00:00Professor Vinícius Vieira, a mesma questão das contradições entre Estados Unidos e o atual governo, que é uma ditadura, do Maduro.
00:11Como é que o senhor analisa esse choque que se intensificou muito nesse ano de 25?
00:16Nós temos aí, Vila, e concordando com os colegas, tanto com o Alexandre quanto com o Vitélio,
00:22uma espécie de demarcação de território, acima de tudo.
00:26O petróleo importa, claro, mas acho que a grande mensagem que o Trump quer passar é
00:32o hemisfério ocidental, ele é nosso, e ele é nosso sobretudo via hard power, o poder bruto, o poder militar.
00:42Então, se nós pensarmos no que o Vitélio falou, que a estratégia de segurança nacional que foi publicada recentemente,
00:48estava revisando aqui algumas horas antes, aqui para participação no programa,
00:53tem ali alguns detalhes, um documento de 33 páginas, em que ele claramente coloca o hemisfério ocidental como prioridade.
01:02Tem ali a questão também da guerra às drogas, que pode ser interessante para atrair o que é um público conservador,
01:09que está ali na berlinda, não vai votar nunca democrata, mas pode deixar de apoiar o Trump em função de escândalos como as conexões com Epstein,
01:18ali, né, aquele escândalo ali envolvendo pedofilia, enfim, nunca se sabe aí de fato que o Trump,
01:25as conexões dele com esse empresário e outros membros do Estado do Governo Americano,
01:29inclusive democratas, é importante dizer, como o Bill Clinton, enfim.
01:32E o Trump, sobretudo, mais do que esse escândalo, talvez, a questão econômica.
01:36Então, é um pacote bastante conveniente, porque ele mira no curto prazo, na questão do petróleo,
01:42o professor Alexandre bem falou, essa questão do petróleo mais pesado,
01:47é crucial dentro dessa estratégia de negar as mudanças climáticas,
01:51de não fazer a transição energética, então os Estados Unidos precisam desses recursos,
01:56mas também tem ali um combo, né, que acho que passa, sobretudo,
02:00por reafirmar perante China e Rússia que, de fato, talvez não só o hemisfério ocidental,
02:06eles declaram o hemisfério ocidental como prioridade.
02:09Mas se a gente olhar, né, o histórico, né, ali do século XIX, né,
02:12dizem que o Trump se espelha muito, principalmente no McKinley, né,
02:16que é aquele presidente ali que empreendeu, né, a guerra hispano-americana, né,
02:21conquistou o Porto Rico, né, então tem toda aí uma narrativa que não é apenas mera interpretação,
02:26mas que me parece que o Trump, de fato, tem ali um espelho do que se passava há 125 anos,
02:33130 anos atrás, que é justamente reafirmar a América Central, o Caribe, né,
02:38na nossa perspectiva, a Venezuela é a América do Sul, mas ela, na perspectiva americana, né,
02:43ela é, sobretudo, que é um país caribenho, como a Colômbia também é um país caribenho
02:47e tem aí, vem sendo vítima dos mesmos tipos de pressão, claro que menor ali,
02:53no caso, apenas os barcos que vão sendo ali afundados, né,
02:57mas houve até mais ações nesse sentido no Pacífico do que ali no Mar do Caribe.
03:02Mas, em suma, é uma demarcação de território, é um recado aí para, não apenas a América Latina,
03:08mas para o mundo como um todo dentro de uma nova ordem global, que seria tripartite, né,
03:12a Rússia pode ter o seu espaço, mas lá, talvez no leste europeu, a área do Zé Central,
03:17China na Ásia, Peru no Múltiplo, porque eles também nessa estratégia de segurança nacional,
03:23eles falam muito do Indo-Pacífico, é importante dizer, mas o hemisfério ocidental exclusivo para os Estados Unidos.
03:30Perfeito, perfeito.
03:31É, professor Vitello Brostolinho, eu estou pensando aqui de colocar a seguinte questão aí para o senhor.
03:39O senhor lembrou dos dois mil generais, eu acho que é difícil encontrar um exército hoje que tenha dois mil generais.
03:45por exemplo, aqui no mundo, né, o exército, acho que precisa ver como é que eles dividem os generais,
03:53se são várias graduações, aqui no Brasil nós temos três, general de brigada, de divisão e general de exército, né,
04:02não sei como é o caso venezuelano, mas dois mil generais, creio que nem o exército americano deve até hoje nativa,
04:10mas, e com um número de soldados certamente muito superior aos da Venezuela.
