00:00E nesse quadro, vamos ler alguns comentários que a gente pesquisou lá nos seus vídeos
00:04e ver o que a gente fala pra essas pessoas, se você reafirma, se você acha que essa pessoa merece
00:10aí uma explicação ou não.
00:13Aspas.
00:15Três anos de idade pra estar à vontade com o pai está muito tarde, hein?
00:21Um comentário num post que você disse que a conexão com o pai demora.
00:25É, porque as pessoas às vezes elas entendem as coisas de uma forma tão literária.
00:31Assim, eu falei que a conexão com a mãe, ela é natural, porque assim, você conhece, o filho está dentro
00:38de você.
00:39Então, você já tem uma relação com o teu filho e o pai, ele tem uma relação através da mãe.
00:44Deixa eu ver, o nenê chutando, ah, ele está mexendo, ah, ele está com soluço.
00:48É através da mulher.
00:50Então, pra mãe, quando o filho nasce, é mais natural ter já uma conexão direta com o filho que estava
00:56morando dentro dela.
00:57Pro pai, é mais natural ter uma conexão com o filho através da mulher.
01:02O que ele tem? Por que ele chora? O que está acontecendo? Ele vai buscar através de você.
01:07Demora um tempo pra ele construir e aí vai depender de cada pai.
01:12Mas ele tem que ralar um pouco pra poder construir uma conexão direta com o seu filho.
01:16O que eu falei nesse vídeo é que com três anos de idade já deveria ter essa conexão fortalecida.
01:21Perfeito.
01:30É claro, porque as pessoas entendem que delegar tarefa é pra ajudar a mãe, pra ela se livrar do trabalho.
01:37Só que, na verdade, delegar tarefa não é pra ter ajudado.
01:40Você está ajudando a criança, você está ensinando a ela a ganhar autoestima, autorresponsabilidade.
01:49Pelo contrário.
01:50Você não está dando tarefa esperando ter uma...
01:53Vou me aliviar porque minha filha não vai te ajudar.
01:54Não é, o empregado ali que você contratou pra te ajudar a lavar aquela louça.
01:58Você está ensinando ele como é que lava a louça.
02:00Não, e aliás, é até o contrário.
02:02Uma criança de três anos de idade ensinar a guardar os brinquedos vai te dar muito mais trabalho do que
02:06você pegar e guardar os brinquedos.
02:07Então, é porque as pessoas, às vezes, esquecem pra que que estão educando o filho.
02:12O filho não... Você não está educando o filho pra te servir.
02:15Você está servindo o filho.
02:16É um movimento ao contrário.
02:18Perfeito.
02:19Aspas.
02:20Muito complexo romantizar a solidão materna.
02:23Pouquíssimas são as mães solos que realmente conseguem viver bem.
02:27É.
02:27Um comentário num post que você falou sobre uma consulta com a Júlia Faria,
02:33onde vocês falam sobre como é difícil ser mãe solo.
02:36Sim, eu lembro dessa consulta.
02:38É porque, às vezes, as pessoas pensam que...
02:40Não vem a diferença entre romantizar e valorizar o que a gente conversou com a Júlia,
02:46que foi a minha experiência, e ela está passando pela mesma experiência,
02:50que muita coisa fica mais fácil quando você está solo.
02:53Não dá pra negar isso.
02:55É o ideal?
02:55É o perfeito?
02:56É o aconselhável?
02:57Não é.
02:57Mas é verdade que muita coisa fica mais fácil quando você está solo.
03:01É só as duas regras.
03:03Tudo fica do jeito que você quer...
03:06Não tem ninguém pra discordar, não tem que discutir com ninguém.
03:09Eu falo pros meus filhos, a chave do carro se guarda aqui,
03:11a chave do carro se guarda aqui.
03:14Eu não concordo com que eles coloquem o pé no sofá,
03:17só eu falando.
03:17Eles vão olhar só pra mim.
03:19Então, nesse sentido, pode ser bem mais fácil pra mim.
