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NotíciasTranscrição
00:08Olá, olá, bem-vindos ao MET Gastronômico, o maior programa de gastronomia e empreendedorismo do Brasil.
00:14Eu sou a Manu Carvalho.
00:16Eu sou o Gabriel Carvalho e a gente está aqui de novo para explorar o sabor do sucesso e aprender
00:20com histórias inspiradoras.
00:21E hoje a nossa reprise traz o sabor da Itália, uma das cozinhas que mais apaixonam o brasileiro.
00:26Você vai rever dois protagonistas do setor, Rodolfo DeSantis e Beni Novak.
00:32Uma aula, hein? Prepare-se para uma viagem à tradição e identidade da gastronomia italiana.
00:38Me conta um pouquinho, como é que está sendo sua volta e sua primeira entrevista depois que você saiu?
00:46Tanto tempo sem falar com todo mundo, né? Quase dois anos, Rodolfo.
00:50Bom, eu em 2000, até 2024, dezembro exatamente, né? Saí do grupo.
00:58Grupo Nino.
00:59Grupo Nino.
01:00Porque para mim era uma família, né?
01:02Foi uma felicidade muito grande financeira, mas do ponto de vista pessoal, foi um caminho meio que interrompido.
01:12Existe ainda um apego, né? Existe um apego que foi dez anos da minha vida, né?
01:17De 2015 até 2025, quase.
01:20Então, eu fiquei um pouco assim.
01:23Tive que tirar um tempo para uma reflexão muito grande na minha vida, né?
01:26E hoje estou com a cabeça melhor.
01:29É muito... Antes da gente estar aqui no programa, né?
01:33A gente estava conversando sobre...
01:36Aqui, né?
01:37Quando a gente fala da gastronomia, a gente sempre quer o crescimento dos nossos restaurantes.
01:43Que isso, obviamente, financeiramente acaba crescendo também.
01:47E você estava me falando que vender para um grupo é igual ver um filho sendo criado por outra pessoa.
01:53Como é que foi?
01:54Como é que é essa sensação, Rodolfo?
01:56Ah, eu acho que é assim.
01:59A gente pode considerar isso natural, né?
02:01Sim.
02:02A gente não pode segurar os filhos para sempre.
02:04Você é mãe, eu sou pai também, a gente sabe disso.
02:07Mas é...
02:08Negócio também, acho que é a mesma coisa.
02:09Negócio a gente cria, né?
02:11Com todo aquele amor.
02:12O Nino...
02:12Quando eu criei, o Nino era muito novo.
02:15Foi um negócio que foi...
02:16Foi crescendo aos poucos.
02:18Se tornou um gigante.
02:19Sim.
02:19Foi crescendo no Brasil todo.
02:21Aí chegou um determinado momento que as coisas começaram a mudar, né?
02:25A gestão interna mudou.
02:26Teve coisas que eu...
02:27Que eu não concordava.
02:29Mas faz parte, né?
02:30Eu decidi me colocar do lado.
02:33Deixar meu antigo sócio, o Pedro, que é um amigo até hoje.
02:37Continuar com o negócio segundo as ideias dele, né?
02:39Na época.
02:41E...
02:42Estamos aí, né?
02:43O Pedro, inclusive, esteve aqui com a gente.
02:45Pedro esteve aqui, né?
02:46É impressionante.
02:47Porque o Pedro, a gente brincou durante o programa que a cada...
02:50A cada minuto ele já estava criando uma marca nova, uma...
02:54Uma...
02:54Um restaurante novo.
02:56Então, realmente, o Pedro é o cara do business, né?
02:58Não à toa é que ele saiu da XP para fazer isso.
03:01Sim.
03:01O Pedro é o cara bastante acelerado aí.
03:04Acho que o Nino está em boas mãos.
03:06Eu sei que hoje mudou muita coisa.
03:09Como eu te falei, nunca tive nenhum problema nem com ele, nem com a XP.
03:12Acho que um dos motivos da minha saída foi uma...
03:18Ideias diferentes na gestão.
03:20Isso que é a realidade.
03:21Minha cultura era diferente da cultura dos bares na época, do CEO, que era o Alessandro.
03:27E eu tive um mal entendido.
03:29E isso acabou me obrigando, praticamente.
03:34Obrigado na palavra forte, mas me obriguei a sair, entendeu?
03:38Eu acho que as coisas não estavam indo do jeito que eu queria.
