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Os conflitos geopolíticos e a queda nos estoques globais deixam o mercado de café sob pressão. Em entrevista ao Pré Market, Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), explicou como o Brasil encara a safra 2026, os impactos das tarifas e as perspectivas para exportações, preços e indústria cafeeira.

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Transcrição
00:00Os recentes conflitos geopolíticos ao redor do mundo mantêm o mercado de café em alerta.
00:12Essas incertezas colocam ainda mais pressão sobre o mercado, uma vez que os estoques mundiais
00:18devem terminar a safra 2025 e 2026 em apenas 20,15 milhões de sacas, bem abaixo dos 31,94
00:28milhões registrados em 2020 e 2021, lá na safra de 5 anos atrás.
00:34E para discutir este cenário e as possíveis consequências para o mercado do grão, eu
00:38converso agora com o Marcos Matos, ele é diretor-geral do Secafé.
00:43Oi Marcos, muito bom dia para você, bom falar contigo novamente, seja bem-vindo aqui ao
00:48Pre-Market, tudo bem contigo Marcos?
00:51Olá Eric Klein, como você está?
00:54Muito obrigado pela oportunidade de estar com vocês novamente.
00:56Ah, é um prazer sempre falar contigo, viu?
00:58E o nosso analista Rodrigo Loureiro também vai participar desse nosso bate-papo.
01:04Ô Marcos, a gente viu que o café no ano passado passou por alguns problemas, né?
01:09Problemas tarifários, né?
01:10Já que estava bem impactado, ou foi bem impactado por causa da sobretaxa de Donald Trump.
01:16Agora que começa a ganhar um fôlego, a gente vê que talvez a demanda irá pressionar e
01:22você não tenha muita oferta.
01:23como é que você analisa esse cenário, né?
01:26De um lado, no ano passado você teve o problema de taxa e tinha o produto, e desse ano agora
01:32talvez você tenha menos taxas, mas talvez falte produtos para você colocar nos mercados
01:38internacionais?
01:40Olha Eric, para contextualizar essa questão, é importante retomar algo que você já mesmo
01:45mencionou, que é a redução dos estoques.
01:47Ou seja, no caso do café, não se trata mais de uma questão conjuntural, e sim estruturante.
01:54Porque desde 2020, quando o Brasil teve uma safra recorde, todos os anos nós passamos
01:59por desafios climáticos, seja por geada em 21, ondas de calor, seca, né?
02:04Que nós vimos nos anos todos.
02:06Então, o que aconteceu?
02:07O mundo veio com consumo firme e forte, crescendo até mesmo nos mercados tradicionais e é puxado
02:13ainda mais pelos mercados emergentes.
02:15Podemos citar aqui China, países árabes, Oceania, e a produção passou por sérias dificuldades.
02:22Vamos aqui lembrar 2025.
02:24Nós vamos fechar o ano, estamos terminando de compilar os dados, com um pouco mais de
02:2920% de retração em volume, mas quando o Brasil produz menos, exporta menos, a gente
02:36obviamente tem uma valorização ainda mais forte do produto, por isso que a gente chegou
02:40com uma valorização quase 30% acima em relação a 2024 e tivemos recorde na nossa receita
02:46cambial, mais 25% nas receitas cambiais, ou seja, menos produto, valorizou o produto e tivemos
02:53receitas cambiais recordes.
02:54Então, com tarifaço, sem tarifaço, com todas essas preocupações geopolíticas, a
03:00gente obviamente continua a ser muito eficiente na cadeia.
03:03Qual é o nosso papel?
03:05Exportar, exportar com qualidade, com sustentabilidade, com credibilidade e ser eficiente na transmissão
03:11de preço, fora a exportação ao cafeicultor, que a gente fechou o ano passado em cerca de
03:1692%, ou seja, o preço que a gente consegue vender, a maior parte vai para o bolso do cafeicultor.
03:22Bom dia.
03:23Maria, pensando nessa questão dos estoques, de todos os conflitos geopolíticos, de todos
03:28os problemas, pergunta aqui que o consumidor quer saber, o cafezinho brasileiro vai ficar
03:33mais caro?
03:35Para responder essa pergunta, vamos acompanhar as condições climáticas.
03:39O Brasil agora entra no contexto da safra 2026, que vai ser colhida, no caso do Conilon,
03:46a partir de abril e no caso do Arata, a partir de maio e vamos até meados de agosto, terminando
03:50de colher a nossa safra 2026.
03:52Janeiro, fevereiro e março são os meses em que o café mostra a sua produção, é o enchimento
03:58do grão, é onde define produtividade, produção, qualidade, defeitos.
04:04Então, tudo isso é um momento crítico que a gente vive.
04:07Então, a gente precisa de um verão equilibrado, continuando as chuvas nas 39 regiões produtoras.
