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A possível abertura do Estreito de Ormuz levanta questionamentos sobre sua influência no acordo de cessar-fogo no Oriente Médio.

No Visão Crítica, a mestra em Relações Internacionais e especialista em geopolítica do Oriente Médio Helena Cherem analisa o papel estratégico da região e como decisões envolvendo rotas comerciais podem impactar negociações e reduzir tensões no conflito.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/WQsQtK2NKvo

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Transcrição
00:00Antes de passar a palavra para a Helena Xerém, queria só destacar qual foi a mensagem, o post de Donald
00:09Trump na sua rede social, na Truth Social.
00:12Vou pedir para a nossa direção colocar, inclusive, na tela qual foi a mensagem de Donald Trump.
00:18Ele disse o seguinte, com base nas conversas com o primeiro-ministro do Paquistão,
00:24nas quais me solicitaram que suspendesse o envio das forças destrutivas ao Irã esta noite,
00:30desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Hormuz,
00:37concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas.
00:44Ele completa, este será um cessar-fogo bilateral.
00:48A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares
00:53e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã
00:59e a paz no Oriente Médio.
01:02E aí tem a finalização da mensagem, recebemos uma proposta de dez pontos do Irã
01:08e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação.
01:13Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã,
01:19mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consolidado.
01:24E aí tem a última parte.
01:26Em nome dos Estados Unidos da América, como presidente, também representando os países do Oriente Médio,
01:32é uma honra ver este problema de longa data próximo de uma solução.
01:37Agradeço a sua atenção sobre esse assunto.
01:40Agora sim, eu passo a palavra para a Helena Scheren,
01:43fará também sua reflexão inicial nesta edição do Visão Crítica,
01:48a respeito dessa decisão tomada por Donald Trump,
01:52a ampliação do prazo de duas semanas para que os países alcancem um acordo.
01:58Bem-vinda, Helena.
02:01Obrigada, Daniel.
02:02Boa noite, pessoal.
02:03Boa noite, professores do Sol de Casa.
02:05Aqui a gente fala de vários elementos ao mesmo tempo
02:08que pouco a pouco foram estrangulando um pouquinho,
02:11um pouquinho não, né?
02:12Bastante essa estratégia do Donald Trump.
02:14Então, primeiro a gente parte da ideia inicial dele,
02:19que era vai durar três ou quatro semanas,
02:22não vai ser um conflito longo.
02:23Depois a gente parte de um outro elemento,
02:25que era a falta de objetivos claros na entrada desse conflito,
02:30no início desse conflito.
02:31Então, ele deu diversas razões diferentes,
02:35uma parecia que não batia direito com a outra,
02:38primeiro ele iria completamente destruir
02:42destruir as capacidades nucleares iranianas.
02:46Depois ele ia salvar a população daquele regime,
02:49então era derrubado daquele regime iraniano,
02:53que está no poder desde 1979.
02:55Uma terceira possibilidade,
02:57ele ainda falou sobre as capacidades navais do Irã.
03:00Depois um monte, ele falou sobre o Estreito de Ormuz,
03:02que no fim ficou o discurso,
03:05mas agora para o final também.
03:07Então, dois elementos primeiros.
03:10A gente tem uma guerra que ia acabar rápido,
03:13não acabou tão rápido assim,
03:14já levamos, já estamos em 40 e poucos dias.
03:17Depois o fato de que ele não tinha objetivos concretos.
03:20E ele ainda adiciona aqui um outro elemento,
03:23que é o Donald Trump,
03:25desde o início do seu mandato,
03:27desde antes do início até a gente pode falar,
03:29ele sempre afirmou buscar o Nobel da Paz.
03:34Então, não sei se vocês vão lembrar de cabeça,
03:37mas bem no comecinho desse mandato dele,
03:39ele tentou resolver várias guerras concomitantemente.
03:43Então, era o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia,
03:46que não terminou.
03:47Era o fim da guerra entre Hamas e Israel,
03:50que parece que terminou, mas não terminou.
03:52Era o fim de diversos conflitos menores
03:56no Sudeste Aviático,
03:57que também não terminaram,
03:58ou que terminaram de forma um pouco mais rasteira,
04:01não com uma conclusão muito útil.
04:06E agora a gente vê, poxa,
04:08ele mesmo já falou que não ia dar início a nenhuma nova guerra.
04:11Começou esse conflito,
04:13concordo com o professor Vizagro,
04:14a gente não pode chamar de fato isso aqui
04:16de uma all-out war,
04:17uma guerra completa.
04:20Mas nesse sentido de um conflito bélico,
04:24de algo mais intenso,
04:25mais intensificado,
04:27estava agredando a ninguém,
04:28não estava agredando a população,
04:29não estava agradando internacionalmente,
04:32tanto que os seus companheiros de OTAN,
04:35todos tiraram o seu da reta,
04:38não estava deixando também feliz
04:40a indústria petrolífera,
04:42não estava...
04:43Então, assim, em resumo,
04:45ninguém estava ganhando muito com esse conflito.
04:47Então, a gente parte desses vários princípios
04:50concomitantes.
04:51Claro, tudo isso,
04:52a forma como ele finaliza,
04:54nesse tweet que você leu agora, Daniel,
04:56é justamente a conclusão
04:58que a gente mais ou menos esperava,
05:00que é, olha como eu sou diplomático,
05:03acatei a possibilidade de um acordo de paz,
05:07aqueles dez pontos que o Irã já tinha levantado,
05:12já tinha elencado alguns dias atrás,
05:13e o próprio Trump falou que eles eram insuficientes,
05:16mas agora, com a ajuda do Paquistão,
05:18fica uma coisa maior.
