00:00Os ataques retalhatórios do Irã aos países vizinhos podem gerar ainda mais reações.
00:06A Arábia Saudita é um dos principais pontos de tensão em uma escalada ainda maior do confronto.
00:13O analista de negócios Guilherme Ravache se junta a nós também nessa cobertura especial
00:18e traz agora para a nossa audiência também o ponto de vista dele sobre toda essa situação.
00:24Oi Ravache, boa tarde para você.
00:30Boa tarde, pois é. Agora a situação está mais tensa porque um ataque direto ao petróleo,
00:38aos postos de petróleo, refinarias do Irã deve aumentar a tensão.
00:43A Arábia Saudita já respondeu duramente ao Irã.
00:47A Arábia Saudita está furiosa e tem dito que vai aderir à guerra do lado dos Estados Unidos
00:54e também de Israel se os ataques não pararem do Irã contra a Arábia Saudita.
01:05Com o Ravache, em um momento teve uma interferência de sinal.
01:10Ravache, você nos ouve bem?
01:14Agora ouço, Ravalle.
01:16Perfeito. Deixa eu continuar então aqui a conversa.
01:19Ravache, a gente tem visto então uma perspectiva dessa semana que começa nos mercados
01:25a partir dessa segunda-feira, tinha uma tendência de talvez queda nos índices,
01:31aumento do petróleo, estou me baseando no que foram os últimos dias da semana passada.
01:37O Estreio de Hormuz aparentemente vai continuar fechado.
01:42Agora, tem algo que eu e você até corriqueiramente conversamos nos bastidores?
01:47Não agora, o Ravache conversa com a gente à distância, não é porque ele não está conosco aqui no estúdio,
01:52ele está nos Estados Unidos.
01:54Olhando para isso, Ravache, a gente conversa aqui corriqueiramente nos bastidores
01:59de como é uma política do Donald Trump que às vezes não passa por filtros dos outros secretários,
02:06da porta-voz, da chancelaria.
02:10Ele vai lá e fala.
02:11Falou dos 15%, ainda não aconteceu.
02:15Depois ele falou, tem uns meses ainda para aplicar.
02:17E ele disse o seguinte, vou patrocinar o seguro das embarcações,
02:23isso está ficando mais caro, na casa da dezena do bilhão de dólares.
02:28E depois ele colocou ali à disposição a Força Armada Marinha americana
02:33para escoltar navios no Estreio de Hormuz e garantir, ou então proteger, evitar um ataque iraniano.
02:41Matematicamente falando, isso é impossível,
02:43porque por mais que seja muito poderosa a Armada, a Marinha de Guerra dos Estados Unidos
02:47e a quantidade de estruturas que eles têm naquela região,
02:51mas diante da quantidade de navios que passa por hora no Estreito de Hormuz,
02:56seria impossível os Estados Unidos fazerem essa proteção.
02:59E voltando, o Donald Trump falou da história de um subsídio aos seguros,
03:04mas ficou só no discurso, a gente não viu nenhuma movimentação efetiva para isso.
03:10E eu te pergunto, Ravash, o quanto que isso cria uma névoa de incerteza para o investidor,
03:16para o empresário que estava esperando a efetivação dessas promessas,
03:20e de novo ele vai ter que esperar ou ficar olhando uma eventual efetivação de promessas,
03:28que são difíceis de cumprir.
03:29Até porque quando ele fala, e você disse muito bem,
03:32ele fala sem nenhum respaldo de, olha, da equipe, vou falar tal coisa,
03:38ele vai falando simplesmente, mas às vezes não tem um plano
03:41para que isso seja colocado de fato em prática, como é o caso do seguro, né Ravash?
03:48Não por acaso, já, a mídia, né, tem chamado da guerra sem estratégia.
03:55Não tem uma estratégia aparente nesse confronto.
04:00O Trump, ele no momento diz que está entrando em conflito, né,
04:07entrando em guerra com o Irã para acabar com o regime,
04:11em outro momento ele fala que é para salvar os manifestantes,
04:16mas ele também pode dizer que é só para acabar com o programa nuclear.
04:21E ele pode dizer tudo isso num único dia, ou dizer duas dessas coisas num único dia.
04:26Então isso não passa segurança para o mercado, né, Favalli?
