00:00Professor, os objetivos políticos e também a estratégia militar dos Estados Unidos,
00:06quais aspectos o senhor quer discorrer aqui e debater com os nossos analistas?
00:13Olha, eu percebo da seguinte forma,
00:18os Estados Unidos olharam para o mapa do Oriente Médio atual
00:23e perceberam que há uma certa fragilidade ocorrendo ali, principalmente no Irã,
00:34após os eventos de 2025.
00:38Bom, eu sou historiador, então eu gosto muito de me remeter ao passado.
00:43Vira uma oportunidade aí, de antecipar inclusive a ofensiva em meio a uma negociação,
00:50é importante lembrar.
00:51Excelente.
00:54Eles perceberam que o Irã, assim como o Império Turco Otomano antes da Primeira Guerra Mundial,
01:03era o doente terminal do Oriente Médio.
01:10O Império Turco Otomano, doente terminal da Europa, lá antes da Primeira Guerra Mundial,
01:17teve aquela resposta da Rússia, dos países europeus querendo território, aquela coisa toda,
01:24e hoje temos o doente terminal do Oriente Médio que é o Irã.
01:30E ali você tem uma série de dinâmicas regionais que estão muito latentes, estão muito presentes nesse momento.
01:38A questão da Arábia Saudita rompendo até um comportamento tradicional dela, que é de moderação.
01:44Hoje a Arábia Saudita pensa, inclusive, em participar.
01:50Ela não está aguentando mais ser alvo de Terã.
01:55Já deu duras respostas ao regime iraniano, falando que,
01:59se ocorrer a próxima vez, eu vou tomar algumas medidas.
02:05O Catar fez a mesma coisa.
02:08O Catar já fez, já fez algumas ações militares contra o Irã.
02:14Então, quando os Estados Unidos percebeu essa vulnerabilidade iraniana toda,
02:22e principalmente articulado com a questão do programa nuclear iraniano,
02:26que não podemos tirar como uma variável de análise,
02:34pois o Irã estava já a 60% de enriquecimento de urânio.
02:41E, para quem está...
02:43Para quem...
02:45Enriquecimento de urânio para fins pacíficos é, no máximo, 20%,
02:50passou de 20%, 60% para combustível submarino,
02:55e 90% para bomba nuclear.
02:59Ou seja, o salto estava próximo.
03:01O Rafael Gross, que é o chefe da AIE,
03:06deu uma entrevista ontem lá na Sion, na Argentina,
03:10porque ele é argentino,
03:11ele falou exatamente nisso.
03:13O Irã estava brincando com fogo.
03:16Ponto.
03:17Em matéria de enriquecimento de urânio.
03:20Então, você percebe toda essa vulnerabilidade?
03:23Os Estados Unidos olharam e falaram...
03:26Está na hora de eu agir contra o Irã,
03:30porque o Trump tem isso como pauta política,
03:34para a base dele.
03:35Eu vou resolver aquilo que não resolveram.
03:38Vide a questão da Venezuela, vide Cuba,
03:41que é a próxima.
03:43Vide o Irã agora.
03:47e ele percebeu o seguinte também.
03:52Nessa próxima possível Guerra Fria
03:56que eu terei com a China,
03:58quem será meu aliado?
04:00A Inglaterra cambaleante?
04:02A ilha que ele não gostou?
04:05Ele ontem deixou bem claro isso.
04:07Falei, olha, não conto vocês como aliados mais.
04:10Vocês estão fazendo um péssimo trabalho.
04:14Quando ele olha para o Oriente Médio,
04:17ele fala, o meu próximo aliado está ali.
04:20É Israel.
04:20Ele que tem capacidade de quê?
04:22Capacidade militar de estar ao meu lado.
04:25Só complementar aqui...
04:27Por favor.
04:27Algo interessante que o professor Marco Turi falou.
04:30Eu tinha feito menção anteriormente
04:33a essa disputa pela hegemonia regional
04:35entre a Arábia Saudita e o Irã.
04:40A milícia Houth,
04:43especificamente seu braço armado,
04:44o Ansar al-Ala,
04:47ele desempenha o papel,
04:49o princípio dele é de enfrentamento
04:52à Arábia Saudita.
04:53Então, vou tentar trazer aqui alguns números
04:55só para ilustrar isso.
04:57A milícia Houth, repito,
04:59o Ansar al-Ala,
05:00já bombardeou Iembo,
05:02a cidade portuária de Iembo,
05:03que se debruça no Mar Vermelho,
05:05e Iade,
05:06que é a capital da Arábia Saudita,
05:07que fica no centro do Planalto do NED,
05:09a mais de 900 quilômetros de distância.
05:12Entre 2015 e 2017,
05:15foram mais de 60 ataques
05:18dentro do território saudita
05:20a uma distância superior a 200 quilômetros.
05:23Em março de 2018,
05:25foram realizados,
05:26ali na faixa de fronteira,
05:29deixa eu ver se a minha memória não me trai aqui,
05:31195 mil...
05:34perdão,
05:3566 mil,
05:36195 ataques de mísseis,
05:38foguetes e morteiros.
05:39Resultaram em 102 mortos
05:41e, se não me engano,
05:43423 feridos.
05:44Então,
05:45isso que ganha destaque
05:46na mídia,
05:47hoje,
05:48é um estado de conflito perene,
05:51nessas dinâmicas
05:52pouco...
05:53pouco ortodoxas
05:55do...
05:55do...
05:56do Oriente Médio.
05:58Pois não,
05:59você conclui com isso.
06:00Só para concluir,
06:02é...
06:03falamos muito sobre os Estados Unidos,
06:06falamos muito sobre os aliados árabes,
06:08eu gostaria de colocar na pauta,
06:10na discussão,
06:11aliás,
06:12a questão de Israel.
06:14Para Israel,
06:15o conflito contra o Irã
06:17é um conflito existencial.
06:20Essa não é uma palavrinha
06:22jogada ao ar.
06:24Essa é uma palavra
06:25muito poderosa
06:27dentro da política
06:29israelense
06:30e dos líderes militares
06:31israelenses.
06:33No sábado,
06:35eu vi uma entrevista
06:37do Benny Gantz
06:38falando exatamente nisso.
06:41O conflito contra o Irã
06:43é o último capítulo
06:45que eles abriram
06:48a porta do inferno
06:49na guerra do...
06:51na entrada,
06:53na infiltração
06:53em outubro,
06:56no 7 de outubro.
06:57É o último capítulo
06:59é onde iremos pegar
07:00todos aqueles que articularam
07:02a barbárie
07:03que foi o dia 7.
07:05Ou seja,
07:05para Israel,
07:06não é uma questão
07:09geopolítica,
07:10é uma questão existencial.
07:13Ou eles, ou nós.
07:14Perfeito, perfeito.
Comentários