me resta.
05:35Bom, eu diria que...
05:38Eu sei lá, eu criei umas defesas emocionais e desfoquei de tudo aquilo.
05:41Foi o melhor jeito de conseguir lidar com isso.
05:50É bastante desconfortável falar dele.
05:52É que...
05:56A gente era bem próximo. Ele era quase como um irmão pra mim.
06:00Sabe?
06:05Ah, essa foto aqui.
06:07Esse aqui é o Adrian que eu conhecia.
06:09Todos os lutadores com uma cara, sabe, meio séria, com essa imagem de fortões.
06:15E no canto tem o Adrian magrinho piscando pro cara que tava tirando a foto.
06:21É desse Adrian aqui na foto que eu prefiro me lembrar.
06:25Vai, cara.
06:26Para.
06:27Dá um oi pra quem tá em casa, vai.
06:29Ah, mano, para de me encher, vai.
06:33Desliga essa câmera.
06:34Dá só um oi.
06:38Sabia que eu nunca vi o Adrian passando por nenhum tipo de perrengue?
06:43Eu só lembro de um cara com um sorrisão fácil no rosto e sempre muito feliz de me ver.
06:50Ele passava por um período complicado, mas não parecia ser nada tão grave...
06:55a ponto de fazer ele tomar aquelas decisões que ele tomou.
07:08Esse caso foi bem sangrento.
07:12E aqui na região de Harris e Hamilton...
07:16isso não acontece, isso nunca acontece.
07:25A ligação veio por volta da 1h13 da tarde do domingo.
07:30O que acabou motivando aquela ligação para a polícia foi que o tio do Adrian...
07:36costumava dar uma passada lá no irmão Henry Robinson...
07:40pra ver como ele estava de tempos em tempos.
07:45O Adrian, que atendeu o tio, disse...
07:48Oi, eu passei pra ver como estão as coisas aqui.
07:51E ele disse...
07:52Oi, eu passei pra ver como estão as coisas aqui.
07:55O Adrian, que atendeu o tio, disse...
07:58Oi, eu passei pra ver como estão as coisas com o meu irmão.
08:02O tio percebeu que tinha alguma coisa estranha acontecendo.
08:07A expressão no rosto do Adrian assustou ele.
08:17O Adrian Robinson pegou um rifle de caça potente e deu uns tiros no tio.
08:26Ele atirou no tio e saiu correndo pra mata com aquele rifle potente.
08:32O tio ligou pra delegacia e foram várias viaturas até a casa...
08:37para saber o que estava acontecendo.
08:49Eles não sabiam o que iam encontrar dentro da casa.
08:54Então os policiais estavam bem atentos e bem nervosos.
09:01Entrando na residência para a esquerda...
09:04ficava o local da ocorrência do primeiro crime.
09:10A poça de sangue no chão era maior do que uma tampa de lata de lixo.
09:15Alguém que tinha perdido tanto sangue com certeza estava inconsciente.
09:20O coração batia e o sangue ficava vazando do corpo lá pro chão.
09:27E chamou a atenção que havia muito sangue, mas não havia corpo.
09:33Tínhamos que encontrar o corpo.
09:36Seguindo pelo corredor, em outro cômodo, tinha uma banheira improvisada.
09:43Foi lá que encontramos o Sr. Robinson...
09:46submerso numa banheira cheia de água que estava nos fundos da casa.
09:52Tinha sangue na água, mas dava pra ver os joelhos dele aparecendo.
10:01Achamos vários buracos ao redor do crânio e mais alguns na região do peito.
10:07O Sr. Robinson tomou 16 tiros.
10:10Foi uma ação exagerada.
10:12O indivíduo devia estar tomado de bastante ódio para fazer uma coisa daquela.
10:19Foi a pior coisa que eu já vi.
10:23Era um homicídio.
10:24Nós concluímos que o Sr. Robinson tinha sido assassinado com múltiplos tiros...
10:30e que o suspeito, o Adrian, não estava na casa no momento.
10:42O maior problema era que atrás da casa do Adrian havia um terreno enorme...
