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No Em Off desta semana, Mari Cantarelli recebe Ivana Jauregui, educadora e influenciadora especializada no tema maternidade. Ivana posta diariamente inúmeros vídeos onde responde a todo tipo de dúvidas sobre a dificuldade de ser mãe nos dias atuais, os dilemas e conflitos envolvendo pais e filhos. A conversa é bem leve e divertida e vai agradar a todos os públicos.

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Diversão
Transcrição
00:04Uma mãe me falou várias, me falaram, ah, eu, por exemplo, a técnica que eu passo de resolução de conflito,
00:09eu fiz e não deu certo.
00:11Me conto o que você fez, sempre fez alguma coisa errada.
00:14Ai, eu sempre choro.
00:16Aê, apresentadora Jornal de novo, pelo mesmo assunto de sempre, hein? Vamos fazer um compilado depois pra internet.
00:21Uma emoção linda.
00:23Você já aprendeu a falar uma vez pra que o seu filho te obedeça?
00:27Você quer ser mãe do meu filho?
00:28Eu quero, isso tem o pior, eu quero.
00:31Ivana Haureg.
00:43Aprenda a falar uma vez e que seu filho te obedeça.
00:46Essa frase inacreditável é seguida como lei pela nossa convidada de hoje.
00:51Especialista em maternidade consciente, ela ajuda milhões de mães a viverem uma maternidade plena.
00:57Hoje comigo no E-Off, a educadora Ivana Haureg.
01:01Seja muito bem-vinda, Ivana.
01:03Eu falei.
01:03O seu sobrenome se pronuncia Haureg.
01:06Haureg.
01:07Eu quero começar perguntando sobre a Ivana, para além dessa assumidade que nos ensina todos os dias a cuidar dos
01:13nossos filhos de uma maneira melhor.
01:14Quem é você, Ivana?
01:16A Ivana é uma apaixonada por criança, por educação a vida inteira.
01:21Eu cresci numa escolinha que a minha mãe colocou dentro da nossa casa, lá no Uruguai.
01:26Quando eu tinha um aninho de idade, minha mãe abriu uma escolinha na sala da nossa casa.
01:30Então, para mim, estar em contato com crianças, participar de reuniões de mães, pais, psicólogos, é o quintal da minha
01:39casa.
01:40É o mais natural.
01:41Quando eu tinha nove anos de idade, a minha mãe precisava de ajuda na escolinha dela e ela me chamou
01:49para ser uma auxiliar.
01:50Então, eu comecei a trabalhar na escolinha dela, como auxiliar de apoio dela, com nove anos de idade.
01:56A partir daí, a minha vida sempre foi criança.
02:01Você acha que isso foi bom para você? Você começava a trabalhar tão cedo?
02:07Ou foi excepcionalmente bom porque era uma questão específica de lidar com criança?
02:11Eu nasci no lugar certo, na hora certa, com a família certa, nas condições certas.
02:16Essa é certeza absoluta para mim.
02:18Porque eu nunca vivi, até hoje, eu nunca vivi o cuidado das crianças com um peso.
02:27Para mim, sempre foi um grande prazer estar com as crianças.
02:30Então, o que eu tive? Um laboratório, um estudo, uma universidade dentro da minha casa, desde que eu nasci.
02:37E como é que você veio parar no Brasil?
02:39Me apaixonei por um brasileiro.
02:41É sério? Sempre tem um boy!
02:45Sempre tem!
02:47E aí, os seus filhos são filhos desse brasileiro?
02:50São brasileiros, é. Eles nasceram tudo na Bahia. É tudo baiano.
02:54Mas aí você veio para cá para conhecer o Brasil?
02:57Não, ele que...
02:58Ou ele estava lá?
02:59É, a gente se conheceu lá no Uruguai e se apaixonou e depois de um tempo eu vim para cá.
03:05E aí você se casou com ele aqui no Brasil?
03:07Eu já sei com ele, tive filho.
03:07E você já está aqui no Brasil há vinte e poucos anos.
03:10Vinte e cinco anos.
03:12Agora, Ivana, você foi criada com as mesmas regras, com os mesmos métodos e técnicas que você ensina hoje?
03:20Ou as coisas mudaram um pouco?
03:22Não. Eu fui criada por uma mãe acessível.
03:26Era fácil conversar com minha mãe, comunicar com ela, uma mãe presente.
03:30Mas eu fui criada com, para meu gosto, com demasiada liberdade.
03:35Como assim?
03:36Uma mãe bastante permissiva.
03:38Você tem irmãos?
03:39Eu tenho... Tenho que contar eles. Tenho três, quatro, cinco irmãos.
03:45Vamos dar um prêmio para uma mãe de cinco filhos.
03:47Não, mas são três. Na verdade, são três irmãs. A minha irmã mais velha e eu e a minha irmã
03:53gêmea.
03:54Filhas do meu pai e da minha mãe.
03:56Você tem uma gêmea?
03:57Idêntica.
03:58Idêntica, idêntica.
03:59Somos filhas do meu pai e da minha mãe.
04:01Aí eles separaram e tiveram... Meu pai teve mais dois filhos e minha mãe teve mais um, então.
04:06Tá.
04:07Então são duas mães.
04:07De convivência mesmo, são minhas duas irmãs e o casulo que nasceu depois.
04:12E em que sentido você acha que ela foi permissiva, talvez, demais com você?
04:15Eu acho que na minha família faltou... Como não tinha o pai, faltou essa coisa mais de regra, de rotina,
04:24de autoridade mesmo.
04:26Mas não tinha o pai porque ele morreu, não estava, você se abandonou?
04:30Ele foi um pai bastante ausente.
04:32Eles se separaram. Meu pai montou sua família, sua história e ficou bastante ausente para a gente.
04:37Então a gente foi quase praticamente educada só pela minha mãe.
04:41E assim, a minha mãe sempre foi muito compreensiva, muito acessível, um pensamento muito moderno de acompanhar a gente mesmo.
04:50Isso foi assim, maravilhoso.
04:52Minha casa era aquela casa que toda, sobretudo na adolescência, todas as amigas querem ficar na minha casa porque a
04:58minha mãe compreende, não julga.
05:00Ela é, minha mãe é surreal e é educadora desde a vida inteira também.
05:04A minha mãe também era assim. Minhas amigas adoravam ir, contavam a vida toda, era uma coisa assim de acolhimento
05:10também.
05:11Eu sinto que para mim, particularmente, faltou aquela coisa do pai falar, sabe, aquela autoridade mais presente do pai de
05:19falar para mim,
05:20não, você agora vai estudar, você agora vai fazer aquilo, uma direção maior assim.
05:25Mas só se eu for reclamar mesmo, porque eu tive uma infância linda, feliz.
05:29Como era, Ivana, criança?
05:32Eu cresci, minha mãe conta, né, porque a gente não sabe muito bem como a gente era, mas ela diz
05:38que eu era tímida, bem introvertida assim.
05:42Eu lembro de eu ficar sempre observando nos cantinhos, observando.
05:47Eu tenho uma irmã gêmea e a gente cresceu juntas, isso me dava muita força, muito apoio, com aquela personalidade
05:54mais tímida.
05:55E a gente cresceu num povoado que era na natureza, no bosque e muito seguro.
06:00Então a gente cresceu solta, completamente solta, livre e solta.
06:04E por ser duas, a minha mãe liberava mais ainda, porque a gente estava sempre junto, vamos juntas para todos
06:09os lugares.
06:09E isso dava tranquilidade para ela.
06:11Então a minha adolescência foi maravilhosa, tipo de passar o dia com amigos, surfando, andando de bicicleta, sei lá.
06:20E isso dava na sua casa, na sua mãe que ensinava vocês.
06:25Como é que é ter irmão gêmeo, né?
06:27É maravilhoso.
06:27Como é que para crianças, como é que era?
06:30Porque isso é uma coisa, né, dos gêmeos, assim.
06:32Você tem uma pessoa, ela é idêntica a você?
06:34Idêntica.
06:35Tem uma coisa, né? Tem uma outra pessoa que é igual a mim.
06:37É um sentimento que só gêmeos sentem, porque não se compara com nada.
06:43É um amor, é uma conexão, é algo assim.
06:46Eu tenho outros irmãos e é muito diferente.
06:50O sentimento, a conexão pelos irmãos é outro tipo de amor.
06:54A minha irmã gêmea, ela é como se fosse eu em outro corpo, tipo isso, sabe?