03:41O negócio estava um pouquinho mudando e eu decidi só deixar eles seguirem o caminho, entendeu?
03:46Contando um pouquinho da sua história, Rodolfo, você é de que parte da Itália?
03:51Eu nasci no sul da Itália, né?
03:53É uma cidadezinha, chama Galípoli, na Puglia.
03:56Tadinho da Bota, no último...
03:58Meu pai estava lá.
03:59Abou de voltar.
04:00Uma cidade linda.
04:01A Puglia hoje está super bombando no mundo, né?
04:04Porque comida é boa, muitos legumes, muito peixe, comida mediterânea, lugares bonitos, praia.
04:10E na época que eu nasci lá, não tinha nada disso, não tinha internet, não tinha essas coisas.
04:15Então, era bem diferente, né?
04:18Não é uma região muito rica.
04:21Hoje se tornou mais rica graças ao turismo.
04:23Minha família teve que se mudar para o norte quando eu tinha 14 anos.
04:26Aí eu comecei a trabalhar na gastronomia nessa idade, como ajudante de cozinha.
04:30Com 14 anos.
04:32Isso, como ajudante de cozinha.
04:33Pra ajudar um pouco a minha mãe.
04:34Eu fui criado só pela minha mãe.
04:36Meu pai era um cara que tinha um pouco de problemas pessoais.
04:39E acabei de ter dois irmãos também, né?
04:41Mais novos.
04:42Então, foi meio uma obrigação, mas uma paixão ao mesmo tempo, né?
04:46Eu tinha paixão pela cozinha.
04:48E eu sabia que não era uma época de Masterchef, de...
04:52Não sei se você pode falar, né?
04:54Super!
04:54Aqui a gente está em casa conversando.
04:57Então, não tinha programas de televisão.
04:59Não tinha esse modismo de chefe de cozinha, né?
05:02Era uma profissão dura, quase a trabalhar na obra, vamos dizer assim.
05:06Era bem, bem...
05:07Horas e horas, 15, 16 horas dentro da cozinha e sem ver a luz do sol.
05:12Era uma profissão mais dura.
05:14Aí eu encarei, sabe?
05:15Encarei dentro da pia.
05:16Dentro da...
05:17Lavando pratos.
05:18Eu estou pensando aqui, Rodolfo.
05:20Você, na Itália, aquele país maravilhoso, com gente bonita.
05:24Veio por quê pro Brasil?
05:26Apesar de eu ser uma brasileira, amar o Brasil, a Itália é Itália, né?
05:31A Itália é Itália.
05:32A Itália é Itália, mas eu sou fã do Brasil.
05:33Eu também, eu também.
05:35Eu sou fã do Brasil.
05:35Mas que momento que você falou, meu, vou pra lá, deve ter uma coisa diferente?
05:40Cara, eu, na verdade, eu casei com uma brasileira.
05:43Ah!
05:43Conheci na Suíça.
05:44Se conheceu lá.
05:46Casei, casei na Europa.
05:47Quando saí do sul da Itália, fui pro norte.
05:50Comecei na gastronomia.
05:52Só que a minha missão de vida, pra ajudar a minha família, era ser um chefe de cozinha
05:57de um grande hotel.
05:58Era onde o salário era melhor, onde a estrutura era melhor, não tínhamos altos e baixos
06:03de um restaurante.
06:04Sempre olhei isso, né?
06:05Sempre não venho de uma família rica, então eu precisava de estabilidade econômica.
06:09Então, eu pensava, eu mirei no Four Seasons, né?
06:11Trabalhei no Four Seasons de Paris, trabalhei no Four Seasons de Genebra e trabalhei um
06:16outro três estrelas em Roma pra formar meu currículo e crescer dentro do hotel, né?
06:20Dentro do Four Seasons.
06:22Aí, conheci essa pessoa e acabou que não deu certo quando a gente veio no Brasil.
06:28Ideias diferentes, mas acho que foi o gatilho pra vir pra cá e hoje tô...
06:32Essa aqui é a minha casa, minha família tá aqui, é o melhor lugar do mundo pra mim o Brasil.
06:36A gente fala muito em hospitalidade, né, Rodolfo?
06:39O que que você aprendeu de um Four Seasons da vida que é, querendo ou não, um dos melhores
06:44hotéis do mundo?
06:46Eu levo até hoje grandes ensinamentos, né?
