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Brasil exportou 2,96 milhões de sacas de café em maio de 2025, queda de 33% em volume. Apesar disso, a receita subiu 21%, somando US$ 1,24 bilhão. Em entrevista ao Real Time, Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), explicou os impactos da entressafra, do clima e da valorização internacional. 

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Transcrição
00:00Vamos mudar de assunto agora porque o Brasil exportou 2,96 milhões de sacas de café em maio de 2025,
00:07o que representa uma queda de 33% em relação ao mesmo período do ano passado.
00:13Mesmo com a redução no volume, a receita cambial cresceu 21%, totalizando 1 bilhão 243 milhões de dólares.
00:22Para entender os principais fatores por trás desse cenário, eu converso agora com o Marcos Matos,
00:27que é diretor-geral do C-Café. Boa tarde para você, Marcos. Seja bem-vindo ao Real Time.
00:34Boa tarde, Marcelo. Boa tarde a todos vocês.
00:36Queria entender, principalmente, ou primeiramente agora, por que houve uma redução no volume de exportação.
00:44Certo. Bom, Marcelo, a gente sabe que o Brasil passa por um período de entre-safra.
00:49Então, uma safra que teve, sim, um volume adequado em 2024, antecipamos muito das exportações no ano passado,
00:55batemos recorde na nossa série histórica, foram 50,5 milhões de sacas.
00:59E agora, numa entre-safra, tem uma safra 25% que está em cerca de 30% colhido.
01:05Então, nós temos uma baixa disponibilidade do café.
01:09Lembrando que a safra colhida, que está mais avançada no Conilon e menos avançada no Arábica,
01:14leva uns meses para entrar efetivamente nas estatísticas.
01:17O café tem todo um trabalho de preparação, de beneficiamento.
01:20Então, é mais para o fim de julho e agosto que a nova safra realmente aparece nas estatísticas de exportação.
01:27Portanto, nós estamos num período muito apertado nesse primeiro semestre de 2025.
01:34Marcos, eu nasci numa cidade produtora de café e eu sempre ouvi, assim, de amigos da família que plantavam café,
01:39que o café tem um ano que dá uma safra boa e outro ano que dá uma safra menor.
01:44Isso realmente acontece ou é só um mito?
01:46Depois, conte para a gente o seu município, viu?
01:50Fiquei bastante curioso.
01:51Andradas, em Minas Gerais.
01:53Andradas, cafés maravilhosos, cafés especiais, sustentabilidade.
01:56Conheço bem, pessoas incríveis que trabalham com café nessa região.
02:00O café, na sua fisiologia, ele tem um ano de alta, quando ele consegue armazenar energia,
02:05e no ano seguinte, de baixa, ele não consegue armazenar energia suficiente.
02:09Mas, olha que interessante, desde 2020, o Brasil não sabe o que é uma safra cheia.
02:13Ou seja, aquela teoria da bianualidade, ela fica mais prejudicada,
02:20porque desde 2021 nós temos inúmeros problemas climáticos.
02:24Tivemos a geada em 2021 muito agressiva, tivemos períodos de estiagem,
02:29ondas de altas temperaturas.
02:31Vamos lembrar que a safra própria, a safra 25, no café arábica,
02:34foi afetada pelas ondas de altíssimas temperaturas.
02:37Então, as anomalias climáticas, e o Brasil é um país continental que está sujeito
02:41às anomalias climáticas, acaba afetando, e nós não conseguimos mais ver esses efeitos.
02:47Mas, se tudo correr bem, e os modelos meteorológicos apontam,
02:51nós podemos, novamente, ter uma safra alta em 2026.
02:55Agora, explica para a gente esse aumento aí da receita, apesar da queda na exportação.
03:00Isso tem a ver, obviamente, com o preço internacional do café, né?
03:02Com certeza, nós temos as bolsas internacionais, de Nova Iorque, café arábica,
03:08Londres, o café robusta, que são os nossos canéforos, conilon e robusta.
03:12Nós temos um mundo asiático consumindo muito café.
03:16A gente vai ter sempre a referência de China, mas não é só a China, né?
03:19Países que já são tradicionais, novas ondas, China, Índia, Indonésia.
03:24Então, é um mundo que acontece em cima do café.
