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O setor de máquinas brasileiro ainda enfrenta insegurança jurídica mesmo com a redução das tarifas dos Estados Unidos de 50% para 15%. José Velloso, presidente da Abimaq, explica os efeitos para exportações brasileiras, especialmente em máquinas para construção civil e componentes, e o impacto do processo 301, que pode elevar novamente as tarifas.

Velloso comenta ainda as perspectivas caso a negociação entre os presidentes Lula e Trump seja bem-sucedida, permitindo recuperação do setor e crescimento das exportações.

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Transcrição
00:00O setor de indústria de máquinas brasileiro não havia sido incluído nas exceções concedidas em novembro de 2025
00:09que essas exceções acabaram beneficiando alguns setores com a retirada da sobretaxa de 40%.
00:17Mas a insegurança jurídica ainda é um obstáculo para o setor, mesmo com a redução das tarifas de 50%
00:26para 15% no caso aqui do Brasil.
00:28A gente recebe aqui no Fast Money o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a
00:36Abimac, o José Veloso, que comenta o cenário atual.
00:42Senhor Veloso, muito obrigado por participar aqui da nossa programação. Primeiramente, uma ótima tarde, um excelente início de semana.
00:49Senhor Veloso, eu vou chegar com a pergunta mais óbvia de todos, que serve para todos os setores.
00:58É possível fazer algum tipo de previsão, tendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ali com a caneta de
01:05que ele pode mudar tarifas?
01:07Ele tomou um tombo da Suprema Corte na sexta-feira.
01:09E entre sábado e domingo, ele mudou uma tarifa global, houve uma crespo, quer dizer, houve duas novas tarifas em
01:1724 horas.
01:18Como é que é possível fazer qualquer tipo de previsão se é que ele pode mudar, por exemplo, hoje, amanhã,
01:23de novo?
01:24Sei que a pergunta é simples e leva uma resposta mais elaborada, mas vamos começar por essa.
01:30Boa tarde mais uma vez.
01:32Boa tarde, Marcelo. Um grande prazer estar com você e a audiência aqui da Times.
01:36É, realmente a insegurança é muito grande, né?
01:39Eu vou até um pouco mais longe, né?
01:41Acordamos na sexta-feira com uma tarifa de 50.
01:45Na hora do almoço, lá pelas 14 horas, a tarifa foi a zero, depois da decisão da Suprema Corte.
01:52Às duas horas da tarde, ela voltou para 10 e no sábado foi para 15.
01:57Então, por enquanto, sabemos que a tarifa está em 15%, né?
02:01Não, sim, é uma grande insegurança.
02:04E temos mais insegurança pela frente ainda.
02:08A gente recebeu com alegria a mudança de 50 para 15%.
02:13Embora 15% seja uma tarifa alta, ela nos coloca em pé de igualdade com os outros competidores nossos de
02:23fora dos Estados Unidos.
02:27Lembrando aqui, nós temos concorrentes nos Estados Unidos, o Brasil importa muita máquina de lá.
02:35Então, esses 15% nos tiram competitividade com os norte-americanos, mas nos coloca igual o resto do mundo.
02:42Então, essa é uma boa notícia.
02:44No entanto, como você dizia, Marcelo, continua uma grande insegurança jurídica.
02:49Por quê?
02:51Porque nós temos aquele processo da 301 que ainda não foi terminado.
02:55O processo da 301, para a sua audiência, aqueles que talvez não se lembrem,
02:59é um processo que o governo americano abriu contra o Brasil de comércio desleal.
03:06Ele invocou a questão do PIX, desmatamento da Amazônia, o etanol, o contrabando do Brasil, a questão de propriedade intelectual
03:19e etc.
03:20Foram seis itens.
03:22Todos eles, com uma facilidade muito grande, do Brasil vir a se defender.
03:28No dia 1º de setembro, estivemos lá nos Estados Unidos e vários setores da economia fizeram uma excelente defesa.
