00:00Entrou em vigor a partir de hoje o decreto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
00:06que definiu uma tarifa global de 15% sobre produtos importados.
00:11A medida foi uma resposta imediata à decisão da Suprema Corte do país,
00:15que havia invalidado o tarifácio de abril de 2025.
00:20As isenções se aplicaram a todos os países e itens estratégicos da pauta comercial brasileira foram contemplados.
00:27A lista inclui tanto commodities quanto produtos manufaturados de maior valor agregado.
00:35Vamos entender melhor de que produtos são esses, como vai funcionar tudo a partir de agora,
00:39conversando ao vivo com a Fernanda Sete, direto de Brasília, e chega ao vivo com todos os detalhes.
00:45Oi, Fernanda, muito bom dia para você.
00:49Oi, Soraya, bom dia para você, para todo mundo que nos acompanha, uma ótima terça-feira.
00:53Pois é, já entrou em vigor, a partir desta terça-feira, a nova tarifa global de 15% sobre os
01:00produtos importados pelos Estados Unidos.
01:02Essa medida foi criada pelo presidente norte-americano, Donald Trump,
01:06após a Suprema Corte dos Estados Unidos declarar irregular o tarifaço,
01:13que foi implementado desde abril do ano passado em mais de 180 países.
01:18E agora, com a nova tarifa global de 15% em vigor, duas mudanças passam a valer, Soraya.
01:25A primeira delas é que a Suprema Corte anula todas as tarifas de Donald Trump,
01:30que eram usadas ali com base na lei de poderes econômicos, né?
01:34Lembrando que essas tarifas foram consideradas irregulares.
01:37A segunda mudança é que, nesse mesmo momento, já começa a valer essa nova tarifa global de 15%,
01:45mas com uma lista extensa de produtos isentos, né?
01:49Lembrando que o Brasil era um dos países mais impactados pelo tarifácio, pelo antigo tarifácio.
01:55Então, com essa nova decisão da Suprema Corte, duas cobranças passam de existir.
02:01A primeira cobrança, Soraya, é a tarifa recíproca de 10%, que foi anunciada em abril de 2025.
02:09Uma outra mudança também, outra cobrança que deixa de existir com essa nova tarifa global de 15% já em
02:17vigor,
02:18é a sobretaxa de 40% sobre vários produtos brasileiros.
02:23Então, esse novo imposto de 15% agora se soma à tarifa normal de cada produto.
02:30E o Brasil continua enfrentando custos altos em áreas consideradas estratégicas, né?
02:37As exportações, por exemplo, de aço e alumínio ainda mantêm a alíquota de 50%.
02:44Então, essa nova alíquota de 15% se soma à alíquota de 50%.
02:50Mas, apesar disso, Soraya, sim, uma lista extensa de produtos isentos, né?
02:56Que beneficia setores considerados importantes da economia brasileira.
03:01Por exemplo, os produtos isentos, a gente pode citar desde energia, combustível,
03:07produtos da agroindústria, aviação, mineração e tecnologia.
03:12Então, apesar ainda dessa nova tarifa, ainda se somar a tarifas antigas,
03:17uma grande, uma extensa lista de produtos ainda seguem isentos e com setores, né?
03:23Considerados aí super importantes para a economia brasileira.
03:26E o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin destacou, né?
03:30Que esses produtos estratégicos da pauta exportadora brasileira,
03:35como, por exemplo, combustível, café, carne, suco de laranja,
03:40tem tarifa zerada, o que contribui para as exportações brasileiras.
03:45Então, com isso, né? Mesmo com essa nova tarifa global de 15%,
03:49vários setores brasileiros mantêm a competitividade no mercado americano, né?
03:55Enquanto outros países aí enfrentam ainda custos altos, especialmente em áreas de metais.
04:02Mas, de fato, começa já a valer, a partir desta quinta-feira,
04:06a nova tarifa global imposta por Donald Trump, né?
04:10Mas, claro, o Brasil ainda segue respirando com o alívio melhor,
04:15já que o tarifaço foi derrubado.
04:18Esse tarifaço que prejudicou, né?
04:20Ainda segue prejudicando tantas empresas exportadoras brasileiras.
04:24Eu volto com você, Soraya.
04:26Obrigada, Fernanda, pelas suas informações.
04:29Daqui a pouco a gente volta a conversar mais.
04:30E, claro, a gente segue aqui repercutindo os desdobramentos desse anúncio do Donald Trump.
04:35Mari Almeida também comigo nessa manhã.
04:38Mari, bom dia para você.
04:39Bom dia, Soraya.
04:40Bom dia para todo mundo que está aqui no pré-market.
04:42Bom, ontem, comecinho de semana e, claro, os próximos dias,
04:44foi aquele sentimento de ressaca após todas essas trapalhadas aí que Donald Trump tem feito, né?
04:50Depois da decisão, claro, da Suprema Corte, ele foi lá e disse,
04:54olha, não tem problema.
04:55Vocês disseram que é ilegal, mas eu vou colocar mais tarifas aí.
04:59Depois decidiu dobrar a aposta e essas novas tarifas globais,
05:03então, passam a valer a partir de hoje.
05:05A Fernanda falava desse certo alívio, né?
05:08O sentimento do próprio governo brasileiro diante das tarifas novas impostas.
05:13E, na lista, de fato, entre os países que mais se beneficiaram,
05:16o Brasil está entre eles.
05:18Mas tem que ser um alívio com um certo...
05:21Não com tanto entusiasmo, mas com um pouco de cautela, né, Mari?
05:25Sim, Soraya.
05:25Porque o alívio, quer dizer, aliás, o benefício que o Brasil está recebendo nesse momento
05:30é um benefício relativo ao prejuízo anterior.
