00:00Dia de radar do mercado e agora a gente vai direto para Galápagos Capital com o repórter Pablo
00:12Waller que está lá com o economista chefe Tatiana Pinheiro. O foco é Estados Unidos. Quatro dirigentes
00:18do Fed falam hoje e o mercado tenta decifrar o rumo dos juros e também da atividade. E ainda,
00:24petróleo em alta com a trégua no Irã e o impacto disso nas bolsas pelo mundo. Boa tarde para você,
00:30Pablo e também para Tatiana. Oi, boa tarde a todos. Estávamos aqui já no Esquenta sobre esse tema
00:39justamente, né, Tatiana falando sobre petróleo, também sobre os dirigentes lá no FUNC, né, que devem falar
00:46ainda hoje. A gente está ainda nos Estados Unidos com um cenário de corte de juros breves? Não.
00:56Porque a gente já viu inclusive, né, outras instituições financeiras até falando que esse ano nem teria que
01:03ter corte de juros. Isso deixa Trump muito preocupado, para não dar um adjetivo, né, mais até a ver com ele
01:10mesmo, que nos perdoe. Então, hoje as falas dos membros do FUNC, as falas que ocorreram até agora,
01:17foram falas duras, falando da resistência, da resiliência, da atividade econômica, da questão da
01:24inflação estar acima da meta. Esse ano, né, agora a gente teve o dado do CPI e a gente viu que o ano de
01:312025 foi o quinto ano de inflação, que a inflação termina o ano acima da meta, né. E não é que termina um pouquinho
01:39acima da meta, terminou ainda significativamente acima da meta. Então, tem o Banco Central americano
01:46e os membros mantendo uma sinalização dura, em parte porque a composição de atividade e inflação
01:54está indicando mesmo que tem que ter uma sinalização, em parte também eu acho que em resposta a essa pressão
02:00que foi redobrada com a investigação e o processo em cima do FUNC, as intimações que foram feitas no começo do ano.
02:12Mas o que a gente acredita é que tem espaço sim para cortar juros, mas não agora, é mais no final do ano.
02:20O mercado precifica, nas apostas de mercado, olhando aqui a precificação de mercado, o mercado precifica 50%,
02:30um pouquinho mais de 50% de probabilidade de corte para junho. Então, tem um corte, o mercado precifica um corte
02:36como o FUNC, o Banco Central americano sinalizou, mas para junho. E a gente, eu, nós acreditamos aqui
02:44nos nossos modelos que é mais para o final do ano, não é nem junho, é mais para o final do ano.
02:48Pois é, JP Morgan ontem comentou sobre isso também, que para esse ano nem teria espaço, apesar de Trump
02:54pressionar tanto, ficaria talvez para o ano que vem ajuste mais para cima, não é?
03:00Sim, porque ainda tem uma questão, que é um debate que tem sido feito, que o impacto da tarifa sobre a economia americana
03:11ainda não foi completamente, não apareceu completamente. E que esse ano, ainda a gente deve ver muito desse impacto
03:20das tarifas, do aumento de tarifas, seja na inflação diretamente, seja na redução da produtividade da economia americana,
03:27que também resultaria em inflação. Então, tem muita gente preocupada com essa continuidade de impacto
03:35que a gente deve ver em inflação ao longo do ano. E aí, sim, abre espaço para um debate de necessidade
03:42de aumento de juros ali mais para frente. Eu não acho que esse é o principal cenário.
03:48Eu discordo um pouco dessa questão de que para o ano de 2027 precisaria de aumento de taxa de juros.
03:55Eu acho que não. Eu acho que ainda a taxa de juros americana está acima da neutra e faz sentido eles caminharem
04:02com a taxa de juros para neutralidade, mas muito devagar. Então, é um corte no final do ano e em 2027
04:12mais algum corte, mas muito lentamente.
04:16Vamos falar sobre aquele combo que ganha cada vez mais produtos, ingredientes ali, né?
04:21Venezuela, Irã, petróleo, toda essa disputa. Será que a gente pode ver, inclusive, petróleo
04:28sendo colocado cada vez mais como moeda de troca mesmo, sanções e tudo mais, já que os Estados Unidos
04:34avançam cada vez mais para justamente administrar isso pelo mundo?
04:40É, esse primeiro movimento da economia americana no começo do ano, já logo no dia 3 de janeiro,
04:48Venezuela, na sequência, Irã, ele traz aí uma reflexão para o mercado de petróleo, né?
04:57A Venezuela vai, é um aumento, uma expectativa de aumento de produção de petróleo no mundo.
05:06A OPEP já tem um aumento da produção, mas isso teria um aumento ainda maior da produção da OPEP.
05:11A Venezuela participando por conta aí da volta dessa, né?
05:16Do aumento de investimentos que teriam início uma resposta rápida de aumento de produção de petróleo.
05:27E aí, a questão do Irã coloca um pouquinho de sal nessa história,
05:34mas a gente já viu o presidente Trump voltando atrás de um ataque imediato ao Irã,
05:41que poderia piorar aí o preço de petróleo, mas não, falando aí da questão do Irã ter voltado atrás
05:48nas execuções dos manifestantes.
05:52Olha, o ano começou muito animado, nesse quesito, né?
05:56Na parte geopolítica, animado na questão do conflito geopolítico,
06:01já o político voltou à cena logo nos primeiros dias do ano.
06:05E isso tem a, eu acho que, incentiva um movimento que a gente viu ao longo de 2025,
06:12que é de diversificação, né?
06:14Então, os investidores, sejam os fundos, sejam as pessoas físicas, sejam os países,
06:19tentando diversificar um pouco dos ativos americanos e indo para outros, né?
06:26Começando a ter um pouco mais de outros ativos, o ouro, né?
