Pular para o playerIr para o conteúdo principal
A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã voltou a pressionar os preços do petróleo, ampliando temores de inflação global. Em entrevista ao Fast Money, o economista Fernando Agra, da Universidade Federal de Juiz de Fora, explicou como a alta do barril influencia o Brasil, afetando custos de derivados, transporte e preços internos.

Fernando comentou ainda os possíveis efeitos sobre a taxa básica de juros (Selic), ressaltando que o Banco Central pode optar por cortes menores ou manter a política monetária atual diante da incerteza internacional e do impacto nos preços internos.

Acompanhe em tempo real a cobertura do conflito no Oriente Médio entre EUA, Israel e Irã, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-no-oriente-medio/

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00A escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e o Irã voltou a pressionar os preços do petróleo
00:07e ampliou os temores de uma inflação global.
00:11Com a alta da commodity, investidores passaram a revisar expectativas para a política monetária do Brasil,
00:18com um provável corte inicial menor da taxa Selic.
00:22Nós vamos falar desses possíveis impactos, por exemplo, na taxa básica de juros brasileira,
00:27com o Fernando Agra, economista da Universidade Federal de Juiz de Fora,
00:33a quem a gente recebe agora aqui por uma entrevista remota no Fast Money.
00:38Fernando, obrigado pela participação.
00:41Vamos tentar colocar umas coisas nos seus lugares.
00:45O Brasil, por exemplo, não é dependente de um petróleo que chega da Península Arábica, do Golfo Pérsico.
00:53Então, há efeitos no estreitamento, no fechamento do estreito de almoço?
01:00Tá bom.
01:00No Brasil, pode ser que isso chegue a um outro momento.
01:04De fato, existe uma conexão entre o que está acontecendo no Oriente Médio,
01:10no atraso a entregas de contratos de petróleo,
01:13no impacto na marinha mercante na distribuição de containers e produtos dos mais variados para o resto do mundo.
01:20E a nossa taxa Selic, tudo bem que o mercado gosta de previsibilidade,
01:26ele gosta de certezas, coisas que muito dificilmente a gente tem assim com concretude.
01:33Agora, a gente pode associar uma coisa a outra?
01:35Estreito de hormuz fechado a uma variação no plano de corte da taxa Selic aqui no Brasil?
01:42Tá correto isso?
01:44Boa tarde mais uma vez.
01:45Obrigado por participar da nossa programação.
01:46Boa tarde, Marcelo. É um prazer estar por aqui.
01:50Marcelo, o mundo é globalizado há bastante tempo.
01:54Quando a gente pega a década de 30 do século passado, 1929, depois,
02:00a grande depressão se espalhou pelo mundo.
02:02A crise de 2028 imobiliária se espalhou pelo mundo.
02:07Então, nenhum país hoje é imune ao que acontece do outro lado do mundo.
02:12Ainda mais numa dimensão que está acontecendo agora.
02:15Então, tudo afeta tudo.
02:17Todas as variáveis estão interconectadas.
02:19O que a gente tem que analisar com muita cautela e muita prudência é até que ponto,
02:24até quando, qual o limite dessa extensão.
02:27Nós não vamos ser afetados diretamente pela questão do nosso petróleo que nós consumimos.
02:33Mas, indiretamente, a gente é afetado, porque o petróleo é uma comodidade negociada no mercado internacional.
02:40Então, esse fechamento do Estreito de Hormuz já tem elevado o preço do bairro de petróleo,
02:45que hoje passa da casa dos 80 dólares.
02:48E há especialistas que acreditam que, a depender da extensão do conflito,
02:53pode chegar a 90, pode chegar a 100.
02:55Mas tudo isso são expectativas.
02:58É uma guerra que a gente tem que acompanhar a cada hora, a cada dia.
03:01Bom, afetando o preço do bairro de petróleo, o preço da gente que a gente exporta vai subir também.
03:07E um bairro de petróleo mais caro, ele aumenta custos dos seus derivados,
03:14combustíveis, o sistema de transporte e todos os produtos que dependem dos derivados.
03:20Então, isso pode contaminar a inflação.
03:22O IPCA que vinha numa redução no ano passado, ele pode voltar a subir.
03:27Então, o que acontece?
03:28Um dos papéis do Banco Central, com a taxa selic alta, é controlar a inflação.