03:26Nas regiões mais tradicionais, nós temos estabilidade,
03:30até mais recentemente, por conta dos preços.
03:32A gente viu até uma ligeira queda no consumo,
03:35vimos queda no consumo de janeiro a abril no Brasil,
03:38é na ordem de 5%.
03:39Então, nós temos esse impacto no consumo.
03:42Mas o consumo, ele segue firme e forte.
03:44E a produção sofre.
03:46O Brasil, aqui, eu já relatei os problemas climáticos desde 2020,
03:49não sabe o que é uma safra cheia.
03:51Nós tivemos seca no Vietnã, recente, seca na Indonésia, recente.
03:55Problemas também na América Central.
03:56Então, veja, os desafios da produção são muito grandes.
04:00E o consumo segue firme e forte.
04:02Então, nós temos um mercado apertado.
04:04E os baixos estoques são os indutores desses preços mais altistas nesse momento.
04:11Nós temos oscilações nesse momento,
04:13mas, historicamente, em patamares muito elevados.
04:16Em preços nominais, os maiores dos últimos 30 anos.
04:19Como é que você está vendo a recuperação no Vietnã?
04:21Você acha que a produção desse ano vem maior?
04:23Olha, o Vietnã é sempre uma incógnita.
04:28Como o Brasil também tem problemas estatísticos,
04:30se olharmos os dados oficiais de produção e confrontarmos com o consumo e a exportação,
04:35nós não conseguimos fechar as contas.
04:38O mesmo acontece internacionalmente.
04:40Para o Vietnã, o USDA divulgou recentemente que a produção será de 31 milhões de sacas,
04:45sendo 30 milhões de robustas.
04:46Um grande, um crescimento expressivo,
04:49perto dos 27, 28 milhões de sacas que ele conseguiu nas últimas safras.
04:53Mas, dentro do mercado de quem opera no Vietnã,
04:57os números são discrepantes.
04:58Como também os números são discrepantes para o Brasil.
05:01A gente tem previsões que vão de 55 a 66 milhões de sacas.
05:08Então, há um desafio muito grande em termos de estatísticas, infelizmente, globalmente.
05:15Eu queria entender como é que está a evolução da produção de café no Brasil.
05:18Porque a gente viu, assim, nas últimas décadas,
05:20muitos lugares, principalmente no interior de São Paulo,
05:22que passaram do café para a cana-de-açúcar.
05:25E também a gente vê muito produtor reclamando
05:28que, às vezes, o custo está muito alto para plantar o café.
05:32É um esforço tremendo também, se ele cuidar de uma lavoura de café,
05:35principalmente para os pequenos.
05:36Muita gente acha que já não está valendo mais plantar café.
05:39Como é que está a evolução da nossa produção?
05:43Olha, o café é interessante,
05:45porque, dados esses desafios climáticos que o mundo tem enfrentado,
05:48ele está realmente em patamares mais elevados.
05:51A gente sabe, há estudos mais estruturados,
05:54feitos pela Organização Internacional do Café,
05:55que mostram, seja períodos de baixa da produção
05:58ou períodos de alta, desculpa, de baixa de cotações
06:01e períodos de alta das cotações,
06:04não há uma correlação perfeita entre redução de ar em épocas de preços baixos
06:08e aumento de ar em preços altos.
06:10Porque, como você disse, café é casamento,
06:12é um investimento de longo prazo,
06:15são décadas que as variedades ficam no campo,
06:19é uma cultura perene.
06:20Então, obviamente, é uma análise diferente que o produtor faz.
06:24Mas o Brasil, hoje, ele tem 39 regiões produtoras,
06:28produzindo ali todos os parâmetros sensoriais que a gente tem.
06:31E as regiões tradicionais,
06:33eu vou completar no que vem 10 anos de ser café,
06:35nesses 10 anos eu escuto,
06:37quem trabalha com as mudas,
06:39é um trabalho muito bem feito,
06:40que é a base do plantio de novas áreas,
06:42é a muda.
06:44É sempre uma procura muito grande,
06:46há sempre filas nesses viveiros.
06:49Então, nós temos regiões que investem em café.
06:52É natural, o café, nas últimas décadas,
06:55ele reduziu a área em 55%
06:58e aumentou a produtividade em 400%.