07:00E a gente tem essa conexão de gêmeo que todo mundo fala, tipo...
07:04Às vezes eu tô, sei lá, eu sinto uma angústia e não tá acontecendo nada comigo, não sei o que
07:08que é.
07:09Eu ligo pra minha irmã, tá acontecendo alguma coisa com ela.
07:11Tipo, tem essa coisa assim de conexão além do físico, assim, impressionante.
07:17Que loucura.
07:18É.
07:18Agora, você tem três filhos?
07:20Eu tenho três.
07:21Seus filhos são já crescidos?
07:23Crescidos.
07:24Luan tá com 25, 25.
07:27A Tiana tá com 20 e a Narayama tá com... vai fazer 15 agora.
07:31Acaba o trabalho de mãe ou ele ainda perdura mesmo com os filhos crescidos, adultos?
07:37Vai curando a dependência, que é a mão de obra da mãe, né?
07:41Aquela coisa de levar atrás, fazer sanduíche, sei lá.
07:45Vai curando a sua dependência de cuidar deles ou a dependência deles em relação a você?
07:49Vai curando a dependência deles em relação a mim.
07:52Hoje eu tenho filhos que quase que não precisam de mim.
07:56Pelo contrário, eles que resolvem.
07:58Almoço, faz, leva, traz, liga pro moço que vai cortar grama, sei lá.
08:02São adultos funcionais.
08:04Então, vai curando essa dependência, mas...
08:09Acho que fica aquela conexão de mãe, tipo assim.
08:13Aquela coisa que as mães sentimos de...
08:15Eu nunca mais vou dormir de verdade 100% desligada.
08:20Estou sempre ligada nos meus filhos, se algum fica...
08:22Até hoje?
08:22Até hoje.
08:24Algum deles é casado já?
08:26Não.
08:27Ainda não.
08:28Você está aguardando para ser avó.
08:30A minha mãe ama, já tem que falar que ela...
08:33Manda o meu beijo, fala que eu sou fã, então já estou falando.
08:36Meu sonho já, que eu já tenho filhos e que eu trabalho do que eu amo a vida inteira,
08:41eu já conquistei...
08:42Meu próximo sonho, que não foi realizado ainda, é ser vovó.
08:47Vai ter, deve ter escola para vós.
08:48Estou só esperando os cursos.
08:51Total, total.
08:52E meus filhos, assim, me perdoem, mas rola uma certa pressão.
08:56Mas vocês não têm muita opção, tá?
08:58Você entende quem não quer ter filho?
09:01Quem não quer ter filho?
09:03É, quem decide, não quero, não quero ter filho.
09:05Ou você é do time de falar, poxa, repense.
09:08Eu sou do time de que cada um tem que...
09:10Tudo bem não querer.
09:12Assim, quem deita no teu travesseiro, com tua consciência, é só você.
09:16Então, vive a vida 100% com sentido para você.
09:20Esse time sou eu.
09:21Agora, ficar falando o que a pessoa precisa ou não precisa, fazer da vida dela?
09:25Você, quando seus filhos eram pequenos, você tinha uma Ivana?
09:28Você tinha alguém que te ajudava com esses aconselhamentos?
09:31Você tinha onde buscar recursos para desenvolver o que você desenvolveu?
09:36Ou foi uma coisa meio intuitiva, um pouco do contexto ali da sua família?
09:40Foi uma coisa de sobrevivência, de desespero.
09:42Porque eu sonhei com ser mãe a minha vida inteira.
09:45Eu era aquela criança que brincava de mamar, bonequinha.
09:49Tipo, era meu sonho.
09:51Aí, quando nasceu meu primeiro filho,
09:53os dois primeiros anos de vida foi o paraíso na Terra.
09:56Porque eu tinha um bebê, aquele sonho.
09:58Quando o menino começou a ter personalidade, fazer birra, essas coisas todas,
10:02eu me perdi.
10:04Eu não sabia como lidar com ele.
10:06Se perdeu como?
10:07Batia nele, gritava, xingava.
10:10Aquele menino não tinha limite nenhum.
10:11Era o terror, aquele era um caos.
10:14Você chegou a falar, meu, o que eu fiz da minha vida?
10:16Ser mãe não era tão legal quanto eu imaginava?
10:19Eu posso dizer assim, eu nunca me arrependi de ter sido mãe,
10:23porque era meu sonho a vida inteira.
10:25Mas, eu sim pensei assim, quase me arrependi, quase pensei assim.
10:29Caramba, mas era um sentimento tão ruim, sabe?
10:33Chegava a noite, eu estava tão frustrada.
10:35Eu estava tão frustrada comigo mesma.
10:37Eu não gostava de ser eu.
10:39Eu não gostava de a mãe que tinha me tornado.
10:42Era uma decepção para mim.
10:43Então, chegava a noite, eu estava exausta.
10:46Não aguentava mais o filho, o marido maravilhoso que eu vim para o Brasil atrás dele.
10:52Eu não aguentava mais ele.
10:52Eu não aguentava mais...
10:53Eu morava na Bahia, em um paraíso.
10:55Não aguentava o paraíso da Bahia.
10:57Eu estava...
10:58Eu me sentia muito frustrada.
11:00E, assim, foram...
11:02Dos dois anos de idade dele até os oito, foram seis anos de busca.
11:06Eu busquei incansavelmente por respostas.
11:10Eu não tive alguém que me dissesse,
11:14Olha, está fazendo isso errado, faz aquilo.
11:17Mas você buscava uma resposta de
11:18Por que eu estou infeliz, eu queria tanto ser mãe, eu não estou tão frustrada?
11:22Ou você buscava respostas porque você já tinha alguma coisa que falava
11:26Eu estou fazendo alguma coisa?
11:27Para mim, não, não sabia que era eu.
11:29Para mim, estava claro que meu filho tinha algum problema.
11:32Então, eu estava buscando alguém que me dissesse como lidar com meu filho,
11:35porque ele é difícil, porque ele enfrenta, tem um temperamento terrível.
11:39Então, eu estava à procura de alguém que me dissesse o que fazer com ele.
11:43Então, eu era psicólogo.
11:44Eu procurei escolas, educação.
11:46Eu viajei por muitos países, desesperadamente, à busca, à procura de uma solução, uma luizinha.
11:52Até que no Equador foi que eu encontrei uma moça que trabalhava em uma escola,
11:57com uma pedagogia assim, mais livre.
12:00Ela me disse assim, ó, não dê doce para o teu filho.
12:03Para mim, aquilo, eu não sabia.
12:05Ela me disse, e não bote ele de castigo.
12:08Aí, ela me disse, só que ela me disse o que não fazer,
12:12mas ela não me disse como fazer.
12:14Mas ela já me acendeu uma luzinha.
12:15Falei, ah, talvez realmente seja eu que estou fazendo alguma coisa errada.
12:20o jeito que eu estou lidando com ele, que está errado.
12:23E não é que meu filho tem um problema e ele está errado.
12:26Então, eu fui perceber de verdade que, na verdade, se tratava de mim,
12:31que era eu que estava lidando com o jeito errado,
12:34do jeito errado com uma criança de temperamento forte.
12:37Eu não estava sabendo lidar com ele.
12:38Por isso ele respondia dessa forma.
12:40Quando ele tinha oito anos de idade.
12:42Foi quando eu lembro o dia que eu fiz o clique, que eu fiz a virada.
12:46Foi tarde demais, você acha?
12:48Não foi tarde demais, porque, assim, eu respeito muito o processo e o momento de cada um.
12:54Como assim vou achar que foi tarde demais ganhar consciência?
12:57Tipo, daqui a dez anos vou estar muito mais consciente que hoje,
13:01se eu continuar evoluindo.
13:02Então, eu tenho muito respeito pelo momento de percepção e de despertar de cada um.
13:08Agora, ele tem sequelas até hoje?
13:11Tem.
13:11Por exemplo, até os oito anos de idade, ele apanhou.
13:15Mas que tipo de sequela?
13:17Por exemplo, para ele, e agora com 25 anos de idade, é um trabalho que cabe a ele.
13:23Eu não posso já fazer muita coisa por ele, mas, por exemplo,
13:27e muita coisa foi revertida, porque eu mudei quando ele tinha oito anos de idade, né?
13:30Mas, por exemplo, eu vejo que ele tem uma certa dificuldade em confiar nas pessoas.
13:36Por quê?
