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A saída de Nicolás Maduro reacendeu o debate sobre o papel do Brasil na América do Sul. Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, Igor Lucena, economista, CEO da Amero Consulting e doutor em relações internacionais, analisou impactos no comércio regional, petróleo, Mercosul e nas relações com Estados Unidos, Europa, China e Rússia.

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Transcrição
00:00E a mudança de regime na Venezuela reabre o debate sobre o papel do Brasil no Cone Sul
00:04e os reflexos para o comércio regional.
00:07A saída de Nicolás Maduro muda esse equilíbrio político,
00:11pode destravar acordos, rotas, investimentos e realoca o Brasil
00:15como um ator central nas negociações com países vizinhos.
00:19E a gente vai aprofundar agora uma camada nessa análise,
00:22se essa troca favorece ou não os interesses brasileiros.
00:25Para entender tudo isso, eu converso agora ao vivo com Igor Lucena,
00:28que é economista, CEO da AmeriConsulting e doutor em relações internacionais.
00:34Quero começar agradecendo demais a presença e a disponibilidade do Igor nessa tarde de domingo.
00:40Seja bem-vindo, prazer ter você aqui.
00:43É um prazer, bom domingo a todos.
00:46Igor, vamos lá. Já começo com essa pergunta-chave aí,
00:50que muita gente quer saber a resposta, né?
00:52Essa mudança no governo da Venezuela, que ainda de fato tem muitas questões em aberto,
00:57não significa o fim do chavismo, né?
01:00De imediato, mas ela pode ser positiva no Brasil?
01:03E se sim, em que aspectos?
01:06Olha, eu acho que ela pode ser positiva no Brasil,
01:08se o Brasil conseguir utilizar isso de uma maneira muito propositiva
01:14e retirar o ponto de vista ideológico dentro do conflito, né?
01:18Então, eu vou colocar alguns pontos que são importantes no curto e no longo prazo.
01:24O primeiro curto prazo é que se uma mudança de regime ocorrer,
01:28e eu não estou falando da atual vice-presidente,
01:31Delsi, se tornar a mantenedora do regime,
01:34mas se de fato ela chamar novas eleições,
01:37seguir o que está na Constituição,
01:39que já foi muito vilipendiada,
01:41mas obriga ela a ter novas eleições,
01:43a Venezuela pode sair da chamada cláusula democrática do Mercosul,
01:49que faria com que o país voltasse para dentro do bloco.
01:53Isso significa a possibilidade real de investimentos em infraestrutura
01:57e a reconstrução de um país que hoje não tem o básico,
02:01quando a gente fala de saneamento básico,
02:03de necessidades de população para uma reconstrução.
02:07Isso vai acontecer.
02:08Um outro ponto é a construção de petrolíferas,
02:10de sistemas de petróleo que pode abrir espaço para empresas brasileiras.
02:16Lembrando que o governo norte-americano já disse abertamente
02:20que vai sim explorar o petróleo venezuelano
02:24e como isso vai ser colocado em prática é um grande questionamento hoje,
02:28mas esse é o ponto principal.
02:30Agora, quando a gente fala no médio e no longo prazo,
02:33por que é importante?
02:34A Europa está totalmente se desvencilhando do óleo,
02:40do petróleo e do gás russo e procurando outras fontes.
02:43Ao mesmo tempo que os europeus querem agradar os americanos
02:47e comprar mais petróleo daquela região,
02:51a gente tem uma possibilidade interessante aí,
02:53porque se empresas americanas começarem a explorar
02:56petróleo venezuelano e a Venezuela estiver no Mercosul,
02:59e paralelamente o acordo for assinado ainda esse mês,
03:03que ainda existe essa possibilidade bastante real
03:06entre o Mercosul e a União Europeia,
03:08o petróleo venezuelano pode ser explorado por americanos
03:12e exportado via Brasil, via América Latina para a Europa,
03:17diminuindo a dependência russa dos europeus.
03:21E esse já é um ponto muito claro que vai ocorrer
03:23quando a gente fala de impacto econômico na Europa.
03:27A exploração de petróleo na Venezuela de uma maneira correta,
03:31quando eu falo correta, é com equipamentos de alta tecnologia,
03:34vai impactar o mercado consumidor da Rússia,
03:37e a Rússia já entende que isso é muito negativo para ela.
03:41Então, há sim um impacto na Rússia muito grande,
03:44um impacto na China, que era um dos grandes compradores
03:47de petróleo venezuelano,
03:50quando a China só se manifestou dentro desse contexto
03:54quando os navios venezuelanos começaram a ser interceptados
03:57pelos Estados Unidos.
03:59Então, o que o Brasil pode enxergar nisso?
