00:00Deixa eu começar pelo Oriã, para refletir a respeito dessa decisão tomada por Donald Trump,
00:07o bloqueio do Estreito de Ormuz, ele decide quem passa, quem fica,
00:12e a partir disso, quais são as sinalizações para os atores envolvidos nesse conflito, Oriã? Bem-vindo.
00:19Boa noite a todos, boa noite, obrigado pelo convite, é um prazer estar aqui com vocês.
00:23Eu acho que o principal objetivo do Donald Trump ao tomar essa medida
00:26é principalmente tentar redefinir a posição da qual ele está negociando.
00:33Se até poucos meses atrás, até antes dos Estados Unidos e Israel iniciarem essas operações no dia 28 de fevereiro,
00:42o desafio do Trump era negociar a questão nuclear apenas, unicamente,
00:48eu acredito que ele tenha acabado complicando um pouco a sua própria vida.
00:52porque o Irã, ele tinha, sim, aquelas três armas que a gente falou tão amplamente ao longo dos últimos anos,
01:00e que armas são essas?
01:01Os grupos dos proxys, na região, ele tinha o seu programa nuclear e tinha o seu programa de mísseis balísticos.
01:09Então, a gente sempre falava desses três elementos como a grande ferramenta,
01:14ou as grandes ferramentas iranianas para, enfim, de certa forma,
01:19ameaçar a presença norte-americana na região, ameaçar Israel.
01:23Só que tinha essa quarta carta na manga que estava sempre escondida, que é o Estreito Jormuz.
01:30E que hoje fica claro por que nenhum presidente norte-americano resolveu agir da maneira como o Trump está agindo.
01:38Então, o Trump, ele busca, a partir desse bloqueio, redefinir a sua posição nas negociações,
01:44porque ele entende que depois, desde que ele começou essas operações no mês passado,
01:49o Irã, ele passou a ter certas vantagens, inclusive vantagens econômicas.
01:57Ele conseguiu, de 45 dias para cá, dobrar os lucros com a venda de petróleo que estava tendo.
02:07Não apenas pela quantidade de petróleo, mas também por conta do preço no mercado internacional.
02:14Então, o Trump, ele tenta agora, meio que fazer, ele tenta pagar o Irã com a mesma moeda.
02:23Se o objetivo do Irã é forçar uma rendição norte-americana, apertando no bolso dos países aliados,
02:32dos países do Golfo, dos países asiáticos, para mexer com o mercado internacional,
02:37Trump tenta agora fazer o regime também secar sua fonte.
02:42Então, estrategicamente falando nesse sentido, até que faz sentido apelar para isso,
02:49tentar secar a fonte do regime.
02:51Agora, militarmente, aí eu acho que a gente pode discutir nessa noite.
02:57Porque se o Irã mostrou algo até agora, é que esse regime, ele resiste a pressões domésticas,
03:06a pressões internas, talvez muito mais do que poderia resistir uma democracia no caso dos Estados Unidos.
03:14Então, quem vai piscar primeiro?
03:16Muito interessante.
03:17Inclusive, há dúvidas sobre o fôlego das forças iranianas.
03:23Muitos ficaram surpresos até aqui, quando olham para a performance das forças iranianas.
03:29Mas e daqui para frente?
03:30Deixa eu passar para o Pedro Costa também refletir a respeito desse primeiro destaque.
03:35Eu quero, inclusive, mencionar para a nossa audiência a nossa manchete principal,
03:39Donald Trump barrando navios do Irã no Estreito de Hormuz.
03:43E essa notícia ficou estampada nos principais informativos estrangeiros,
03:50porque foram seis navios impedidos de passarem pelo Estreito de Hormuz,
03:55que sairiam, inclusive, dos portos do Irã.
03:58E aí, há uma informação complementar,
04:01que as forças americanas disseram que mais de 10 mil soldados americanos,
04:06mais de 12 navios de guerra e dezenas de aeronaves participam desse bloqueio no Estreito de Hormuz.
04:12Você, Pedro, quais aspectos dessa decisão tomada por Donald Trump
04:17você gostaria de refletir e compartilhar com o nosso público?