06:49Na época eu trabalhava...
06:50A maior...
06:51Em Paris foi...
06:54Eu não falava muito bem a língua, então eu não tive muito contato com o salão ou
06:58com o hotel inteiro, né, no George Sank.
07:01Mas aí também era um ajudante.
07:04Já em Genebra, eu comecei como chefe de party, né?
07:07Então eu comecei mais...
07:08Cargo mais baixo, fui crescendo.
07:09Então eu lembro das reuniões, eu lembro do dia a dia do hotel.
07:14Você chegava no hotel, tinha um painel onde tinha os nomes dos principais clientes VIP
07:17pra receber o que eles gostavam, o que eles não gostavam.
07:20Então ter uma cultura de deixar o cliente feliz é bem recebido.
07:25E tem a cultura no Four Seasons de nunca falar não pro cliente.
07:28Então o cliente em primeiro lugar.
07:30Em primeiro lugar não tem empresário, não tem o chefe, não tem ninguém.
07:34Em primeiro lugar na gastronomia é o cliente e a experiência do cliente.
07:37Eu levo comigo até hoje isso.
07:39É impressionante você falar isso, Rodolfo, porque em muitos momentos a gente vê chefes
07:44que falam assim é a maneira correta de se comer e assim que eu vou fazer e acabou.
07:49E talvez de um Four Seasons, de uma lição que você teve,
07:52a experiência do cliente é a que mais deve ser levada em consideração, né?
07:58Isso aqui é um equilíbrio que eu acho que está mudando.
08:00Manu, principalmente Michelin, críticas, críticos gastronômicos,
08:05grandes classificações de restaurantes estão generalizando muito.
08:10E eu acho que tem que ter um equilíbrio entre o cliente entender a proposta,
08:13respeitar o restaurante, né?
08:15Dentro, esse é um cliente que a gente chama educado,
08:18que respeita a experiência do restaurante.
08:21E o restaurante não pode obrigar um cliente a seguir determinados parâmetros.
08:26Eu acho que tem que ter mais, alguns restaurantes são muito, como se disse,
08:32eles tragam muito a experiência do cliente, né?
08:34A experiência do cliente pode ser um pouquinho mais dinâmica.
08:36Você é uma pessoa super conhecida por criar marcas fortes
08:40e também ter trabalhado em marcas fortes.
08:44Agora você está num momento de recriar.
08:47O que você leva em consideração na hora de criação, assim?
08:51O que bate seu coração?
08:53Uma pessoa que está aí em casa, que está escutando a gente,
08:55fala, tá bom, estou perdido, como é que eu crio algo?
08:58Essa é a minha pergunta.
09:00A pergunta, eu estava até contando outro dia, né?
09:02Essas foram 29 marcas, considerando o delivery na pandemia e tudo.
09:07Eu estou aqui no Brasil desde 2010, né?
09:10Então, em 15 anos, praticamente, quase 29 marcas.
09:14Bastante coisa.
09:15E teve meus erros, né?
09:17Teve meus aprendizados.
09:19Hoje, eu me identifico com alguns tipos de marca a mais dentro do que eu criei.
09:23Eu acho que, em primeiro lugar, tem que vir a paixão, sabe?
09:26Você tem que ter a paixão que você vai fazer.
09:31Gastronomia não dá para ser encarada como só um negócio, tá?
09:34Como só números.
09:35Gastronomia é paixão.
09:37Tem que nascer com a paixão, mas não pode ser só paixão.
09:40Paixão tem que ser acompanhada com muitos cálculos, é muita pesquisa.
09:44Hoje, tem internet que te permite estudar, entender e ver tendência no mundo todo.
09:50Então, é um casamento perfeito entre a paixão e o sacrifício que a gente precisa fazer todo dia.
09:56E também, uma grande pesquisa, um estudo de mercado, entender quais são os clientes do bairro, quais são os clientes
10:02que vão frequentar o restaurante, de qual idade é qual idade, em quais horários durante o dia.
10:07Então, todos esses detalhes fazem parte da criação de uma marca, entendeu, Manu?
10:11Eu acho que não pode criar algo só para o paixão.
10:15Muita operação abre e fecha em pouco tempo por causa disso.
10:17E a gente fala bastante disso aqui, né, Rodolfo?
10:20Porque em três anos, a grande maioria dos restaurantes hoje fecha.