10:47com uns 200 hectares de floresta fechada.
10:52A nossa prioridade era encontrá-lo, mas não tínhamos ideia de onde ele estava.
10:56A gente não sabia o que o Adrian era capaz de fazer, mas sabíamos o que ele tinha feito.
11:01E, no caso, era ter matado o Sr. Robinson.
11:05A gente não sabia o que o Adrian era capaz de fazer, mas sabíamos o que ele tinha feito.
11:10E, no caso, era ter matado o pai fugindo com um rifle potente.
11:15E nós tínhamos que encontrar o Adrian.
11:36Nossa.
11:54Que triste.
11:58E quem olha para essa foto do Harry e não conhecia ele antes...
12:03deve achar que é uma expressão triste.
12:06Mas ele era bem desse jeito.
12:09Ele não demonstrava muitas emoções.
12:13Ele era tranquilo.
12:24Meu colega de sala, Harry Robinson, entrou na escola no meu segundo colegial...
12:30que deve ter sido por volta de 1963.
12:34Hoje, um suspeito de assassinato aterrorizou a vizinhança.
12:38Eu vi a notícia da morte dele sendo anunciada na televisão.
12:44A trágica história começou em Harris, na Geórgia.
12:47O delegado Mike Jolly diz que Robinson matou o próprio pai ao desferir uma série de tiros.
12:53Ele atirou 15 ou 16 vezes.
12:56E eu percebi que era o meu amigo, que tinha estudado junto comigo.
13:02A gente conversava sobre todos os assuntos.
13:05Eu fiquei bem chocado.
13:09Porque eu não conseguia encontrar uma explicação na cabeça.
13:16Ainda mais conhecendo ele desde novo.
13:22Eu não imaginava nenhuma justificativa para fazerem aquilo.
13:28Eu não imaginava que alguém quisesse ferir o Harry.
13:34Eu precisei parar para respirar quando eu ouvi.
13:38E a primeira coisa que eu quis fazer foi viajar até a cidade dele...
13:42para ver o que tinha acontecido. E assim foi.
13:52Por maior que seja a nossa experiência,
13:55tem coisas para as quais não estávamos preparados.
13:59E esse caso é assustador.
14:03Eu só conseguia pensar que aquela história toda era puro mal.
14:10Procurávamos uma pessoa que acreditávamos que havia assassinado o pai...
14:16e tinha um rifle bem potente.
14:20A minha preocupação era garantir a segurança das pessoas.
14:26Era um homem jovem que tinha crescido no mundo.
14:30E eu não sabia o que fazer.
14:35Era um homem jovem que tinha crescido...
14:39no meio daqueles 200 hectares de mata fechada.
14:43Ele conhecia a floresta muito bem.
14:47Dava para caminhar quilômetros naquela mata e se perder lá dentro...
14:51se não soubesse para onde ir.
14:55Então a situação era de policiais caminhando pela mata...
14:59sem saber onde ele estava e se podia sair de trás de uma árvore.
15:04A gente ficava com os pelos da nuca de pé...
15:07e sentia um arrepio descendo a espinha.
15:10Ele vai atirar em mim? Será o meu último minuto na terra?
15:14Porque ele vai me matar que nem matou o pai?
15:20Depois de dois dias de buscas...
15:24concluímos que o Sr. Robinson não estava lá.
15:29Tínhamos que ir atrás dele.
15:33Então a gente emitiu um alerta geral...
15:37que continha a descrição daquele tal indivíduo...
15:41que era procurado por um homicídio.
15:45Nós contatamos a mídia e os jornais publicaram alertas...
15:49para várias agências do condado e lá nos arredores de Harris.
15:59Eu descobri que tinha acontecido alguma coisa...
16:03quando os meus pais me ligaram e me contaram o que tinha acontecido.
16:07O Adrian era como um irmão mais velho para mim.
16:10A gente passava um tempão juntos.
16:13E quando eu ouvi aquilo eu fiquei em choque.
16:16Eu não conseguia acreditar no que tinha acontecido.