04:21Bem-vindo.
04:21Perfeito. Obrigado, Daniel. Obrigado, Uriã.
04:24O Edmar, que está aqui conosco e toda a audiência qualificada da Jovem Pan.
04:28Qual que é o nó da questão?
04:29O nó da questão é o Estreito de Hormuz.
04:32O que o Irã fez?
04:33O Irã, em 45 dias, menos de 45 dias,
04:36ele tomou o Estreito de Hormuz.
04:38Nós estamos falando de uma faixa estreita de 33 quilômetros.
04:42Ele passou a controlar ali a navegação.
04:46E começou a cobrar pedágio dos cargueiros e dos petrolíferos que passam por lá.
04:52Qual que é o valor, Daniel, que o Irã cobra por petroleiro?
04:55O equivalente a 2 milhões de dólares.
04:58Por petroleiro.
04:59Por que é o equivalente a 2 milhões de dólares?
05:02E aí que está a grande jogada que levou a essa ação do Trump hoje.
05:06Moeda digital, né?
05:07Porque eles não aceitam dólares.
05:09Então, tem três opções de pagamento.
05:11Uma delas é uma moeda digital, uma criptomoeda, exatamente.
05:14A outra é em ouro.
05:15Se você pagar em ouro, o Irã também aceita.
05:18O que o Irã faz com esse ouro que ele recebe pelos pedágios do Estreito de Hormuz?
05:23Ou seja, o que ele está fazendo é análogo ao que os egípcios fizeram em 1956,
05:28quando eles começaram a cobrar pedágio pelo canal de Suez.
05:31E que coincide justamente com o período de declínio na Inglaterra no sistema internacional.
05:36Então, eles pegam esse ouro e investem na Bolsa em Xangai.
05:41E aí vem o terceiro ponto.
05:43Eles aceitam, além de criptomoeda e além de ouro, eles aceitam os petro-yuans.
05:48Então, isso afeta um dos pilares do poder americano.
05:52Daquilo que se consolidou a hegemonia americana no sistema mundial moderno.
05:56Que é exatamente o dólar como moeda padrão.
05:59A hegemonia do dólar como hegemônica no sistema financeiro internacional.
06:04Então, o que nós estamos vendo é uma aceleração dos petro-yuans em detrimento dos petro-dólares.
06:12Algumas monarquias, petro-monarquias regionais, como por exemplo a Arábia Saudita,
06:16que é muito próxima dos Estados Unidos, já negociavam em petro-yuan, diretamente com a China.
06:22O próprio Irã, que é o país mais sancionado do mundo, são mais de mil sanções sobre o Irã,
06:28já negociava com a China em petro-yuan.
06:31E a China consome de 15 a 25%.
06:34Ela compra de 15 a 25% do petróleo dela do Irã.
06:38Tudo em petro-yuan.
06:39E a Rússia, desde a guerra na Ucrânia, em que ela foi excluída do SWIFT,
06:44do sistema SWIFT logo depois,
06:46negocia com a China também em petro-yuan.
06:50Então, o Trump está vendo um aceleramento do petro-yuan.
06:53E ele tem, eu termino essa primeira parte aqui, ele tem uma frase muito interessante
06:56que ele disse lá atrás.
06:58Ele disse, olha, se a gente perder a hegemonia do dólar,
07:00é o equivalente a gente perder a terceira guerra mundial sem ter lutado por ela.
07:05E o Trump está correto nisso.
07:06Então, ele não pode aceitar que os petrodólares sejam cada vez mais substituídos
07:12em detrimento do petro-yuan,
07:14que é exatamente o que o Irã faz com o controle de Hormuz.
07:17Por isso, essa ação sobre o Hormuz agora do governo Trump.
07:21Deixa eu chamar o Edmar de Almeida para também discorrer a respeito desse assunto.
07:27Nessa fala de introdução, o Pedro mencionou um nó, né?
07:31Talvez nós tenhamos aí mais de um nó,
07:33mas vários desses nós, nós precisamos...
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