04:01Uma maior aderência do Mercosul,
04:04uma nação que pode sim ter um futuro promissor
04:07com exploração de petróleo corretamente feita,
04:10mas tudo isso depende de manutenção de contratos,
04:14de fim da ditadura que ela é,
04:16e de uma transição para o sistema democrático.
04:18Se tudo isso de fato ocorrer,
04:20o Brasil tem a possibilidade de ter um importante parceiro comercial
04:24dentro de um contexto global.
04:26Lembrando que a Venezuela tem hoje
04:28a maior reserva de petróleo mundial,
04:31não consegue explorar por falta de tecnologia,
04:34e que se tiver essa parceria,
04:36tanto já dentro do Mercosul,
04:38quanto com os Estados Unidos,
04:40a gente vai ver um crescimento muito grande
04:43na América Latina no setor petrolífero.
04:45Mas tudo isso depende do que vai acontecer
04:47na administração venezuelana nas próximas semanas.
04:50Exatamente.
04:51Depende de uma estabilização, né,
04:53que a gente torce para que aconteça,
04:54mas que ninguém, de fato, sabe como que vai acontecer,
04:57qual que seria o prazo para isso.
04:59Agora, isso se concretizando,
05:02e muito interessante esse ponto, Igor,
05:04que você trouxe, né,
05:05sobre o impacto, inclusive,
05:07caso tudo isso aconteça quase que ao mesmo tempo aí, né,
05:10que saia, finalmente, esse acordo União Europeia,
05:12Mercosul, e também essa estabilização,
05:15abertura ali da Venezuela,
05:17a queda de sanções,
05:19além do petróleo.
05:20Tem outros setores,
05:22por exemplo, o setor agrícola,
05:24também poderia ser beneficiado
05:25pela intensificação dessas transações comerciais?
05:30Acho que sim,
05:31setor agrícola,
05:32setor agropecuário,
05:34o Brasil é um grande produtor de alimentos,
05:36inclusive alimentos processados,
05:38cereais,
05:40biscoitos,
05:41massas,
05:42todo esse setor,
05:43esses setores seriam,
05:45teriam uma oportunidade muito grande
05:47de exportação para dentro da Venezuela.
05:49Um outro ponto também seria o setor
05:51de veículos, né,
05:53a produção de veículos
05:54no Brasil poderia também ser
05:56utilizado dentro da produção,
05:59e uma reconstrução na Venezuela
06:00significa também a compra de veículos,
06:03de máquinas pesadas,
06:04linha amarela,
06:05o Brasil é forte,
06:05ali na região de Manaus,
06:07a produção de motos
06:09na zona franca
06:10poderia abastecer muito
06:12uma recomposição
06:14da base econômica da Venezuela,
06:16isso porque
06:17se a gente tiver
06:18uma democracia
06:19e uma exploração de petróleo
06:21de uma maneira
06:21democrática,
06:23com acordos,
06:24contratos,
06:25empresas,
06:25fornecedores,
06:26e não o que existe hoje,
06:27que é basicamente
06:28ocupação
06:29do que é produzido
06:31de petróleo
06:32enviado para Cuba,
06:33Irã e esses outros países,
06:35vai ser muito nítido
06:37um aumento
06:37do poder de compra
06:38da população,
06:39quando a gente olha
06:40o poder de compra
06:41da população venezuelana
06:42em dólar,
06:43o salário mínimo
06:44é 2 dólares,
06:45enquanto aqui no Brasil
06:46a gente está falando
06:47de 260,
06:48o nosso vizinho Uruguai
06:50é 590,
06:51então,
06:52se a gente tiver
06:52uma transição democrática,
06:54uma transição
06:54que mostre um regime
06:56capaz de reorganizar
06:57minimamente a economia,
06:59porque o problema
06:59é quando a economia
07:00não tem nada,
07:01mas a partir do momento
07:02que é uma economia
07:02que já tem mercado consumidor,
07:04se você reorganiza,
07:06coloca regras,
07:07estabelece um modelo
07:08de minimamente
07:09de mercado funcional,
07:10você tem uma melhora
07:11na qualidade de vida
07:12da população
07:13e aí você tem
07:14aumento de crédito,
07:15aumento de renda,
07:16como a gente viu
07:16na Guiana,
07:17que está experimentando
07:18isso de uma maneira
07:20muito prática
07:20e muito rápida,
07:22então,
07:23o que acontece
07:24é uma possibilidade
07:27real de desenvolvimento
07:28da Venezuela
07:28que pode sim
07:29fomentar mercados
07:31para a economia brasileira
07:32e exportação
07:33da economia brasileira
07:34e muito mais
07:34do que isso.
07:35Resolve também
07:36um problema social.
