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O Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, começa nesta semana em meio a um cenário de crescente tensão geopolítica e enfraquecimento da cooperação internacional. Para comentar as expectativas para o encontro, o Real Time conversou com Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais e Economia do IBMEC São Paulo.

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Transcrição
00:00O Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, começa hoje.
00:04Durante cinco dias, empresários, chefes de Estado e de governo, além da sociedade civil,
00:09debaterão temas como novas fontes de crescimento econômico,
00:12o aumento da cooperação e a busca da prosperidade, respeitando os limites do planeta.
00:16Para comentar as expectativas para o encontro,
00:18eu converso agora com o professor de Relações Internacionais e Economia do IBMEC,
00:22São Paulo, Alexandre Pires.
00:24Bom dia, professor. Bom dia e bem-vindo.
00:27Bom dia, Felipe.
00:30Professor, começa hoje Davos, um evento superimportante,
00:35sociedade civil, líderes mundiais, chefes de Estado,
00:38mas o clima na Europa não está exatamente dos melhores,
00:41principalmente depois a gente vê essa pressão que o presidente Donald Trump tem feito em relação à Groenlândia.
00:46Como é que isso pode afetar? Que tipo de sensação a gente vai ter nesse evento?
00:50O que você está prevendo para esse início de Davos aí?
00:54Nós temos sempre um fórum muito mais técnico, com a presença mais de ministros.
00:59Esse vai ter um recorde ali de chefes de Estado, chefes de governo, muitos ainda serem confirmados,
01:05mas é, sem dúvida, uma oportunidade para que algumas posições sobre esse conflito apareçam.
01:13Mas é interessante, Felipe, é que o principal documento que existe é o relatório de risco global,
01:20que saiu semana passada, e ele já coloca essa questão de nós estarmos entrando numa era de uma competição
01:27e não mais de uma colaboração entre os países.
01:30Ou seja, a ideia de que existiria uma multipolaridade surgindo sem multilateralismo,
01:36ou seja, sem o acordo que foi firmado lá depois da Segunda Guerra Mundial.
01:41Tudo isso deve aparecer nas discussões.
01:46Agora, professor, a gente está prevendo a presença de vários chefes de Estado,
01:51inclusive o presidente Donald Trump, na quarta-feira.
01:54Como é que pode ser a reação aí, a fala do presidente Trump?
01:57O que ele pode trazer?
01:58Qual o tipo de expectativa em relação à presença do Donald Trump
02:01em meio ali a tantos líderes europeus?
02:03Acredito que vão levar muito a sério o que ele vier a dizer,
02:08porque aquilo que ele já disse nas Nações Unidas acabou se comprovando.
02:13Então, aquela ideia de que o Trump estaria sempre blefando
02:16parece ter caído por terra nesse último ano,
02:20ou seja, no seu primeiro ano de governo.
02:23Então, nós temos uma situação em que o discurso dele vai ser muito esperado
02:28como sinalização de mais instabilidade global
02:32ou de algum mecanismo ali que vai surgir
02:35para começar a dar alguma previsibilidade.
02:37Lembrando que uma das palavras-chave desse ano, sem dúvida, vai ser incerteza.
02:43Professor, em relação à questão, não vou dizer militar ainda,
02:48porque não chegamos a isso,
02:49mas como é que você vê essa relação,
02:50como é que você vê essa relação entre a OTAN e a Europa e os Estados Unidos agora?
02:54Essas ameaças à Groenlândia podem representar o fim da OTAN?
02:59Como é que a gente pode esperar que a entidade,
03:02que essa instituição que nasceu ali depois da Segunda Guerra,
03:05como é que ela pode reagir a uma ameaça tão direta do presidente Donald Trump?
03:10O sistema de segurança americano tem, ao longo dos anos,
03:16três grandes escudos que foram montados,
03:19uns com mais força, outros com menos.
03:20Com mais força é esse que você acabou de falar,
03:22que é a aliança do Atlântico Norte e a OTAN.
03:25Depois são os países ali, as ilhas do Pacífico
03:29e a Oceania com a Austrália e Nova Zelândia.
03:32E a América do Sul, pelo Tratado do Rio,
03:36seria também um ponto importante nessa estrutura.
03:39Então, os Estados Unidos também não podem se desfazer da OTAN.
