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As tensões comerciais entre Estados Unidos e Europa ganham força no Fórum Econômico Mundial, em Davos (SUI), em meio à crise da Groenlândia e ao discurso confrontacional de Donald Trump contra o multilateralismo. O evento reúne líderes globais em um momento decisivo para a economia e a geopolítica internacional. Para analisar como Davos pode influenciar decisões de governos e empresas ao longo do ano, o Fast Money conversa com Vitor Cabral, doutorando em relações internacionais pela Puc-Rio.

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Transcrição
00:00E a gente volta a falar de Davos. As tensões comerciais entre Estados Unidos e Europa diante
00:12da crise da Groenlândia devem ganhar peso nas conversas que acontecem a partir de hoje
00:17no Fórum Econômico Mundial, lá em Davos, na Suíça. O encontro reúne chefes de Estado,
00:23líderes empresariais, representantes de organizações internacionais e tudo isso
00:29num momento decisivo para a economia global, para a geopolítica. Para analisar como Davos pode orientar
00:36decisões de governos e empresas ao longo do ano, eu recebo aqui Vitor Cabral, que é doutorando em
00:44Relações Internacionais pela PUC do Rio de Janeiro, a quem eu desejo uma ótima tarde, um excelente
00:50começo de semana. Vitor, vamos começar por aí, porque é o seguinte, o Fórum de Davos já faz
00:57parte tradicionalmente de um roteiro de lideranças e empresários, cujo principal ponto de discussão
01:06negócios, economia, desenvolvimento econômico e multilateralismo. Esse ano, inclusive, eles
01:14colocaram como mote o tema principal, o espírito do diálogo, forçando para a cooperação. E chega
01:23a Donald Trump e diz que não quer cooperação nenhuma. Ele quer a Groenlândia, comandar a Groenlândia e quem
01:29não gostar vai sofrer sobretaxação e depois sobretaxações. Como é que um evento como o Fórum
01:39Econômico Mundial lá de Davos pode ser eclipsado por um discurso do Trump que não deixa de ser o homem
01:48mais importante do mundo, líder da maior economia do mundo, a maior influência política.
01:54Quer dizer, como é que o Trump consegue desmontar uma estrutura que, teoricamente, seria muito maior
02:00que os Estados Unidos? Boa tarde, muito obrigado pela presença mais uma vez.
02:06Boa tarde, Favari. Boa tarde a todo mundo que está assistindo a gente. O Trump, ele tem um histórico de
02:11ataques ao multilateralismo. Ele é uma pessoa extremamente contrária à globalização, ainda que a globalização tenha
02:17ajudado a elevar o enriquecimento global, mas ele tem uma perseguição à globalização, a todo o processo
02:24de multilateralismo, porque ele é defensor do protecionismo dos Estados Unidos. Ele quer que os Estados Unidos
02:30permaneçam enquanto liderança global, sem precisar se adequar a regras globais, principalmente em relação
02:36ao comércio. Então, ainda que os Estados Unidos tenham, por exemplo, liderado toda a construção de legislação
02:42do pós-segunda guerra mundial, para definir o direito internacional da forma como a gente conhece,
02:48e o Fórum de Davos, ele é um representante indireto desse processo, já que é um fórum multilateral
02:54de debate econômico entre lideranças políticas e empresários, para justamente conseguir derrubar
03:00as barreiras que existem para o comércio global. O Trump, ele não tem interesse nisso. Ele tem interesse
03:06que o comércio global esteja alinhado aos interesses dos Estados Unidos, ainda que para isso ele precise
03:13de alguma maneira atacar aliados econômicos e militares. Então, toda essa preocupação, por exemplo,
03:20que a Europa está vendo nos últimos dias com as ameaças do Trump em relação ao território da Brunelândia,
03:26são reforçadas nesse momento, inclusive em Davos, que já tem um histórico de fazer debates sobre mudanças
03:32climáticas, sobre questões relacionadas a refúgio, que tenta pensar em como que determinados desafios
03:38globais podem impactar a economia. E o Trump, nesse momento, ele vem de uma imagem de uma pessoa que está
03:45liderando a maior economia do planeta, sem dar qualquer tipo de lastro de credibilidade para o longo prazo.
