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O mercado brasileiro fechou praticamente estável, com Ibovespa B3 sustentado próximo a 165 mil pontos, enquanto investidores digerem tensões globais. Felipe Corleta, especialista em investimentos, explica como a geopolítica, as commodities e o dólar impactam a Bolsa e o ouro, além de estratégias para proteger sua carteira em momentos de incerteza.

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Transcrição
00:00O sino tocou, você já sabe, mercado financeiro fechou, encerrado o pregão nesta segunda-feira e a gente vai dar uma olhadinha aqui no Ibovespa B3.
00:09Encerrou o dia praticamente estável, andou do lado, ou melhor, andou de lado durante toda a sessão de hoje, com a ligeirinha alta 0,03%, mas até num patamar saudável.
00:20164.850 pontos, baixa liquidez, Wall Street fechado por causa do feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos e a gente teve ali um contrapeso.
00:32Petrobras puxando para cima e do outro lado a Vale para baixo e a gente acabou o dia praticamente no 0 a 0 com os investidores esperando aí notícias externas e defendendo posição.
00:45Já o dólar, o dólar caiu um pouquinho, 0,17% cotado a R$ 5,36.
00:52E para a gente entender um pouquinho como é que foi o mercado hoje nesta segunda-feira, eu vou receber aqui no radar o Felipe Corleta, sócio da Brasil Health.
01:02Oi Felipe, muito boa tarde, já boa noite, né? 6 e 3, boa noite para você, sempre bom tê-lo aqui. Tudo bem contigo, meu amigo?
01:10Boa noite, Eric, boa noite para todo mundo ligado aqui no Times Brasil, um prazer falar com vocês.
01:14Prazer é todo nosso, Felipe. Hoje foi um dia praticamente defender posição, o investidor não quis tomar ou fazer um movimento mais agressivo, porque a gente tem Wall Street fechado, né Corleta?
01:27Temos aí uma escalada de tensão, mas precisando entender, digerir aí as informações.
01:33E quando o Trump fala de tarifa aí Groenlândia, o mercado que a gente observou respondeu com ouro, com o sell bottom e até o franco suíço teve um bom desempenho, né?
01:43Conte um pouquinho para a gente do mercado financeiro aqui no Brasil e também de forma global.
01:50Bom, Eric, apesar do feriado em Wall Street, né? A gente teve os mercados negociando na Europa e os mercados de futuros em Chicago também negociando.
01:59E negociando com um apetite por risco bastante reduzido, como você bem trouxe ativos de proteção como ouro, franco suíço, a própria prata se destacando no pregão de hoje.
02:09Porque o mercado começa a digerir o que pode significar essas ameaças do Trump de tomada da Groenlândia, especialmente nas relações comerciais entre Estados Unidos e a União Europeia.
02:21A União Europeia que prepara aí um pacote de retaliação a essas tarifas anunciadas pelo Donald Trump.
02:28O que a gente viu logo no começo do governo Trump, no começo do seu primeiro ano de governo, que a gente está vendo agora também, é um Trump com uma postura mais agressiva no começo do ano e que tem trazido e que trouxe nesse primeiro semestre do seu governo uma valorização muito forte do dólar.
02:46É o dólar perdendo muita força ante outros pares de moedas no planeta, especialmente moedas de países desenvolvidos e essa é a dinâmica do dia de hoje.
02:57Quer dizer, um dólar fraco, bolsa americana fraca, amanhã deve ter uma abertura bastante em queda da bolsa americana, especialmente porque o mercado começou.
03:08Se a gente olhar depois ali na Venezuela, as próprias declarações do Marco Rubio, do Trump, de que a gente não faz ameaças vazias, o que a gente fala efetivamente, a gente toma medidas práticas em cima disso.
03:22Então isso traz ali uma sensação de risco muito grande para os mercados.
03:28O Brasil, por outro lado, parece passar de fora dessa história.
03:32O Brasil saiu do foco das tarifas do Trump, o Brasil não tem muita relação direta com essa dinâmica União Europeia-Estados Unidos.
03:44A gente acabou de assinar um novo acordo com o Mercosul União Europeia.
03:49O Brasil hoje perto do 0 a 0, um dólar inclusive em leve queda.
03:55Então o Brasil acaba passando meio de fora dessa história.
03:59O mercado financeiro aqui, lógico, uma certa cautela.
04:02A gente tem nessa próxima semana decisão de taxa de juros, o mercado bastante atento a isso também.
04:08Essa semana é uma semana relativamente desbaseada na agenda econômica local.
04:14Então o mercado bastante atento a essa abertura de amanhã nos Estados Unidos,
04:19depois que o Trump disse que quer tomar o controle da Groenlândia, que vai tarifar quem fica contra isso.
04:25A própria União Europeia ameaçando uma retaliação tarifária pelo outro lado.
04:31Então o mercado aí nesse compasso de cautela, nessa expectativa, comprando ativos de proteção.
04:36Corleta, sabe o que me chamou a atenção?