04:29Então, falar que vai fazer um seguro de 20 bilhões, sim, pode ser feito.
04:34Mas até que ponto isso vai ser factível?
04:39Em quanto tempo vai se pagar se acontecer um naufrágio de um navio, né?
04:44E principalmente, quem vai colocar vidas em risco para cruzar o Estreito?
04:49Porque como você bem disse, né, Favalli, não é factível isso que o Trump fala
04:53de ter uma marinha americana escoltando os barcos ali no Estreito de Hormuz.
04:59Por uma razão simples, não tem navio suficiente para isso.
05:03Não tem navio nem na região e nem na frota inteira dos Estados Unidos,
05:07porque tem diversos interesses que não podem deixar os Estados Unidos
05:11desguarnecidos em outras regiões.
05:13Então, com esse conjunto de fatores e essa intensificação da guerra
05:19nesse domingo e sábado, ampliando os ataques,
05:23inclusive em refinarias e usinas de dessalinização de água,
05:28a tendência é o mercado reagir muito mal.
05:32Perfeito. Quer mais?
05:34Eu queria aproveitar.
05:36Ravachi, tendo o privilégio de conversar contigo,
05:39que está aí nos Estados Unidos, a gente está em março,
05:41ainda na primeira semana, né, que acabou a primeira semana de março,
05:45hoje dia 8, Dia Internacional da Mulher,
05:47já começa a contar na segunda semana de março,
05:51começam os grandes eventos nos Estados Unidos.
05:54Você está aí por conta do SXSW, outros compromissos,
05:58a gente teve uma importante feira de tecnologia
06:01que estava relativamente esvaziada
06:04pela dificuldade de trânsito das pessoas até os Estados Unidos,
06:09porque muitos vêm da Ásia,
06:11tendem a atravessar o Oriente Médio, né,
06:14a passagem original, vamos supor,
06:16saia de Pequim até Nova York,
06:19que passa ali ou por Abu Dhabi,
06:22ou por Dubai,
06:25ou passa pela Istambul, na Turquia,
06:29e esse espaço aéreo está complicado, né,
06:32alguém que saia do Japão fazendo esse caminho
06:34ou vai para o Los Angeles,
06:35ou passa pelo Oriente Médio.
06:38Então, impactos diretos, né,
06:41no mundo dos negócios globais,
06:43fugindo aí do nosso bate-papo cotidiano
06:47sobre preço de petróleo e tudo mais,
06:49você já conseguiu perceber movimentações,
06:53quer dizer, como que a guerra pode atrapalhar movimentações
06:56no calendário de eventos?
06:58A Fórmula 1 começou nessa madrugada aqui,
07:00madrugada para a gente, no GP da Austrália,
07:03e aí o circo da Fórmula 1 já decidiu,
07:05pelo menos por enquanto,
07:06cancelar dois GPs que seriam no Oriente Médio.
07:10Você que conhece isso muito bem,
07:11olha quantos eventos de patrocinadores
07:14não vão ser afetados, né,
07:17quantos torcedores não tiveram a frustração
07:20de ter comprado o ingresso,
07:21esperado um ano para o evento,
07:23ele não vai acontecer.
07:24Pode ser que lá no final do circuito isso aconteça,
07:26mas isso quebra um cronograma, por exemplo,
07:28de empresas que patrocinam,
07:30do turista que se programou para ir a outra cidade,
07:33a outro país, para ver o espetáculo.
07:36Nesse caso de feiras internacionais,
07:38ele muda o seu cronograma,
07:40qual que é a tua percepção,
07:41estando nos Estados Unidos,
07:42de quanto a guerra já pode vir a afetar
07:45num efeito em cadeia
07:48o cronograma internacional de grandes eventos?
07:50E a própria Copa do Mundo,
07:51que a gente falou mais cedo também, né, Favali?
07:57Tenho uma dúvida, né,
07:58se o Irã, de fato, vai participar da Copa do Mundo
08:00e se as pessoas mesmo vão ter interesse
08:02em vir para a Copa do Mundo.