04:14Mas, portanto, a impressão que dá, e eu queria colocar essa questão para o senhor sobre a Venezuela,
04:20para depois ampliarmos, que há uma consolidação do chavismo, e que passou depois para Maduro,
04:28e que cria uma enorme dificuldade, é um processo de tentar resolver essa questão muito rapidamente,
04:35que seria através de um golpe de Estado, dentro da antiga tradição latino-americana,
04:40ou até de um ataque militar norte-americano, que não sei se é provável ou não,
04:44depois eu vou colocar isso para os senhores.
04:46Mas a questão que eu coloco ao senhor é o seguinte,
04:49essa amplitude, essa socialização da corrupção, do poder, da pressão, da violência, do enriquecimento,
04:57não dá uma espécie de blindagem ao Maduro?
04:59Uma pergunta bastante interessante.
05:04Bom, 2 mil generais, as Forças Armadas da Venezuela, considerando os militares nativa
05:11e as forças paramilitares, é de 340 mil é o contingente.
05:17Então, são 2 mil para 340 mil.
05:20Se a gente comparar com o Brasil, o Brasil tem um contingente de cerca de 360 mil nativa.
05:25Nós temos 300 generais, que já é considerado bastante.
05:29Os generais na Venezuela não têm atividade fim para a quantidade de promoções que o Maduro promoveu.
05:36Então, eles cuidam de emissoras de TV, eles cuidam de minas,
05:41tem minas de ouro sob supervisão de generais.
05:46Alguns deles cuidam da importação de produtos,
05:49e aí lucram com o câmbio paralelo.
05:53Ao contrário, conseguem promover recursos para seus próprios bolsos,
05:59não utilizando o câmbio oficial.
06:03No final das contas, tem generais venezuelanos,
06:07conforme demonstram relatórios de inteligência,
06:09atuando também no narcotráfico, viu?
06:12Não é por acaso que são 2 mil generais.
06:14O Maduro não é sozinho, não está sozinho como ditador desse regime.
06:20Ele representa esse regime.
06:21Ele é um fantoche do regime.
06:23Essa que é a questão.
06:25Não é apenas derrubar o Maduro.
06:27É quem fica no poder no dia seguinte.
06:29Porque tem vários relatórios da ONU,
06:32já havia relatórios da ONU quando o Maduro esteve no Brasil em 2023,
06:36se encontrando com o presidente Lula,
06:38demonstrando que o regime comete perseguição a opositores,
06:41assassinatos, estupros,
06:44todos os tipos de violações contra direitos humanos.
06:48Então, não é de hoje que nós sabemos disso.
06:51Inclusive, as sanções que são aplicadas pela Europa,
06:53que são diferentes daquelas aplicadas pelos Estados Unidos,
06:56os Estados Unidos têm sanções mais abrangentes,
06:59focam em toda a economia da Venezuela.
07:01As sanções da Europa focam mais no braço armado do regime.
07:07No grupo que se apoderou do governo da Venezuela.
07:10A gente precisa lembrar que a Venezuela é um país com 28 milhões de pessoas
07:14que tem 8 milhões de refugiados.
07:17O número é estarrecedor.
07:19Desses 8 milhões, tem 3 milhões na Colômbia,
07:22tem mais de 1 milhão no Chile,
07:24inclusive isso influenciou as eleições do Chile no último fim de semana.
07:27Tanto a candidata da esquerda quanto da direita, que venceu,
07:31disseram que o Maduro deveria ser deposto.
07:33Tem 630 mil refugiados no Brasil,
07:35mais de 1 milhão de refugiados na Argentina.
07:37A maior parte desses refugiados,
07:39eu conheço alguns que estão no Brasil,
07:42quando são perguntados,
07:44você voltaria para a Venezuela se o regime caísse?
07:46A maior parte diz que sim.
07:48É o país com a maior reserva de petróleo do mundo,
07:50são 303 bilhões de barris comprovados.
07:54Como falou o Alexandre,
07:55já chegou a produzir 3 milhões de barris de petróleo por dia.
07:58Hoje produz cerca de 900 mil barris.
08:00não consegue nem manter a estrutura de retirada do petróleo do solo.
08:06E veja, 90% das exportações da Venezuela são de petróleo.
08:11Então, esse bloqueio que os Estados Unidos promovem contra a frota fantasma,
08:15certamente influenciarão na economia venezuelana.
08:18Mas aí eu só vou fechar para responder a sua pergunta,
08:20dizendo que é o regime dos militares que mantém o Maduro no poder.
08:26Ele apenas representa esse regime.
08:27E se ele for deposto,
08:29é necessário saber quem vai pagar pelos crimes cometidos por esse regime.
08:33E é por isso que existe resistência em entregá-lo
08:36para ser julgado ou para se tornar um refugiado.
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