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Entre 2022 e 2025, o preço médio do café no Brasil subiu 108%, atingindo níveis históricos. Fernanda Câmara trouxe os detalhes sobre quebras de safra, clima e exportações, e Mariana Almeida analisou os impactos para os consumidores e o mercado.

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Transcrição
00:00E o brasileiro está pagando mais do que o dobro do que pagava há três anos para tomar o cafezinho de cada dia em 2025.
00:16Entre 2022 e 2025, o preço médio pago pelo consumidor acumula alta de 108%, mesmo após a recente tendência de estabilidade.
00:26A informação é de um levantamento de uma empresa de benefícios corporativos divulgado nesta quarta-feira.
00:33E quem tem os detalhes ao vivo é a repórter Fernanda Câmara, que está de volta aqui com a gente.
00:38Fernanda, então, tomar um cafezinho está mais caro, né? Sabe aquele pingado? Está cada vez mais difícil, é isso?
00:47Infelizmente, né, Klein? Eu, por exemplo, adoro um cafezinho, não sei você, mas se gosta também vai pagar um pouquinho mais, né?
00:53Porque, olha só, entre 2022 e 2025, o preço médio pago pelo consumidor acumula uma alta de 108%, mesmo após a recente tendência de estabilidade.
01:06O levantamento mostra que, desde junho deste ano, o café moído de 500 gramas, principal responsável pela escalada de preços,
01:18apresentou uma leve queda, passando de 29,66 para 29,09 em julho e 28,80 na primeira semana de agosto.
01:28Esse recuo é visto como uma novidade, já que entre maio de 2022 e maio de 2025, o preço do mesmo produto saltou 109%, de 14,20 para 29,71.
01:43O café em pó de 250 gramas também seguiu essa tendência.
01:48Após alcançar R$ 21,03 em junho, caiu para 20,23 em agosto.
01:55Apesar do respiro recente, todas as categorias de café acumularam um aumento expressivo no comparativo entre julho de 2022 e julho de 2025.
02:06Para se ter ideia, o café em pó de 500 gramas teve uma alta de 119%.
02:12De 13,27 passou para R$ 29,09.
02:18O café em pó de 250 gramas também, por exemplo, teve uma alta de 79%, passando de 11,43 para 20,56.
02:31O café solúvel uma alta de 61%, passando de R$ 7,94 para 12,84.
02:39E por aí vai, os aumentos continuam.
02:43O café em cápsula foi a única categoria a registrar retração, embora discreta, no período analisado.
02:50Já o solúvel atingiu em agosto o maior preço da série histórica, R$ 13,50.
02:56Clima, custos mais altos, exportações recordes, redução da oferta global e demanda aquecida são os fatores que justificam a alta do café.
03:06A falta de chuva durante o desenvolvimento das lavouras reduziu o potencial produtivo e deixou os estoques internos em níveis historicamente baixos,
03:15aumentando então a pressão sobre os preços já na saída do campo.
03:20Os períodos de estiagem também exigiram cuidados extras das lavouras e aumentaram os custos de produção.
03:27Outro fator que ajudou a pressionar os preços internos foi o volume recorde de exportações brasileiras.
03:33Só em dezembro de 2024, os embarques somaram 3,8 milhões de sacas de 60 quilos
03:41e o acumulado anual atingiu 50,44 milhões de sacas, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o Ccafé.
03:51Com mais café destinado ao mercado externo, a oferta no mercado interno ficou ainda mais apertada,
03:57mantendo os preços firmes nas gôndolas.
04:00O cenário internacional também colaborou para alta, viu?
04:04Países como Vietnã e Indonésia, importantes fornecedores globais, enfrentaram problemas climáticos
04:10e reduziram sua produção em um momento de crescimento no consumo mundial.
04:15A escassez global impulsionou as cotações do café nas bolsas internacionais.
04:21Em Nova Iorque, os principais contratos da Arábica chegaram a dobrar de preço em um ano.