10:26E hoje, pensando nesse novo projeto, qual é a sua principal tendência que você olha?
10:32O que é a principal identidade que você pretende fazer aí pelos próximos anos?
10:38Eu acho que a gente...
10:41Eu tenho sorte em ter tido um caminho muito bom no Brasil.
10:45Eu agradeço muito todos os clientes que fizeram parte, né, dos meus últimos dez anos de empreendedor na gastronomia, no
10:50Nino, da Marino, no Forno da PIR, lá na Gerônica da Veiga, em todos os restaurantes.
10:56Mas é...
10:56A Gerônica não era a sua, né, inclusive.
10:59É, é.
11:00Então, eu agradeço muito todos os clientes, né, que fizeram parte dessa história e...
11:05Cara, esqueci a pergunta, mas não pode repetir? Desculpa aí.
11:07Não tem problema nenhum.
11:08Pode, né?
11:09É gravado, né?
11:09Quais são as tendências agora?
11:11O que você está trazendo para esse novo projeto?
11:13Tá. As tendências que eu vou trazer agora nesse novo projeto vem um pouquinho de uma seleção de tudo que
11:19eu fiz até hoje.
11:20Eu acho que dentro daqueles 29 marcas que eu criei, eu separei 10%, de verdade.
11:26São três tipos diferentes de negócio que eu me identifico muito e que todos viajam dentro do italiano, né?
11:33É o mundo do restaurante italiano.
11:35Eu acredito que eu venho estudando quase dois anos no próximo projeto e vai ser um negócio de verdade diferente.
11:44Mas com aquela lembrança de 2015, 2016, 2017, que foram os anos que eu consegui estar dentro do nino todos
11:53os dias, sabe?
11:54Abrir a casa, fechar a casa, estar com a equipe o tempo inteiro, poder preparar pratos para alguns amigos e
12:01clientes.
12:01Acho que a essência do novo negócio é essa, entendeu?
12:04É artesanal, tem alma.
12:06Tem que ter alma.
12:07Tem a chance de ter receitas antigas desses 29 projetos ou na grande maioria é tudo novo?
12:15Quando a gente fala, a gente pode falar até mais do nino, né?
12:18Porque o primeiro era a marca mais forte e é algo que eu gosto muito como negócio, como estilo de
12:26restaurante italiano.
12:27Eu não gosto de uma proposta de menos degustação, não gosto de nada muito engessado.
12:31Eu pensei, a minha vida foi, de novo, foi um percurso muito bom.
12:36E agora eu tenho sorte de ter pessoas que acreditam no meu trabalho e eu posso fazer que realmente eu
12:42goste.
12:42Agora chegamos ao retrato do convidado para conhecer um pouquinho mais do Rodolfo.
12:51Rodolfo, qual foi a melhor experiência gastronômica da sua vida?
12:55A melhor experiência gastronômica da minha vida é a Chef Table, Brooklyn Fair, Nova York.
13:00O antigo.
13:02Era um restaurante dentro do supermercado.
13:05Estava muito ansioso em conhecer esse restaurante.
13:08Eu não tinha muita grana na época, então juntei dinheiro para ir lá.
13:13Foi um dos primeiros três estrelas Michelin.
13:15Sempre ouvi falar bem desse chefe, que é o Cesar Amires.
13:17Esse é um dos mais que eu admiro mais na minha vida.
13:20Ele faz um estilo de gastronomia que é um pouco francesa com japonês.
13:24Mas é uma pegada, uma mão muito boa.
13:28Você tem que entrar num supermercado simples.
13:31No fundo do supermercado, você tem uma portinha na época.
13:35Você entrava num restaurante...
13:36Tipo os Piquizzi.
13:37Tipo os Piquizzi, mas era um restaurante de três estrelas Michelin de barcão.
13:40Incrível.
13:41Uau.
13:41Essa foi a maior experiência da minha vida.
13:43E qual profissional da gastronomia te inspira hoje?
13:47Eu sempre tive essa referência na minha vida, como não sou...
13:51Desde menino, né?
13:53Na época a gente tinha Instagram, a gente assistia na televisão, mas é o Gordon Ramsay.
13:56Acho que é um chefe empresário, bem sucedido.
13:59Vai de família.
14:01E acho que é um cara que me inspira bastante.
14:04Se você não fosse o que é hoje, o que teria escolhido fazer?
14:08Eu sempre gostei da vida militar, sabe?