08:04Eu entrei nos Estados Unidos
08:08relativamente facilmente,
08:10eu até brinquei, né,
08:13que eu vim com uma expectativa,
08:16você vem tenso sempre,
08:17e eu acho que isso é ruim para o turista,
08:19eu tinha que vir, né,
08:20então não teve muito o que fazer,
08:22mas achei que o agente ali
08:24foi até simpático comigo,
08:27mais simpático do que eu já vivi em outras vezes.
08:31Mas dentro dos Estados Unidos
08:33tem um fenômeno interessante,
08:35o turismo já vinha caindo
08:37e vinha caindo forte.
08:39Em 2025, os Estados Unidos
08:41foram um dos únicos países no mundo,
08:44o único, na verdade,
08:45que teve retração no turismo
08:48e não foi uma queda pequena.
08:50A gente está falando de
08:51centenas de milhões de dólares
08:53que deixaram de circular na economia americana.
08:56Canadenses, europeus,
08:57já têm evitado os Estados Unidos
08:59como o destino.
09:01Eu estou aqui em New Orleans,
09:03ontem teve uma apresentação, né,
09:05do Fantasma da Ópera,
09:07muita polícia na rua.
09:09Claro, tem...
09:10É difícil dizer se tem mais ou menos
09:12do que o usual,
09:13mas chamou a minha atenção
09:14a quantidade de policiais
09:16e teve até uma daquelas bandas
09:18que passam na rua ontem
09:21e aí eu fiquei impressionado,
09:23porque era uma banda pequena, né,
09:25seis, sete músicos
09:27com mais umas dez pessoas atrás
09:29e eu contei três policiais na frente
09:32e dois carros de polícia
09:34junto com a banda.
09:35Então, assim,
09:36a sensação que eu tenho
09:37é que o policiamento
09:38está reforçado,
09:40pelo menos aqui em New Orleans,
09:41quando a gente fala
09:43de grandes eventos.
09:45Então, tem um impacto no turismo,
09:47já está sendo sentido.
09:49E pior, tem uma...
09:51análises indicam
09:52que o barril do petróleo
09:54passando de cem dólares
09:55há uma boa chance
09:57de recessão.
09:58Recessão na Europa,
10:00recessão nos Estados Unidos
10:01e também na Ásia.
10:03O barril acima de cem dólares
10:04significa que a Europa,
10:06que mais de cinquenta por cento
10:09da energia da Europa
10:10vem do Oriente Médio,
10:14então isso deve causar
10:15um aumento dos preços.
10:17Na China, na Ásia principalmente,
10:19Índia e China
10:20usam muito o petróleo iraniano,
10:22então significa que o petróleo usado
10:25pela China que vem do Irã
10:26fica mais caro também.
10:28E aí quem acaba beneficiado
10:29nesse momento é a Rússia,
10:31que já teve redução de sanção
10:34para exportar mais petróleo
10:36para a Índia, por exemplo.
10:37Os Estados Unidos permitiram
10:38que a Rússia exportasse mais petróleo,
10:40então ela ganha com...
10:42podendo vender petróleo
10:43e também com aumento
10:44do preço do petróleo.
10:45Mas, exceção da Rússia,
10:48o mundo perde com essa guerra.
10:52Guerras são sempre ruins
10:54para a economia,
10:55mas tem um impacto especialmente duro
10:58na Europa e na Ásia
10:59por conta de onde está acontecendo
11:02aquela guerra.
11:03Os Estados Unidos tendem a sofrer menos.
11:04Sofre também,
11:05mas não tanto, Favalho.
11:07E especialmente quando a gente fala
11:09de vidas que são perdidas,
11:11a gente já está caminhando
11:12para a segunda semana de conflito,
11:15sem um fim muito claro
11:17se está próximo ou não,
11:19mas já com um número gigantesco
11:21de mortos e feridos.
11:22E só para finalizar aqui,
11:24já há inclusive pesquisas
11:25de especialistas
11:26em relações internacionais
11:27dizendo que esse conflito
11:29pode até gerar a sensação
11:31de que os Estados Unidos
11:32serão menos seguros depois,
11:35então menos seguro,
11:36ou seja, um país menos seguro
11:37podendo de fato afetar
11:40como já está afetando
11:41o turismo também.
11:43Obrigada, Ravash,
11:44pela sua participação.
11:45A gente ainda fala nessa edição.
11:47Até já, já.
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