03:33Só que é muito importante deixar para quem nos acompanha,
03:36que juros altos combatem a inflação quando ela é de demanda, e não a inflação de custos.
03:42Um aumento do preço do petróleo vai provocar uma inflação de custos.
03:45Ele não vai derrubar o preço do bairro de petróleo,
03:47mas ele vai afetar os preços livres da economia,
03:50e como a inflação é uma média, ela pode diminuir.
03:54Eu não acredito que o Banco Central vá mudar a sua estratégia em tão pouco tempo,
04:01porque o Banco Central vem desde junho do ano passado, julho,
04:05mantendo a taxa selic 15, a economia vem desaquecendo.
04:08Vimos o resultado do PIB que saiu terça-feira,
04:11segundo semestre praticamente instagnado, a economia cresceu bem,
04:14mas o segundo semestre estagnado.
04:16Hoje já saiu a taxa de desemprego que voltou a subir.
04:19Então, quando se mexe, quando se opta por baixar menos a taxa de juros,
04:24ou até manter, está tendo um comprometimento na economia negativo,
04:28porque o custo do dinheiro está caro.
04:30O que o Banco Central vai observar, na minha opinião?
04:33Nos próximos dias, o que é que vai acontecer?
04:36E aí a gente continua na minha expectativa.
04:38O Banco Central vai reduzir 0,25 ou 0,5?
04:41Não acredito que ele não irá reduzir.
04:44Será muito imaturo da parte dele tomar uma decisão agora em tão pouco tempo.
04:48E para finalizar essa minha primeira fala,
04:51nós temos uma taxa de juros extremamente alta.
04:54A maior dos últimos 20 anos, 15%,
04:56e a segunda maior real do mundo, que passa de 10%, 10 pontos.
05:01Eu fiz um cálculo ontem, 0,15%, ou seja, aquela já descontada, a inflação.
05:06Então, respondendo a sua pergunta, todas essas variáveis estão interligadas.
05:10Mas o que realmente vai acontecer vai depender da extensão do conflito
05:14e da postura do Banco Central, que, na minha opinião,
05:18não deveria abortar a estratégia de queda de juros nesse momento.
05:22Um momento de desaquecimento da economia, um momento de taxas de juros já muito altas.
05:26A não ser que a situação se agrave muito nos próximos dias e semanas.
05:30É, o problema também é esse, né, Fernando?
05:33A gente não tem nenhum farol de previsibilidade.
05:36A gente está tentando construir um quebra-cabeça com as peças,
05:40só que a gente não tem a figura de referência, como vem na caixa do brinquedo, né?
05:44A gente não sabe o que, que imagem essas peças vão mudar,
05:48porque o Donald Trump, que é talvez o principal protagonista dessa ação militar dos Estados Unidos,
05:53acompanhado de Israel contra o Irã, dá informações dúbias, né?
05:57Fala que o canal diplomático está aberto e depois ele fala,
06:00ih, muito tarde para a gente conversar, seja um conflito de quatro a cinco semanas,
06:05tem mudança de governo, ele falou que quer participar,
06:09que os Estados Unidos teriam arsenal e munição para o resto da vida,
06:14para um ataque desse.
06:15Então, a gente não consegue ter uma certeza de onde que vamos parar.
06:19Agora, essa nossa conversa, Fernando, começou de fora para dentro.
06:24Vamos inverter de dentro para fora.
06:25Claro, a gente está falando de uns juros, de uma extensão de um conflito
06:30em que o Brasil não participa, talvez indiretamente, numa escala muito afastada,
06:34mas nós estamos falando de distribuição e de disrupção de uma cadeia
06:39de distribuição de produtos de alto valor agregado, de commodities e tal.
06:43Onde que eu quero chegar com a inversão?
06:46Estávamos vendo até agora os problemas para chegadas de produtos, então, do Brasil.
06:51E saídas?
06:52Porque o Brasil é um importante exportador de commodities, proteína animal,
06:57inclusive nós temos o selo de exportação halal, que permite exportar para países de orientação islâmica
07:04alguns tipos de proteína animal.
07:06Isso também está com um fluxo comprometido, se a gente olhar os bloqueios navais.
07:13O Brasil pode conseguir despachar esses produtos, caso eles não cheguem no Oriente Médio,
07:18para outros consumidores, pode sobrar produto aqui no Brasil.