14:11Eu gosto de regras, eu gosto de processos, sou um cara meio sistemático em algumas coisas.
14:18Eu tive a oportunidade na minha vida antes de vir para o Brasil, mas eu decidi continuar
14:23com a gastronomia.
14:24Teria vindo para o Brasil ou não?
14:27Não.
14:29Qual ingrediente não pode faltar na sua cozinha?
14:32Acho que é massa, né?
14:34Com certeza.
14:36Na minha também não.
14:38Qual seria a sua última refeição do mundo?
14:40Chegou o fim do mundo, o que você comeria?
14:43Crudo.
14:43Crudo de peixe em geral.
14:46Pode ser japonês, mas prefiro uns crudos estilo mediterrâneo, sabe?
14:50Fiozinho de azeite, limão.
14:53Chudamarino.
14:54Imagina um crudo em capri, um ouriço no marco, um caranguejo cru, uma lagosta.
14:58Que é de onde você vem, né?
14:59Estilo de comida mais do sul da Itália, a base de crudo.
15:02Lembra antes de infância.
15:04É isso.
15:05Seu guilty pleasure, qual que é?
15:07O prazer da vida?
15:09Na gastronomia.
15:10Na gastronomia?
15:12Aquilo que você come e fala, não deveria, mas amo.
15:16Ah.
15:18Eu acho que...
15:20Eu não sou muito de sobremesa, mas tenho um ponto fraco com pão.
15:24Pão é um ponto fraco.
15:25Um bom pão de fermentação natural.
15:27Entendo bem.
15:29E a manteiguinha, então, dá uma finalização certa, né?
15:33Olha, Rodolfo, foi um enorme prazer ter aqui você com a gente.
15:37Muito obrigada por contar a sua história.
15:39Assim, estou torcendo muito para os seus próximos passos e com certeza a gente estará lá para comemorar juntos.
15:44Obrigado, Manu.
15:45O Rodolfo trouxe uma visão incrível da cozinha italiana, mas agora vamos ouvir o que Beninovac tem para compartilhar sobre
15:51tradição e hospitalidade.
15:53Aqui do meu lado...
15:55Beninovac.
15:56Opa.
15:56Aê!
15:57Agora, assim, você sabe que a conversa de hoje vai ser muito especial porque temos dois amigos, né?
16:02Que tem aí muitas histórias para contar.
16:04Só voltando para quem está aí em casa, vocês se conheceram em Londres ou antes de Londres decidiram ir juntos?
16:11Como é que foi essa jornada?
16:12A gente se conheceu em Londres na escola.
16:14No Cordon Bleu a gente se conheceu.
16:16Primeiro dia, acho que o André estava com uma pulseira do Brasil, ou você ou Danica, não lembro exatamente qual
16:21dos dois.
16:23E eu, uma pulseirinha com uma bandeira do Brasil, não lembro qual dos dois.
16:27E eu falei, porra, brasileiro, brasileiro, e acabou.
16:30Literalmente.
16:31Acabou aí, parou aí, a gente se conheceu aí e tamo aí.
16:35Tamo junto até agora.
16:36Dois meses depois a gente estava morando juntos, sem dinheiro, sem ter o que fazer, o Benny pegava o violão
16:40dele e a gente passava a noite inteira cantando músicas do Johnny Cash e do Willie Nelson.
16:45E tomando café e não dormindo por causa do frio.
16:49Café é um bom jeito de falar.
16:50Não esquecendo do quebrado, mas foi bom.
16:52Então, você decidiu, a gastronomia na sua vida aconteceu antes da Cordon Bleu.
17:01Como é que foi para você decidir e falar assim, ah, tá bom, chegou a hora de eu ir para
17:05fora e estudar e entender um pouquinho desse mundo?
17:08Eu comecei mais velho.
17:10Eu comecei na gastronomia com uns 28 anos, na gastronomia profissional.
17:13Quando eu fui para Londres, eu tinha 29 anos.
17:18Eu trabalhei com meu pai.
17:20Na verdade, eu queria ser dentista.
17:22Você jura?
17:23Juro.
17:24Porque meu pai era dentista, foi dentista, mas ele não exerceu a profissão.
17:27E tenho tios e primos dentistas, porque pessoas que eu gosto bastante.
17:31A família dos dentistas.
17:32E eu queria ser dentista.
17:33Os Rovaki?
17:34Não, não.