07:37A partir do momento
07:38que a condição
07:39de vida da população
07:40melhora,
07:40os milhões
07:41de venezuelanos
07:42que emigraram
07:43para a Colômbia,
07:44para o Peru
07:45e aqui para o Brasil
07:46poderão retornar
07:47para suas famílias,
07:48eles não emigraram
07:49porque queriam,
07:50mas sim porque
07:51eram perseguidos
07:52ou tinham
07:52uma vida extremamente
07:54paupérrima
07:54na Venezuela
07:55e a partir do momento
07:56que haja uma transição
07:57onde a economia
07:58minimamente de mercado
07:59as pessoas
08:00tendem a voltar
08:01para as suas cidades,
08:03tendem a voltar
08:03para o seu país
08:04de origem.
08:05Então,
08:05acho que vai funcionar
08:06mais ou menos
08:07por aí.
08:08Mas,
08:08claro,
08:09é necessário entender
08:10se a Venezuela
08:11e o regime
08:12estão dispostos
08:13a fazer essa transição
08:14ou se a gente
08:15vai ter uma outra
08:16deposição da vice-presidente
08:18e de outros membros
08:19da administração.
08:21Acho que
08:21os Estados Unidos
08:22com essa ação
08:23joga a bola
08:24para a Venezuela
08:24e está esperando
08:25colher o que vai
08:26vir de lá.
08:27Enquanto o Igor
08:28falava,
08:29a gente estava vendo
08:29justamente imagens,
08:30você mencionou
08:31quanta gente saiu
08:33da Venezuela,
08:33foi forçada
08:34a sair da Venezuela
08:35porque não tinha
08:35nem condição mínima
08:37de dignidade de vida,
08:39muita miséria,
08:40muita restrição.
08:41Então,
08:41a gente viu imagens
08:42da fronteira
08:42com a Colômbia
08:43e agora imagens
08:45ao vivo
08:45direto de Caracas
08:47onde há manifestantes
08:49nas ruas
08:49e esses que a gente vê
08:50que dão as caras,
08:52que levantam bandeiras,
08:53que levantam cartazes
08:54estão aí,
08:55Igor,
08:55defendendo
08:56o governo maduro,
08:58o movimento chavista,
09:00mas a gente sabe
09:01que tem muita gente
09:02em silêncio
09:03também comemorando
09:05essa intervenção
09:06dos Estados Unidos
09:07por lá
09:08e apostando
09:09numa mudança
09:10de regime,
09:12de qualidade de vida.
09:13E aí,
09:14no meio de tudo isso,
09:15a gente tem visto
09:15as manifestações
09:17de governos,
09:18o governo brasileiro
09:19se manifestou
09:19de forma contrária
09:21à intervenção
09:22na Venezuela
09:23e eu queria
09:24ouvir o Igor
09:24sobre tudo isso
09:25e se,
09:26Igor,
09:26você acredita
09:27que essa manifestação
09:29do nosso governo
09:30pode interferir
09:32de alguma forma
09:32nas relações brasileiras
09:34com os Estados Unidos
09:34e justamente
09:35nesse momento
09:36que a normalização
09:38das relações
09:40era uma conquista
09:42importante
09:43para o governo Lula?
09:46Olha,
09:46eu acho que tem
09:47um certo pisar em ovos
09:50muito grande
09:51nessa manifestação.
09:53apesar dela ser
09:53contra a intervenção,
09:56em nenhum momento
09:56o presidente Lula
09:57ou o governo brasileiro
09:58toca no nome
09:59de Donald Trump
10:00nos Estados Unidos
10:02e nem ao mesmo tempo
10:04não fala
10:05no nome
10:05de Nicolás Maduro.
10:07Ele tenta
10:08não adentrar
10:10pessoalmente
10:11nessas figuras.
10:12Isso porque Maduro
10:13é uma pessoa
10:14que é extremamente
10:16mal vista
10:16pela população brasileira
10:18hoje,
10:18até mesmo pela esquerda
10:19e o governo brasileiro,
10:21como você mesmo disse,
10:22está recuperando
10:23a confiança
10:24com o governo
10:25de Donald Trump.
10:27Então,
10:28não há agora,
10:29por mais que o Brasil
10:29condene a invasar
10:31os ataques,
10:32criticar abertamente
10:33o governo americano
10:34por isso
10:35seria
10:35convidar
10:37novas sanções
10:38e novas tarifas
10:39para o Brasil.
10:40Então,
10:40o governo brasileiro
10:41se abstém disso
10:42e eu acho que
10:43com a cautela
10:43necessária.
10:44agora,
10:45quando a gente
10:46olha as manifestações
10:48de outros governos,
10:50eu acho que,
10:51e eu vou falar aqui
10:52do ponto de vista
10:53como analista
10:53de relações internacionais,
10:55quando a diplomacia,
10:57ela exerce uma influência
11:00para transformar a realidade
11:02e destrinchar entre países
11:04o que está acontecendo,
11:05eu acho que ela é muito positiva.