13:36Claro, o menino estava ali com a mãe, do lado, e a mãe não colocava um limite,
13:40não assumia seu... não dirigia a ele, não...
13:43Então, para ele, tipo, adulto, não tem muito valor.
13:48Então, por exemplo, eu vejo ele batalhando para poder admirar alguém,
13:53para poder botar aquela distância, se inspirar em alguém,
13:56porque aquela referência de criança que sonha com ser aquele adulto que ele tem na frente,
14:01ele não tinha, porque ele tinha uma mãe quase que ao nível dele, perguntando,
14:04Filho, você quer me obedecer, por favor?
14:07Tipo, era quase isso, entende?
14:09Então, o que aconteceu com as mães da minha geração, por exemplo?
14:13Você teve culpa?
14:15Quando você teve seus filhos, quando você estava nesse momento, ou um pouco depois?
14:20Eu senti culpa quando eu estava fazendo tudo errado.
14:24Toda noite.
14:24Quando você descobriu?
14:25Ah, até os oito você sentiu a culpa?
14:28É.
14:29Toda noite eu sentia a culpa.
14:30Era horrível aquela sensação de, caramba, não está dando certo.
14:33Porque o meu sentimento era realmente, eu quero me livrar disso.
14:38Tipo, amo meu filho, mas não aguento ele.
14:41Isso.
14:42Então, aquilo me remoía por dentro.
14:43Como assim amo meu filho?
14:44Era uma dualidade, amo meu filho, mas eu não suporto ele.
14:47E eu quero ser uma mãe boa para ele, mas eu explodo e acabo batendo nele.
14:52E aquilo era um...
14:54Era horrível aquele, era um liquidificador de culpa.
14:58A minha culpa começou a passar no momento em que eu percebi que eu precisava mudar.
15:04E isso é uma coisa que eu sempre falo para as mães hoje.
15:07Que eu tenho um momento de toma de consciência, seja para você melhorar, não para você se culpar.
15:12Tipo assim, oito anos de idade eu percebi que eu estava fazendo tudo errado.
15:16Ah, então eu não vou me culpar porque eu percebi só agora.
15:19Para que eu quero então perceber as coisas se não é para fazer diferente?
15:23No momento em que eu comecei a mudar e assim, a minha grande mudança foi em uma semana.
15:30Que eu falei assim, percebi, então agora por essa semana eu vou mudar o meu comportamento.
15:35Vou me comportar com ele de uma forma diferente.
15:38E nessa semana eu já vi resultados.
15:41A partir daí eu virei empolgadíssima da vida de ganhar consciência e perceber os meus erros.
15:47Porque enquanto eu não percebia os meus erros, eu vivia o problema.
15:52Quando eu percebo os meus erros, eu vivo a solução.
15:56E é muito empolgante.
15:58Continuando um pouco a minha pergunta, o que você acha que aconteceu com a minha geração, acho,
16:03de, vamos dizer, os milênios aí, quando se tornaram pais?
16:07Eu acho que tem uma diferença grande da forma como as crianças eram criadas quando eu fui criada
16:14e como, e as discussões, os debates e a forma como as crianças estão sendo criadas hoje.
16:21Você concorda com isso?
16:22Sim, totalmente.
16:24E o que aconteceu com a minha geração?
16:25Que todo mundo ficou culpado, desesperado, infeliz.
16:30O que aconteceu?
16:31Eu acho que eu sou muito apaixonada pela nossa geração, porque acho que a nossa geração
16:36ela está despertando para uma nova consciência em relação às crianças.
16:41Está validando a criança, querendo respeitar ela, defendendo os direitos da criança.
16:47Antes a criança apanhava e era isso mesmo, a criança cala a boca, engole o choro, a criança não tem
16:51querer.
16:52E a gente cresceu ouvindo isso.
16:54Isso.
16:54Então, hoje há um movimento de despertar dessa consciência.
16:58Caramba, vamos respeitar a mulher, vamos respeitar os direitos humanos, vamos respeitar os direitos da criança.
17:04A criança não precisa de nada disso.
17:06Ela é um ser humano que merece ser tratada com o mesmo respeito de qualquer outro ser humano.
17:11O problema é que a nossa geração, ela vem muito ferida.
17:16No mesmo tempo que está despertando para um respeito, está despertando para um respeito por quê?
17:20Porque viveu muita falta de respeito.
17:21Então, vem muito ferida, cala a boca, engole o choro, criança não tem querer, tipo, autoritarismo, violência.
17:29Vem de uma ferida.
17:30E o que está, a confusão que está acontecendo?
17:32A gente quer respeitar os nossos filhos, mas não tem referência de como fazer.
17:38A referência que temos hoje em dia por aí de educação mais respeitosa, na prática, não dá certo.
17:45Explica, vá, negocia, combina.
17:47Não tem como.
17:48Aquilo é inviável.
17:50Você acaba gastando um monte de energia e explodindo do mesmo jeito.
17:55Se teu filho for teimoso, então, explica, negocia, combina o menino e diz, não vou, não vou, não vou, não
18:00vou.
18:00Chegou uma hora que você explode e volta para aquilo que você não queria repetir.
18:05Então, não temos uma referência clara de como fazer, porque é algo novo também.
18:10Como educar os filhos com respeito, sem violência, mas que funcione.
18:14E então, a gente faz o quê?
18:16A gente ou usa o recurso do autoritarismo, explode, grita e bate no filho, como você aprendeu a vida inteira
18:21que um adulto tem que lidar com o seu filho.
18:23Ou você vai para o outro extremo.
18:27Se a minha mãe não me escutava, eu vou escutar tudo que meu filho falava.
18:30Porque com meu filho eu vou fazer tudo diferente.
18:32Eu não sei o que eu vou fazer, mas vai ser diferente.
18:34Se a minha mãe falava, engole o choro, meu filho vai chorar no meio do shopping, berrando, incomodando todo mundo,
18:41mas ele está estressando o que ela sente.
18:43Se a minha mãe não me deixava opinar, não me dava escolha, meu filho, eu vou perguntar o que você
18:48quer, filho.
18:49Como?
18:51Então, adultos feridos que estão educando os seus filhos através da reação da sua ferida.
18:58Nunca a reação de uma dor vai ser o equilíbrio para alguém.
19:03Só que eu confio muito na nossa geração e eu acho que essa reação faz parte também.
19:08Porque já tem muita gente percebendo que essa reação não dá certo.
19:12A gente tem ali uma geração de crianças caóticas, incapazes de lidar com coisas normais da vida, como uma frustração,
19:20um limite, não pode.
19:23Incapazes de respeitar um professor dentro de uma sala de aula.
19:26Então, já dá para ver que essa reação não está dando certo.
19:29Então, rapidamente as pessoas estão buscando o meio do caminho.
19:33O que você pensa sobre esse contexto que você comentou agora, né?
19:40Dessas crianças que já são agora mais adolescentes e tal, e que foram criadas talvez com ou muita permissividade, ou
19:47porque também o mundo está tão...
19:49A gente vive um contexto muito grave em relação à saúde das nossas crianças, principalmente por conta do acesso à
19:56internet, inteligência artificial e etc.
20:01Onde é que está o remédio? O que os pais de adolescentes, quem não teve uma Ivana ali, que descobriu
20:07você agora mais recentemente,
20:08outras pessoas que como você também são porta-vozes dessas mensagens.
20:14Como é que a gente tenta mudar um pouco esse contexto para que não virem adultos que saem matando as
20:22mulheres porque não sabem ouvir um não?
20:24E a gente toda semana tem um jovem cometendo algum feminicídio, arrastando a mulher no asfalto porque não consegue ouvir
20:34um não.
20:36A gente tem que se tocar que dar para o teu filho tudo o que você não teve não é
20:42o que teu filho precisa.
20:44Quem precisa ter tudo o que não teve é você.
20:47Então, se tua mãe não te escutava, se escute.
20:49Se tua mãe não te respeitava, se respeite.
20:52Se você não tinha voz, agora fale.
20:55Dê para você aquilo que você não teve, para o teu filho dê a educação que ele precisa,
20:59que não é a negação das bases que a tua mãe e teu pai te deram.
21:04Porque regras, ordem, limites, autoridade, a criança precisa disso.
21:09A criança tem um cérebro completamente livre, sem estrutura.
21:15O papel de estruturar a mente da criança, ensinar o que pode e o que não pode, é teu.
21:20Na medida em que o cérebro dela vai amadurecendo e também você vai orientando, vai guiando.