17:34Uma outra parte da família.
17:36Tá.
17:38Só que eu era muito mal aluno, bicho.
17:40Muito.
17:40Eu nunca, jamais entraria numa faculdade de odontologia.
17:45E acabei entrando em administração, fui trabalhar com meu pai.
17:47Meu pai tinha um administrador de condomínio, trabalhei sete anos com meu pai.
17:52E eu gostava muito, eu sempre fui muito bom em comensal, né?
17:55Eu sempre adorei comer.
17:57Eu não sou daqueles que aprenderam a cozinhar com a avó, apesar da avó ter sido uma grande influência
18:01da parte de gastronomia.
18:03Mas não era uma coisa que eu não me interessava, eu não ficava lá.
18:06Deixa eu cozinhar, deixa eu ver.
18:07Não era nada disso.
18:10E eu comecei a cozinhar por prazer mesmo, comprando livros ali do...
18:15Eu lembro, o primeiro livro que eu comprei foi um livro do Sérgio Arno.
18:19Depois um livro do Emanuel Bassolet e do Charlo.
18:24Do Emanuel ou do Charlo?
18:25Ou não sei, um dos dois.
18:26Charlo, acho.
18:27E eu segui a receita.
18:31Os amigos começaram a gostar, ou mentiam que gostavam,
18:35pra se aproveitar da minha boa vontade, né?
18:37Só até hoje diz que a gente que mente, né?
18:38Não, pra se aproveitar da minha boa vontade.
18:39Olha, eu sou uma mentirosa, então.
18:42Beninho.
18:42Não, sei lá, porque assim, eu cozinhava.
18:45A galera, ninguém fazia nada.
18:46Eu cozinhava pra todo mundo, o pessoal, boa, tá ótimo, continua cozinhando pra todo mundo.
18:50Eu acreditei que era verdade aquilo.
18:52E eu falei, porra, de repente, né?
18:54Eu tava muito insatisfeito lá com o meu pai, era horrível.
18:57Eu detestava aquilo lá.
18:59Quem é criativo tem, normalmente, acho que uma dificuldade mais em ter esse trabalho,
19:06talvez, mais sério, no sentido de seriedade da atmosfera, né?
19:15De você chegar, ter que cumprir uma tarefa sem ter tanta criatividade.
19:19Não, era horrível.
19:20E assim, meu pai, sei lá, eu já tinha 30 anos de escritório.
19:24E eu cheguei lá e, por mais que eu não gostasse, eu falei, bom, eu já tô aqui.
19:29Então, sei lá, deixa eu tentar gostar de alguma coisa.
19:32Eu olhava e falei, pô, dá pra mudar isso.
19:34Pai, vamos fazer assim?
19:35Não.
19:36Pai, o que você acha de mudar, trocar esse computador de 1615 pra um atual?
19:42Não.
19:43Eu falei, ah, então tá.
19:44Beleza, então eu fiquei lá.
19:45Então, beleza.
19:46Fiquei lá ganhando meu salarinho, fazendo nada, né?
19:50Pagando contas, ensinando os negócios.
19:52E aí, chegou uma hora que eu falei, não dá mais.
19:54Não dá mais.
19:55Aí, eu cozinhava, né?
19:56Como eu contei antes, eu cozinhava pros amigos.
19:58Eu falei, pô, acho que eu vou fazer gastronomia.
20:00Quero o pensamento do jovem, né?
20:05Jovem na época.
20:08Eu gosto de cozinhar.
20:10Eu gosto de tocar.
20:12Eu gosto de beber.
20:13Eu vou ter um bar.
20:15É o grande empreendedor, né?
20:17É o pensamento de empreendedor.
20:18Vamos ganhar dinheiro como, né?
20:19Não sei.
20:20Mas eu vou pensar, eu levo meus amigos pra beber comigo.
20:23Veio eu tocar na minha banda.
20:24Eu cozinho.
20:25E esse foi um pensamento bem simplório, né?
20:29Na época.
20:29Mas um pensamento que me deu um start.
20:32Um prazer em falar, porra, talvez seja um negócio aí.
20:36E aí, eu resolvi...
20:39Na época, eu resolvi ir pra Nova York.
20:41Mas aí, eu conheci a mãe dos meus filhos, na época.
20:44Natasha.
20:45E ela já tava indo pra Londres fazer um mestrado, ou sei lá o que que ela ia fazer.