16:19O Adrian tinha cometido um erro terrível.
16:22Naquele momento eu não estava conseguindo compreender a situação.
16:26E eu acho que poucas pessoas conseguiam.
16:30É uma pena que eu não sabia sobre o estado mental dele...
16:33ou no que ele estava pensando naquele momento.
16:36A gente era muito próximo.
16:38Por que ele não chegou em mim para pedir ajuda?
16:44Eu não percebi que ele estava no estado em que se encontrava.
16:48Como ele tinha aqueles problemas e fez as coisas que ele fez...
16:52depois daquele ponto ninguém mais sabia o que ele ia fazer.
16:57Ninguém sabia se o Adrian seria preso...
17:01se ele ia deixar alguém prender ele ou se ele ia tirar a própria vida.
17:06Ninguém sabia o que ia acontecer.
17:15Então nós tínhamos um indivíduo jovem...
17:18de boa aparência e corpo forte de 21, 22 anos...
17:22que foi bem na escola e era campeão de luta greco-romana...
17:27na categoria dele pelo estado da Georgia...
17:31e que parecia ter um belo futuro pela frente.
17:35O que houve com o pai?
17:37Por que ele atingiu tal nível de ódio...
17:40para dar 16 tiros nele e descartar o corpo?
17:45Ele tinha um futuro tão promissor pela frente.
17:55Vários dias depois do ocorrido...
17:58veio uma ligação lá da polícia da Virgínia.
18:02A irmã Lucy e a irmã Filomena...
18:05tinham sido sequestradas pelo Adrian Robson.
18:08Ele usou uma faca.
18:10A gente não sabia do desaparecimento...
18:13das freiras da Igreja Católica Cristo Rei...
18:16nem imaginávamos que elas estavam lá.
18:19Pelo jeito, o Adrian tinha sido sequestrado...
18:23e a irmã Filomena tinha sido sequestrada.
18:27A gente não sabia do desaparecimento...
18:30nem imaginávamos que elas estavam lá.
18:33Pelo jeito, o Adrian tinha atravessado os 200 hectares...
18:37e cruzado a rua até a igreja...
18:40e o prédio onde elas moravam.
18:43E ele conhecia bem aquelas freiras?
18:46Ele conhecia a irmã Filomena...
18:48porque ela já havia atuado junto a ele, assim como a Lucy.
18:52Ele sabia que tinha cometido um crime...
18:55mas ele queria um veículo, também umas reféns e dinheiro.
18:59Bom, a irmã Filomena e a irmã Lucy tinham tudo isso.
19:03Elas eram reféns perfeitas.
19:16Então, o Adrian foi para a Virgínia...
19:19atrás de um motel onde ele pudesse manter as duas freiras.
19:23Ele queria fazer o mesmo que ele tinha feito com o pai.
19:27Ele decidiu cometer outro crime...
19:30e matar as duas freiras.
19:33Ele amarrou a irmã Lucy na cama...
19:36e aí levou a irmã Filomena para o banheiro...
19:40e a colocou na banheira.
19:43Então, ele decidiu cortar a cabeça da irmã Filomena...
19:47mas momentos antes, ela olhou para ele...
19:51e falou as últimas palavras para o Adrian.
19:54Eu te perdoo.
19:58Eu conhecia bem a irmã Filomena...
20:01pelas várias ações que ela realizava em Harris e Hamilton.
20:05Não tinha motivo para aquilo.
20:08Não se explica tirar a vida de outro.
20:16Sabe aqueles cortadores de carpete com cabo de madeira?
20:20Com uma curvadora de foice?
20:23Ele pegou aquilo, passou pela garganta dela...
20:27e foi assim que a matou.
20:32Depois disso, ele a cortou em pedaços e pôs em umas malas.
20:37Vendo uma coisa dessas, ninguém imagina que possa piorar.
20:41Mas piorou.
20:43Me disseram, pega esses sentimentos...
20:47a raiva, a desolação, e coloca numa caixa...
20:51para ficar longe da mente, mas ainda por perto.