21:26Pode, não pode, vai dando noção para a criança.
21:29Se a gente vai querer educar os nossos filhos pela nossa dor,
21:33ai, minha mãe foi tão dura que eu não vou fazer isso com meu filho.
21:37Ai, não vou colocar limite porque para mim foi tão doído.
21:40Nossa, na minha casa eu tinha que fazer tudo, meu filho não vai fazer nada,
21:44porque eu tenho condições para ele não fazer nada.
21:47Então, o que está acontecendo é crianças mimadas, sem limites nenhum,
21:52sem participação de nada, sem necessidade nem, tipo assim, guardar um brinquedo.
22:00Que não sabem lidar com frustração e ainda por cima ficam o dia inteiro nas telas.
22:06Porque países mais ausentes também.
22:08Porque é muito mais confortável você estar esperando ali em um restaurante a comida
22:12com teu filho de 3 anos de idade que está com fome e que não sabe esperar.
22:17E em lugar de você deixar ele passar pelo processo da aprendizagem,
22:21de que realmente às vezes a gente quer algo logo e não vai aparecer logo.
22:26E aquilo é agoniante para uma criança.
22:29Em lugar de você deixar ele passar pelas experiências que estão ensinando,
22:33preparando ele para a vida, porque ele está se adaptando à vida,
22:37ele não sabe, você coloca telas.
22:41Porque é mais fácil.
22:42Ele fica lá.
22:44O seu de 15...
22:45O menino ou uma menina é o de 15?
22:47Menina.
22:48Menina.
22:48A Nara.
22:49Eu fico pensando muito em como vai ser criar os meninos, né?
22:53O que a gente tem que mudar na forma de criar os nossos meninos
22:56para tentar mudar um pouco a realidade que a gente tem.
22:59Eu tenho uma enteada também, né?
23:00Que tem 12 anos, que é uma menina.
23:02E a gente sempre teve essa preocupação de...
23:06Nossa, a coisa é tão mais difícil para as mulheres e tal.
23:09E eu acho que agora também a gente começa a pensar...
23:12Poxa, a gente tem que mudar a forma como os homens vão se portar,
23:18porque a gente precisa apresentar para eles uma possibilidade de existência desejável
23:22que não seja oprimindo os outros.
23:25Ao mesmo tempo, você tem a cultura toda e a gente não consegue blindar os nossos filhos
23:29de terem interferências para além das nossas.
23:32A gente até falou um pouco do exemplo ali do pai.
23:35Às vezes o pai...
23:36Você tem dificuldade de deixar o pai fazer o papel dele, reagir do jeito dele,
23:41e dar o espaço, principalmente quando é pequeno, né?
23:43Você quer controlar tudo e você vai perdendo esse controle.
23:48Como é que faz para criar um adolescente quando você já não é mais, né?
23:52A única pessoa que está influenciando, você não consegue mais blindar tanto,
23:57tem muita coisa de fora, tem internet, tem perigos tantos.
24:04Sim, por isso é uma coisa que as mães têm muito hoje,
24:07querem salvar o seu filho das dores do crescimento.
24:10Não deveríamos educar um filho blindado das dores do crescimento,
24:17evitando que ele passe por uma frustração,
24:19evitando que ele lave um tênis, que arrume um negócio,
24:23que guarde um brinquedo, que carregue umas compras,
24:25evitando, evitando, evitando, porque eu quero fazer o meu filho feliz.
24:30E, de novo, o grande tempo do tempo de desenvolvimento,
24:35o tempo que eles precisam para se desenvolver,
24:36que a infância é curta, então ela é intensa,
24:39tem muito o que aprender em pouco tempo,
24:41eles estão distraídos nas telas, perdendo tempo para se desenvolver.
24:46Então, quando você educa um filho assim, dessa forma,
24:51evitando que ele entre em contato com a vida e com os problemas reais da vida,
24:56ah, meu filho tem um desejo, ele quer muito aquele brinquedo,
24:59prima logo aparece o brinquedo, o papai noel, o aniversário,
25:03porque como quando eu era criança desechei muito as coisas
25:06e minha mãe não podia, agora que eu posso, eu vou me dar esse gosto
25:10e eu vou comprar as coisas para o meu filho.
25:12Por exemplo, você acha que está fazendo bem?
25:14Vamos continuar a nossa conversa.
25:16Seus filhos são todos filhos do mesmo pai?
25:18Não.
25:19Não?
25:19Os dois mais velhos são de um pai e a caçula de outro pai.
25:23Ah, e você, ainda assim, você criou todos eles sozinha
25:27ou você teve mais ajuda?
25:30Eu criei, na verdade, eu criei todos, primeiro os dois mais velhos com o pai,
25:35aí eu separei e logo casei com o segundo marido.
25:39E é casada ainda?
25:40Não, não, não.
25:42E aí eu criei sozinha, não, eu criei com padrastro, né?
25:45Tivemos a terceira filha e ele assumiu os dois também como padrastro.
25:51Aí depois, quando eu fiquei sozinha, mas solo mesmo, que eu separei de novo,
25:56tinha a... o Luan tinha 14, a Tiana tinha 9 e a Nara tinha 3.
26:02Aí eu... daí eu peguei...
26:04Três, três é...
26:05Três anos de idade.
26:06Mas foi ótimo, maravilhoso.
26:08Porque eu já tava... eu já sabia o que eu tava fazendo.
26:12Bom, no terceiro... a gente aprende, em algum momento a gente aprende.
26:15Não é por causa do... porque tem mais que vivem o terror com um filho, ou com dois filhos, ou
26:22com cinco filhos.
26:23Não é o filho que vai te fazer aprender a lidar com uma birra, aprender...
26:28É buscar mesmo o entendimento.
26:30A gente precisa entender o que tá acontecendo na cabeça da criança.
26:34Você acha que a separação em algum lugar foi traumática pros seus filhos?
26:40Tem algum efeito que você teve que se adaptar ou trazer pra eles uma realidade que às vezes pode não
26:47ser fácil pra eles e orientar também nesse caminho?
26:51Ou foi... foram separações tranquilas?
26:54Ah, sim. Foram separações bastante tranquilas.
26:56A primeira foi bem tranquila.
26:58A segunda, mais conturbada, mas foi.
27:01Eu não vou dizer que pra eles foi maravilhoso, porque não foi.
27:04Nenhuma criança quer que o pai a mãe se separe.
27:07E depois o segundo casamento, eles também, os dois mais velhos, eles amavam, tipo assim, era o padrasto que assumia.
27:15Então, nunca uma separação é o ideal pra uma criança.
27:19Mas também não é ideal um casal que já está separado, mas mora junto.
27:24Também isso não é sustentável pra criança.
27:26Então, é um desperfeito que o ideal seria que não acontecesse, mas às vezes é isso aí.
27:34Se relacionar não é fácil, né?
27:35Você acha que o ideal é que não acontecesse?
27:37Com certeza.
27:38Por quê?
27:39Mas não que não acontecesse, tipo, que os casais fiquem juntos para sempre mesmo estando separados.
27:43Que não se separem.
27:44Não se separem eles.
27:46Que consigam manter essa união, essa cumplicidade.
27:49Pelos filhos?
27:50Ou ah, não.
27:51O ideal é que eles continuem...
27:52Por vocês.
27:53Por vocês.
27:53Mas isso é o melhor para os filhos.
27:56O teu filho, ele é 50% você, 50% o pai dele.
28:00Quando vocês separam, que não significa que vão morar em casas diferentes.
28:04Tem casais que moram juntos e estão separados.
28:07É pior, você acha, do que isso?
28:09É incômodo do mesmo jeito.
28:11Do mesmo jeito.
28:12Eu acho que se for mais aliviado, por exemplo, no meu caso, me separar fisicamente foi o melhor para mim.
28:19Eu fiquei muito mais, como você diz, tranquila comigo mesma.
28:25Bem comigo mesma.
28:26E isso foi o melhor para os meus filhos, sem dúvida, do que estar juntos.
28:29E como é que faz para trazer esses temas que são mais sensíveis, que são mais difíceis para a criança?
28:35Falar de separação, falar de morte, falar de, enfim, eventualmente alguma coisa que você até acha que não é o
28:43momento de trazer um cachorrinho que está na família e morreu.
28:46Como é que você explica para a criança de 3 anos, ou para a criança de 5, que você vai
28:51se separar da melhor forma possível para que isso não seja traumático?
