00:01complementaria com algo que é da própria experiência do Donald Trump em relação ao Irã.
00:06No ano passado, lembrando de um contexto também que estavam rolando as negociações
00:11entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear,
00:14Trump deu naquele contexto um prazo de 12 a 14 dias para o Irã agir e apresentar uma proposta, né?
00:21Mas o que ele pega e faz três dias depois aqueles bombardeios contra as instalações nucleares?
00:26Ou seja, o Donald Trump já tem um precedente que foi mostrado por ele mesmo,
00:32que o simples fato dele dar um prazo não significa necessariamente que ele vai cumprir esse prazo.
00:38Pelo contrário, naquele contexto, esse prazo foi usado como um elemento de distração para ele agir
00:46e ninguém imaginou, todo mundo foi pego de surpresa com aqueles ataques.
00:50Mas adicionaria mais uma coisa aí, que a experiência recente do Donald Trump,
00:57também em relação à Venezuela, mas ali especificamente levando em conta tudo que ele fez contra o Irã,
01:05tanto agora quanto também no primeiro mandato, o que isso mostra pra gente?
01:09Lá atrás, quando ele retira os Estados Unidos do acordo nuclear,
01:13ou quando ele ordena a morte do Qasem Soleimani, principal nome ali, general iraniano,
01:20isso mostra, ou ele aprendeu que ele pode fazer certas ações
01:28e essas ações elas podem encerrar de maneira rápida,
01:34sem levar necessariamente os Estados Unidos para algo que o Trump sempre condenou,
01:38que são aquelas guerras eternas, como o caso havia lá no Iraque, por exemplo.
01:42Então, o Trump pode ser, em parte, estimulado pela própria experiência dele.
01:48Ele pode achar, e nem sempre ele escuta os conselhos de especialistas,
01:54ele age muito da própria cabeça, mas ele pode ser estimulado a agir,
01:59porque pode achar que uma ação não necessariamente vai ter uma consequência
02:05que tem sido alarmada aí pelos especialistas.
02:08Esse é um bom ponto, professor Danilo.
02:10Mas uma coisa é você tomar uma atitude inesperada e surpreender,
02:15ainda que todos desconfiem de que em algum momento isso vai acontecer,
02:20me parece muito mais tranquilo para Donald Trump tomar uma decisão dessa contra a Venezuela.
02:25Sim.
02:26O Irã é um país com um poderio bélico militar nuclear que poderia, inclusive,
02:35tornar essa investida muito difícil, inclusive cara aos Estados Unidos.
02:41Por que é preciso ter um cálculo mais apurado por parte de Donald Trump antes de tomar essa decisão?
02:47Daniel, inclusive eu gostaria até de fazer, tratando disso, dialogando com o Irã aqui.
02:55Até onde também as ações interventivas do Trump não são medidas pontuais de dissuasão?
03:03Porque nunca se cogitou, até este momento, a possibilidade da queda do regime.
03:10O ataque contra o Irã foi uma ação pontual contra o quê?
03:16As instalações militares e nucleares do Irã,
03:20que eram vistas como uma ameaça impotencial.
03:24E trazendo a discussão agora da situação.
03:31Primeiramente, militarmente, Daniel,
03:34o Irã mostrou-se muito aquém do que ele prometia ser.
03:42E isso se mostrou claramente, meus amigos, no conflito com o Israel.
03:49No conflito com o Israel.
03:51Lembrando, inclusive, a gente tem que olhar esse contexto.
03:55O Irã já passa por uma crise política desde 2009, Daniel.
04:02Lembremos da Revolução Verde.
04:05William, lembremos do quê?
04:06Do governo Ahmadinejad.
04:09Foi um momento de grande instabilidade.
04:11Qual foi a tábua de salvação do Irã para que o regime não colapsasse?
04:18Porque, lembre-se, em 2009, as duas fronteiras
04:23estavam sob controle indireto ou direto dos norte-americanos.
04:27Afeganistão, guerra ao terror.
04:30E, desde 2004, a invasão do Iraque.
04:34Então, crise institucional, presença norte-americana.
04:40Então, vemos uma situação de enfraquecimento.
04:41Qual foi a tábua de salvação do governo iraniano?
04:44ISIS, Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
04:50A ação de sunitas ou arrabitas na região do Iraque e da Síria.
04:55Guerra Civil Síria.
04:56Por que eu digo que é a tábua de salvação?
04:58O Irã se fortalece como potência regional
05:01no intuito de se combater o inimigo comum, que era o ISIS.
05:05E, a partir de então, nós vamos ver a chamada Guerra Proxy.
05:09A metodologia da Guerra Proxy.
05:11A presença do Irã de forma indireta.
05:13No Iraque, na Síria, direta.
05:17Por meio do Hezbollah no Líbano.
05:19Por meio de uma presença, de um apoio ao Hamas.
05:24Por meio da Guerra Civil do Iêmen, os Ruts.
05:29Inclusive, tensionamentos com a Arábia Saudita,
05:31não só em relação ao Iêmen, mas ao Biden.
05:35Então, esse é um grande momento.
05:37Então, observamos nesse momento que uma ascensão do Irã
05:41e uma promessa de uma potência militar
05:44que se mostrou completamente aquém.
05:48Tanto que Israel age interventivamente.
05:53Inclusive, o Hamas age como agente proxy.
05:56É importante lembrar, o Irã disse,
05:59apoiamos o Hamas, mas não temos nada a ver.
06:02Governo Netanyahu desmascara.
06:05E, a partir de então, toma uma verdadeira cruzada contra o Irã.
06:10A única questão que eu quero levantar sobre a cautela de Trump
06:13é a situação do programa nuclear.
06:18Qual é o domínio civil e não civil?
06:24Diga-se militar sobre isso.
06:27Mas a outra questão é outra também.
06:29Trump também...
06:30É por isso que há essa possibilidade de negociação.
06:34Trump também receia
06:37em transformar o Oriente Médio novamente
06:40numa região de instabilidade.
06:43A China e a Rússia...
06:45Daniel, só para concluir...
06:46Claro.
06:47A China e a Rússia,
06:50eles, presentemente, o quê?
06:52Têm interesses estratégicos na região
06:55e os americanos pretendem construir
06:58com seus aliados europeus, sauditas...
07:00Aliados?
07:01É, aliados.
07:03Agora, até agora, como é?
07:05Mas até então, economicamente, né?
07:07Aliados europeus, sauditas, israelenses,
07:12na construção da chamada o quê?
07:14Rota da Seda Ocidental.
07:17O pacto abrahâmico foi feito para isso.
07:20Então, o que acontece?
07:21Talvez a mudança de regime
07:23gere mais caos
07:25do que boas novas.
07:28Pois é, esse é um aspecto...
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