05:19Então, eleva de novo essa imagem dele de diplomático,
05:24essa imagem que ele tenta montar,
05:25de diplomático,
05:27de solucionador de problemas.
05:29Então, a gente não precisa extravar
05:31essa finalização desse conflito,
05:34mas realmente é isso que a gente está tendo no momento.
05:37Pois é, deixa eu retomar com o professor Sidney,
05:41que, inclusive,
05:42antes do programa começar,
05:44destacou alguns artigos que foram redigidos por ele,
05:47artigos que foram publicados, inclusive,
05:49em alguns informativos pelo Brasil.
05:52E aí eu queria pedir para o senhor fazer uma reflexão
05:56até na esteira do que trouxe a Helena
05:59e as muitas avaliações que os especialistas fazem
06:03sobre o plano do Irã para criar uma crise global
06:07e esse uso do Estreito de Hormuz
06:10como uma ferramenta eficiente até aqui,
06:12mas a gente observa também uma pressão de outros países
06:16para a liberação do Estreito de Hormuz.
06:19Até que ponto o Irã consegue se utilizar desse mecanismo
06:24para forçar algum tipo de situação, um acordo,
06:28ou defender as suas bandeiras,
06:31a sua agenda e as suas reivindicações, professor?
06:35Nós aprendemos bastante nesses últimos dias,
06:39nessas últimas semanas,
06:40com esse embate, enfim, com esse conflito, não é?
06:46Não se tinha uma dimensão clara do impacto
06:50ou se o Irã iria levar a cabo
06:54um grande capital que ele tinha
06:57na sua estratégia de segurança, de defesa,
07:00que era o Estreito de Hormuz.
07:03Então, penso que há duas dimensões,
07:06uma econômica e outra geopolítica.
07:09Se nós levarmos em consideração a dimensão econômica,
07:14por exemplo, veja, a China está sofrendo
07:19as consequências em relação à demanda de petróleo,
07:25o aumento do preço de petróleo,
07:27o acesso a um petróleo de muita qualidade,
07:30que é o petróleo do Oriente Médio.
07:32Agora, do ponto de vista geopolítico,
07:35foi muito interessante para a China
07:37ver o desgaste dos Estados Unidos,
07:41não só na região do Oriente Médio,
07:43mas, por exemplo, junto aos países europeus,
07:46a perda de capital.
07:48Um grande estudioso
07:50da política externa norte-americana,
07:52infelizmente falecido há alguns meses atrás,
07:55o Joseph Nye,
07:57pouco antes da segunda eleição do Trump,
08:00perguntaram a ele
08:01como seria, no caso,
08:04ainda não estava definida a vitória do Trump
08:07sobre a Kamala Harris,
08:09mas qual seria o aspecto talvez mais preocupante
08:12para o poder norte-americano
08:14num segundo governo Trump.
08:16E ele foi muito perempitório,
08:18muito objetivo.
08:19Os Estados Unidos provavelmente vai perder
08:21muito do seu soft power,
08:23da sua capacidade de exercer influência.
08:27Então, de fato,
08:29se a gente olhar sobre esse aspecto de geopolítico,
08:31um tema tão caro,
08:33aos meus colegas aqui,
08:35que dividem o programa,
08:39hoje à noite,
08:40é esse aspecto
08:42que eu diria que pesa mais,
08:45que é o aspecto geopolítico,
08:47do enfraquecimento
08:48do poder,
08:50da capacidade de influência dos Estados Unidos.
08:53Sobre o aspecto econômico,
08:55sem dúvida,
08:57nós também tiramos uma lição.
09:00Vivemos uma transição energética?
09:02Vivemos.
09:03Mas o petróleo ainda tem um peso decisivo
09:07nas principais cadeias produtivas
09:10que fazem o capitalismo,
09:13que fazem a economia internacional funcionar.
09:17Eu me lembro que logo
09:18quando começou esse conflito,
09:20vi alguns economistas
09:22com uma certa perplexidade,
09:25afirmando que,
09:26não, mas nós somos um país,
09:29que hoje,
09:30o Brasil,
09:31basicamente,
09:32a gente produz o petróleo,
09:34que consume,
09:34isso não vai nos afetar,
09:36como aconteceram,
09:38por exemplo,
09:38com os dois choques,
09:39os choques de petróleo,
09:41que aconteceram lá nos anos 70.
09:43Ledo engano,
09:44a gente está vendo o nosso dia a dia,
09:46como,
09:46alguns dias,
09:47o Estreito de Ormuz fechado,
09:49o aumento substancial do preço do petróleo,
09:52afetou o cotidiano,
09:54o nosso dia a dia,
09:56com aumento de preços,
09:58ameaça de inflação,
10:00o governo reacendendo o fantasma dos subsídios.
10:04Então,
10:05este conflito,
10:06que embora tenha durado poucos dias,
10:09ele foi muito didático,
10:11muito elucidativo,
10:13sobre ainda a importância do petróleo,
10:16o renascimento a toda força,
10:19inclusive,
10:20para o meu,
10:20talvez,
10:21prazer intelectual,
10:22e da Helena também,
10:24da geopolítica,
10:26voltando a ser determinante
10:27nas relações entre os povos.
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