03:42Por outro lado, a Europa também não pode ficar sem os Estados Unidos,
03:47porque, como nós já estamos vendo, Felipe, com a guerra da Ucrânia,
03:51todas as guerras viram guerras de atrito,
03:54ou seja, quem tem mais recursos e capacidade produtiva vence.
03:58Então, essa capacidade produtiva militar, todos nós sabemos,
04:03está instalada nos Estados Unidos.
04:05Então, não tem como a própria OTAN ficar sem isso.
04:08A gente viu as manobras da Dinamarca, os exercícios em relação à Groenlândia,
04:14e você deve ter reparado que os caças que eles usaram eram F-35 norte-americanos.
04:21Com certeza, uma ironia, não é, professor?
04:23Professor, eu acho uma coisa que todo mundo pergunta,
04:25a gente ouve falar dessa ameaça à Groenlândia, à Europa, aos Estados Unidos,
04:29nessa guerra comercial, possível guerra comercial com tarifas e tudo mais.
04:33E o Brasil, onde é que fica nisso?
04:34A gente fica se perguntando como é que esse conflito,
04:37que ainda não é um conflito extremo, mas é um conflito que está se desenhando,
04:41como é que isso pode afetar o Brasil e a economia brasileira?
04:44O Brasil, nesse terceiro governo Lula,
04:48vinha solidificando aquela aproximação que começou lá atrás, em 2003,
04:53desses países que, digamos, seriam mais anti-americanos
04:57ou maiores competidores dos Estados Unidos.
05:00Então, o Brasil fez uma estratégia que, em um primeiro momento,
05:04nós chamaríamos de neutralidade, negocio com todos.
05:07E, nos últimos anos, veio se aproximando muito,
05:10até por razões econômicas, da China e, em segundo lugar, de Rússia, Irã,
05:16tivemos contato com Venezuela.
05:17Esse mundo parece que não é um mundo que os Estados Unidos vão permitir.
05:21Dou um exemplo bem claro.
05:23A Índia, que, para mim, é a estratégia mais bem-sucedida nos últimos anos,
05:28ela adotou essa lógica da neutralidade.
05:31Eu falo com todo mundo e compro caças F-35 dos Estados Unidos.
05:35Os Estados Unidos já colocaram um freio nisso, falaram que a Índia tem que se posicionar.
05:40E o Brasil está na mesma situação.
05:42Se o Brasil não jogar bem, nós podemos ficar na linha de fogo
05:46dessas grandes potências que estão disputando aí uma reorganização da ordem internacional.
05:52Antes de você falar isso, ontem o presidente Lula assinou, publicou um artigo no jornal americano
05:59The New York Times defendendo o multilateralismo.
06:02Eu queria saber a sua opinião.
06:03Essa defesa do presidente Lula, ele se colocar como uma espécie de protagonista,
06:07de líder do movimento, buscando ali, defendendo o multilateralismo,
06:11nesse momento que o mundo se divide em blocos, qual é o risco para o Brasil disso?
06:15Isso aí é uma repetição que o presidente Lula tem feito dessa posição
06:22e eu fico muito preocupado porque o multilateralismo morreu.
06:26Não há como ressuscitá-lo e não vai ser com um artigo no New York Times.
06:33O que nós temos que ter, do ponto de vista do Brasil, é um pragmatismo internacional.
06:39Não podemos romper os laços com os parceiros europeus, com os parceiros norte-americanos,
06:46mas conseguindo ali manter contatos com os parceiros asiáticos.
06:52Isso tem que ter uma orquestração.
06:55Então, muito desse discurso do multilateralismo parece uma negação de uma realidade.
07:00O cenário, por exemplo, desse relatório de risco global que eu falei, Felipe,
07:05até 2036 é esse mundo que nós estamos vivendo, ou seja, é um mundo da competição,
07:12da fragmentação das cadeias de produção, do uso dos investimentos, da tecnologia e das finanças
07:18como arma de um confronto geoeconômico.
07:21O Brasil tem que se posicionar para esse novo mundo,
07:24porque aquilo que nós vimos nos últimos 70 anos, isso acabou.
07:29Muito obrigado pela sua participação nessa manhã de hoje, professor Alexandre Pires,
07:34professor de Relações Internacionais e Economia do IEMEC.
07:37Professor, obrigado mais uma vez, a gente volta a se falar.
07:40Eu que agradeço.
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