04:12Nós precisamos estar atentos às ondas de calor, porque sofre muito, no caso do café
04:16Arábica, ele sofre muito, um pouquinho menos o Conilon, porque o Conilon, esse sim, vem
04:22batendo recordes de produção, não é o caso do Arábica, que desde 2020 a gente não
04:25sabe, nunca atingiu de novo aqueles patamares de quase 50 milhões de sacos em 2020.
04:30Então, tudo isso impacta e a gente tem que acompanhar.
04:34Se os modelos meteorológicos estiverem certos e tudo indica que a gente pode ter, sim, esses
04:40próximos meses, incluindo janeiro, bons em termos de chuva, nós vamos ter uma safra
04:44muito boa.
04:45Mas o que a gente imagina?
04:47Que o café não vai ser o vilão em impactar nos índices inflacionários, ao mesmo tempo
04:53não vai solucionar essa questão estrutural, porque o Brasil precisaria de, pelo menos,
04:58ali, de duas a três safras recordes para equilibrar a relação estoque-uso.
05:04Nós falamos aqui, foi mencionado pelo Eric, quase 32 milhões de sacas no ciclo 20 até
05:09o 21, hoje nós estamos com 20, só que o nosso consumo é muito maior, o consumo mundial
05:14já chega próximo a 180 milhões de sacas, nós crescemos muito em relação ao 2020,
05:19então a relação estoque-uso fica ainda mais pressionado.
05:22Então, o que nós dissemos?
05:23Vai ser algo que remunera o cafeicultor, não vai pressionar os índices inflacionários.
05:28Agora, se tivermos uma estiagem e problemas na safra brasileira, ali vai ser muito difícil,
05:33porque não existe teto.
05:36Então, eu vou ter que te perguntar, ou fazer você realizar aí um exercício de futurologia.
05:44Você me disse que no ano passado teve uma retração do setor de 20%.
05:47Este ano, quais são as perspectivas?
05:50E eu até estou te colocando isso por causa das tarifas, da liberação um pouquinho mais
05:55das tarifas, e não por causa do clima e das sacas.
05:59Você acha que pode voltar a crescer?
06:02Ou qual que vai ser o impacto?
06:03Quem pode ser mais sentido?
06:05O do café moído?
06:06O de grãos?
06:07Bom, que é importante ainda relembrar que no caso do tarifato dos Estados Unidos, nós
06:13tivemos isenção para 90% das nossas exportações de café para os Estados Unidos, que são os
06:17cafés verdes.
06:18O café solúvel ainda segue tarifado com 50%, os 10 mais 40, porque o café solúvel nunca
06:24apareceu em nenhuma ordem executiva, nunca esteve em nenhum anexo, e a gente está trabalhando
06:28com os nossos parceiros.
06:29Mas o que eu entendo desse ano, tentando fazer futurologia, é um ano positivo para o café
06:36brasileiro, para o cafeicultor, para ele poder seguir ter preços e seguir investindo, para
06:42as exportações competitivas diante das outras origens, e a gente com certeza acessando o
06:48mercado norte-americano, apesar de todas as turbulências geopolíticas.
06:52E quando nós estamos vendo como há pressão em cima do fluxo do comércio, mas a gente tem
06:57a sorte de lidar com um produto que conquistou novas gerações, conquistou os jovens, as
07:02formas de bebida, as formas de preparo, avançaram muito, não é aquele produto que é servido
07:07da mesma forma, tem as cafeterias que estão aí para a gente ver a base de café, e os
07:12Estados Unidos, a cada um dólar que ele importa de cafés no Brasil, ele agrega 43% na economia
07:16deles, então com certeza o nosso café também gera muita riqueza.
07:20E o acordo União Europeia e Mercosul vem para zerar as tarifas do café solúvel, que hoje
07:25a gente paga 9% para acessar a Europa.
07:27Então, diante de tudo isso, o ano tem de ser, sim, muito favorável, a gente tende a
07:32recuperar os volumes, ficar mais próximo dos volumes de 2024, porém com receitas cambiais
07:37mais próximas do que a gente viu em 2025.
07:41Ah, para não vir chuvas pesadas, para não acabar com a safra, não é isso, o Marcos?
07:47Clima é uma coisa complexa.
07:49O sistema Copérnico divulgou ontem que os últimos três anos foram os mais quentes
07:53da história, nos assusta, é algo assustador, e isso realmente não é só para os cafés,
08:00para nós como cidadão, como é complexa a questão climática, e isso afeta todos os
08:06mercados, toda a nossa previsibilidade, e obviamente nos assusta em relação ao futuro.
08:12Marcos Matos, um grande abraço para você, obrigado pela sua participação, sempre bom conversar
08:17contigo, viu? Uma ótima quinta-feira para você.
08:20Muito obrigado, contem sempre com o Secafé.
08:22Obrigado, Marcos.
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