03:52O Trump impõe tarifas a praticamente quase todos os países do mundo, ameaça os seus parceiros a
03:59sobretaxar ainda mais os seus produtos, mostrando que hoje já não basta você ser parceiro, você precisa
04:05se render aos interesses dos Estados Unidos. E isso, numa perspectiva econômica, é muito ruim, porque cria
04:10instabilidade econômica, instabilidade jurídica. O Trump, por exemplo, está atacando o presidente do Banco Central
04:16dos Estados Unidos, mostrando que a independência do Banco Central não é mais uma prioridade do país,
04:22e isso é ruim para todo mundo. Não à toa também que os empresários americanos estão processando o governo
04:27por conta das tarifas lançadas no ano passado, porque eles foram prejudicados. E isso num cenário
04:33do Fórum Econômico Mundial em Davos, que pauta-se na ideia do livre mercado, do multilateralismo,
04:39da queda de barreiras para ter maior comercialização e, contanto, maior facilidade do que o comércio
04:45possa ocorrer, é um grande problema, porque ele vai muito provavelmente, no seu discurso na quarta-feira,
04:51fazer ameaças aos seus parceiros. A gente pode esperar isso. Ele já vem ameaçando diretamente
04:56nos países, responde já cartas de primeiros ministros e outras figuras importantes,
05:02mostrando quais são os seus interesses geopolíticos, e isso num contexto em que a economia global
05:07está desacelerando e que a Europa está preocupada com os seus rumos, ela provavelmente vai ver,
05:13a partir do Fórum Econômico de Davos, que já não é mais possível confiar nos Estados Unidos
05:18sobre Donald Trump. Não à toa que a gente vê a União Europeia buscando acordos laterais
05:24para poder conseguir deixar de ter essa dependência econômica com os Estados Unidos
05:29e parte, finalmente, para esse acordo com o Mercosul, depois de quase, depois de mais de 25 anos
05:35enrolando para esse acordo sair. A Fernanda Ricados era presidente do Brasil
05:39quando esse acordo começou a ser desenhado, somente agora ele sai.
05:42Então, essa também é uma demonstração de como que a Europa está preocupada
05:45em não poder mais depender dos Estados Unidos, que quando impõe tarifas,
05:50determina que os países europeus precisam dar determinadas salvaguardas energéticas e militares
05:59para que os Estados Unidos reduzam ou não as taxas, o que vai depender, justamente, do bom humor do Trump ou não.
06:06Vitor, muito rapidamente, infelizmente a gente tem mais um minutinho só de conversa,
06:10eu queria nacionalizar um pouco a nossa pauta, olhando para Davos,
06:14que, por mais um ano, pelo segundo consecutivo, o Brasil não dá muita bola para Davos,
06:21não manda ali uma comitiva de alto escalão, o presidente não vai, os principais ministros não vão,
06:28cabe ao empresariado brasileiro representar a voz aí do Brasil,
06:33nesse contexto em que o Brasil ganha cada vez mais destaque dentro do G20,
06:38dentro do BRICS, dentro do cenário internacional.
06:41Você, que é um estudioso acadêmico das relações internacionais, passa pelo estudo da diplomacia também,
06:48como é que o Brasil se apequena diante de um evento, de um empalco desse tamanho?
06:54Eu queria saber a sua análise nesse sentido.
06:58Eu acho que talvez esse processo do Brasil se distanciar de determinadas decisões
07:02parte justamente de entender que alguns espaços não vão ser mais importantes hoje no debate global.
07:08fora pelo âmbito de Davos, ele vem perdendo importância, principalmente desde a pandemia,
07:13esse não é um processo só do governo Lula, a gente já viu um certo distanciamento também com o governo Bolsonaro,
07:19ainda mandava pessoas de um primeiro escalão, mas já existia esse distanciamento em relação ao fórum,
07:25porque ele justamente se enfraqueceu.
07:26O comércio global vem sendo atacado em diferentes momentos desde a pandemia,
07:30esse momento que a gente para para pensar no protecionismo dos estados,
07:34e o comércio perde. Então, a gente vê o enfraquecimento do fórum global do Fórum Econômico Mundial,
07:40vemos o enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio,
07:43e não passa, não deixa de ser um projeto dos Estados Unidos.
07:46E eu acho que talvez a diplomacia brasileira esteja entendendo
07:49que talvez a nossa presença em peso ali, talvez já não seja importante,
07:53porque talvez no fórum a gente já não consiga mais fazer grandes acordos e decisões
07:59como em outras décadas nós conseguimos. Até porque o Brasil liderou recentemente
08:04esse processo do Acordo União Europeia com o Mercosul, e esse acordo conseguiu ser definido
08:11e fechado sem a necessidade desses fóruns, como o Fórum de Davos ou a OMC.
08:16Então, talvez a nossa diplomacia esteja entendendo que é necessário lutar
08:20determinadas batalhas e deixar outras de lado, por entender que o esforço já não vale
08:24mais tanta pena. Essa perspectiva minha, inicial, a gente não tem muitas informações
08:30de Itamaraty, a diplomacia funciona com outros prazos e nem sempre a gente consegue
08:34ler com clareza a cada passo que a diplomacia dá. Muitas vezes a gente só vai descobrir
08:39o real interesse tempos depois. Mas, ao que tudo indica, nesse momento talvez seja
08:44justamente escolher quais batalhas são possíveis de serem lutadas ou não
08:47e onde é importante estar participando. A gente conseguiu o maior acordo econômico
08:51do mundo nesse século. Então, talvez o Fórum Global de Davos tenha perdido
08:55a importância pra gente.
08:57Queria agradecer mais uma vez aqui os esclarecimentos do Vitor Cabral,
09:01Vitor Cabral, doutorando em Relações Internacionais pela PUC do Rio de Janeiro.
09:06Vitor, obrigado mais uma vez. Até uma próxima.
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