20:56Essa caixa está ali, num canto.
20:59E eu vou carregar a lembrança.
21:02Mas eu só vou abrir a caixa se precisar muito.
21:11Depois que o Adrian finalizou a irmã Filomena na banheira...
21:15com aquele cortador...
21:17e pegou umas malas fortes para pôr as partes do corpo...
21:21ele quis se livrar daquilo.
21:24A irmã Lucy estava amarrada na cama...
21:27só ouvindo a irmã de convento sendo levada lá do motel em malas.
21:34E aí a irmã Lucy se libertou das amarras.
21:39Ele só não matou a irmã Lucy porque ela se libertou daquelas cordas...
21:44e conseguiu chamar a polícia.
21:50Ele teria matado o próprio pai no último fim de semana na Georgia...
21:54onde a polícia afirma que Robinson também sequestrou Fulgury...
21:58e outra freira, Lucy Kristoffick.
22:00Ele levou as freiras para Hampton Roads.
22:03A polícia encontrou a maior parte do corpo da irmã Filomena Fulgury...
22:07debaixo dessa coberta na quarta-feira de manhã.
22:10A cabeça, as mãos e os pés haviam sido extraídos.
22:19Eu soube que a irmã Lucy tinha fugido...
22:23e que eles tinham encontrado a irmã Filomena.
22:30Foi terrível. Aquilo foi devastador.
22:36E transformou as nossas vidas e a igreja.
22:40Eu me lembro que eu só fui, sabe, até os meus filhos e os abracei.
22:48E eles perguntaram, por que está chorando?
22:55E eu falei que uma amiga minha tinha falecido, tinha ido para o céu.
23:03E eu fico triste demais pela saudade dela.
23:11Que saudade todos nós sentimos, todos sentimos falta.
23:17Foi tão terrível o que houve com ela.
23:21Ninguém devia passar por aquilo.
23:24Ninguém nesse mundo...
23:28devia passar por aquilo.
23:34A saudade é enorme.
23:37Ficou um vazio profundo e...
23:43é horrível.
23:45Até hoje é difícil.
23:48Demais.
23:50Mas a comunidade vai se ajudando.
23:55A igreja é uma família que se dá apoio.
23:59Cada luzinha que ela trazia para a comunidade,
24:02tudo que ela fazia de bom,
24:04refletia sobre as pessoas e tornava elas melhores.
24:09Todo mundo pensa nela, sabe?
24:12É isso que mantém ela viva.
24:16Essa lembrança linda dela.
24:18Para mim ela é um anjo.
24:21Sabe, um anjo que está cuidando da gente.
24:24E ela está onde ela queria estar.
24:27E ela está onde ela queria, com Deus.
24:32Eu creio que ela está lá.
24:42Eu lembro que eu viajei lá para Harris,
24:46para o funeral do Harry.
24:49Eu estava cheio de ódio.
24:51Ele era meu amigo.
24:53Meu ódio era focado no assassino.
24:57Eu queria olhar para os rostos das pessoas que estavam lá,
25:01para entender o que acontecia.
25:05Para ver se eu enxergava algum indício de ódio.
25:10Mas não foi assim.
25:15O funeral foi uma celebração da vida do Harry e do Adrian.
25:23Eu lembro que eu não escutei ninguém falar um A que fosse contra o Adrian.
25:32Diziam que ele estava louco ou desorientado.
25:36Mas exaltavam as conquistas dele.
25:38Aquela comunidade o abraçou.
25:41Eu tive que buscar o perdão aqui dentro de mim,
25:46para compreender que aquele assassino também era o filho do Harry.
25:53Eu tive que mudar a minha visão.
25:58Porque, na verdade, eu não tinha chegado lá disposto a perdoar.
26:15Você consegue imaginar o que elas pensaram durante o trajeto no carro?
26:23Só que aquele jovem tinha problemas.
26:26Ele estava perturbado.
26:28Podem ter tentado umas palavras de conforto,
26:32para evitar que fizesse o mal.
26:37Mas não funcionou.
