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O professor de relações internacionais Gunther Rudzit analisa se a presença militar dos Estados Unidos é capaz de intimidar o Irã diante da atual escalada de tensão. O especialista avalia o impacto do envio de tropas intensificado por Donald Trump e os riscos de um conflito aberto no Oriente Médio.

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Transcrição
00:00Agora eu vou para o contexto internacional porque a tensão entre os Estados Unidos e o Irã
00:04ganha uma nova escalada após as falas do presidente iraniano
00:07que afirmou não baixar a cabeça para Donald Trump.
00:10Para entendermos as nuances desse conflito, o Jornal da Manhã conversa agora
00:13com o professor de Relações Internacionais da ISPM, o Gunther Hoodst.
00:18Se eu tiver errado na pronúncia, professor, por favor, me corrija,
00:22mas eu quero saber do senhor em relação a essa tensão toda
00:26e as falas também que são manifestadas, porque muitas vezes essas falas
00:29se refletem em mais escalada no conflito.
00:33Muito bom dia.
00:35Bom dia, David, Patrícia, a todos que nos assistem.
00:39Hoodst, mas quem manda ter esse nome complicado aqui no Brasil?
00:42Estou acostumado desde criança, então sem problema algum.
00:46Bom, vamos lá, David.
00:49A gente tem que ler essa fala do Kamenei de duas formas.
00:55Para o público interno e para o presidente Trump.
00:58Para o público interno, a gente não pode esquecer que o regime iraniano
01:01passa pela sua maior fraqueza e ameaça.
01:06As pessoas devem lembrar da repressão que o regime fez,
01:10matando milhares de pessoas.
01:11Até hoje não se sabe direito quantos foram mortos,
01:16e de forma muito violenta pelo regime.
01:18Então, para mostrar essa força e principalmente para tentar diminuir essa oposição ao regime,
01:29nada melhor do que um inimigo externo, ainda mais os Estados Unidos,
01:34que há décadas, na verdade, desde a Revolução Islâmica de 79,
01:38os Estados Unidos são o maior inimigo iraniano lá, chamado do grande satã.
01:44Então, o primeiro aspecto é isso, o Kamenei falando para o público interno.
01:49O segundo público é justamente o presidente Donald Trump,
01:53de que não vai aceitar imposições unilaterais americanas.
01:59Vai negociar.
02:01E, pelo que já foi noticiado, principalmente ontem,
02:07há uma contraproposta iraniana.
02:10O grande problema é isso.
02:12Ao que tudo indica, as posições do presidente americano e do governo iraniano
02:18ainda estariam muito longe umas das outras.
02:21Isso que é o grande problema de uma possível ação militar por parte dos Estados Unidos.
02:28Professor, dentre as falas de ameaças de um lado, ameaças do outro,
02:34tem a ameaça iraniana de fechar o Estreito de Hormuz,
02:37o que impactaria aí na questão da energia, do petróleo.
02:41O senhor acredita que isso vai acontecer ou que a China possa intervir também por ser prejudicada,
02:47caso isso ocorra?
02:49Olha, Patrícia, o grande ponto é esse.
02:53Hoje, a China se tornou o maior parceiro do Irã, inclusive em termos militares.
03:00Até porque a Rússia está atolada na guerra da Ucrânia
03:04e está com seríssimos problemas internos econômicos e militares.
03:10Há relatos de que, na semana passada, entre meia dúzia e uma dúzia de cargueiros aéreos militares chineses
03:20teriam decolado da China, desligado os transpônders,
03:23que são aquele sinal de rádio para emitir onde estão para não ter nenhuma colisão aérea,
03:29teriam desligado e teriam chegado ao Irã com equipamento militar.
03:34Não se sabe direito o que seriam, mas se especula o que seriam interferidores de posicionamentos globais,
03:43equipamentos de defesa aérea.
03:45Isso é para mostrar que a China está se tornando um ator importante ali,
03:50principalmente o Irã, que é um fornecedor de petróleo para a China,
03:54não é o mais importante, mas a China é o maior cliente iraniano hoje.