03:37Só que, como a gente sabe, o resultado desse julgamento não vai ser técnico, ele vai ser político.
03:45E, na minha opinião, o Brasil, embora tenha feito uma grande defesa, nós vamos perder.
03:51E, perdendo, o governo americano, ele pode voltar com as tarifas, até de 50%.
03:59O resultado dessa análise deve sair entre maio e junho.
04:05Então, até lá, os exportadores brasileiros precisam correr nas exportações, fazer transferência de estoques para os Estados Unidos com essa
04:16tarifa de 15%.
04:17Porque, a partir de maio e junho, os Estados Unidos poderão vir com novas tarifas, porque o julgamento da 301
04:26deve ser político.
04:27E aqui, para terminar a minha primeira resposta, colocando que assume uma importância muito grande a visita, a reunião de
04:37cúpula do presidente Lula com o presidente Trump na Casa Branca.
04:42Porque, nesta reunião, o Brasil precisa trabalhar a questão da 301 e tirar essa ameaça das nossas cabeças.
04:51No momento, o exportador brasileiro, ele se sente inibido a fazer exportações.
04:59Para quem não acompanha diariamente o setor, eu fiz um recorte aqui para deixar todo mundo na mesma página.
05:05Fui atrás dos números aqui da relação comercial Estados Unidos para o Brasil, ou seja, as importações no setor de
05:13máquinas e motores da nossa balança comercial.
05:16Neste recorte setorial, com números oficiais da Comex, a partir de 2025.
05:23Está aqui.
05:23Claro que eu fiz uma coisa mais resumida.
05:25Em seguida, não elétricos, motores e máquinas não elétricas, a participação caiu em 5,8% para pouco mais de
05:35177 milhões de dólares.
05:37Em segundo lugar aqui, máquinas de geração de energia, também houve queda de participação.
05:44Repito, na importação das máquinas dos Estados Unidos para o Brasil, isso ficou em pouco mais de 9,5 milhões
05:52de dólares.
05:53Máquinas ligadas ao processamento, aí subiu um pouquinho, 0,8% para pouco mais de 26 milhões de dólares.
06:03E aparelhos elétricos teve uma queda de 0,7%, quase 1%, na casa dos quase 22 milhões de dólares.
06:13Aqui nesse traço, é claro que a lista é muito mais ampla, mas eu peguei alguns desses equipamentos.
06:19A gente entende, por esses gráficos aqui, que houve uma diminuição da importação de máquinas, produto de alto valor agregado
06:27para o Brasil e tudo mais.
06:29Nessa leitura, senhor Veloso, qual foi o impacto aqui no Brasil?
06:34Quer dizer, o senhor teve notícias em algumas indústrias, algumas partes, que acabaram tendo dificuldade de produção,
06:42diminuíram a sua produção porque tiveram menos acesso a determinadas máquinas.
06:47Eu sei também que o assunto é complexo, mas eu vou pedir para o senhor umas respostas um pouquinho mais
06:51resumidas,
06:52porque o nosso tempo está bem apertadinho hoje.
06:55Sim, as nossas exportações para os Estados Unidos, em função do tarifácio,
06:59elas tiveram uma queda no último quadrimestre de 11%.
07:03Então, a gente exportava, no passado, 4 bilhões de dólares por ano para os Estados Unidos.
07:10Com o tarifácio, o ano passado, nós exportamos 3,2 bilhões de dólares.
07:16Então, tivemos um retrocesso.
07:18O setor que mais sofreu dentro da BIMAC foi o setor de máquinas para a construção civil,
07:23máquinas da linha amarela.
07:25Em segundo lugar, quem mais sofreu foi o setor de componentes de máquinas.
07:3182% do que a gente exporta para os Estados Unidos são intercompany.
07:36Muitas coisas que filiais nossas lá, ou matrizes de filiais multinacionais aqui,
07:43importam para complementar uma máquina lá nos Estados Unidos.