03:23No meu caso, foi muito mais fácil colocar a ordem nos meus filhos,
03:26porque não tinha aquela parceria, aquela discordância,
03:30de ter que chegar em um acordo.
03:32Depois tem outra coisa que é...
03:34Ela disse assim, a romantização da mais solo.
03:38Todas as mais...
03:40É verdade também que existe uma vitimização da mais solo.
03:44Só por ser mais solo, você acha que você não dá conta.
03:47E se você mesma acha que você não vai conseguir ter uma harmonia com os teus filhos,
03:52você não vai conseguir mesmo.
03:54Quando você se abre a essa possibilidade,
03:56a gente diz assim, não é por ser mais solo ou não mais solo,
03:59acompanhada ou não acompanhada,
04:01que eu vou poder ter uma relação leve e fluida com os meus filhos.
04:03Você consegue ter essa relação leve e fluida,
04:05sendo solo, acompanhada ou o que for.
04:08É uma tarefa tua, é uma responsabilidade tua,
04:10é uma conquista tua.
04:12Então, muitas vezes, a mais solo,
04:13você se sente vitimizada, você se sente...
04:17Mas por que você acha que é uma vitimização?
04:19Ela se coloca num lugar de vítima que, na verdade,
04:23ela não deveria estar?
04:24Você não vê que ela esteja...
04:25Eu acho que a sociedade inteira olha dessa forma,
04:28como assim, ser uma mais solo é um erro.
04:31Não é o ideal, não é o perfeito.
04:33Então, é algo que deu errado.
04:34Ela não deveria ter ficado sozinha,
04:36tomando conta de tudo com seus filhos.
04:38Só que isso não te impede de você ter uma maternidade leve.
04:42Se você trabalha a relação com os teus filhos,
04:44não é por ser solo ou não solo que você vai viver a maternidade leve ou não.
04:49Por exemplo, quando eu fiquei sozinha com os meus filhos,
04:51a Nara tinha três, a Tiana tinha nove,
04:54o Luan tinha 14.
04:56Os meus filhos não eram motivo do meu desgaste.
04:58Eu tinha dois empregos.
04:59Os meus filhos não eram motivo do meu desgaste.
05:02Porque a relação com ele estava fácil, leve.
05:04E ficou mais fácil ainda por aquela coisa.
05:06Eu falava, isso pode, isso não pode, isso vai aqui, isso vai assado.
05:10E ele seguia no meu comando.
05:11Então, não era o motivo da minha sobrecarga aos meus filhos.
05:17Você não fica às vezes receosa de saber que às vezes as mães se sentem mal ao ouvir isso,
05:26porque elas não conseguem executar dessa forma?
05:28Mas é bom se sentir mal.
05:29Pelo menos já sentiu alguma coisa.
05:31Porque o pior é você se conformar com aquela realidade,
05:36que foi o que, na verdade, foi a minha grande virada.
05:39quando eu vivia uma maternidade caótica,
05:42não me conformar com aquilo.
05:45Decir, ah, é uma fase, vai passar, está tudo certo.
05:48Porque quando você está conformada, você não consegue mudar.
05:51Então, quando eu falo alguma verdade dessas
05:55e cria um desconforto, já criou um desconforto.
05:59A gente não muda nada que estiver confortável.
06:01Tipo assim, tua casa está linda, maravilhosa, não tem motivo para fazer nada.
06:05Tem pingando água no teto, tem motivo para mudar alguma coisa.
06:09Então, quando há um desconforto, é um motivo para você mudar.
06:14Às vezes, algumas mães comentam assim, eu já ouvi isso falar,
06:18você me trouxe mais culpa.
06:20Não, eu não posso, eu não tenho esse poder todo.
06:23Se eu tivesse esse poder sobre as pessoas,
06:26então eu resolveria a maternidade de todo mundo,
06:28que esse é o meu maior desejo.
06:30Resolvemos, plim, a maternidade de todo mundo.