04:27Para Fernando Gonçalves, gerente do índice, a queda do preço reflete o início da colheita
04:33e o aumento da oferta interna do grão.
04:36Ele diz que depois de 18 meses de alta, desde janeiro de 2024, o preço do café começou a cair.
04:43Em junho, disse ele que estava começando a colheita com maior oferta de produto no campo.
04:48E em julho, Klein, essa maior oferta influenciou o preço nas prateleiras.
04:54Volto com você.
04:55Obrigado, viu, Fernanda Câmara, mais uma vez pelas suas informações.
04:59Mariana Almeida, depois de um breve alívio nas cotações ou nos preços do café,
05:05ali mesmo na ponta para o consumidor, o produto voltou a subir.
05:10Isso vai desde a quebra da safra às incertezas do mercado e pressiona de novo o preço do café.
05:16E a gente que gosta do cafezinho, Mariana Almeida, vamos ter que ficar desembolsando mais e mais dinheiro.
05:20Pois é, eu ia comentar isso. Para mim, a notícia é particularmente sensível, viu, Klein, comentar que o café é duro.
05:26Mas foi só, na verdade, a gente não teve uma reversão desse problema do aumento de preço.
05:31Teve, no máximo, um pequeno alívio.
05:32É um alívio ali no perfil.
05:33Mas é uma crise, claro, as questões internacionais, elas dão um tempero adicional.
05:39Mas o problema do café tem a ver com oferta, né?
05:41A Fernanda trouxe aí alguns aspectos importantes, né?
05:44De quebras de safra, da questão climática, que tem afetado muito diretamente isso ao longo dos últimos anos.
05:49Não só no Brasil, também no Vietnã, que é outro importante produtor de café internacional.
05:54E o café, assim, não é a primeira vez que a gente tem essa crise.
05:57Essa é uma crise, claro, ela trouxe aí 108% de aumento.
06:01Teve vários outros momentos na história onde quebras de safra realmente acabaram gerando aumentos de preços muito significativos.
06:08A maior delas, curiosamente, foi nos anos 70, que teve um aumento de quase 400% do preço do café.
06:14E resultado do quê?
06:15De uma geada que aconteceu no Brasil e que acabou com uma parte importante da produção.
06:19E demorou quatro anos, porque teve que replantar, mas foram perdidos muitos pés de café.
06:24E o ciclo do café, ele não é que nem o ciclo da soja, o ciclo dos cereais que é mais curto, que você consegue reagir ano a ano.
06:30Você precisa de tempo para que o café volte a produzir.
06:33Então, essa demora na crise lá de trás gerou, e essa é uma informação que a gente tem para falar de agora também,
06:39gerou o quê?
06:40Diversificação da produção.
06:41Como o Brasil estava lento para retomar, aí a Colômbia aumentou sua produção,
06:45a África, vários países áfricos começaram a entrar nesse mercado e a disputar.
06:49E este momento talvez seja um momento onde isso vai acontecer também um pouquinho mais.
06:52O quê?
06:53Diversificação de produtores e diversificação de tipos de café.
06:57Na história que eu trouxe aqui, é o que a gente aprende com ela, que é o quê?
07:00Quando você tem uma quebra, isso aumenta o preço e o preço atrai a atenção.
07:05É uma oportunidade.
07:06Quem conseguir produzir café sabe que tem espaço para isso acontecer.
07:10Demora quatro anos, mas tem espaço para ganhar com essa produção.
07:13Vamos ver o que vai ser em termos de mudança no cenário de produtores externos de café lá na frente,
07:19daqui a uns quatro, cinco anos, para ver como que essa alta de preço influenciou a tomada de decisão.
07:23E se daqui a uns quatro anos, pelo menos, Eric Klein, a gente vai conseguir pagar um pouquinho menos pelo nosso café
07:28e talvez tenha até mais variedades de café disponíveis para a gente poder se deliciar e aproveitar.
07:34Pois é, porque por enquanto a notícia é amarga.
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