26:40Não funcionou.
26:42A irmã Filomena ficou o tempo todo sem saber o que ia acontecer.
26:47Mas quando ela teve a chance, eu sei que ela falou com o Adrian,
26:50e perguntou, por que está fazendo isso?
26:52Me diz por quê?
26:54Você não precisa fazer isso.
26:56E por ter uma fé forte na religião,
27:00ela foi capaz de olhar para o Adrian,
27:03antes dele cortar a garganta dela,
27:07e dizer que ela o perdoava.
27:10Era assim que ela vivia a vida, como uma cristã.
27:13Acreditando na gentileza e no amor com as pessoas,
27:18por mais cruéis que elas fossem.
27:21Eu sei que aquilo ficou na cabeça do Adrian, e pode acreditar.
27:28Ele lembra de tudo o que fez,
27:31inclusive do momento em que ela olhou para ele e disse,
27:35te perdoo.
27:48Como a Lucy contatou a polícia, e disse,
27:51olha, essa é a descrição do meu carro e o número da placa.
27:58Então eles emitiram um alerta para aquela região,
28:01pelo carro que o Adrian tinha roubado,
28:04e ele foi visto várias horas depois.
28:07A Avenida Sandy Hope foi tomada por viaturas,
28:10que cercavam o suposto carro dirigido por Adrian Robinson,
28:14que estava acusado de matar o pai,
28:16e de sequestrar duas freiras na Georgia.
28:19A polícia da Virgínia interceptou e prendeu o Adrian.
28:36Olha só isso.
28:38Esses vídeos trazem de volta aquelas lembranças
28:41de quando a gente descobriu tudo o que tinha acontecido,
28:44e a gente ficou com várias dúvidas.
28:50Eu ficava me perguntando, por quê? Por que ele fez tudo aquilo?
28:55Eu conhecia a irmã Filomena.
28:57Era uma comunidade muito pequena.
29:01Todo mundo se conhecia.
29:03E quando vieram as notícias sobre o ocorrido,
29:06e a gente soube que ele tinha decidido cometer aquele erro terrível,
29:12e que ele ia carregar aquilo para o resto da vida dele,
29:16infelizmente não tinha mais como a gente ajudar.
29:23Me deixa em paz, vai.
29:25Desliga essa câmera.
29:27Dá só um oi.
29:30Eu convivi com ele a minha vida inteira.
29:32Ele era um cara ótimo, sempre me ajudou,
29:34e eu sempre ajudei ele.
29:36Mas naquele momento, eu não podia fazer mais nada.
29:39Ele era outra pessoa, não tinha mais jeito.
29:42O Adrian, aquele cara que eu conhecia...
29:44Enfim, já não existia mais, não era o mesmo.
29:49O Adrian que eu conhecia não era mais aquele.
30:05Esse é o depoimento do Adrian depois da prisão.
30:11Para a irmã Filomena e para a irmã Lúcia,
30:13quando me encontraram, eu falei assim...
30:16Olha, acabei de matar o meu pai.
30:18Elas disseram, vamos rezar lá na capela.
30:21E pediram para eu ler o Salmo 91.
30:25Aí a gente se reuniu e foi ler o Salmo 91.
30:29E o Salmo falou comigo.
30:32Eu senti Deus me dizendo para sair e fazer aquilo.
30:36Ele não soa muito lúcido aqui,
30:38e até parece distante e sem foco nenhum.
30:44O cara está com duas freiras de uma capela.
30:47Como é que ele vai sequestrá-las?
30:51Depois as leva para a prisão.
30:54Como é que ele vai sequestrá-las?
30:57Depois as leva para outro estado e tenta matar as duas lá.
31:02O que pode ter feito ele atingir esse nível de crueldade?
31:09Eu só queria perguntar por quê.
31:11O que te levou até isso?
31:13O que te levou ao ponto de sequestrar duas freiras que você conhecia?
31:18Ainda mais a irmã Filomena.
31:20Por que você decidiu matá-la?
31:23Qual era o seu objetivo com isso?