04:39Que apesar de uma bolsa brasileira ali no 0 a 0, o Ibovespa V3 até fechou num patamar de pontuação saudável.
04:47O recorde já passou de 165 mil pontos, mas beirou esse patamar, 164 mil e 800.
04:53Isso mostra que a bolsa brasileira está forte, sustentada.
04:59Como você disse, vai muito ao encontro que você disse, passa as margens dessa turbulência geopolítica?
05:06É, porque a turbulência geopolítica tem alguns impactos no mercado.
05:11E um deles é a desvalorização do dólar.
05:13Quando há desvalorização do dólar, isso tende a ser desinflacionário para o Brasil.
05:19Então, enfim, para o resto do mundo.
05:21Um dólar mais fraco significa produtos mais baratos para países que utilizam outras divisas que não o dólar.
05:29Euro, real, enfim, qualquer outra moeda, você tende a ter uma desinflação nesse cenário.
05:34E o Brasil, nesse momento, é verdade que a gente tem um ano turbulento pela frente, um ano com eleições presidenciais por aí.
05:41Mas o momento é bastante favorável para o Brasil, porque a gente tem uma inflação que pela primeira vez fechou dentro da meta.
05:48A gente tem uma expectativa de que haja o início de um ciclo de cortes da Selic logo nesse primeiro trimestre.
05:54Então, o investidor olha para o Brasil, temos uma taxa de juros que protege bastante a nossa moeda
06:00e uma bolsa que navega praticamente à margem dessa história toda de guerra comercial,
06:08especialmente centrada em commodities e no mercado interno.
06:11Então, você tem aí com as tensões no Irã, com as tensões na Venezuela, um petróleo que se valorizou bastante ao longo dos últimos meses.
06:19Isso tende a ser positivo para a Petrobras, que tem um peso relevante no índice.
06:24Os próprios metais também estão operando bastante bem, o que é positivo para a Vale, se a gente lembrar.
06:30Outros meses atrás, a Vale negociava perto de R$50, agora a gente está falando de um papel negociando a R$75,
06:35quer dizer, uma alta de 50% nos papéis da Vale recentemente.
06:40Então, isso puxou, animou a Bolsa, trouxe a Bolsa para esse recorde histórico da semana passada.
06:45E nesse momento, enquanto essa volatilidade eleitoral não vem, enquanto essa guerra comercial do Trump parece virar o foco da América Latina
06:56para a União Europeia, para questões envolvendo a Groenlândia, mais essa geopolítica global,
07:02isso pode ser positivo para que o nosso mercado se sustente, sim, próximo a esses níveis recordes.
07:07Só para a gente encerrar esse nosso bate-papo, Corleta, você falou muito da Vale, né?
07:11Apesar da Vale ter caído hoje, claro, impactada pelo minério de ferro lá na Bolsa de Daliã, que acabou caindo,
07:17é um momento bom para ficar de olho nos papéis das mineradoras, tendo em vista que a gente tem um ouro subindo,
07:22prata, cobre, isso pode influenciar positivamente?
07:26Olha, né, desses que você comentou, o cobre tem impacto na Vale, né?
07:30Mas a Vale é uma produtora de minério de ferro, então ela está muito mais vinculada à indústria siderúrgica,
07:37especialmente na China, né? Quer dizer, a produção de aço, que demanda muito minério,
07:42e não tanto nos metais preciosos, como ouro, prata e platina, por exemplo, né?
07:48Esses ativos, eles são mais atrelados ali à proteção, né?
07:52Quando você tem uma perspectiva de risco geopolítico, de novas guerras,
07:57quando você tem uma perspectiva de turbulência geopolítica,
08:00isso tende a trazer valorização para esses ativos de proteção,
08:04que vão desde as moedas mais estáveis, como o euro e o franco suíço,
08:10até os metais preciosos.
08:11A Vale, mais ligada nesse momento à atividade econômica na China,
08:16que tem mostrado também sinais de melhora.
08:20A China, se a gente lembrar, nos últimos anos vem de uma crise imobiliária muito profunda,
08:25quando você não tem construção civil aquecida, você não tem muita demanda por aço,
08:29e quando você não tem muita demanda por aço, você não tem tanta demanda por minérios.
08:32Parece estar em um ponto de inflexão, o que justifica, na minha opinião,
08:36essa alta toda que a Vale fez até agora.
08:40Agora, se é o momento agora de comprar ações da Vale,
08:42eu acho que é uma pergunta difícil, né?
08:44Você vê um papel que subiu 50% nos últimos meses,
08:47talvez fique um pouco aquela sensação de entrar no final da festa
08:51quem for comprar agora, certo?
08:54Então, tem que ficar atento a esses dados, especialmente a economia chinesa,
08:57a qual a Vale e os preços de minério são bastante sensíveis.
09:02Felipe Corleta, obrigado pela sua participação mais uma vez aqui no Radar.
09:07Um abraço para você e uma boa semana.
09:10Ótima semana para você.
09:12Obrigado.
09:12E aí
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