20:52Uma pós em jornalismo internacional, alguma coisa assim.
20:56E ela falou, ah, eu já tô matriculada em Londres.
20:59Falei, bom, se a gente tá namorando, então eu esqueço o namorado.
21:03Eu vou procurar alguma coisa em Londres.
21:05E aí, cheguei o Cordon Bleu e falei, bom, vamos embora pra Londres.
21:07E a gente foi morar junto em Londres.
21:08Quando ela voltou pro Brasil, fui morar com o jovem aqui.
21:11Eu que virei a esposa.
21:15O casamento...
21:16O casamento, o maluco.
21:18Foi daí que...
21:19Foi depois de Londres que você foi pra Miami, né?
21:22Foi.
21:22Eu voltei pro Brasil.
21:24De Londres, voltamos para o Brasil.
21:26Sim.
21:27Estagiei no Cantalupe.
21:29Que era o chefe...
21:31Era o Douglas Sante.
21:33Era a consultoria do Lohan.
21:35Lohan me deu um...
21:36O Lohan foi o primeiro cara que me atendeu.
21:38Assim, na primeira semana, liguei pro cara.
21:40O cara me arrumou o primeiro estágio.
21:42Foi incrível, Lohan.
21:44Depois eu fui trabalhar com o Rodrigo Martins, que ele...
21:48Num restaurante chamado Brooklyn.
21:50Onde os garçons cantavam.
21:52Não sei se vocês lembram dessa história.
21:54Eu lembro bem.
21:55É a coisa mais louca.
21:56Era um restaurante que, no meio do serviço, um garçom largava o que ele tava fazendo
22:02e começava a cantar música de West Side Story, por exemplo.
22:05É isso.
22:05Era meio o Brother.
22:06Um musical, uma coisa maluca.
22:07Foi a minha primeira experiência paga.
22:09E foi a minha primeira demissão também.
22:11Que eu briguei com o Pia lá e fui mandado embora.
22:14Você jura?
22:15Aconteceu.
22:16Mas foi corretíssimo.
22:19A atitude do Rodrigo e do subchefe lá.
22:25Saí daí, fui procurar emprego, bati na porta do Alex, da Tala.
22:29Me recebeu super bem.
22:33Conversou comigo ali no Dom.
22:34Falou, cara, não tenho no Dom, mas eu tenho no Na Mesa.
22:38E aí, trabalhei um ano na Mesa.
22:44E por motivos de segurança, eu e Natália, a gente foi assaltado dentro de um restaurante.
22:50A gente falou, ah, não temos filho ainda.
22:51Acabamos de voltar da Europa.
22:52Vamos voltar para a Europa.
22:54Eu não tinha currículo nenhum.
22:56Ela tinha o currículo dela de comunicação e ela mandou, começou a mandar em Europa e Estados Unidos.
23:01Estados Unidos, ela foi aceita em Miami.
23:04Aí a gente foi morar em Miami.
23:07Você acha que trabalhar em Miami, lá no, chama-se Bouchon do Grove, né?
23:12Era em Coconut Grove, era um Bouchon lá.
23:14Você acha que esse momento foi ali o que te virou a chave, assim?
23:19Ali você viu o que era um restaurante de verdade, com a forma que os caras trabalham e poder ver
23:24também o lado, né?
23:28Não só de cozinha, mas de tocar restaurante, essa parte administrativa e de gestão.
23:34Você acha que ali que você deu...
23:36O lance no Bouchon foi o seguinte.
23:40Eu cheguei em Miami e trabalhei num restaurante chamado Grappa, um italiano que era de uns brasileiros.
23:45E eu frequentava o Bouchon para comer.
23:49E aí eu, numa das idas lá, um dos donos, na verdade o dono lá, o principal, Jorge Henrique, que
23:56por acaso está morando no Brasil agora.
23:58E eu me reencontrei com ele depois de vinte e poucos anos, assim, que foi incrível isso.
24:05Ele olhou, me viu uma tatuagem de fogão que eu tenho.
24:07Ele falou, porra, Brasil, essa tatuagem de fogão, por que que não sei o que.
24:11Eu falei, pô, eu sou cozinheiro.
24:13Aí, na hora, ele já virou, já gritou para o cara na cozinha, para o sócio dele, o Cristian.
24:21Subchefe.
24:21Eu falei, pô, só entendi subchefe, né?