05:33Então, assim, claro, estamos olhando aqui a história enquanto filme
05:36e, dada a situação em que a gente tinha ficado relativamente menos competitivo
05:41do que o resto do mundo todo,
05:43na hora em que você tem uma régua única, que é a régua dos 15%,
05:47claro, aí a gente está tão ruim quanto o resto.
05:50Que ótimo, vamos celebrar, né?
05:51Quer dizer, essa celebração muito cuidadosa,
05:55porque, na verdade, a gente não sabe ainda o que virá.
05:57E aí, acho que...
05:58Queria só ressaltar que...
05:59Porque o Donald Trump, né, a história anterior
06:02era que ele estava conseguindo aplicar tarifas muito específicas
06:05usando esse tal do ato emergencial, né?
06:07A situação de ter uma emergência econômica
06:10que ele colocou como uma situação muito específica para a economia americana
06:13que tinha que ser resolvida e aí, país a país, negociação por negociação.
06:18Isso fora da...
06:19A Suprema Corte derrubando isso, ele volta para os outros termos dele.
06:22O que ele tem usado, esse dos 15%,
06:26é um ato que é a seção 1, 2, 2 do ato comercial, 74,
06:30que basicamente pode ser usado, mas ele é macroeconômico.
06:33Ele é geral, porque tem déficit.
06:35A situação é, se a economia americana entra num déficit muito estruturante,
06:39emergencial, aí você pode colocar uma tarifa para todo mundo,
06:43a ideia do ato é que seja geral mesmo,
06:47para tentar equilibrar por pouco tempo, 150 dias.
06:50Então, olha só, é meio generalizante mesmo,
06:53é uma ação total, que não é para uma emergência econômica
06:56que vale negociação a negociação,
06:58e aí, nessa situação, o Brasil volta a estar no caldeirão.
07:01Só que ainda tem duas ações que ele também usa.
07:03Ele ainda usa segurança nacional, que daí é outra lógica,
07:06que é onde se inclui o aço, por exemplo,
07:08porque a indústria siderúrgica americana é considerada estratégica.
07:11Então, pode taxar se a indústria estratégica estiver sob risco,
07:15porque ela tem a ver com a segurança.
07:17Ou, quando você tem algum tipo de...
07:19A terceira alternativa seria quando o país é acusado
07:23de fazer alguma prática comercial desleal,
07:26que é onde a China se inseriu diversas vezes,
07:28mas ainda só produto a produto.
07:30Então, ele tem esse baralho na mão, Soraya.
07:32É estratégico também, ele não está assim,
07:34ah, vou pensar em 15%, acho que está bom por enquanto.
07:38Não, ele está pensando estrategicamente até em termos de arrecadação,
07:42porque o montante que essas tarifas já conseguiram
07:45para o governo norte-americano é bem alto, né?
07:48Muito significativo.
07:49Ele, inclusive, bradou fortemente tudo isso
07:52quanto entrou nas contas públicas em função das tarifas,
07:55porque ele queria fazer um jogo que é,
07:56eu consigo arrecadar de tarifas,
07:59fecho as minhas contas e posso reduzir, portanto,
08:01impostos para estimular mais a atividade privada nos Estados Unidos.
08:05Essa era a tese, né?
08:06O problema é que se você deixa, agora,
08:09se tem uma insegurança jurídica onde a tarifa deixa de entrar
08:11e você já reduziu uma parte das suas arrecadações,
08:14tem uma pressãozinha adicional pelas contas públicas americanas.
08:18Aí é dominou abaixo, né?
08:19Porque com as contas pressionadas, e o dólar?
08:22Então, como é que ele vai ficar?
08:23Como é que fica a busca pelos treasuries?
08:25Como é que isso pressiona outros mercados como ouro?
08:28Enfim, essa é a salada aí que está colocada.
08:31Então, claro, para quem estava negociando com condições muito ruins
08:35e competitivamente piores,
08:37é um alívio saber que aquilo não vai permanecer,
08:40que é o caso de muitos setores no Brasil.
08:43Ok, isso não estando na mesa, o que virá?
08:45Isso a gente não sabe.
08:46Essa é a pergunta que me deu isso agora, daqui para frente.
08:48E as ferramentas que ele tem em mãos agora,
08:50ou são generalizantes, como a que está valendo agora,
08:52ou são por concorrência desleal.
08:55E aí, claro, tem que avaliar também, tem que ter investigação,
08:59ou é por segurança nacional.
09:01E aí são alguns setores que entram,
09:03no caso brasileiro mais afetado seria o Aço.
09:04E aí ele já está reagindo nas redes sociais,
09:07dizendo que países que fizerem ali joguinhos,
09:09terá taxas mais altas,
09:11e que, aliás, logo na sexta-feira,
09:14já dizendo que a decisão da Suprema Corte,
09:16nas palavras dele, é ridícula.
09:18É porque ele zoou, a Sua Rua Corte derrubou a arma
09:21que ele teve para negociar.
09:22Então, Japão, Coreia do Sul, Índia,
09:24todo mundo fechou acordos com ele,
09:26iam fazer investimentos baseados na possibilidade
09:29de exportar para os Estados Unidos em condições melhores.
09:33Caíram as condições melhores.
09:34Ele está falando, caíram, mas continue fazendo investimento,
09:37por favor, não vá acreditar nisso.
09:39Quer dizer, mas será que vale colocar bilhões?
09:41Não, tudo bem, ele falou,
09:42ele está na rede social dizendo que ele não pode brincar,
09:45eu vou lá colocar meus bilhões nos Estados Unidos.
09:48É um pouco jogar com a economia
09:50como se fosse uma brincadeira de criança e não é, né?
09:52É, não, de forma alguma.
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