31:40Isso me traz um alívio.
31:43Pelo fato de que esse animal, esse monstro,
31:47está no banco de trás de uma viatura e preso.
31:50É isso que eu vejo.
31:53Dá para ver que ele está de olhos fechados, como que descansando.
31:58Devia estar pensando,
32:01é isso, está acabado, eu não tenho mais que fugir.
32:05Não encontramos evidências de que havia estupro com o pai envolvido.
32:12O que a gente soube depois dos investigadores da Virgínia,
32:16foi que o Adrian, no interrogatório,
32:19falou que ele tinha receio de estar sendo atingido.
32:24Ele tinha medo de ser atingido.
32:27Ele tinha medo de ser atingido.
32:30No interrogatório, falou que ele tinha receio
32:34de estar sendo seguido pela máfia polonesa e alienígenas.
32:40Então, é um indicativo que talvez ele não estivesse raciocinando com clareza.
32:48Não dava para confiar em nada que ele falava.
33:01A VIRGÍNIA
33:09O Adrian sabia bem o que estava fazendo, tudo consciente.
33:14Desde matar o pai, dar os 16 tiros, até ir ao convento, sequestrar as freiras,
33:22sair do estado da Geórgia e dirigir até a Virgínia,
33:26e alugar um quarto onde ele ia terminar aquela sanha criminosa.
33:31Ele fez tudo isso tomando cuidado de não chamar atenção pública e evitar a polícia.
33:49As pessoas ainda têm muitas dúvidas porque o Adrian nunca foi julgado e nem testemunhou.
33:55Ficamos sem respostas. A promotoria poderia ter perguntado muitas coisas.
34:00Por que? Quem? Onde? Quando? Como?
34:03Para termos uma luz sobre o motivo daqueles crimes e sobre o mal que o habitava.
34:18Muito bom.
34:20O meu pai era técnico de luta.
34:22E eu acho que com relação ao Adrian, ele era como um segundo pai para ele.
34:26Campeão estadual. Uma salva de palmas para o grande vencedor.
34:30E durante os nossos treinamentos juntos tinha a luta greco-romana,
34:34mas o meu pai também nos dava lições de vida.
34:40Eu acho que quando o Adrian tinha problemas na escola, ele pedia ajuda para o meu pai.
34:45Se ele tivesse buscado o meu pai enquanto ele estava passando por aquilo,
34:49eu fico imaginando que o meu pai poderia ter ajudado e evitado que tudo acontecesse.
34:58Eu acho que aquilo partiu o coração do meu pai.
35:01Ele treinava o cara, viu ele crescer.
35:04Era como se fosse outro filho para o meu pai.
35:08Por isso eu sei que o meu pai ficou muito magoado.
35:19Ele podia ter agido de tantos jeitos diferentes.
35:22Ele podia ter deixado elas lá.
35:25Podia ter pegado o carro e ido embora.
35:28Está entendendo?
35:30Ele tinha diversos caminhos para seguir no dia
35:35para a irmã Lucy e a irmã Filomena não passarem por tudo aquilo.
35:41Eu estava sofrendo muito.
35:44Estava bem difícil até...
35:47E uma noite, eu mal conseguia dormir quando acabei ouvindo a irmã Filomena.
35:56Ela estalava os dedos e me falou o que a gente tinha que fazer.
36:03Deu uma direção para a gente.
36:05Eu ouvi aquele estalo.
36:09E aí, vi uma luz linda.
36:11Uma luz branca com um brilho maravilhoso.
36:16E nessa hora, ela tocou o meu rosto e me disse no final vai dar tudo certo.
36:25Está tudo bem.
36:29E dali em diante, ela estava onde ela gostaria, junto a Deus.
36:38Eu conheci a irmã Filomena.
36:40Era comum a gente se encontrar uma vez ou outra.
36:43Uma semana antes daquilo, eu tive que ir a uma agência do Correio.
36:49Ela estava saindo e eu falei, irmã Filomena, obrigado pelo seu trabalho.
36:59Ela olhou para mim e disse, não chefe.
