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No Visão Crítica, os professores de Relações Internacionais Alexandre Pires e Carlos Gustavo Poggio analisam a capacidade militar da Venezuela.
Eles destacam as limitações logísticas, equipamentos ultrapassados e a dependência do apoio de milícias e aliados externos.


Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/lsH1KUyHvB4

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Transcrição
00:00Pois é, estava conversando enquanto o Nicolás Maduro destacava essa articulação interna,
00:06inclusive levantando esses números dos milicianos que já foram preparados para um possível combate,
00:14é preciso analisarmos qual é o status, qual é a situação das forças de defesa da Venezuela.
00:22Trouxemos a informação dos navios deslocados, temos seis até agora,
00:27a informação que chegou até o Brasil pela imprensa norte-americana é que anfíbios foram deslocados para lá também.
00:36Estamos falando de uma quantidade de 4.500 militares deslocados para a costa da Venezuela.
00:43Olhando para essa situação, o que é preciso considerar em relação a essa disparidade de forças,
00:49mas Nicolás Maduro reafirmando que estaria pronto para qualquer tipo de conflito?
00:57Em termos de orçamento já seria muito ínfimo, ou seja, não chega a casa de bilhão, ou seja, a Venezuela é um estado falido,
01:06eles têm um material bélico disponível, muito defasado, eles têm tanques, têm sistemas de defesa, sistemas inclusive russos,
01:15têm alguns aviões americanos, mas tudo isso muito sucateado.
01:19O que eles têm, que eles receberam, inclusive da Rússia, há alguns anos, foi uma leva muito grande de fuzis,
01:29que inclusive foi mencionado ali no VT, ou seja, só uma dessas levas foi na casa de 100 mil.
01:36E existe sim uma rota de fornecimento de material bélico, inclusive o próprio avião russo que pousou no Brasil agora,
01:47essa semana, é um avião que é identificado como um avião que costuma fazer abastecimento de material militar para a Venezuela.
01:55Então, você tem uma situação de um país que tem equipamento, mas esses equipamentos não são, digamos assim, mobilizáveis.
02:06E aí você tem que reagir contra destroyers, e normalmente para você reagir com destroyers,
02:13você tem que ter capacidade de mísseis, terra-air, você tem que ter uma capacidade, inclusive, de afundá-los,
02:22você tem que ter ali torpedeiros, nada disso a Venezuela tem de modo operacionalizável.
02:29Então, é uma situação estranha. Se, de fato, o conflito eclodisse, a vantagem venezuelana seria a vantagem que todo o país tem.
02:38Quem é a força que ocupa, ela tem a dificuldade de ocupar esse território.
02:45Então, a Venezuela poderia se proteger por táticas de guerrilha, por defesa,
02:50mas, até aí, você teria já uma terra arrasada por mísseis, como o professor Podio colocou,
02:57o Tomahawk, quando disparou na montanha do Afeganistão, quando estava lá no Levante, metade da montanha sumiu.
03:06Só para a gente ter uma dimensão do que seria um míssel Tomahawk.
03:09Esses destróis, eles têm mais de um.
03:13Então, um conflito mesmo seria jogar a Venezuela algumas casas para trás no estágio civilizatório.
03:21Seria a pior situação possível para a Venezuela.
03:26Antes de passar para o professor Podio, inclusive, a nossa produção preparou uma arte
03:31indicando exatamente de quais embarcações estamos falando.
03:36Os navios que foram deslocados para a costa da Venezuela.
03:41No lado esquerdo, temos o Samson.
03:44É uma embarcação de 2006.
03:48Tem uma largura de 20 metros, comprimento de 155 metros,
03:53calado de 9,4 metros.
03:55O que é o calado?
03:56É a altura, se a gente pega a parte mais baixa do casco, até a linha da água.
04:02Então, não é até a parte mais alta, até a linha da água.
04:06E aí, também, um peso de 9.200 toneladas e uma tripulação.
04:12Comporta uma tripulação de 383 pessoas.
