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O Ibovespa B3 encerrou a semana em alta, apesar da forte volatilidade nos últimos dias. Para o economista-chefe da Uris Partners, Marcos de Marchi, o desempenho positivo da bolsa segue fortemente influenciado pelo cenário externo, com comportamento semelhante ao de outros mercados emergentes.

Em entrevista ao Jornal Times Brasil - Exclusivo CNBC, ele avalia se a bolsa ainda tem fôlego após subir cerca de 45% nos últimos 12 meses, comenta a revisão das projeções de crescimento e inflação feitas pelo Ministério da Fazenda e explica o que esperar da política de juros do Banco Central em 2026.

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Transcrição
00:00Para a conversa agora com o Marcos de Marque, ele é economista-chefe da URIS Partners.
00:05Marcos, boa noite para você, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:09Quero começar falando da Bolsa, que teve uma semana bem volátil,
00:13mas fechou tanto a sexta-feira quanto, se a gente considerar a semana toda, no azul.
00:18A que se deve esse desempenho nesses últimos dias, Marcos?
00:22Boa noite, para o deputado, vocês novamente.
00:25Gente, acredito que o plano de fundo externo continua sendo o grande influenciador
00:32da dinâmica dos ativos aqui no Brasil, seja a Bolsa, seja a moeda, seja juros.
00:38Juros, a gente tem esse componente que o Vinícius acabou de falar com relação ao Banco Central,
00:42mas o externo está dominando ainda toda a dinâmica dos ativos aqui no Brasil.
00:47E só para referendar o que eu estou falando, Cris, basta ver que as bolsas do México, Chile, Colômbia
00:54têm tido um comportamento muito parecido com a do Brasil.
00:57Então, assim, no final das contas, a gente vê que, em grande medida,
01:01apesar do governo, o Alar de A, o próprio Guilherme Nero Alar de A,
01:05que é fruto de uma política econômica saudável,
01:08é o que a gente está vendo, é o fator externo pesando nos ativos,
01:12em grande medida, nesse começo de ano.
01:14Vamos olhar para um período mais longo, últimos 12 meses.
01:18Ibovespa B3 cresceu impressionantes 45%.
01:23Na sua opinião, a Bolsa brasileira ainda tem fôlego para ir além, para crescer mais ainda?
01:29Cris, eu acredito que sim, mas acho que dependeremos aí de uma extensão desse rali positivo da Bolsa,
01:37de um posicionamento com relação à dinâmica fiscal futura.
01:43O que eu quero dizer aqui?
01:44A gente vai ter uma eleição, dentro de alguns meses,
01:46para esse movimento se sustentar, para uma sustentação prolongada da queda de juros aqui no Brasil,
01:55dependeremos aí de uma solução para o fiscal,
01:58que, por exemplo, hoje não foi oferecido nada de novidade,
02:01no sentido do que vai ser feito para controlar o crescimento da dívida pública.
02:05Então, existe espaço, a gente sabe há muito tempo que a Bolsa brasileira está barata,
02:10mas, novamente, esses 40 e poucos por cento de alta nos últimos 12 meses,
02:15se a gente procurar em outros mercados emergentes,
02:18foi também uma dinâmica muito parecida com o que a gente teve no Brasil.
02:21Então, em grande medida, o que a gente tem visto no Brasil ainda é reflexo do exterior,
02:25para algo adicional, para o Brasil se descolar dos demais,
02:28precisaríamos ver algo mais factível na solução de como lidar com a estabilização da dívida pública,
02:35que, por enquanto, parece bastante distante.
02:37O Ministério da Fazenda fez hoje uma pequena redução na projeção de crescimento desse ano,
02:43passou de 2,4 para 2,3,
02:46e também na previsão de inflação, de 3,6 para 3,5.
02:50Queria saber qual é a previsão de vocês
02:53e o que vocês esperam da política de juros do Banco Central esse ano?
02:58Olha, Cris, acho que essas projeções de crescimento e de inflação estão relativamente bem calibradas,
03:03a gente está com um crescimento por volta de 2% por ano,
03:06portanto, um pouquinho abaixo disso.
03:08Uma inflação entre 3,5 e 4 parece ser bastante razoável a essa altura do campeonato.
03:14A gente, na URIS, a gente acredita que a Selic vai cair para perto de 12% no final do ano,
03:21mais especificamente 12,25.
03:24E acho interessante que quando a gente olha, por exemplo, a ata do Banco Central divulgado nessa semana,
03:31está bastante em linha com o que a gente já vinha pensando.
03:34A Selic está alta, a Selic alta é um remédio para curar uma doença,
03:39a doença da inflação bastante elevada.
03:42O que a gente está vendo agora é que a gente vai entrar num momento
03:45que a necessidade da dosagem desse remédio vai ser menor.
03:50A questão é, a gente está pronto para sair dessa medicação?
03:55Nos parece que ainda não por conta de uma economia que ainda está muito aquecida,
03:59mercado de trabalho muito apertado.
