00:00Após aquela ameaça de Donald Trump, quando mencionou que uma civilização inteira poderia ser dizimada, morreria no dia de hoje,
00:10surge a proposta do Paquistão para a ampliação daquele prazo para duas semanas, o prazo de discussão a respeito de
00:20um acordo, um cessar-fogo, algo do tipo.
00:22Quais apontamentos devemos fazer a partir dessa tomada de decisão de Donald Trump, a ampliação desse prazo? Alguém sai enfraquecido?
00:32Sem dúvidas os Estados Unidos, eu não tenho a menor dúvida quanto a isso.
00:38Esta guerra, que foi uma guerra que a gente define de guerra de escolha, depois podemos ao longo do programa
00:45até aprofundar esse conceito,
00:49se imaginava uma guerra curta, na verdade os próprios especialistas e o governo norte-americano, o governo de Israel,
01:03menosprezaram a capacidade de resiliência, de resistência e de contra-ataque do Irã.
01:10Não se imaginava que o Irã tivesse não só uma capacidade de resistência, mas de contra-ataque e usasse de
01:21estratégias que se mostraram bastante eficientes.
01:24A primeira delas, atacar não apenas Israel, contra-atacar Israel, mas bases militares dos Estados Unidos e aliados dos Estados
01:36Unidos,
01:37a infraestrutura de aliados dos Estados Unidos na região.
01:40Mas eu acho que esse nem é o aspecto fucral aí do tema.
01:45É o Irã ter se valido da sua bomba atômica, que é fechar o Estreito de Hormuz.
01:51Nós temos um antes e um depois nesse conflito, que é a questão de fechar o Estreito de Hormuz.
01:58E o Irã descobriu o caminho, a senha, o roteiro para o enfrentamento dos seus inimigos,
02:06que é exatamente instigar ou fustigar o aspecto talvez mais sensível do processo, que é o aspecto comercial e econômico.
02:15Então esse é um balanço inicial aqui para o início de conversa, de reflexões.
02:21Tentei aqui abrir alguns horizontes, perspectivas e janelas de reflexão.
02:26Sem dúvida. É uma análise introdutória, né?
02:31Claro que a gente traz a principal notícia do dia e aí os nossos convidados acabam discorrendo sobre esse assunto.
02:38Inclusive, o Alessandro Visacro, cruzei com ele aqui na área de bastidores aqui da Jovem Pan.
02:46Nós falávamos justamente sobre a decisão tomada por Donald Trump.
02:49Se alguém está enfraquecido, quais são os aspectos dessa tomada de decisão que precisam ser destacados, né?
02:57Quais são os apontamentos a serem feitos a partir dessa decisão?
03:01Ô senhor Alessandro, já estava no seu radar essa mudança de postura de Donald Trump?
03:09A imprevisibilidade de Donald Trump, mais uma vez, dando o tom do noticiário.
03:14Em algum momento, alguns poderiam dizer, o que será que ele quis dizer com dizimar uma civilização?
03:22Seria o uso de uma bomba nuclear?
03:25Daí você me disse na sala de maquiagem.
03:28Ele usou uma figura de linguagem.
03:30Porque teve até na lista internacional que chegou a levantar a possibilidade de um uso de uma bomba atômica.
03:36Seria um exagero.
03:37Sem dúvida nenhuma.
03:39O presidente Trump, ele tem feito uso recorrente daquilo que a gente pode chamar, entre aspas, de diplomacia do Twitter,
03:45para a qual as relações internacionais ainda não estão muito adaptadas para essa forma de fazer política.
03:52E ele usa uma linguagem agressiva e quase sempre vulgar.
03:56Não tenho dúvida que o uso, o termo de aniquilar uma civilização, foi uma figura de linguagem.
04:03Não tenho dúvida disso.
04:04Muito possivelmente, a ameaça a qual o presidente dos Estados Unidos se referia
04:10era a infraestrutura econômica, energética e petrolífera do Irã.
04:15Agora, eu acho muito importante a gente traçar uma distinção entre guerra e campanha militar.
04:22No pensamento ocidental, de uma maneira geral, isso é muito difícil de traçar essa distinção.
04:29Até mesmo em virtude, em decorrência, da construção do pensamento estratégico ocidental.
04:35Gente, nós costumamos nos referir à campanha militar como guerra.
04:40Campanha militar, por definição, é um fenômeno circunscrito ao nível estratégico.
04:45E guerra nada mais é do que política armada.
04:47Guerra é um fenômeno político.
04:49Então, nós estamos tendo uma suspensão temporária de uma campanha que faz parte de um conflito
04:56que é encravado na turbulenta região do Oriente Médio, um conflito que se arrasta por décadas,
05:03um conflito que vai desde a guerra do Irã-Iraque, o escândalo do Irã-Gate durante a administração do presidente
05:15Trump.
05:16Antes disso, o malogro da tentativa do resgate dos norte-americanos na Embaixada de Norte-Americana em Teherã, em 1980.
05:25A gente passa pelo incidente gravíssimo do USS Vincennes, que derrubou um voo da companhia aérea iraniana.
05:35Voo 655, matou 290 pessoas, incluindo 66 crianças.
05:39Nós passamos por um incidente com Minas, o golpe de Irmã, em 2019.
05:45O assassinato, a eliminação do líder da Força Cudes, o Kassem Soleimani, em 2020.
05:53Passamos, por exemplo, em 2022, os Estados Unidos já tinham, se eu não me engano, 19 aeronaves abatidas,
06:00incluindo um V-22 Osprey, um helicóptero Black Hawk, no conflito com o Iêmen, especificamente com o Ansar Al-Alar,
06:11que é o braço armado da milícia Houth, que é um proxy iraniano.
06:15A gente tem um conflito contínuo, perene, do Hezbollah, que é o principal proxy iraniano, contra o Israel.
06:22Nós temos as milícias chiítas pró-Irã, que lutaram na Guerra Civil da Síria.
06:28Nós temos as Forças de Mobilização Popular, um conglomerado de milícias chiítas pró-Irã dentro do Iraque.
06:36Então a gente tem que lançar um olhar sobre essas dinâmicas complexas do Oriente Médio.
06:41Não faz muito sentido nós falarmos da Guerra dos Doze Dias, no início do segundo semestre do ano passado,
06:49falarmos agora de uma outra guerra de quatro, seis semanas agora.
06:55Na verdade, se são campanhas militares que intercalam essa dinâmica de conflito perene,
07:00extremamente complexo, na conturbada região do Oriente Médio.
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