06:29E o que aconteceu aí com o preço do ouro nesses primeiros dias do ano,
06:34acho que é uma prova cabal de que esse movimento que a gente viu no ano passado
06:39de enfraquecimento do dólar, dos investidores,
06:42indo buscar outras alternativas além dos ativos americanos,
06:47ele deve seguir esse ano.
06:49Pois é, a gente viu, inclusive, e o pior de tudo, né?
06:52Diríamos para o nosso lado, que fazemos parte do BRICS,
06:56é de que esses países desse bloco hoje foram alguns dos que mais diminuíram os investimentos
07:02nos treasuries americanos, nos títulos por lá, né?
07:05E estão investindo muito em ouro.
07:06O Brasil, por exemplo, teve movimentação em treasuries, diminuição de 26%,
07:11se não me engano, até com dados do próprio BRICS, né?
07:14Isso também acaba revelando que, no fundo de toda essa movimentação americana,
07:19a gente pode estar vendo simplesmente é impedir que outros países,
07:25como principalmente a China, cresçam demais, né?
07:28Até essas rotas marítimas que também estão em disputa hoje, né?
07:33E que Trump, inclusive, quer voltar,
07:36quer que os Estados Unidos volte a tomar toda a América como um bloco,
07:41diríamos assim, mas que seja mais subserviente aos Estados Unidos,
07:45também está nisso, né?
07:46E impedir que, em vez, então, da gente ter essa força de toda a América numa vertical,
07:53que a gente tenha nessa horizontal do hemisfério sul, né?
07:57Até que ponto, realmente, isso é o que pode atrapalhar as nossas relações
08:03e o quanto que eles, os americanos, conseguiriam impedir esse crescimento
08:09desse bloco que se forma aqui no hemisfério sul?
08:11Sim. Olha, isso são cenas para os próximos capítulos.
08:15Então, acho que, por enquanto, ninguém tem uma convicção a respeito
08:20do que isso pode dar, né?
08:23Essa influência do hemisfério ocidental, né?
08:27Que o Trump falou ali no anúncio dele em 3 de janeiro,
08:31logo após a invasão da Venezuela, né?
08:34Que os Estados Unidos querem retomar essa influência no hemisfério ocidental.
08:38E a gente sabe que o hemisfério ocidental, pelo Monroy Theory, é o continente americano, né?
08:44Então, ele está falando de América Latina, ponto.
08:47Os dobramentos dessa intenção do Trump, se ele for ao fim e ao cabo,
08:53para alguns países está meio claro, né?
08:56Então, esse ano, por exemplo, o México tem a negociação.
08:59Tanto o México como o Canadá, eles negociam, né?
09:03É mais uma etapa de negociação do acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
09:08E é lógico que os Estados Unidos vão querer ganhar mais espaço,
09:13principalmente no México, onde a China teve um aumento na relação comercial nos últimos anos, né?
09:20Então, para o México, está meio claro que a negociação com os Estados Unidos a respeito do comércio,
09:27que é essencial para a economia mexicana, vai ser um debate duro, né?
09:32Para a Venezuela, a gente não precisa nem comentar, né?
09:36O que pode ser.
09:37Para a Colômbia, também parece que vai ter uma influência muito forte,
09:41como a gente viu nas eleições na Argentina, no final do ano passado,
09:46deve ter, agora a Colômbia tem eleições para presidente nesse primeiro semestre
09:52e os Estados Unidos devem ter uma alta interferência lá.
09:58Para o Brasil, a coisa não é muito clara, né?
10:02O fato é que nos últimos 20 anos, os Estados Unidos,
10:07que era o nosso primeiro destino de exportações,
10:09passou a ser o nosso terceiro destino de exportações.
10:12E hoje, a gente exporta mais do que o dobro para a China,
10:17do que a gente exporta para os Estados Unidos.
10:19Então, não dá para saber se esse caminho tem volta.
10:27Obviamente, vai ter uma pressão,
10:29mas está em aberto o que pode ter de efeito para cima do Brasil
10:35e nas relações comerciais do Brasil,
10:37essa nova intenção dos Estados Unidos,
10:42de voltar a ter aí o seu campo de influência na América Latina.
10:46Rapidamente, você devia ter perguntado isso antes,
10:48nessa questão de agora.
10:50Está se perdendo confiança de investidor nos Estados Unidos,
10:53quando a gente vê essa diminuição de investimento em Treasury por lá?
10:56Sim, eu acho que isso não é agora,
11:01já foi ao longo de 2025.
11:03Desde o anúncio do Tarifácio,
11:05o primeiro anúncio ali no dia 2 de abril,
11:08o que a gente viu?
11:09A gente viu uma tendência de perda de valor do dólar
11:12perante as principais moedas do mundo.
11:15Isso aconteceu no ano de 2025
11:18e no ano de 2026,
11:21o que a princípio eu via
11:22era que o dólar não ia retomar esse valor.
11:26Mas, inclusive,
11:27com essa postura geopolítica mais agressiva
11:30que a gente viu no começo do ano,
11:31se ela perdurar ao longo do ano,
11:33ele pode, inclusive,
11:35continuar perdendo valor,
11:37continuar na mesma tendência
11:38de perda de valor que a gente viu em 2025.
11:41Muito obrigado, Tatiana Pinheiro,
11:43conversando ao vivo aqui com a gente.
11:45Marcelo.
11:45Obrigado a você, Pablo,
11:46e também a Tatiana Pinheiro pela entrevista.
11:49A gente vai agora para uma pausa,
11:50mas fique aqui no Times Brasil,
11:52licenciado exclusivo CNBC,
11:54líder mundial em negócios no Brasil.
11:56O Radar volta já.
12:05Radar do Mercado tem o apoio.
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