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O economista e consultor financeiro André Mirsky analisou o encontro entre Estados Unidos, China e Reino Unido em Londres. Ele explicou os impactos geopolíticos, a disputa por terras raras, o papel de Trump e a pressão sobre os juros nos EUA. Entenda o que está em jogo nesse movimento global.

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Transcrição
00:00E sobre esse encontro eu converso com o André Mirski, que é economista e consultor financeiro.
00:06André, muito boa noite, obrigado mais uma vez por participar aqui da nossa programação.
00:11O que a gente pode esperar desse encontro na segunda-feira?
00:14Será que americanos e chineses vão conseguir chegar num entendimento?
00:20Só lembrando que o encontro acontece em Londres e, obviamente,
00:24haverá representantes do governo britânico aí para formar uma tríade.
00:28Mas daqui a pouco a gente chega no Reino Unido.
00:30Vamos falar primeiro de Estados Unidos e China.
00:33Qual é a chance de acerto aí entre esses dois gigantes?
00:36Boa noite mais uma vez.
00:37Boa noite, Favale.
00:39Eles têm todas as grandes chances de se acertarem,
00:42até porque nesse período de tréguas que tem havido,
00:45esses 90 dias, tanto de um lado como para o outro,
00:48chega a essa conclusão que um depende do outro.
00:51O próprio acordo que eles fizeram, ainda que informal,
00:54mas já visando uma alerta sobre as terras raras agora na semana passada,
01:03enfoca justamente a capacidade da China de barganha
01:07perante as investidas de Donald Trump em relação ao comércio internacional.
01:12Então, tem todas as chances, sim, de se entenderem perfeitamente
01:15nesse começo de conversações.
01:18Agora, vou colocar esse terceiro elemento na mesa,
01:23que são os britânicos.
01:24O encontro acontece na Inglaterra e o Reino Unido,
01:29que está muito longe do seu melhor momento econômico,
01:35fora da zona do euro,
01:37perdão, o Reino Unido nunca esteja na zona do euro,
01:40fora da União Europeia há cinco anos,
01:42sentindo os efeitos do Brexit agora pesadamente,
01:47buscando aí uma tábua de salvação no meio da enchente, né?
01:50Tentando se reaproximar um pouco mais dos Estados Unidos.
01:53Já teve um acordo entre o Keir Starmer,
01:57que é o primeiro-ministro britânico,
01:59com o Donald Trump, com o governo na Casa Branca,
02:01também acenando para a China.
02:04Nesse caso, o Reino Unido,
02:06ele entra mais para ajudar ou para atrapalhar?
02:08Porque aí ele também pode ser um ponto de saída
02:10para os dois lados, ou não?
02:12Com certeza.
02:14Ele entra como um ponto de equilíbrio
02:16e de mediação diplomática entre eles,
02:20mas também tem o seu interesse.
02:22Desde que começou a haver essa questão das tarifas do Donald Trump,
02:26o movimento geopolítico foi alterado.
02:30Grandes players, por exemplo, o caso Brasil e a União Europeia,
02:34que tinham, por exemplo, o acordo deles paralisado há muito tempo,
02:40voltaram a acelerar as conversações.
02:46Então, todo mundo está tentando se posicionar de um lado ou de outro
02:50para que possa ganhar vantagem nesse conflito.
02:56Nós tivemos uma situação essa semana agora na União Europeia
02:59que fábricas e automóveis paralisaram justamente
03:01por falta das terras raras,
03:04desses componentes que servem de base para poder
03:06construção de componentes eletrônicos e industriais,
03:10que chamaram a atenção, de fato, de quem é o dono do mundo,
03:15se a gente pode dizer assim.
03:16Então, não existe, de fato, um contrapeso dos Estados Unidos e China,
03:21mas todos os dois têm grandes necessidades e grandes vantagens.
03:26Então, a Inglaterra, como a União Europeia, como o Brasil,
03:30como outros blocos, eles têm se posicionado, sim,
03:33para não só mediar, mas também ganhar vantagem com isso.
03:37Mas, Mirky, convenhamos que a pergunta do século XXI vai ser essa,
03:42quem vai ser o dono do mundo.
03:44Mas a gente ainda tem mais 70% do século para esperar essa resposta.
03:49Queria olhar um pouco para os Estados Unidos,
03:51porque ontem a gente viu um resultado do mercado de trabalho americano
03:54melhor do que o esperado e ali desenhado pelos analistas.
04:00Dá para dizer que a economia americana ainda não sente os efeitos das tarifas
04:04ou ainda o pior estar por vir ou não vai ter o pior por vir?
04:10Porque é o seguinte, a partir de quando a gente pode achar que esses efeitos mais fortes
04:17da economia americana vão vir com dados negativos nos índices que saem aí quinzenalmente?
04:22O problema dos Estados Unidos é muito mais complexo do que a questão das tarifas.
04:29Os dados do payroll americano que vieram ontem,
04:31que são a criação de empregos não agrícolas,
04:35eles foram acima do esperado, sim.
04:37Porém, eles vêm refletindo uma diminuição do seu valor ao longo dos últimos tempos.
04:42Isso significa o quê?