28:56Porque, sinceramente, eu vejo que esses temas são muito difíceis para os adultos.
29:00Para as crianças, elas são tão concretas.
29:03Tipo assim, às vezes fica difícil para a criança, porque o adulto é tão cheio de voltas, tão cheio de
29:08complicação sobre aquele assunto,
29:10que não fala as coisas que a criança precisa ouvir.
29:13O pai tem que morar em outra casa. Por quê?
29:16Porque agora a gente quer viver assim, ele quer ter a casa dele e eu a minha.
29:19Para isso, ele já é suficiente.
29:21Ele não precisa saber de toda a complexidade que é uma separação na mente de um adulto.
29:26Para ela, ela precisa saber o concreto que está acontecendo.
29:30Mais nada.
29:31Então, assim, morreu a vovó. Caramba, a vovó não vai estar mais aqui. Por quê?
29:36Porque ela morreu. O que é isso?
29:38O corpo descansa, ela não vai voltar a levantar.
29:41Pronto, é concreto.
29:43Quem faz toda essa complicação, eu vejo nos assuntos que são tabu, somos nós.
29:48E aí, o que acontece? A gente não fala de forma aberta, e com isso eu não estou falando cheia
29:54de detalhes.
29:56De forma aberta, assim, com o que a criança pode compreender.
29:58Uma criança pequena é concreta, é os fatos, o que importa a ela.
30:03A gente não comunica dessa forma para eles, então ali fica complicado para a criança entender o que está acontecendo.
30:10Você acha que tem momentos certos para você tratar cada tema?
30:15Ou você só tem o jeito certo de falar de cada tema de acordo com a idade que a criança
30:20tem?
30:20Eu sempre acho que, assim, o momento certo é o momento que a criança se interessa pelo tema.
30:25Perfeito. Como eu nasci?
30:27Como faz neném?
30:28Como faz neném?
30:29Sei lá, talvez você tenha uma criança com 3 anos de idade e você fica lá,
30:33será que está na hora de falar para ela? Não sei, ela está pensando em carrinhos.
30:39Por que você vai trazer para ela uma informação que não está na realidade dela?
30:43Porque se a criança, quando tem uma necessidade de saber algo, ela vai perguntar.
30:47Normalmente ela vai perguntar.
30:48Quanto mais pequena, então mais ela vai... não tem problema em perguntar.
30:51Eu acho muito genial quando você...
30:54Eu, pelo menos, aprendi isso com você.
30:57Às vezes é bom você devolver a pergunta para você conseguir entender um pouco
31:01do que está passando na cabeça daquela criança, né?
31:03Então, como é que nascem os bebês? Como você acha, né?
31:05Isso. Mas, então, são dois pontos diferentes.
31:08Quando é o momento certo de conversar com a criança sobre aquilo?
31:11Quando aquilo está na realidade dela?
31:13Normalmente ela vai te perguntar.
31:15Ou vai acontecer alguma coisa, tipo assim, ela vai viajar sozinha para casa de não sei quem
31:19e tem que instruir ela em algumas coisas.
31:22Está na realidade dela, faz sentido para ela.
31:26Como falar?
31:27Devolve a pergunta para ela.
31:28O que você acha?
31:29Ela disse assim, como faz filho?
31:30Devolve a pergunta para ela.
31:31Por quê?
31:32Porque aí você sonda aonde está a mente dela.
31:35Para você não pecar em trazer um monte de informação que na tua mente adulta você entende.
31:42Mas para ela não está na cabecinha dela.
31:45Quanta mensagem, quando eu publiquei esse vídeo, quanta mensagem eu vi de criança falando assim,
31:49Mãe, o que é virgem?
31:51E aí a mãe usou a técnica e falou, o que você acha que é virgem?
31:54E ela disse, não sei, estava escrito no aceite.
31:58Olha onde estava a cabecinha dela.
32:00Ela quer saber o que é virgem no aceite.
32:03É completamente diferente do que às vezes a gente pensa que a criança quer saber.
32:07Perfeito.
32:08Perfeito.
32:09Ivana, por que você fala que quando você teve o segundo, o terceiro filho foi mais libertador do que trabalhoso?
32:18Porque eu sou uma pessoa que tem muita energia para servir, para a maternidade, para no detalhe.
32:25Eu sou uma mãe muito do detalhe mesmo.
32:27O que você está sentindo, teu cabelo, como você está.
32:29Eu sou muito no detalhe.
32:30Eu estava enlouquecendo um menino só.
32:32Quanto mais filho eu tenho, mais eu posso compartilhar essa disponibilidade, menos eu enlouqueço eles.
32:43Tipo assim, o meu filho Luana, eu perguntava, o que você quer chantar?
32:46O que você quer almoçar?
32:46Eu fazia tudo o que ele queria, de tanta disponibilidade.
32:50Tem três.
32:52Aí tem que partilhar aquela atenção, aquela...
32:55Ficou bem mais tranquila a minha maternidade.
32:57Mas foi melhor para você e para...
32:59Porque nesse ponto parece que foi melhor para ele, né?
33:01Tipo assim, nossa, minha mãe não está tão me sufocando tanto.
33:03Mas para você talvez também tenha sido um pouco mais...
33:06Um alívio.
33:07Alívio, é.
33:08Para mim foi um alívio.
33:09Por isso, porque eu estava enlouquecendo um menino.
33:12E então eu tinha um menino enlouquecido.
33:15Quando vieram mais filhos e mais coisas para me dar conta, para me servir, para me atender,
33:21o meu filho se acalmou um monte, porque ele não tinha tanta pressão, expectativa, detalhe em cima dele.
33:27Ele tinha mais tempo livre.
33:30Mais tempo vago.
33:31É, você sabe que quando eu tive o meu filho, eu...
33:34Acho que eu não estava...
33:36Cara, acho que eu não tinha noção do que eu ia sentir.
33:39Acho que essa é a...
33:40Total.
33:40Eu não tinha noção.
33:43E assim, foi uma porrada.
33:45Eu falei, cara, eu me senti muito vulnerável.
33:48Falei, cara, o que eu vou fazer?
33:50Eu posso amar tanto assim uma pessoa só?
33:52Você acredita?
33:53Olha, eu sempre choro.
33:55Ah, é, apresentadora Jornal de novo, pelo mesmo assunto de sempre, hein?
33:58Vamos fazer um compilado depois para a internet.
34:00Uma emoção linda.
34:01É.
34:03E você sabe que, assim, o meu primeiro desejo, assim, de ter mais filhos veio disso.
34:11Do medo que eu fiquei, do tanto de amor.
34:13Tipo, eu falei, gente, é assim, o que eu vou fazer?
34:16Eu vou sufocar essa criança?
34:17Eu estou vulnerável?
34:18Eu estou dependente?
34:19Eu vou...
34:20O que vai acontecer?
34:21Eu não vou conseguir mais sair do lado deles.
34:23Tá, pué?
34:23Parece que fica bem louca, né?
34:24Você acha que nunca mais você vai sair de perto daquele...
34:27Não, e pensar em sair de perto dele.
34:28Quando ele é pequenininho, rasga.
34:30Não dá.
34:31É difícil.
34:33Então, nesse sentido, para mim também, vem um pouco essa questão.
34:37Ah, deve ser mais libertador.
34:38Porque você tem um pouco mais de...
34:40E assim, é tudo de boa.
34:41...dispersão desse foco.
34:43E também você se dá a possibilidade de amar desse jeito mais pessoas.
34:48É, aí a minha mãe falou, não adianta nada você ter mais.
34:53Somos três, a minha mãe tem três.
34:54Então, não adianta nada.
34:56E se você está sentindo, vai ser...
34:57Vai dobrar, tipo...
34:58Não é que você vai relaxar com um e o...
35:01Porque o outro está, né?
35:02Não.
35:02Acho que só nas coisas práticas, como você falou, né?
35:04É, assim, você vai amar daquele jeito mais pessoa,
35:07mas não vai dar conta de três, quatro,
35:10do mesmo jeito que você está dando conta de um.
35:12Então, vai aliviar mesmo.
35:14Ivana, você sofre ainda muito hate na internet de mães falando,
35:17Você está me deixando culpada.
35:20Você nunca errou.
35:22Eu, sinceramente, eu não fico...
35:24Teve uma época que, quando eu comecei a aparecer mais na internet,
35:29eu tinha muito hater, você fala?
35:31É.
35:31E aquilo estava me afetando.