24:24Mas você nem sabe quem sou eu, você não viu o cozinhar, não sabe o seu cliente.
24:27Ele falou, tudo bem, não preciso ver nada, eu estou precisando de subchefe.
24:30E me contratou.
24:31Então eu vim para o Brasil, peguei meu visto, porque precisava voltar para pegar o visto permanente,
24:35e fui trabalhar no Bouchon.
24:37Era um restaurante minúsculo, minúsculo não, desculpa.
24:40O restaurante tem 90, 95 lugares, é quase uma cantina francesa.
24:47Camisa do Zidane pendurada, camisa do jogador francês, e bistrozão, e a cozinha desse tamanho, assim, minúscula.
24:55E eu ia lá e falava, porra, que delícia, que aqui eu adoro, mas, meu, deve ser uma loucura trabalhar
25:00nesse lugar.
25:01E quando o cara falou, vem trabalhar comigo, eu falei, não, não, não, não, puta medo, né?
25:09E aí, beleza, aceitei e comecei a trabalhar lá.
25:14Foi sim, respondendo a sua pergunta depois dessa breve e longa introdução, foi.
25:21Foi o lugar onde eu aprendi tudo, porque a gente tinha dois chefes incríveis lá trabalhando.
25:26O Cristian, que ficava na cozinha, o Jorge Henrique no salão, tudo de escola de Lyon,
25:32me dá região, e o cara não tinha tempo nenhum pra falar comigo.
25:37Ele me deu uma caderneta, uma caneta, falou, vem atrás de mim, eu vou fazendo, você vai anotando.
25:43Caderneta continua aí.
25:44E tudo que eu aprendi em relação à logística de cozinha pequena, apertada, restaurante lotado, gestão,
25:53porque eu fazia todos os pedidos, porque eu entrei como subchefe, ele ficou um mês na França,
25:57eu assumi um mês aquilo lá como chefia, não me pergunta como, e deu certo.
26:03E é um ponto muito interessante, né?
26:07Porque quando a gente fala das principais cidades da gastronomia, Miami não entra.
26:12E você ter Miami como a grande escola, já tendo passado por Londres e outros lugares, é muito curioso, né,
26:21Beni?
26:22É porque o buchão, ele é muito original.
26:26Ele é um restaurante de Lyon montado em Miami.
26:30É um buchãozinho, que é um buchão, é um tipo de bistrô, eles têm denominações ali.
26:37A gente aqui, fora da França, usa bistrô para qualquer coisa também.
26:41Sim, é francês é bistrô.
26:42É, então assim, mas bistrô é bistrô, buchão é buchão, assim.
26:46Tá bom.
26:46Buchão seria menorzinho, com vinho da casa, então, mas são denominações diferentes.
26:53Então era muito original, então era como se eu estivesse trabalhando na França,
26:58só que num ambiente instalado em Miami.
27:02Então, para mim, foi um aprendizado de culinária, de técnica clássica francesa e serviço super busy, super cheião.
27:18Sei lá como eu falo em português.
27:19Sim, sim, mas lotado, né?
27:22É bombada, sim, lotada.
27:25Foi lá, foi com eles.
27:27Eu acho que isso é a prova máxima de que, falando de Miami, né, como não sendo uma cidade considerada
27:33uma cidade gastronômica,
27:34mas eu acho que essa é a prova máxima que a nossa profissão, né, a história da gastronomia sempre foi
27:42e sempre é e sempre vai ser baseada em pessoas.
27:45É isso.
27:46É uma...
27:47Eu tenho pouco medo da inteligência artificial em relação à nossa profissão por causa disso.
27:53Então, assim, você pode pegar...
27:54Se você pegar dois caras muito, muito bons de Lyon e colocar em qualquer cidade do mundo,
28:00esse restaurante vai ser muito, muito bom.
28:03A nossa profissão é baseada nas pessoas, né?
28:06Exatamente, é isso.
28:08Beni, foi um prazer te receber.
28:09Muito obrigada por estar aqui com a gente, contar a sua história.
28:12E um prazer também ter um Mifano com a gente para contar um pouco mais, né?
28:17Olha, você que está em casa, siga a gente nas redes sociais porque lá tem um conteúdo exclusivo.
28:22O papo continua no canal do YouTube, na Jovem Pan News e no nosso Instagram.
28:26Então, um beijo.
28:28Até a próxima semana.
28:39A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
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