07:01Então, veja, o agronegócio café Brasil, hoje,
07:04ele é muito maior do que aquele agronegócio café
07:07que o Brasil inteiro dependia,
07:09até os anos 50 e 60 do século passado.
07:13Então, nós estamos vendo uma modernização.
07:14É natural existir uma interface muito grande com outras culturas.
07:18e, inclusive, a integração de sistemas de produção.
07:21Como é uma cultura perene, tem espaço nas entrelinhas,
07:24tem frutíferas, até grãos.
07:26Então, a gente tem sistemas em agroflorestas,
07:29agrocivopastorias, tudo é muito benéfico.
07:32Mas, nós podemos garantir que o Brasil, hoje,
07:34é responsável por cerca de 40% do café do mundo
07:38e ele não consegue ampliar mais essa participação
07:41justamente pelas anomalias climáticas.
07:44E também os avanços que a gente teve no café
07:47e conseguimos provar isso,
07:49foi muito em cima de passagens degradadas.
07:52A gente tem uma possibilidade muito grande
07:53de fazer estruturar várias regiões produtoras,
07:56ainda mais sem estar ligado ao desmatamento.
08:00E, ao longo dos últimos anos, Marcos,
08:02você acha que o Brasil está conseguindo agregar
08:04mais valor ao café que ele produz?
08:07Esse é o grande desafio,
08:08a nossa missão de vida,
08:09aqui representando 97% das exportações de cafés do Brasil,
08:12é agregar, seja pela qualidade
08:14e ou pela sustentabilidade.
08:16Tem um fato que foi importante,
08:18a lei anti-desmatamento da União Europeia,
08:20a IUDR,
08:21ela foi postergada para o dezembro deste ano.
08:23Mas, nós não sabemos o ano passado.
08:25E os nossos importadores se prepararam,
08:27porque eles são os operadores,
08:28eles respondem pela lei,
08:29pelas multas e tudo aquilo
08:31que envolve uma lei que foi aprovada pela União Europeia,
08:34e não por nós.
08:35O Brasil foi o único país
08:36que aumentou as exportações,
08:38aproveitou essa necessidade de antecipação de compras
08:41antes do período de vigência da IUDR.
08:44Então, aumentamos em 42,8%.
08:46Mas não foi só isso.
08:47Os nossos cafés diferenciados,
08:49que é uma característica lá do nosso relatório de exportações,
08:52a gente tem uma categoria que chama
08:53cafés diferenciados,
08:55que é a diferenciação pela qualidade
08:56e ou por normas de sustentabilidade
08:58e certificações diversas.
09:00Sempre foi de 17% a 18% do valor
09:03que a gente exportava.
09:04Subiu para 30%.
09:05Ou seja, nós começamos a ter
09:07mais agregação de valor,
09:09porque a gente consegue comprovar a sustentabilidade.
09:11Temos o cadastro ambiental rural,
09:13temos esse projeto de georreferenciamento do Parque Cafeiro,
09:16listas de embargos,
09:18listas sujas do trabalho na área do escravo.
09:20Conseguimos comprovar que o café não está ligado
09:22a unidades de conservação, áreas indígenas.
09:24Temos o monitoramento por PRODES,
09:26MAP Biomas.
09:26Então, a gente criou um aparato
09:27da nossa legislação relevante
09:29e algo um pouco a mais da nossa legislação.
09:31É por isso que a gente reclama tanto
09:33das leis internacionais
09:34que vão além daquelas
09:36que a gente já desenvolve no Brasil.
09:37E isso, muitas vezes, pode ser um desrespeito
09:40em relação à soberania brasileira.
09:41Mas, nós aumentamos a agregação de valor.
09:44E rastreabilidade, nessas novas regras,
09:46é ponta a ponta.
09:47Então, a gente passa a exigir também
09:48cafés do Brasil,
09:50a região que se produziu para o consumidor
09:52se sentir parte,
09:53levar empatia da nossa sustentabilidade
09:56para o consumidor.
09:57Então, essa é a nossa missão de vida
09:58e alguns avanços, com certeza,
10:00a gente pode comemorar.
10:02Marcos Matos, diretor-geral do C Café.
10:04Muito obrigado pela participação hoje
10:06aqui no Real Time. Boa tarde para você.
10:08Muito obrigado.
10:09O C Café está sempre à disposição.
10:11Obrigado.
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