35:33Aquilo estava me...
35:34É, eu comecei a duvidar.
35:35O que eu estou fazendo?
35:37Tipo...
35:37Aí eu fui trabalhando num fortalecimento meu.
35:39Decir assim, ó...
35:40Não vou agradar todo mundo.
35:42E o que eu...
35:42Eu tenho um acordo comigo mesma,
35:46desde sempre, que eu só falo aquilo que eu faço.
35:49Então, não há brechas, não há dúvidas no que eu estou fazendo,
35:54no que eu estou falando.
35:54Eu falo aquilo que eu faço.
35:55Só que isso não significa que seja a verdade absoluta.
35:58Então, sempre vai ter gente que vai concordar,
36:01que vai discordar.
36:02Você já deu algum conselho que depois você repensou?
36:04Ou você já tinha algum método,
36:06alguma coisa que você costumava falar ou fazer?
36:08E você falava, putz, depois eu mudei de ideia.
36:10Acho que isso aqui não faz tanto sentido assim.
36:15É...
36:15De 20 anos atrás.
36:18Tipo?
36:20É, tipo...
36:21O que eu posso ter falado?
36:22Alguma coisa em relação à autoridade?
36:25Talvez...
36:26Alguma coisa de ser um pouco mais dura com a criança?
36:28Mais tradicional.
36:29De não compreender tanto o sentimento dela.
36:32De falta de experiência mesmo.
36:33Mas assim, eu escuto meus vídeos de...
36:3615, 20 anos atrás.
36:37E eles estão válidos até hoje.
36:38Há 15, 20 anos atrás, você já fazia vídeos falando de maternidade?
36:43Na internet mesmo, não publicava na internet.
36:46Mas eu não fazia vídeo há 15, 20 anos atrás.
36:48Eu fazia palestra.
36:49A palestra e cursos.
36:51Eu dava cursos.
36:52Na internet, eu devia fazer 10 anos.
36:55Não sei.
36:56Nos últimos anos, você foi uma das influenciadoras
36:58que mais cresceu aqui no Brasil, né?
37:00A sua base...
37:01Cresceu muito.
37:02Vamos ver o que os seus haters falam?
37:04Você topa?
37:05Eu vou chamar o meu quadro.
37:08Toma, que o hate é seu.
37:10E nesse quadro, vamos ler alguns comentários
37:12que a gente pesquisou lá nos seus vídeos
37:14e ver o que a gente fala para essas pessoas.
37:16Se você reafirma, se você acha que
37:19essa pessoa merece aí uma explicação ou não.
37:23Aspas.
37:25Três anos de idade para estar à vontade com o pai está muito tarde, hein?
37:31Um comentário num post que você disse que a conexão com o pai demora.
37:35É, porque as pessoas, às vezes, elas entendem as coisas de uma forma tão literal.
37:40Assim, eu falei que a conexão com a mãe, ela é natural, porque, assim, você conhece, o filho está dentro
37:48de você.
37:49Então, você já tem uma relação com o teu filho e o pai, ele tem uma relação através da mãe.
37:54Deixa eu ver o nenê chutando.
37:56Ah, ele está mexendo. Ah, ele está com soluço.
37:58É através da mulher.
38:00Então, para a mãe, quando o filho nasce, é mais natural ter já uma conexão direta com o filho que
38:06estava morando dentro dela.
38:07Para o pai, é mais natural ter uma conexão com o filho através da mulher.
38:12O que ele tem? Por que ele chora? O que está acontecendo?
38:15Ele vai buscar através de você.
38:17Demora um tempo para ele construir e aí vai depender de cada pai.
38:22Mas ele tem que ralar um pouco para poder construir uma conexão direta com seu filho.
38:26O que eu falei nesse vídeo é que com três anos de idade já deveria ter essa conexão fortalecida.
38:31Perfeito.
38:32Aspas.
38:33Isso não é idade para aprender a cuidar de casa, gente.
38:36Pelo amor de Deus.
38:37Não é responsabilidade da criança ficar cuidando de casa.
38:40É claro, porque as pessoas entendem que delegar tarefa é para ajudar a mãe, para ela se livrar do trabalho.
38:46Só que, na verdade, delegar tarefa não é para te ajudar.
38:50Você está ajudando a criança, você está ensinando ela a ganhar autoestima.
38:56Autoestima, autorresponsabilidade.
38:59Pelo contrário.
39:00Você não está dando tarefa esperando ter uma...
39:03Vou me aliviar porque minha filha não pode ficar na casa.
39:04Não é um empregado ali que você contratou para te ajudar a lavar aquela louça.
39:08Você está ensinando ele como é que lava a louça.
39:10Não, e aliás, é até o contrário.
39:12Uma criança de três anos de idade ensinar a guardar os brinquedos vai te dar muito mais trabalho do que
39:16você pegar e guardar os brinquedos.
39:17Então, é porque as pessoas às vezes se esquecem para que estão educando o filho.
39:22O filho não...
39:23Você não está educando o filho para te servir.
39:25Você está servindo o filho.
39:26É um movimento ao contrário.
39:28Perfeito.
39:29Aspas.
39:30Muito complexo romantizar a solidão materna.
39:33Pouquíssimas são as mães solos que realmente conseguem viver bem.
39:37É.
39:37Tem um comentário num post que você falou sobre uma consulta com a Júlia Faria, onde vocês falam sobre como
39:44é difícil ser mãe solo.
39:46Sim, eu lembro dessa consulta.
39:48É porque às vezes as pessoas pensam que não vem a diferença entre romantizar e valorizar o que a gente
39:55conversou com a Júlia, que foi a minha experiência e ela está passando pela mesma experiência, que muita coisa fica
40:02mais fácil quando você está solo.
40:03Não dá para negar isso.
40:05É o ideal?
40:05É o perfeito?
40:06É o aconselhável?
40:07Não é.
40:07Mas é verdade que muita coisa fica mais fácil quando você está solo.
40:11Por exemplo, é só as duas regras, tudo fica do jeito que você quer, não tem ninguém para discordar, não
40:18tem que discutir com ninguém.
40:19Eu falo para os meus filhos, a chave do carro você guarda aqui, a chave do carro você guarda aqui.
40:24Eu não concordo com que eles coloquem o pé no sofá, sou eu falando.
40:27Eles vão olhar só para mim.
40:28Então, nesse sentido, pode ser bem mais fácil, para mim, no meu caso, foi muito mais fácil colocar ordem nos
40:36meus filhos, porque não tinha aquela parceria, aquela discordância, aquela de ter que chegar em um acordo.
40:42Depois tem outra coisa que é, ela disse assim, a romantização da mais solo.
40:48Todas as mais...
40:50É verdade também que existe uma vitimização da mais solo.
40:54Só por ser mais solo você acha que você não dá conta.
40:57E se você mesma acha que você não vai conseguir ter uma harmonia com os teus filhos, você não vai
41:02conseguir mesmo.
41:03Quando você se abre a essa possibilidade, não é por ser mais solo ou não mais solo, acompanhada ou não
41:09acompanhada, que eu vou poder ter uma relação leve e fluida com os meus filhos.
41:13Você consegue ter essa relação leve e fluida sendo solo, acompanhada ou o que for.
41:18É uma tarefa tua, é uma responsabilidade tua, é uma conquista tua.
41:21Então, muitas vezes a mais solo se sente vitimizada, se sente...
41:27Mas por que você acha que é uma vitimização?
41:29Ela se coloca num lugar de vítima que, na verdade, ela não deveria estar?
41:34Você não vê que ela esteja...
41:35Eu acho que a sociedade inteira olha dessa forma, como assim, ser uma mais solo é um erro.
41:41Não é o ideal, não é o perfeito.
41:43Então, é algo que deu errado.
41:44Ela não deveria ter ficado sozinha, tomando conta de tudo com seus filhos.
41:48Só que isso não te impede de você ter uma maternidade leve.
41:52Se você trabalha a relação com os teus filhos, não é por ser solo ou não solo que você vai
41:57viver a maternidade leve ou não.
41:59Por exemplo, quando eu fiquei sozinha com os meus filhos, a Nara tinha três, a Tiana tinha nove e o
42:04Luan tinha catorce.
42:06Os meus filhos não eram motivo do meu desgaste.
42:08Eu tinha dois empregos.
42:09Os meus filhos não eram motivo do meu desgaste.
42:12Porque a relação com eles estava fácil, leve.