07:22E aí a gente tem uma conta, sobra produto, o preço cai.
07:26Estou criando uma outra equação com outras variáveis.
07:29Agora eu passo para você, que estudou matemática dentro do curso de economia,
07:33resolve essa conta para mim, Fernando.
07:36Pois é, essa conta é aquela conta de um milhão de dólares, mas vamos resolver aqui,
07:40vamos tentar resolver aqui.
07:41Só fechando aquilo que a gente estava falando no início, aí você começou muito bem.
07:47Se num momento como esse a gente já vive um grau de incerteza muito grande, em qualquer guerra,
07:53ainda mais com toda a intemperança e imprevisibilidade do Donald Trump.
07:58Então eu concordo muito bem com aquilo que você falou.
08:01A incerteza é agravada pelo comportamento e atitudes do presidente americano.
08:06Agora voltando aqui de fora para dentro.
08:09O que acontece?
08:11Quando houve aquela questão do tarifarço, que começou no início do ano passado,
08:15abril, maio, e se agravou em agosto, era também essa a nossa preocupação.
08:20Os produtos iriam chegar mais caros nos Estados Unidos.
08:23E o que o Brasil iria fazer?
08:25O Brasil acabou contornando algumas situações, encontrando outros mercados.
08:30E tanto é que, de acordo com dados do PIB que saiu terça-feira,
08:33as exportações subiram 6,5% até acima das importações.
08:37Então nós não sofremos tanto quanto a gente imaginaria que iria sofrer.
08:42O que a gente pode esperar dessa nova situação?
08:46Ainda considerando aquilo que eu falei na primeira resposta,
08:51uma questão de expectativa e de incertezas.
08:53Aquilo que passa realmente por locais onde há bloqueio,
08:58como os estrelos de homotos, entre outras questões,
09:01que mesmo que não haja bloqueio, mas há uma dificuldade no transporte,
09:05o Brasil, por enquanto, vai aguardar, porque ainda está muito cedo,
09:11na verdade, para ver o que é que vai fazer.
09:12Se essa extensão desse conflito continuar, o Brasil vai ter que procurar novos mercados.
09:19Então, à medida que ele consegue novos mercados, as exportações seguem,
09:24talvez não no fluxo dos contratos anteriores.
09:26E não seguindo, o Brasil pode despejar esses produtos na oferta doméstica, no mercado aqui.
09:34E com mais produtos aqui, a gente pode ter um efeito contrário da inflação
09:38causada pelo aumento do preço do petróleo, por um aumento do dólar,
09:42que eu ainda não comentei, porque tem efeito, o aumento do dólar na inflação,
09:46porque torna os importados mais caros.
09:48Mas pode ter o outro lado, que é o lado de ter mais produtos aqui,
09:51e sim, como você falou, os preços caírem.
09:54Só que analisar esse saldo agora é muito prematuro.
09:58A equação matemática vai ser o efeito na inflação dos combustíveis e derivados
10:06provocado pela alta do petróleo,
10:08o efeito da inflação provocado por um dólar mais alto,
10:12apesar de que ele ainda está menor desde o início do ano,
10:14e lembra que tivemos dólar mais de R$ 6,00 no início do ano passado,
10:19ontem passado, aí a gente estava numa situação muito mais difícil.
10:23Então, essas duas variáveis puxam os preços para cima,
10:27dólar alto, petróleo alto.
10:28E a oferta agregada com produtos que não conseguem ser exportados puxa para baixo.
10:33Então, a gente vai ter que somar esses vetores para ver o que pode acontecer.
10:37Então, a gente pode ter altas em alguns componentes,
10:40influenciados sobretudo por importados, por derivados de petróleo,
10:44e baixa por produtos que não conseguirem sair daqui.
10:48O saldo, ele ainda é incerto, mas podem acontecer esses dois movimentos.
10:53Queria agradecer a conversa que eu tive com o economista da Universidade Federal de Juízes de Fora,
10:59o Fernando Agra.
11:00Obrigado pelos esclarecimentos,
11:02Fernando, um ótimo restinho de semana.
11:05A gente certamente vai retomar essa conversa em breve,
11:09porque ainda muita coisa tem para acontecer nesse confronto.
11:12Obrigado mais uma vez.
11:14Até mais.
11:14Obrigado.
11:14Vamos lá.
Comentários

Recomendado