04:15Aí tem o Brevely, que é o que está na coluna do meio.
04:18Uma embarcação de 2009, 20 metros de largura, 155 de comprimento, 10 metros de calado a essa altura.
04:29Peso de 300 toneladas e tripulação de 312 pessoas.
04:36E na coluna da direita, Jensen Dunham.
04:39Lançamento 2009, 20 metros de largura, comprimento sempre 60 metros, calado de 10 metros.
04:47Peso, 9.300 toneladas e uma tripulação de 380 pessoas.
04:54Só, provavelmente, algum erro na coluna do meio, porque deve ser impossível um navio de 300 toneladas,
05:01sendo que os outros dois temos mais de 9 mil toneladas.
05:05Então, peço desculpas por um erro de digitação.
05:08Então, possivelmente, um peso de 9.300 toneladas também no Brevely.
05:14Pode, o que é preciso considerar em relação ao poderio bélico militar dos Estados Unidos e da Venezuela,
05:21pensando na possibilidade de um conflito?
05:25É bom, você mostrou bem.
05:27São três navios de guerra, né?
05:29Há submarinos também que estão sendo enviados, aeronaves de patrulha.
05:33Então, o que nós temos aqui não é uma força policial para lidar com cartéis.
05:37O que nós temos é, de fato, uma força de guerra sendo enviada para a Venezuela.
05:43Os Estados Unidos, se a gente olhar do ponto de vista estritamente militar o que está sendo enviado,
05:49e olhar o conjunto do equipamento militar enviado, nós temos uma força de guerra sendo enviada para a Venezuela.
05:55É claro que o Nicolás Maduro fala, enfim, do ponto de vista militar, falar de 4 milhões, 5 milhões de milicianos,
06:03isso não tem importância nenhuma, né?
06:05É claro, um, dois mísseis tomam a roca e tomam conta disso.
06:09Então, portanto, em ponto de vista militar não tem muito o que a Venezuela fazer.
06:12É verdade que tem algum equipamento que foi comprado da Rússia recentemente,
06:16mas não aguenta 24 horas de guerra com esta força norte-americana.
06:22Portanto, o discurso do Maduro é um discurso político doméstico.
06:27Não há nada melhor domesticamente para você conseguir apoio do que o inimigo externo.
06:32Aliás, o Donald Trump tem sido um exemplo muito claro disso.
06:37Aqui no Brasil, por exemplo, aí no Brasil tem visto qual foi o resultado da popularidade do Lula
06:42das ameaças que o Donald Trump tem feito.
06:45Vimos isso acontecer em outros países, no Canadá, na Austrália.
06:48Os países que o Trump ameaça são países que têm como efeito político doméstico
06:54um apoio ao líder atual.
06:57Isso é algo que já é estudado muito claramente na ciência política e muito compreendido.
07:02Então, o que o Maduro está fazendo não é um discurso militar, é um discurso político.
07:06É um discurso para conseguir angariar apoio político doméstico,
07:11se aproveitando, em certa medida, politicamente desta ameaça,
07:15para conseguir se fortalecer domesticamente.
07:17A partir do momento que acontece, se acontecer,
07:21não estamos dizendo que vai acontecer, e é esse o objetivo, nem nada disso.
07:24Mas supondo que aconteça o primeiro tiro, aí acaba o discurso do Maduro.
07:30Não há muito o que ser feito, não há como resistir a uma força dos Estados Unidos,
07:36principalmente dentro do continente americano.
07:39Então, acho que isso é um discurso muito mais político do Maduro do que militar.
07:43Militarmente, há muita pouca capacidade do exército venezuelano de resistir,
07:51caso os Estados Unidos decidam fazer algum tipo de ação militar.
07:54Então, acho que é um discurso que está sendo muito maior.
07:55Não há muita pouca capacidade do ser humano de resistir,
07:56mas, não há muitas poucas coisas do ser humano de resistir,
07:57mas, não há muitas pouca capacidade do ser humano de resistir,
07:58mas, não há muita coisa que se ajudar.
07:59Então, o que é um discurso que está mais sensacional agora,
08:01se não dá um discurso e das palavras para ação militar.

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