42:14E ficou mais fácil ainda por aquela coisa.
42:16Eu falava, isso pode, isso não pode, isso vai aqui, isso vai assado.
42:20E eles seguiam no meu comando.
42:22Então, não era o motivo da minha sobrecarga aos meus filhos.
42:27Você não fica, às vezes, receosa de saber que, às vezes, as mães se sentem mal ao ouvir isso, porque
42:36elas não conseguem executar dessa forma?
42:38Mas é bom se sentir mal.
42:39Pelo menos, já sentiu alguma coisa.
42:41Porque o pior é você se conformar com aquela realidade, que foi o que, na verdade, foi a minha grande
42:49virada.
42:49Quando eu vivia uma maternidade caótica, não me conformar com aquilo, dizer, ah, é uma fase, vai passar, está tudo
42:57certo.
42:58Porque quando você está conformada, você não consegue mudar.
43:01Então, quando eu falo alguma verdade dessas e cria um desconforto, já criou um desconforto.
43:09A gente não muda nada que estiver confortável.
43:11Tipo assim, tua casa está linda, maravilhosa, não tem motivo para fazer nada.
43:15Tem pingando água no teto, tem motivo para mudar alguma coisa.
43:19Então, quando há um desconforto, é um motivo para você mudar.
43:24Às vezes, algumas mães comentam assim, eu já ouvi isso falar, você me trouxe mais culpa.
43:30Não, eu não posso, eu não tenho esse poder todo.
43:33Se eu tivesse esse poder sobre as pessoas, então eu resolveria a maternidade de todo mundo, que esse é o
43:39meu maior desejo.
43:40Resolvemos, plim, a maternidade de todo mundo.
43:43O que pode se acontecer é que aquilo que você escolheu ouvir, que eu falei, resultou, levantou a culpa que
43:52você já está sentindo.
43:55Uma criança de cinco anos de idade, dizer que eu fiz um desenho e saiu errado porque você me fez
44:02sair errado, faz sentido.
44:03Cinco anos de idade, não tem responsabilidade nenhuma.
44:05Um adulto, dizer que alguém provocou um sentimento nele, você é livre desse sentido do jeito que você quiser.
44:13É algo dentro de você.
44:14Tipo assim, você pode me olhar com a cara do que você quiser, que eu vou me sentir do jeito
44:19que eu quiser.
44:20E eu posso até escolher do jeito que eu quero me sentir.
44:22É tanta liberdade, é tanto poder que a gente tem dentro da gente, que às vezes, quando a gente não
44:28assume esse poder,
44:30fica se vitimizando e colocando essa responsabilidade nos outros.
44:34Que era o que eu fazia com o meu filho.
44:37Colocava responsabilidade no meu filho.
44:38A minha maternidade não está legal porque eu tenho um filho que não obedece, porque ele não é fácil.
44:44Enquanto você coloca a responsabilidade fora de você, daquilo que você está sentindo,
44:50jamais uma palavra minha vai ser colocar culpa numa mãe.
44:53Mas você está se sentindo culpada.
44:55Quando você assume a responsabilidade do que você está sentindo e para de botar a culpa no mundo fora de
45:01você,
45:02só ali você pode resolver esse sentimento.
45:05Aí você ganha a liberdade, porque responsabilidade e liberdade vão juntas.
45:11Aspas.
45:13Não concordo.
45:14Eu sou mãe e a melhor amiga da minha filha e do meu filho.
45:18É um comentário sobre uma live onde você disse que a mãe não tem que ser amiga dos filhos.
45:23Sim.
45:23Porque se ela deixaria de ser mãe.
45:25É, porque ser amiga é ser amiga, ser tia é ser tia, ser pai é ser pai, ser mãe é
45:30ser mãe, ser vovô é ser vovô, ser filho é ser filho.
45:32São lugares diferentes.
45:35Tipo assim, você é a filha da tua mãe, você quer ser a mãe da tua mãe.
45:39Sai do lugar certo das coisas, assim.
45:41Ser amiga é ser amiga, ser mãe é ser mãe.
45:45Só que isso não significa que você não deva ser uma mãe disponível, acessível.
45:49Uma mãe aberta a ouvir, a comunicar.
45:51Mas você não acha que os papéis mudam também de acordo com a base da vida, quer dizer...
45:59Quando tem, você não vai conseguir talvez...
46:01A sua mãe é dependente, talvez.
46:02Mas você vai ser uma filha cuidando da mãe.
46:07Mas aí é mais uma nomenclatura, porque a função é exatamente a oposta.
46:11Provavelmente eu vou querer fazer e servi-la como hoje eu faço para o meu filho.
46:16Sim, mas continua sendo tua mãe, não virou tua filha.
46:19Mas aí não tem muito mais a ver com qual papel você está desempenhando, entende?
46:24É só o nome, é só o nome.
46:26Ela continua sendo a minha mãe, mas o papel que você está exercendo é um papel diferente.
46:31Talvez agora que eu sou uma mulher adulta, minha mãe tem menos interferência nas decisões que eu tenho no meu
46:40dia a dia.
46:41Ela tem um papel mais próximo do que seria um papel de amiga, a função.
46:45Mas a função é diferente, você tem uma mãe velhinha que depende de você, ela não é teu filho, você
46:51não está educando tua mãe.
46:52Mas você está cuidando.
46:53Você está cuidando da tua mãe velhinha.
46:56Não é a mesma coisa que cuidar uma criança de 3 anos de idade, que você está educando, que você
47:00está formando.
47:00Pelo contrário, você está se despedindo da tua mãe.
47:02Sim.
47:03O teu filho você está dando a boa vida.
47:04Sim, sim.
47:04A tua mãe você está se despedindo.
47:06Eu entendo que essa confusão vem do quê?
47:08Das mães pensarem que tem que ser amiga da filha para ter uma comunicação, para ter uma parceria.
47:16Eu, por exemplo, tenho uma comunicação muito boa com minhas filhas, mas está muito certo de quem é o lugar
47:23de quem.
47:23Por exemplo, a minha filha não vai falar comigo do jeito que fala com a amiga dela.
47:29Até coisas que ela fala com a amiga dela, segredos que ela tem com a amiga dela, é para ter
47:33com a amiga dela, não é para ter comigo.
47:35Eu sou a mãe.
47:37Se eu me colocar no lugar de amiga, eu abandono o lugar de mãe e a minha filha fica órfã.
47:43Certo.
47:43Ela precisa que eu esteja no meu papel e que seja eu a pessoa que vai dizer a ela, ei,
47:49desse jeito você não fala.
47:51Amiga, não vai educar, não vai dizer, ei, desse jeito você não fala.
47:55Então, aí que mora o perigo escondido, mas que eu entendo de onde vem a necessidade da mãe dizer assim,
48:01eu sou muito amiga da minha filha.
48:03Na verdade, o que ela quer dizer é que ela é disponível e que ela é uma mãe acessível.
48:10E isso é muito importante, ter uma boa comunicação, acolher, aceitar, conversar de tudo com a tua filha.
48:18Aspas, casa de ferreiro, espeito de pau.
48:21Queria ver se os filhos da Ivana são essa perfeição toda.
48:23Será que são bem educados? Eu estava falando disso.
48:27Eu sou a favor de um reality para a gente conhecer os filhos de Ivana para ver que tipo de
48:31ser humano eles se tornaram.
48:32É tão difícil de acreditar que é mais fácil duvidar do que acreditar.
48:39Eu acho que vem um pouco, talvez, de um lugar de como as pessoas veem a sua fluidez, a forma
48:48de falar e tudo fica parecendo mais simples.
48:51Claro.
48:51Porque provavelmente é.
48:52É porque é simples para mim.
48:53É simples para você e provavelmente dá para chegar nesse lugar.
48:57Fica todo mundo falando, não é possível.
48:59E é esse lugar da dor que a gente estava discutindo um pouco em relação à culpa materna.
49:04Que é, pô, por que eu não consigo? Por que eu não estou conseguindo desempenhar isso?
49:09Será que ela nunca errou, então?
49:11Será que ela não erra?
49:12Será que em nenhum momento da vida dela ela para e fala, gente, e deixa em paz?
49:16Eu continuo contando os meus erros, os erros que eu tive, assim, de bater no meu filho até o seu
49:21tono de idade.
49:23Mas hoje, você chegou a um lugar de não errar mais, você acha? Ou você continua errando?
49:28É que aí que está o problema. A gente acha que a maternidade fica perfeita quando não acontecem problemas.