06:32O que pode, se acontecer, é que aquilo que você escolheu ouvir,
06:38que eu falei,
06:40resultou, levantou a culpa que você já está sentindo.
06:45Uma criança de 5 anos de idade,
06:47dizer que eu fiz um desenho e saiu errado,
06:50porque você me fez sair errado, faz sentido.
06:535 anos de idade, não tem responsabilidade nenhuma.
06:55Então, um adulto, dizer que alguém provocou um sentimento nele,
07:00você é livre desse sentido do jeito que você quiser.
07:03É algo dentro de você.
07:04Tipo assim, você pode me olhar com a cara do que você quiser,
07:07que eu vou me sentir do jeito que eu quiser.
07:10E eu posso até escolher de que jeito eu quero me sentir.
07:12É tanta liberdade, é tanto poder que a gente tem dentro da gente,
07:15que, às vezes, quando a gente não assume esse poder,
07:20fica se vitimizando e colocando essa responsabilidade nos outros,
07:24que era o que eu fazia com o meu filho.
07:27Colocava responsabilidade no meu filho.
07:28A minha maternidade não está legal,
07:30porque eu tenho um filho que não obedece,
07:32porque ele não é fácil.
07:34Enquanto você coloca a responsabilidade fora de você,
07:37daquilo que você está sentindo,
07:40jamais uma palavra minha vai ser colocar culpa em uma mãe.
07:43Mas você está se sentindo culpada.
07:45Quando você assume a responsabilidade do que você está sentindo
07:49e para de botar a culpa no mundo fora de você,
07:52só ali você pode resolver esse sentimento.
07:55Aí você ganha a liberdade,
07:56porque responsabilidade e liberdade vão juntas.
08:01Aspas.
08:02Não concordo.
08:04Eu sou mãe e a melhor amiga da minha filha e do meu filho.
08:08É um comentário sobre uma live onde você disse
08:10que a mãe não tem que ser amiga dos filhos.
08:13Sim.
08:13Porque se ela deixaria de ser mãe.
08:15É, porque ser amiga é ser amiga,
08:17ser tia é ser tia,
08:18ser pai é ser pai,
08:19ser mãe é ser mãe,
08:20ser vovô é ser vovô,
08:21ser filho é ser filho.
08:22São lugares diferentes.
08:25Tipo assim, você é a filha da tua mãe,
08:26você quer ser a mãe da tua mãe.
08:29Sai do lugar certo das coisas,
08:31assim, ser amiga é ser amiga,
08:33ser mãe é ser mãe.
08:34só que isso não significa que você não deva ser uma mãe disponível,
08:38acessível,
08:39uma mãe aberta,
08:41a ouvir, a comunicar.
08:42Eu acho que os papéis mudam também de acordo com a base da vida,
08:49quer dizer,
08:49você não vai conseguir talvez...
08:51Talvez,
08:52talvez.
08:52Mas você continua sendo tua.
08:54Perfeito.
08:54Você vai ser uma filha cuidando da mãe.
08:57Mas aí é mais uma nomenclatura,
08:59porque a função é exatamente a oposta.
09:01Provavelmente eu vou querer fazer e servi-la como hoje eu faço para o meu filho.
09:06Sim,
09:06mas continua sendo tua mãe,
09:08não virou tua filha.
09:09Mas aí não tem muito mais a ver com qual papel você está desempenhando,
09:13entende?
09:14É só o nome,
09:15é só o nome.
09:16Ah,
09:16ela continua sendo a minha mãe,
09:17mas o papel que você está exercendo é um papel diferente.
09:21Talvez agora que eu sou uma mulher adulta,
09:25minha mãe tem menos interferência,
09:26né,
09:28nas decisões que eu tenho no meu dia a dia.
09:31Ela tem um papel mais próximo do que seria um papel de amiga,
09:34a função.
09:35Mas a função é diferente.
09:37Você tem uma mãe velhinha que depende de você,
09:40ela não é teu filho,
09:40você não está educando tua mãe.
09:42Mas você está cuidando.