04:00Então, dito isso, para entender o quanto os interesses estão envolvidos,
04:07não interessa nem para Trump, nem para Xi Jinping, um aumento expressivo do preço do petróleo.
04:14Só para as pessoas terem ideia, de uma semana para cá, quase duas, o petróleo já subiu 10 dólares o
04:23barril.
04:23Nos Estados Unidos, esse aumento é quase que imediato.
04:27Às vezes, é no mesmo dia, subiu no mercado internacional, sobe o preço na bomba dos combustíveis.
04:33Portanto, isso não está interessando ao presidente Trump e não interessa um pico muito maior.
04:40E também não interessa para a China, para Xi Jinping,
04:43que está com um crescimento, para os padrões chineses que a gente conhecia,
04:47agora esse é o novo padrão, um crescimento entre 4,5% e 5%.
04:51Um aumento muito expressivo do preço do parril do petróleo também vai prejudicar a economia chinesa.
04:57Então, há interesse dos dois lados de que o preço não dispare muito.
05:03Mas isso é muito decorrência dos planos de guerra que os dois lados tenham,
05:12caso efetivamente a força venha a ser usada.
05:16Só que, diante desse cenário todo, a gente vê que os Estados Unidos podem sair fortalecidos
05:22em relação a essa potencialidade de fechamento do Estreito de Hormuz
05:26e, com isso, também impedir o transporte do petróleo.
05:29Porque, agora, com essa tomada da Venezuela, os Estados Unidos têm mais potencial produtivo?
05:37Ah, David, são dois pontos aí importantes.
05:40Sem dúvida alguma, a Venezuela, se voltar efetivamente a exportar em grandes quantidades,
05:50é um certo alívio para o mercado.
05:54No pico da sua produção, a Venezuela chegava a produzir 3 milhões e meio de barris,
05:59exportava em torno de 3 milhões.
06:02Por isso que a parte da OPEP, inclusive, exportando mais do que muitos de alguns dos reinos ali do Golfo
06:12Pérsico.
06:12Contudo, hoje, ela mal está produzindo 800 mil barris e não consegue exportar.
06:18Até porque a própria indústria do petróleo venezuelano se deteriorou demais.
06:24O que eu quero dizer com isso?
06:25Para a Venezuela voltar a ser esse ator importante, vai levar muito investimento e alguns anos para isso acontecer.
06:35Foi por isso que o presidente Trump fez aquela famosa reunião com todos os CEOs das empresas de petróleo,
06:43que quase todas concordaram em voltar, já estão visitando a Venezuela, mas isso vai levar tempo.
06:50Desculpa.
06:51Não vai ser de uma hora para outra e não vai conseguir substituir.
06:54Segundo ponto, o petróleo venezuelano é um petróleo muito pesado
07:01e que, fundamentalmente, vai direto para as refinarias da PDVSA nos Estados Unidos,
07:10que foram construídas ao longo de décadas para receber esse petróleo.
07:15Não dá para exportá-lo para qualquer refinaria.
07:17As refinarias têm um certo padrão da qualidade, da viscosidade desse petróleo que vai refinar.
07:27Portanto, Venezuela pode ser uma alternativa, mas não hoje, não nesse momento.
07:33O que é importante é a capacidade que a Arábia Saudita tem para rapidamente,
07:39literalmente, de um dia para outro, saltar de 10 milhões de barris dia para 12 milhões de barris dia.
07:47A Arábia Saudita é esse grande amortecedor do impacto do petróleo.
07:53E, por isso mesmo, é como eu disse, o preço do petróleo, o quanto ele subiria e o quanto ele
08:02ficaria,
08:02por quanto tempo mais alto, depende se as instalações iranianas forem alvo
08:11e se o Irã mirar as instalações, principalmente da Arábia Saudita, como alvo também.
08:17Isso a gente só saberia em caso de conflito mesmo.
08:21Bom, nós conversamos com o professor de Relações Internacionais, Gunther Hutz,
08:25a quem eu agradeço demais a presença aqui no Jornal da Manhã.
08:29É que agradeço. Bom domingo a todos.
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