04:02Quando a gente olha, por exemplo, a inflação no Brasil,
04:05a gente vê que o dólar ajudou para baixo a inflação,
04:07os alimentos ajudaram para baixo a inflação,
04:10a questão dos manufaturados chineses também está ajudando bastante na inflação,
04:14mas quando a gente vai olhar serviços,
04:16a inflação de serviços intensivos em mão de obra,
04:19está rodando ainda 7, 8% ao ano.
04:21E isso ainda é muito preocupante.
04:23Então, existe um espaço para reduzir o nível de restrição da política monetária,
04:27mas entrar numa fase estimulativa,
04:29a gente ainda acredita que dependerá, em última análise,
04:32de um ataque melhor na construção de um fiscal mais estável ao longo do tempo.
04:38Eu vou passar para a pergunta do Vinícius.
04:40Vinícius, por favor.
04:42Boa noite.
04:43A gente está falando do fiscal, está ruim,
04:46mas a questão é, vai piorar ainda esse ano com medida nova?
04:50O próprio secretário Guilherme Mello falou hoje que os gastos sociais estão crescendo,
04:546,6%, cresceram, 6,6% acima da inflação nos três anos do governo Lula 3.
05:00Mas isso vai piorar?
05:02Vai ter novidade por aí?
05:03Tinha gente temendo que sim, mas até agora parece que não.
05:07Na área do Banco Central da Política Monetária,
05:10há dúvidas ainda sobre o tamanho do corte.
05:12Se vai chegar a 12, tem gente que diz que para em 12,5,
05:15mas também não vai ter grande diferença se for por aí.
05:19De onde pode vir a grande novidade risco?
05:21É bagunça nos Estados Unidos?
05:23Problema no mercado de ações de lá?
05:25Ou alguma nova iniciativa do Trump que pode bagunçar a cotação do câmbio aqui no Brasil?
05:31Ou então até o resultado da eleição dos Estados Unidos fazendo com que o Trump perca poder?
05:36E muita gente está dizendo que isso faria com que o dólar se valorizasse.
05:39De onde pode vir a novidade nessa área de juros, bolsa, câmbio, fiscal, para a política econômica desse ano?
05:44Quer dizer, para a economia esse ano?
05:47É, Vinícius, eu acho que você falou bem, tem eleição americana também esse ano,
05:51que vai ser bastante próxima da nossa eleição.
05:54Então, esses eventos aí têm potencial de trazer mais volatilidade para os nossos ativos.
06:00No externo, acredito aí que deveremos, necessitamos ficar de olho nas atitudes populistas do Trump.
06:08Porque, por exemplo, toda essa história que a gente viu nesse começo de ano,
06:12Groenlândia, o Trump querer restringir acesso a estrangeiro a comprar imóveis no país,
06:18fazer com que os bancos coloquem teto de juros no cartão de crédito por lá,
06:24fazem parte de medidas populistas.
06:26E a gente sabe que a gente, na hora que entra em questões populistas,
06:30especialmente vindo da maior economia do mundo, isso pode bagunçar bastante o cenário.
06:34Por enquanto, esse tipo de atitude faz com que o dólar se enfraqueça.
06:40Então, isso acaba ajudando os países emergentes, ajudando o Brasil.
06:44Mas, sem dúvida, uma perda da Câmara, perda do controle do Senado,
06:48lá em outubro, por parte do Partido Republicano, pode sim trazer alguma consequência.
06:53Mas, antes disso, a gente vai estar vivenciando, inclusive, a eleição no Brasil.
06:57E só um ponto, Vinícius, você comentou um pouco a questão da dívida pública,
07:03o que pode ter de surpresa.
07:05Para mim, a questão, acho que para a maior parte dos economistas,
07:08é que a solução oferecida até o momento pelo governo na questão do fiscal,
07:12da dívida pública, tem sido pelo aumento da arrecadação.
07:16E a gente, quando a gente olha o Brasil, comparado aos demais países emergentes,
07:20o Brasil já tem a maior carga tributária desse grupo de países.
07:24Então, me parece que a gente está chegando no limite de tributar,
07:28de buscar mais fôlego fiscal via aumento de arrecadação.
07:32A gente está chegando perto do momento em que teremos que atacar,
07:36de qualquer maneira, o gasto.
07:39Vai ser por bem ou por mal.
07:40Ou vai ser um plano bem construído,
07:45ou em algum momento o mercado vai cobrar esse ajuste.
07:48O temor dos economistas é que a gente, próximo da eleição,
07:52tenha que ser levado a fazer alguma coisa à força,
07:55como é de praxe no Brasil.
07:56Se a gente pegar o histórico mais recente,
07:59todo o ajuste fiscal que acabamos por fazer
08:01foi após alguma crise, alguma piora, uma volatilidade grande dos ativos.
08:05Marcos, muito obrigada.
08:07Prazer falar com você.
08:08Um bom fim de semana.
08:10Pra vocês também.
08:10Enquanto as atenções...
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