09:43Você está cuidando da tua mãe velhinha.
09:46Não é a mesma coisa que cuidar uma criança de 3 anos de idade,
09:49que você está educando,
09:49que você está formando.
09:50Pelo contrário,
09:51você está se despedindo da tua mãe.
09:52Sim.
09:53O teu filho você está dando a boa vida.
09:54A tua mãe você está despedindo.
09:56Eu entendo que essa confusão vem do quê?
09:58Das mães pensarem que tem que ser amiga da filha
10:02para ter uma comunicação,
10:04para ter uma parceria.
10:06Eu, por exemplo,
10:07tenho uma comunicação muito boa com minhas filhas,
10:10mas está muito certo de quem é o lugar de quem.
10:13Por exemplo,
10:15a minha filha não vai falar comigo do jeito que fala com a amiga dela.
10:19Até coisas que ela fala com a amiga dela,
10:21segredos que ela tem com a amiga dela,
10:23é para ter com a amiga dela,
10:24não é para ter comigo.
10:25Eu sou a mãe.
10:27se eu me colocar no lugar de amiga,
10:29eu abandono o lugar de mãe,
10:31a minha filha fica órfã.
10:33Certo.
10:33Ela precisa que eu esteja no meu papel.
10:36E que seja eu a pessoa que vai dizer a ela,
10:39ei, desse jeito você não fala.
10:41Amiga,
10:42não vai educar,
10:43não vai dizer,
10:43ei, desse jeito você não fala.
10:45Então,
10:46aí que mora o perigo escondido.
10:47Mas que eu entendo de onde vem a necessidade da mãe dizer assim,
10:51eu sou muito amiga da minha filha.
10:53Na verdade,
10:54o que ela quer dizer é que ela é disponível.
10:57E que ela é uma mãe acessível.
11:00E isso é muito importante.
11:01Ter uma boa comunicação,
11:04acolher,
11:04aceitar,
11:05conversar de tudo com a tua filha.
11:08Aspas,
11:09casa de ferreiro,
11:10espeito de pau.
11:11Queria ver se os filhos da Ivana são essa perfeição toda.
11:14Será que são bem educados?
11:15Eu estava falando disso.
11:16Eu sou a favor de um reality
11:18para a gente conhecer os filhos de Ivana
11:20para ver que tipo de ser humano eles se tornaram.
11:22É tão difícil de acreditar
11:25que é mais fácil duvidar do que acreditar.
11:29Eu acho que vem um pouco,
11:31talvez,
11:31de um lugar de...
11:35Como as pessoas veem a sua fluidez,
11:38a forma de falar
11:39e tudo fica parecendo mais simples.
11:41Claro.
11:41Porque provavelmente é.
11:42É simples para mim.
11:43É simples para você
11:44e provavelmente dá para chegar
11:46nesse lugar.
11:47Fica todo mundo falando
11:47não é possível que então...
11:49E é esse lugar da dor
11:51que a gente estava discutindo
11:52um pouco em relação
11:52à culpa materna,
11:54que é...
11:54Pô,
11:55por que eu não consigo?
11:56Por que eu não estou
11:58conseguindo desempenhar isso?
11:59Será que ela nunca errou então?
12:01Será que ela não erra?
12:02Será que em nenhum momento
12:03da vida dela
12:04ela para e fala
12:04gente,
12:06me deixa em paz?
12:06Eu não consigo contando
12:07os meus erros,
12:08os erros que eu tive,
12:10assim,
12:10de bater no meu filho
12:11até o seu tono de idade.
12:13Mas hoje,
12:14você chegou a um lugar
12:15de não errar mais,
12:16você acha?
12:17Ou você continua errando?
12:18É que aí que está o problema.
12:20A gente acha
12:21que a maternidade
12:23fica perfeita
12:24quando não acontecem problemas.
12:26E na verdade,
12:26não é isso que acontece,
12:27porque a vida é um problema
12:28constante,
12:29o tempo inteiro.
12:30É isso que acontece,
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