04:44Que as empresas, de fato, estão segurando, estão mantendo o posto de trabalho
04:49e estão perante uma instabilidade da economia americana
04:54e de saber o que vai acontecer.
04:57Há uma guerra muito grande, e essa é a principal americana hoje,
05:00que tem a ver com a questão da taxa de juros americana,
05:02que o Fed insiste em manter inalterada por conta de valores da inflação
05:08que ainda são altos, e nessa ótica o payroll vem reforçar essa justificativa do Fed,
05:15que vai contra aquilo que Donald Trump pretende com esse tarifácio
05:20e toda essa sua política econômica nesse momento.
05:24Porque justamente a dívida americana a longo prazo,
05:28com os juros no valor alto que está nesse momento,
05:30torna-se impagável.
05:32E é uma questão muito mais séria de default americano
05:35do que propriamente a questão do tarifácio.
05:38Deixa eu manter, porque todo mundo está olhando com binóculo
05:43e até alguns com lunetas para ver até onde vão os juros dos Estados Unidos,
05:48porque são muito balizadores, né, Mersky?
05:52O embate dessa semana entre Trump e Elon Musk é só o mais recente.
05:58Antes deste capítulo, a vítima anterior era o Jeremy Powell,
06:02o presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano,
06:05que vira e mexe e volta a ser criticado duramente,
06:10jocosamente pelo Donald Trump.
06:13Afinal de contas, quem que tem razão nessa história?
06:16Porque cada um está puxando a corda para o seu lado.
06:18O Donald Trump, obviamente, quer baixar a taxa de juros
06:21para deixar o dinheiro mais barato para o investidor,
06:25para o empreendedor, para o consumidor,
06:28principalmente da classe média baixa,
06:29que quer comprar produtos de alto valor agregado a prazo,
06:33casa, carro, linha branca de eletrodomésticos.
06:36Só que o Federal Reserve tem esse freio de mão
06:40para segurar a inflação.
06:43Eles ainda não acharam um meio termo.
06:45Qual que é a tua sugestão?
06:48Temos uma previsão, pelo menos,
06:50para baixa de taxa de juros?
06:52Porque é o que todo investidor quer saber.
06:53A tendência que o Fed, esse ano,
06:58já sinalizou e começaria a sinalizar, de fato,
07:02uma diminuição das taxas de juros
07:03a partir do momento em que ele tivesse
07:05uma segurança nos números.
07:07Jeremy Powell tem uma postura muito conservadora, sim.
07:10E aquilo que Donald Trump tem tentado fazer,
07:13a gente não pode esquecer dois detalhes.
07:15O primeiro é que ele ainda tem a maioria republicana,
07:19apesar de já haver problemas internos no partido
07:22quanto à aprovação do pacote que ele determinou
07:26para a diminuição de gastos públicos,
07:28o que seria o ideal.
07:29Então, ele já começa a ter uma situação
07:31de instabilidade política,
07:33ano que vem, ano,
07:34de eleições intercaladas nos Estados Unidos.
07:36E, portanto, o Donald Trump não pode ser reeleito.
07:40Então, ele é a pessoa que está mexendo mais
07:43esses tabuleiros para poder conseguir
07:45ter alguma consequência prática do seu governo.
07:51No caso dos investidores,
07:54o que nos interessa muito, de fato,
07:56é a questão da taxa de juros.
07:57A taxa de juros, independente de ser uma coisa benéfica
08:01para os investimentos, os empréstimos,
08:05enfim, toda a economia que gera com financiamento
08:08conseguir baixar,
08:10ela é um grande indicador de que a economia está bem,
08:13que a gente está numa necessidade de crescimento.
08:16E se a gente cresce,
08:17por exemplo, no caso do payroll,
08:18o número de referência do payroll americano
08:22deve ser em torno de 100 mil
08:23novos postos de trabalho por mês,
08:26o que corresponde a novos nascimentos americanos.
08:32Então, existem correlações desses números
08:37e, nesse momento,
08:38todo mundo está fazendo o seu dever de casa.
08:41as coisas ainda não chegaram a se encontrar
08:43todas como todos querem.
08:46André Mirski, para encerrar,
08:47eu só queria te pedir um favor.
08:48Deixe o seu celular sempre ligado,
08:50porque a gente vai te ligar várias vezes,
08:52até porque está previsto aí
08:54uma pressão do Donald Trump
08:57para que a votação no Senado
08:58do orçamento,
09:00que é outro assunto espinhoso
09:02e que vai ter um impacto global,
09:05o crescimento da dívida americana
09:06deve estar marcado para 4 de julho,
09:08data da independência dos Estados Unidos,
09:10é uma data simbólica,
09:11Donald Trump vai querer essa aprovação até lá.
09:15Então, tenho certeza que até lá
09:17e depois nós vamos nos falar algumas vezes.
09:20Uma pena que o nosso tempo é curto aqui
09:21para conversarmos sobre um assunto
09:24que tem tantas variáveis.
09:26Conversei com André Mirski,
09:28consultor financeiro economista
09:30e que sempre nos atende aqui
09:31com muita clareza e muito cuidado.
09:33Mirski, bom restinho de sábado,
09:35ótimo domingo e até a próxima.
09:37Muito obrigado, Favari, e para você também.
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