49:36E, na verdade, não é isso que acontece. Porque a vida é um problema constante o tempo inteiro.
49:40Problemas há, só que não há problemas com os problemas.
49:44Mas na nossa família, e a Tiana está ali de testemunho...
49:48Tiana, um ser humano incrível, posso falar para você nisso, mas a gente quer esse reality show para acompanhar o
49:54dia a dia deles.
49:54Na nossa família há desentendimentos, há, mas não há falta de respeito, não há gritos,
50:00não há aquela pressão de que um tem que fazer para agradar, para satisfazer.
50:05Há muita liberdade, há muito respeito de cada um.
50:08E não há aquela rebeldia, sabe?
50:11Narayama, 14 anos de idade, ela deveria estar rebelde.
50:14Adolescente, contra mim.
50:16Não há, os meus filhos, eles não estão em contra de mim.
50:18Pelo contrário, eles sentem gratidão.
50:21Então, eu sempre digo que minha casa é um templo.
50:23E eu sempre digo que eu gostaria de botar a câmera para as pessoas verem que é possível viver outra
50:28realidade.
50:29Não de quem tem sorte e tem filhos lindinhos, de quem apanhou para caramba para poder alcançar essa realidade de
50:38convivência respeitosa, de carinho, de ordem, de divisão de tarefas.
50:46Aspas, olha de novo.
50:48Só eu acho que por ela ser uma mãe solo, ela não deveria se colocar como exemplo.
50:53Comentário do Dretmo Live.
50:55Só eu acho que por ser mãe solo, ela não deveria se colocar como exemplo?
51:00Como exemplo de relacionamento, de casal, não deveria, com certeza.
51:05Até eu falo isso para as pessoas.
51:07Eu não sou quem para ensinar, ajudar.
51:09Tem pessoas que falam assim, o problema é o marido, eu não consigo concordar com ele.
51:13Eu sou a última pessoa para te orientar sobre isso.
51:17Agora, como exemplo de mãe, o que tem a ver ser casal ou não casal com a minha maternidade com
51:23os meus filhos,
51:24que é a minha relação direta com eles, esteja quem estiver do meu lado ou não?
51:29Perfeito.
51:31Aspas.
51:32Por que vou seguir os seus conselhos se nem faculdade você fez?
51:37Você não fez faculdade?
51:38Não.
51:40Todo o meu aprendizado...
51:41É muita sabedoria.
51:42Não precisa de aula.
51:44E olha só, as coisas que eu estou falando, quando as pessoas escutam, elas dizem,
51:49e eu vejo muito esse comentário no meu Instagram,
51:52é incrível como o óbvio tem que ser dito.
51:55Então, tem que estudar o quê para falar o óbvio?
51:58Eu estou falando o óbvio, mas eu entendo o comentário também.
52:02Entende?
52:03Claro que eu entendo o comentário.
52:04Você pensa que se você fez uma carreira, estudou, assim, num sentido formal, universitário,
52:12então, ali você tem a permissão para falar de alguma coisa.
52:17Só que é real que a gente tem um monte de profissionais que não sabem nada do que estão falando.
52:21Não é aquilo que te garante saber alguma coisa.
52:24A minha experiência, tem pessoa que diz assim, ela não baseia nada na ciência.
52:29Assim, o que é ciência?
52:30Observação.
52:31Eu observo desde que eu tenho memória.
52:33Não é uma criança, são milhares de crianças.
52:36Eu já fui fundadora de escola, já acompanhei milhares de crianças, milhares de família,
52:40além dos meus três filhos.
52:41Já fiz tudo errado, conheço o caminho para dar certo.
52:45Então, para as pessoas que dizem assim, ela não tem uma formação formal,
52:50então, por que eu deveria acreditar e fazer o que ela fala?
52:54Eu diria, pega uma das técnicas que eu te falo, coloca em prática.
52:58Se não dá certo, duvida de mim.
53:00Só isso.
53:01Está posto aí o desafio.
53:04Ivana, tem alguma pergunta sobre maternidade que você não saberia responder?
53:11Algo que você se pergunta.
53:12Até agora é essa que você acabou de fazer.
53:15Yes.
53:17Alguma coisa que eu não te perguntei nessa entrevista e que você gostaria que eu tivesse te perguntado?
53:28Não sei, acho que não vem nenhuma ideia na minha cabeça.
53:31Nada?
53:32Não.
53:33Então, conta como é que as pessoas fazem para fazer os seus cursos, conhecer você melhor, entrar lá nas lives.
53:40Para aprender comigo, não tem desculpa.
53:43Não tem desculpa.
53:45Por quê?
53:46No meu Instagram você encontra todo.
53:50Eu faço live quase todos os dias.
53:52Muito conteúdo.
53:53Muito conteúdo.
53:55Eu sou muito generosa com aquilo que eu falo, com aquilo que eu compartilho.
54:00Por quê?
54:01Porque nunca o meu trabalho foi com um interesse diferente que não fosse ajudar as mães a viverem na maternidade
54:08que eu alcancei.
54:09E se eu alcancei, você alcança, porque eu não sou a mais fácil do mundo para alcançar aquela harmonia.
54:15E por, sobretudo, tocar as crianças.
54:17Porque uma criança que tem uma infância feliz, ela tem um futuro diferente.
54:20Ela tem um bem-estar diferente.
54:23Então, eu sou muito generosa.
54:25Não guardo nada, não escondo nada, compartilho tudo.
54:29Então, no meu Instagram, você não tem, como se diz, a desculpa para dizer, ah, mas ela não ensinou.
54:36Não.
54:36Ah, você não procurou o vídeo do que você está querendo?
54:39Porque tem muita gente que fala isso.
54:40Ah, você falou, mas não ensinou.
54:42Procura porque está lá.
54:43Tem o Instagram, tem o YouTube.
54:45Para as mães que querem fazer uma transformação organizada, que têm essa condição,
54:49que dizem assim, tá, vou me dedicar a transformar essa maternidade agora,
54:52Agora, eu criei um método que se chama Método Mãe Plena.
54:55É um método que ajuda a mãe, entende que a mãe está vivendo naquela confusão,
55:00naquele caos que tem alguns desafios, e prepara a mãe durante seis semanas nessa transformação.
55:06Acompanha a mãe nessa transformação.
55:08Desde como ser uma autoridade, qual é o papel de mãe, está educando o filho, para quê?
55:13Lembra, para que você está educando o filho?
55:14Como colocar regras e limites na prática?
55:17Como montar um ambiente preparado?
55:19Que etapa de desenvolvimento do seu filho?
55:20Assim, tudo que uma mãe precisa entender para ter ferramentas para lidar com seu filho.
55:27O Método Mãe Plena já é um curso pago, que tem que fazer inscrição, tudo aquilo.
55:33É bom, é muito bom, porque é uma transformação garantida.
55:36Quem faz o método, não desfaz.
55:38Ou o seu dinheiro de volta.
55:41Total, tem garantia, tudo isso.
55:43Mas assim, todos os relatos que eu tenho demais, que passaram pelo Método, todas elas falam.
55:49Na primeira semana foi uma transformação absurda e eu nem mexi no meu filho, só mexi no meu jeito de
55:55enxergar o meu filho.
55:57E depois que eu vi, não consigo desver.
55:59Então, é um caminho sem retorno.
56:02E o filho acaba, quando chega no fim, o filho acaba nessa realidade que pouca, às vezes, é mais difícil
56:09de acreditar.
56:09Você fala uma vez e teu filho te obedece. Por quê?
56:11Porque não é o filho que tem que ser diferente.
56:14É você que tem que lidar diferente e não é um bicho de sete cabeças.
56:18São pequenas coisas que precisam mudar.
56:20Então, o Método está ali para servir quem quer pegar o bonde e fazer essa transformação logo.
56:26Mas quem não quer, quem não pode, e isso é o que deixa a minha consciência super em paz,
56:31está tudo no meu Instagram. Não tem desculpa.
56:33Se a mãe brasileira quer mudar, mude.
56:37Muito bom. Obrigada, eu adorei.
56:40Se você também quer ser uma mãe plena, você corre lá no Instagram da Ivana
56:45e não perde o e-off da semana que vem com o meu próximo convidado.
56:48Até lá, tchau.
56:58A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
57:09Realização Jovem Pan
57:11Jovem Pan
57:12Jovem Pan
57:12Jovem Pan
57:13Jovem Pan
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