07:46Então, os Estados Unidos tinham uma participação de 32% no que nós exportávamos
07:53de máquinas do Brasil para o mundo, e essa participação diminuiu para 22%.
07:59Entendi.
08:00E aí, para a gente completar, eu também fui atrás desses números da Comex,
08:04do fluxo contrário, das máquinas que saem do Brasil para os Estados Unidos.
08:09Como esse meu recorte foi muito pequeno, peguei três produtos,
08:12e com relação a um ano inteiro, o senhor trouxe aí um recorte mais específico do último trimestre.
08:18Aqui, eu achei números, por exemplo, equipamentos não elétricos,
08:22motores e máquinas para produção que não seja de energia não elétricos,
08:28uma participação de 3,3% em comparação com o ano anterior,
08:34quase 80 milhões de dólares.
08:37Componentes que produzem energia elétrica passou de 62 milhões de dólares,
08:42uma alta de 2,6% com relação ao ano anterior,
08:47e aparelhos elétricos, quase 10 milhões, uma alta de 0,4%.
08:52Aí, de novo, o senhor falou que houve uma queda substancial no último trimestre,
08:56eu tenho números comparativos de um ano para outro,
08:58ou seja, o que dá para concluir é que poderia ter sido muito melhor,
09:01então, esses números, se não tivéssemos sido atropelhados pelo tarifácio, né, seu Veloso?
09:07Sem dúvida, né, nós poderíamos ser melhores.
09:10Agora, nós estamos olhando para frente, né, e temos duas alternativas.
09:15Uma alternativa, se nós tivermos sucesso lá na negociação do presidente Lula com o presidente Trump,
09:21e tirarmos essa ameaça da 301, ou seja, ficarmos com a tarifa de 15%,
09:27a gente deve recuperar isso que nós perdemos nessas exportações para os Estados Unidos.
09:32Então, a gente aí faz uma previsão de voltar para o patamar de 4 bilhões de dólares
09:38e ter um crescimento aí da ordem de 11% a 12% esse ano.
09:42Na segunda hipótese, que é aquela de a gente ser penalizado pela 301,
09:48e uma hipótese trazendo de volta a tarifa para 50%,
09:53essa queda de 11%, ela pode aumentar e chegar até 25% nesse ano, né?
10:00Então, quer dizer, nós ainda, veja bem, a gente tem até dificuldade de fazer previsões,
10:07porque a gente não sabe o que o governo norte-americano vai decidir, né,
10:11e como será essa negociação com o Brasil.
10:13Então, imagina, se nós não conseguimos fazer previsão,
10:16imagina só, Marcelo, como está a cabeça de um empresário
10:20que não sabe, não tem previsibilidade de como a tarifa está lá.
10:26Agora, só para terminar, imagina só,
10:28um empresário norte-americano, que ele importa do mundo inteiro,
10:32ele tem a mesma falta de previsibilidade nos Estados Unidos.
10:35Então, são tempos difíceis que nós estamos atravessando
10:40e, oxalá, a gente consiga ultrapassar através de uma boa negociação.
10:46Tomara.
10:46Só em linha com o que o senhor estava falando, senhor José Veloso,
10:50por isso que as bolsas americanas caem sensivelmente na segunda-feira,
10:53muito por conta desse cenário de instabilidade.
10:57A lógica diz que os empresários americanos estão comemorando,
11:01ah, caiu para 15%, global, tudo mais,
11:04mas não se sabe se amanhã essas tarifas vão mudar.
11:07José Veloso, presidente executivo da Associação Brasileira
11:10da Indústria e Máquinas e Equipamentos,
11:13a Abimac gentilmente cedeu esclarecimentos a nós aqui.
11:17Silvio Veloso, obrigado mais uma vez, até uma próxima.
11:20Eu que agradeço, um grande abraço, Marcelo.
11:22Grande abraço.
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