00:00A guerra no Oriente Médio afeta também o fluxo global de petróleo.
00:04O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Hormuz despencou.
00:08Vamos dar uma olhada aqui nesse mapa que mostra pra gente a situação em tempo real.
00:13Esse pedacinho aqui é o Estreito de Hormuz, né?
00:16A gente vê que tem aqui algumas embarcações nos Emirados Árabes Unidos,
00:20mas nos outros dias a gente tinha visto mais embarcações por aqui.
00:25Essas embarcações muito provavelmente não vão atravessar o Estreito de Hormuz,
00:29por aqui também a gente via vários barcos nos outros dias.
00:33Nesse momento nada, a gente tem a impressão que eles vieram por baixo aqui,
00:38contornaram essa região aqui do Oriente Médio e vieram pro Estreito, pro Canal de Soez.
00:44Aliás, o mapa tá mexendo um pouquinho aqui, eu tô apanhando um pouco.
00:48Mas olha só o fluxo de barcos na Europa, na comparação aqui com o Oriente Médio e também aqui na
00:54Ásia.
00:55Uma diferença muito grande, sabendo que o Estreito de Hormuz é uma das regiões mais movimentadas, né?
01:01Do transporte de petróleo e também do transporte de outros bens.
01:04Eu vou chamar agora o Guilherme Havaschi, nosso analista de negócios,
01:07e ele tá falando hoje dos Estados Unidos.
01:10Cada dia que eu chamo o Guilherme, ele tá numa cidade diferente.
01:13Primeiro dia eu chamei, ele tava em Austin, no Texas, depois tava no Tennessee.
01:16E hoje, onde é que você tá, hein, Guilherme? Seja muito bem-vindo.
01:22Tudo bom, Marcelo? Tô aqui em New Orleans, Lusiana.
01:28Muito bonita a cidade, mas como todos os Estados Unidos, bastante preocupados, né?
01:34Com essa atuação americana no Irã.
01:38Essa guerra, né? Por falta de palavra melhor, que acontece no Irã.
01:44E preocupação com preços e inflação no mundo inteiro, né, Marcelo?
01:50Agora, no caso do petróleo, a gente viu hoje a cotação um pouquinho mais alta,
01:55mas parece que não teve aquela disparada dos últimos dias, né, Guilherme?
02:02Mas é importante a gente entender que tem mensagens que circularam hoje
02:07que passam uma sensação de segurança e principalmente de uma guerra rápida, né?
02:12Uma notícia veiculada pelo New York Times dando conta de que representantes iranianos
02:19teriam tentado um acordo ou negociar um acordo via CIA,
02:24algo que o Irã já desventiu, o Irã disse que isso não é verdade.
02:29A gente tá falando muito, né, Marcelo, do fogo of the war,
02:32aquela neblina da guerra que o Klaus Lewis falava.
02:34E essa neblina da guerra tem os dois lados aí,
02:38disparando informações, tentando causar desinformação
02:43pra que leve uma vantagem durante esse confronto.
02:47Mas, na prática, o que a gente pode dizer que já acontece?
02:52Por enquanto, existe uma expectativa de que a guerra vai ser curta.
02:57No caso de uma guerra curta, não tem um impacto tão grande pra inflação.
03:02Porém, se essa guerra se estender, ela vai impactar o preço dos combustíveis,
03:07ela vai fazer com que o mundo inteiro sinta de maneiras diferentes.
03:11Arábia Saudita, a gente já tem a maior refinaria de petróleo fechada.
03:15No Catar, maior refinaria de gás natural fechada.
03:20Impossível imaginar um cenário em que essa infraestrutura
03:24que produz muito gás, muito petróleo pro mundo inteiro,
03:31isso não vai pressionar o preço em todos os países.
03:35A Petrobras é independente, a gente exporta,
03:38mas se o petróleo sobe internacionalmente, a tendência é que suba no Brasil também.
03:41Nos Estados Unidos, a produção do petróleo de xisto,
03:46ela também tornou os Estados Unidos um exportador.
03:50Mas, ao mesmo tempo, a gente precisa lembrar que a China compra o petróleo iraniano com desconto.
03:58Petróleo mais caro faz com que a China busque novos fornecedores
04:03e vai concorrer com os Estados Unidos, com o Brasil,
04:07até com o produto, o petróleo que é vendido dentro desses países,
04:11porque a China vai oferecer mais pra tentar pegar esse fluxo de petróleo.
04:16Então, a gente tem uma reorganização dos fluxos de petróleo,
04:20tem ainda o estreito de hormuz fechado,
04:2220% do petróleo mundial passa por lá,
04:24e cerca de 80% do petróleo consumido na Ásia vem daquela região.
04:31Então, pra China, pode pressionar os preços.
04:34China pressionada, preço mais alto, é a fábrica do mundo, né?
04:37Maior produtor de manufatura do mundo.
04:40Tende a subir o preço pra todos.
04:43Estados Unidos não sobe tão rápido.
04:45Perdão, o preço sobe, mas não impacta tanto a economia,
04:48porque se o dinheiro sai pra quem paga mais pelo combustível,
04:54ele também retorna pras empresas locais que vendem o petróleo mais caro, né?
04:58Então, os Estados Unidos tendem a sofrer menos.
05:02Mas China, muito impactada, e principalmente a Europa,
05:05Europa que depende muito dos combustíveis que vêm do Oriente Médio,
05:08como o gás que vem do Catar,
05:10e nesse momento já tem um aumento de preço não no petróleo,
05:14mas nos Estados Unidos, por exemplo,
05:16o preço da gasolina já tem subido,
05:18e tem subido bastante desde o início do ano aí.
05:21Já se fala do aumento de 20% em dois meses,
05:24o aumento do custo da gasolina aqui nos Estados Unidos.
05:28Você falou agora das garantias que os Estados Unidos estão dando
05:31pros tanqueiros que queiram passar pelo Estreito de Hormuz,
05:34inclusive facilitando aí seguro e também falando de escolta.
05:37Agora, enquanto alguns navios não passarem por ali com segurança,
05:42imagino que vai ser muito difícil convencer o grosso das empresas
05:45a se aventurar naquele lugar, né, Guilherme?
05:48Eu, por exemplo, se fosse CEO de uma empresa dessa de petróleo,
05:52eu jamais ia mandar uma embarcação minha ali,
05:54sabendo que funcionários poderiam ser mortos,
05:56que eu ia ter toda essa responsabilização.
05:59Por enquanto, parece difícil alguém pensar em passar por ali, não, Guilherme?
06:05Esse é um ponto importante, né, Marcelo?
06:07Você tem razão.
06:08É um risco que qualquer companhia assume ao enviar um navio por uma zona de guerra,
06:14e mesmo que isso aconteça, a gente precisa lembrar que tem um custo
06:18pros Estados Unidos, e isso faz com que tenha pressão inflacionária.
06:23Uma guerra dessa dimensão, além do custo de armamento, né,
06:26você precisa comprar, investir muito em arma,
06:29mas se você também começar a escoltar navio, pagar por navio que eventualmente naufrague,
06:36isso tem um custo muito alto.
06:37E esse custo, claro, os Estados Unidos podem pagar, eles podem emitir mais dívida,
06:41só que quanto mais dívida você emite, maior a tendência de inflação.
06:45E isso coloca o Banco Central americano numa situação muito desafiadora.
06:50Com o Trump pressionando por uma queda da taxa de juros,
06:53como derrubar a taxa de juros num momento de pressão inflacionária
06:58com os Estados Unidos tendo que gastar muito mais
07:01pra, seja cuidar de navios ou investir em mais armamento.
07:06O cenário mais seguro seria uma guerra rápida.
07:12Agora, se o preço do barril superar os 100 dólares,
07:15caso a guerra se estenda, chegando até 108 dólares, algo nessa faixa,
07:20já tem uma expectativa aí de até 1% a mais de inflação nos Estados Unidos.
07:26Então, a gente tem pesquisas, estudos, análises,
07:30não dá pra saber certamente o que vai acontecer,
07:33mas com o barril acima de 108, já se fala em 0,8% de inflação nos Estados Unidos.
07:41Lembrando que inflação tem sido o calcanhar de aqueles do Trump, Marcelo.
07:46Obrigado, Guilherme, pela participação.
07:48Daqui a pouquinho, então, a gente volta a conversar.
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