37:02Nós dois entendíamos que o foco são as pessoas.
37:07É melhorar a vida de todo mundo.
37:09Independentemente da profissão, seja uma freira, um padre, um policial, um assistente social.
37:16O foco é melhorar as vidas das pessoas.
37:20Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:23Ela morreu.
37:26Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:29Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:32Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:35Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:38Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:41Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:44Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:47Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:50Quando ela morreu, foi-se uma morte.
37:53Ela foi tirada de todo mundo, de todas as vidas e corações que ela tocou.
37:58Tudo acabou por causa desse animal.
38:01A CIDADE NO BRASIL
38:22Ele só está vivo por conta da igreja católica.
38:25Se ele cooperasse, eles não queriam a pena de morte.
38:28E, de fato, ele cooperou.
38:30A verdade é que não houve justiça para a irmã Filomena.
38:36Por causa da minha fé, me pedem para perdoar.
38:41Só que, às vezes, eu não consigo entender como dá para perdoar alguém...
38:46que tirou uma pessoa tão incrível deste mundo.
38:49Um dia eu vou responder por isso, mas hoje, de coração, eu não consigo perdoar.
39:01Eu acredito no mal.
39:03Eu acredito que ele existe.
39:07O Adrian que eu conheci não era uma pessoa má.
39:11Eu acho que tinha o Adrian de antes e depois teve o Adrian com a mente afetada...
39:17que virou uma pessoa totalmente diferente.
39:23E eu tento me lembrar só do Adrian de antes.
39:26Eu tento não ficar pensando no...
39:29no mal que habitava o Adrian com a mente afetada.
39:37Se eu seria capaz de perdoar se ele tirasse a vida de um familiar próximo meu?
39:43Hum, olha...
39:46Seria bem complicado de perdoar, de verdade.
39:49Eu acho terrível o que aconteceu.
39:52E eu não compreendo tudo.
39:54Para mim é bem difícil...
39:56é... entender.
39:58E é muito difícil ver...
40:02uma pessoa tão próxima sua fazer algo...
40:05tão errado.
40:17Nossa.
40:20Nossa.
40:22A semelhança é incrível.
40:25Eu olho essas fotos e não consigo entender...
40:30que circunstâncias levaram esse rapaz a tirar a vida do pai dele.
40:39Eu não acredito que o Adrian seja mal.
40:43Alguma coisa deve ter influenciado para ele...
40:47atirar em alguém dezesseis vezes.
40:52Foi algum tipo de insanidade.
40:54Eu acho que foi alguma loucura...
40:57que resultou no...
41:01no homicídio do Henry.
41:05Mas é triste...
41:07saber...
41:09que uma pessoa que você trouxe ao mundo...
41:13pode ser responsável por tirar a sua vida.
41:17Olha como é triste essa ironia para o Henry.
41:20É muito triste mesmo.
41:23E mais ainda para o Adrian...
41:25que nunca vai sair da cadeia.
41:27Foram duas vidas perdidas...
41:31e agora a família nunca mais vai ser a mesma.
41:35Nunca mais vai se sentir completa.
41:48Eu fico triste por ele.
41:54Estava confuso.
42:01Se eu sinto ódio pelo Adrian, não.
42:06É Deus que vai cuidar dele.
42:09Deus faz o julgamento.
42:11Deus é o juiz, não eu.
42:13Eu não tenho raiva.
42:15Eu rezei pela alma dele.
42:17Eu rezei para ele ter misericórdia.
42:20Eu pedi por misericórdia e por perdão.
42:25Eu rezo de coração...
42:27para que...
42:30quem foi tocado pelo irmão Filomena...
42:32possa ter mais conforto.
42:36Que o amor deles transborde para outras pessoas.
42:41Rezo para Deus Todo-Poderoso...
42:44para que ninguém mais no mundo sofra.
42:54Rezo...
42:56pelas almas deles...
42:58daqueles que partiram.
43:04Obrigada, meu Deus Todo-Poderoso.
43:06Amém.
43:14Versão Brasileira Vox Mundi
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado