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A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a levantar dúvidas sobre os impactos no mercado global de petróleo e combustíveis. Em entrevista, Telmo Ghiorzi, presidente executivo da Abespetro, explicou que o Brasil tem autossuficiência em petróleo bruto, mas ainda depende da importação de derivados como gasolina e diesel.

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Transcrição
00:00Sobre esses impactos no petróleo, eu falo com o Thelmo Giorgi, que é presidente executivo da Abespetro.
00:06Seja muito bem-vindo ao plantão do nosso canal aqui hoje. Bom dia para o senhor.
00:11Bom dia.
00:11Bom dia, Marcelo. Bom dia, Pablo. Bom dia a vocês e a todas as pessoas da sua audiência.
00:17Bom, a primeira pergunta que eu queria fazer é a seguinte.
00:19O Brasil, obviamente, tem uma produção muito expressiva de petróleo.
00:24Dizem até que tem uma produção autossuficiente, mas isso não nos isenta de receber também importações
00:29até de produtos mais bem processados, refinados e acabados.
00:33Dendo dito tudo isso, o Brasil, se tiver um choque de oferta mundial no petróleo,
00:39ou melhor, choque de oferta mundial no petróleo, isso também pode afetar o Brasil, né?
00:46O petróleo bruto tem pouca chance de afetar o Brasil.
00:51O Brasil é exportador líquido.
00:53Ele exporta muito petróleo, exporta 2 milhões de barris por dia aproximadamente
00:57e produz 5 milhões.
00:59Nós consumimos 3 dos nossos 5 produzidos aqui.
01:03Entretanto, por causa de necessidade de tipos de petróleo,
01:07de geralmente diferente, a gente importa um pouco.
01:09Mas podemos conviver sem esse pouco.
01:11Se tiver um choque muito pesado aqui no mundo, que é perto do Brasil.
01:16Em termos de derivados de combustível, aí sim, o Brasil não é autossuficiente, ele importa.
01:22Mas nós temos outras fontes de importação de derivados de Europa, Estados Unidos,
01:28até mesmo o Oriente Médio, que aí ficaria prejudicado.
01:30E a China, que é autossuficiente em derivados de combustíveis,
01:36e está anunciando que não vai mais exportar derivados de combustíveis,
01:39pelo menos nesse período cumprido.
01:41Mas temos que separar as duas coisas.
01:43Em termos de óleo bruto, nós temos autossuficiência com folga.
01:49Em termos de derivados de combustível, nós podemos ter um problema.
01:53Melhor para a gente, quais são esses derivados
01:55e que tipo de problema cada um deles poderia trazer?
02:00Nós temos um problema com gasolina e diesel, basicamente.
02:04São combustíveis importantes para transporte, basicamente transporte aqui no Brasil.
02:10Esses são os mais relevantes.
02:12Temos também um problema com fertilizantes, que atrapalharia dramaticamente,
02:15que é um derivado, usa o gás natural como matéria-clima,
02:19atrapalharia até uma das nossas mais relevantes setores econômicos, que é o agro.
02:24Estamos convivendo com essa ameaça hoje, de faltar fertilizante,
02:28do que nós importamos, que é um derivado de petróleo,
02:32o que atrapalharia o agro.
02:34O agro depende desse derivado do petróleo.
02:37Então, temos alguns problemas aí que podem se transformar em problemas graves
02:42para toda a nossa economia, mas não parece ser o caso ainda.
02:46Ainda temos uma folga aqui, até porque temos petróleo.
02:50Porém, a guerra já está completando agora oito, estamos no oitavo dia da guerra,
02:56os números estão ficando mais robustos na direção de que
03:00teremos um aumento importante, até agora aumentou 28% na semana.
03:07Tudo indica que essa guerra começa a dar ares de que não é tão curta,
03:11não será tão curta como espera e deseja, até o Donald Trump,
03:17e todos nós, ninguém deseja uma guerra.
03:21Esperamos um pouco mais, mas os números não são muito favoráveis.
03:25Telmo, ainda sobre quantidades, não dos derivados, então,
03:29que você explicou que a gente importa bastante,
03:31mas do bruto, por exemplo, aí você disse que a gente chega a ser autosuficiente.
03:35Por acaso, a gente é até mais do que autosuficiente,
03:39a gente poderia entrar no mercado como um exportador para alguns países
03:43que dependiam do Irã, como a China, por exemplo.
03:46Como é que a gente conseguiria participar mais desse mercado?
03:49Tem condição?
03:51Sim, nós já exportamos 2 milhões de barris por dia.
03:55Nós exportamos uma quantidade bastante significativa de petróleo.
03:58Nós produzimos 5 milhões, exportamos 2 e consumimos 3 aqui dentro do Brasil.
04:03Podemos aumentar a nossa produção e exportar ainda mais.
04:09O nosso grande mercado de exportação, 70%, é para a China.
04:15Então, a China importa muito petróleo do Brasil e do Oriente Médio e de outros locais.
04:21A China, se tiver uma dificuldade de importar do Oriente Médio,
04:25o Brasil é um candidato a aumentar a exportação para a China.
04:29Mas o limite é global.
04:32Esse mercado é altamente globalizado.
04:34Então, se faltar no mundo, vai faltar para a China, vai faltar para todo mundo.
04:38E o Brasil, para aumentar a sua produção e exportar mais, não é imediato, não é de um dia para
04:44o outro.
04:45São anos entre a decisão de aumentar a produção e obter esse aumento de produção.
04:50Não é bem mais demorado do que espero, se deve ser já a guerra.
04:56Então, o Brasil vai continuar exportando 2 milhões.
04:58Não vai exportar 3 milhões ou 4 amanhã.
05:01É muito difícil, é possível, mas é difícil, demorado, avançar a produção.
05:06O Brasil está indo nessa direção.
05:08Se tudo correr bem, a gente descobrir mais reservas e continuar na redistribuição,
05:14o Brasil pode ser um exportador ainda mais relevante nos próximos anos.
05:18Porém, também pode acontecer o contrário.
05:20Nós temos uma dificuldade aqui, que é a dificuldade do Brasil aumentar a sua velocidade e exploração de novas áreas.
05:27Como aconteceu na margem equatorial, como pode acontecer na bacia de Pelotas.
05:31Então, nós temos muita folga hoje, mas podemos não ter daqui a 10 anos.
05:36Agora, Thelma, a gente viu hoje o presidente do Irã pedindo desculpa para os países vizinhos
05:40e prometendo que não vai fazer novos ataques, a não ser que ataques dos Estados Unidos partam de lá.
05:45Isso dá um pouco mais de tranquilidade para a indústria de petróleo, por exemplo, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes,
05:51para voltar a produzir mais e, quem sabe, já começar a escoar um pouco mais essa produção?
05:58Não dá tranquilidade.
06:01Os fatores históricos e geopolíticos que produzem a guerra de hoje continuam presentes.
06:07Os Estados Unidos continuam com a política de internaturalização do seu poderio militar.
06:13Os conflitos étnicos, religiosos, geopolíticos, antemédicos, continuam presentes.
06:20Essa guerra pode acabar amanhã, mas os fatores históricos que conduziram essa guerra continuam presentes.
06:27Então, a tranquilidade que um anúncio desse, de desculpas, de redução de ataques aos países vizinhos,
06:35essa tranquilidade dada por essa declaração, ela é curta, ela é rasa, porque os fatores importantes continuam presentes.
06:43Então, a tranquilidade é bem relativa nesse caso.
06:52Por favor, você poderia comentar com a gente também, repercutir, algumas declarações de ontem para hoje, inclusive.
06:59O banco britânico Barclays já acredita que o Brent pode chegar aos 120 dólares.
07:05O ministro de Energia do Qatar diz que pode chegar aos 150.
07:09O quanto que você acredita nisso, né?
07:12O 150, por exemplo, é uma alta, do que fecha essa semana para 150, de mais de 50%, né?
07:21Esses valores não são inéditos.
07:23Já aconteceu momentos em que o preço do petróleo, nos últimos 10 anos, chegou a 150,
07:27embora tenha sido por poucos dias.
07:31Ninguém deseja, não só ninguém exige esse aumento, como ninguém deseja a flutuação.
07:37Pode acontecer.
07:39Essa guerra pode levar a isso.
07:44Impossível qualquer tentativa de prever o preço do petróleo, em ambientes estáveis, é impossível.
07:50Em ambientes estáveis, como hoje, a gente não tem nem palavra para explicar o quão impossível é.
07:56Então, o Barclays e outras empresas estão fazendo declarações e estimativas,
08:04mas é muito difícil amparar, sustentar ou defender essas estimativas.
08:10Nós temos uma situação de flutuação, o número 130 é possível, 150 é possível,
08:15pode até baixar, é impossível saber.
08:20O ponto principal aqui é, nenhuma empresa de petróleo decide fazer um investimento novo
08:27porque agora está 100 dólares.
08:30Só vai decidir em cima dos 100 dólares se ficar 100 dólares por 5 anos.
08:35Então, essas flutuações, elas continuam muito curtas para que alguém decida o que vai fazer.
08:41Porém, há um outro aspecto nisso.
08:44Alguns países, como os Estados Unidos, têm um efeito muito imediato no preço nas bombas de combustíveis
08:50em relação ao aumento do preço do petróleo cru.
08:52Não é o caso do Brasil, mas em algum momento isso vai acontecer.
08:56A solução para isso não é o Brasil querer controlar o preço do petróleo.
09:01Impossível.
09:02A solução para isso é que a economia seja mais forte
09:05a ponto de as pessoas, individualmente, por terem melhores empregos,
09:09por terem melhores condições de vida, conseguirem fazer frente a essas mudanças.
09:13Aumentar o preço da gastronomia de R$ 6 para R$ 8,
09:16para algumas pessoas pode ser impossível.
09:19Para algumas pessoas, para uma parte que tem empregos confortáveis,
09:24com os salários bons, isso não é tão grave.
09:26Então, a solução para isso não é tentar controlar o preço do petróleo.
09:29É tentar aumentar a robustez da sua economia.
09:33Essa é a solução para qualquer país.
09:36Países que dependem demais do petróleo vão sofrer muito mais do que o Brasil.
09:41Ou menos os Estados Unidos.
09:42Pode ter um aumento no preço da bomba,
09:44mas a economia deles é robusta o suficiente
09:46para que as pessoas consigam fazer frente a aumentos do preço do combustível.
09:52Aumento é de um dia para o outro,
09:53porque os salários lá são mais altos.
09:54A economia lá é mais robusta.
09:57Telmo, na semana passada, ali no fim de semana passado, aliás,
10:01a OPEP+, chegou a soltar, comunicar, dizendo que poderia aumentar a produção.
10:06Isso acabou até também trazendo tranquilidade para alguns analistas.
10:10Eles até diminuíram um pouco o tom.
10:12Isso lá há uma semana.
10:14Por agora, a gente não viu outras declarações da OPEP+.
10:17Você acha que eles podem realmente fazer algo para tentar equilibrar um pouco?
10:22Acredito até que uma decisão poderia acontecer,
10:26mas na prática é um pouco mais difícil.
10:29O tempo abre para isso.
10:30Por isso, explicar um pouco para a gente se é possível ou não, de que forma.
10:35Sim, os países da OPEP+, eles podem rapidamente aumentar a produção.
10:40Eles têm uma situação técnica que permite aumentar rapidamente.
10:45O problema, nesse momento, não é o aumento da produção,
10:48é o escoamento pelos trípulos.
10:50Então, você aumentar a produção e não ter como escoar, não muda nada.
10:54Aliás, você nem consegue aumentar a produção porque o estoque,
10:57a capacidade de estocagem acaba.
10:59Você vai aumentar a produção e colocar onde esse petróleo?
11:04Não tem como escoar e os tanques de armazenamento do petróleo
11:08são uma situação limitada.
11:10Então, o grande problema hoje é o estrito de Hormuz fechado.
11:16Se o Irã parar de produzir, que são 3 milhões por dia,
11:21a produção mundial é 100 milhões por dia.
11:24Então, o medo que o Irã, por algum motivo devido à guerra,
11:28zerasse a sua produção, não haveria um problema no mundo.
11:31Porque o estrito de Hormuz, escoando os seus 20 milhões por dia,
11:35a produção do Irã não é relevante para o mundo.
11:39Mas o escoamento do estrito de Hormuz é relevante
11:42para o equilíbrio no mundo, no setor de petróleo.
11:46O Telmo, quando a gente fala que o petróleo está alto
11:49e que pode subir ainda mais, a primeira conclusão que a gente chega
11:51é que empresas petroleiras vão lucrar, como é o caso da Petrobras,
11:55mas também de muitas outras empresas brasileiras,
11:57que inclusive são representadas pela Bespetro.
12:00Mas a conta é tão simples assim?
12:02Essa alta do petróleo, ela traz só benefícios para as empresas petroleiras?
12:06Ou também tem alguma pegadinha no meio aí?
12:10Essa é uma pergunta bem complicada.
12:13De fato, empresas que vendem petróleo,
12:19e nenhuma delas controla o preço da mercadoria que vendem,
12:23se o preço aumenta, elas vão aumentar suas receitas.
12:26Como os custos vão ficar mais ou menos iguais,
12:29então haveria um aumento de lucro.
12:30Porém, os custos não ficam exatamente mais ou menos iguais,
12:33porque para transportar aquele petróleo agora, está mais caro.
12:40Uma porção de equipamentos que são usados na área de petróleo,
12:45por exemplo, sondas de perfuração offshore,
12:48se mais países do mundo, mais empresas, mais países,
12:52quiserem aumentar sua busca por mais petróleo,
12:55esse insumo pode ficar mais caro.
12:57Esse produto, a sonda de perfuração que as petróleiras compram,
13:01alugam essas sondas, vai ficar mais caro.
13:03Então, elas vão ganhar, mas não é um ganho linear,
13:09elas só ganham.
13:10Não, elas têm também um aumento de custo.
13:12Então, tem uma diferença entre receita e custo
13:16que é difícil calcular.
13:19A receita vai aumentar, mas o custo também vai.
13:21E é difícil saber em que grau essas coisas vão andar.
13:25Não é nada linear.
13:26Está certo.
13:27O Thelmo George, presidente executivo da Abespetro,
13:30muito obrigado pela sua participação hoje.
13:32Bom dia.
13:33Obrigado.
13:34Bom dia.
13:35Muito obrigado.
13:35Até uma próxima.
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