11:06quando ela vem
11:08para apenas
11:10passar uma espécie
11:12de pano
11:14sobre o que está acontecendo
11:15e não leva em consideração
11:17a realidade da população,
11:20ela é péssima.
11:21Então,
11:21quando a gente fala
11:22que os venezuelanos
11:24teriam capacidade
11:26para resolver
11:26seus próprios problemas,
11:28fé nas instituições
11:29venezuelanas
11:30e um debate,
11:32diálogo,
11:32olha,
11:32não se debate
11:33com a ditadura,
11:34instituições todas
11:35foram dominadas,
11:36a população toda
11:37cheia de medo.
11:38Então,
11:38é muito feio
11:40quando nações
11:41usam esses termos
11:42para uma ditadura
11:44quando,
11:44na verdade,
11:45para se referir
11:46a um país
11:47que fosse uma democracia,
11:49mas, na verdade,
11:49é uma ditadura.
11:50Então,
11:50aí você está,
11:52de uma maneira,
11:53inflando uma ditadura
11:55de uma maneira
11:56muito negativa
11:57para a população
11:58e eu acho que a diplomacia
11:59não pode ser feita
12:00nesses termos.
12:01Acho que ela tem que ser feita
12:02baseada nas realidades
12:03dos fatos
12:04e não no que
12:05os líderes
12:06de países
12:07que têm
12:07uma ideologia
12:08alinhada
12:09gostariam que fosse.
12:10Eu acho que por aí
12:11está muito errado
12:12e a gente viu
12:13as mais diversas
12:14manifestações
12:15daqui para frente.
12:16Agora,
12:16um ponto importante,
12:18o governo brasileiro
12:20também tem que levar
12:21em consideração
12:22que
12:22o que foi feito
12:24na Venezuela
12:25teve um apoio
12:26internacional
12:27ou uma não crítica
12:29internacional
12:29porque Maduro
12:30não era reconhecido
12:31pela União Europeia,
12:32pelos Estados Unidos
12:33e por uma grande
12:34quantidade de países.
12:36A partir daí,
12:36os Estados Unidos,
12:37na sua doutrina
12:38que foi anunciada
12:39no final do ano,
12:40vai fazer um engagement
12:42com outros países.
12:43Colômbia,
12:44em relação às drogas
12:45e às FARC,
12:46eu não estou dizendo
12:47que eles vão invadir
12:47a Colômbia,
12:48mas vai ter uma pressão
12:50muito grande
12:50e essa pressão
12:51vai chegar no Brasil.
12:52O grande problema
12:53que os americanos
12:54veem como um problema
12:55de segurança nacional
12:56são as facções
12:58brasileiras,
13:01PCC,
13:01Comundo Vermelho,
13:02já que esses grupos
13:03que são,
13:04a nosso ponto de vista,
13:06organizações criminosas,
13:08lavam dinheiro em dólar,
13:10lavam dinheiro
13:11com operações
13:11dos Estados Unidos
13:12e são um comprometimento
13:14à segurança americana.
13:15Então,
13:16o primeiro passo
13:17de resolver um problema
13:19dos Estados Unidos
13:20é a Venezuela,
13:20mas outros países
13:21vão começar
13:22a sentir uma pressão similar.
13:25Exatamente,
13:25inclusive ontem
13:27eles mencionaram
13:28muito claramente Cuba,
13:30né Igor?
13:31Cuba,
13:32eu acho que é um efeito
13:33quase que imediato.
13:35Isso porque Cuba
13:37precisa para existir
13:40do petróleo venezuelano
13:42e de alimentos
13:43da Venezuela.
13:44Se esse fluxo para,
13:46o regime entra em colapso.
13:48Ou seja,
13:49dependendo do que vai acontecer
13:50com a Venezuela,
13:52ou seja,
13:52se vier um governo
13:53seja de transição
13:55ou futuro aliado
13:56aos Estados Unidos
13:57que interrompa
13:58o apoio à Cuba,
14:00a possibilidade
14:01é que o regime de Cuba
14:02também vá à falência
14:04nos próximos meses.
14:06É uma questão
14:06quase simbiótica
14:07dos dois lados.
14:08E esses dois países
14:10são onde já
14:11há visões claras
14:12de que existem membros
14:14da Guarda Revolucionária
14:15iraniana
14:16e do Hezbollah,
14:17que são grupos
14:18de fato terroristas,
14:20mas que dão
14:20suporte
14:21e tecnologia
14:22aliada a esses regimes
14:23e que os americanos
14:24não toleram.
14:26Igor,
14:27queria aproveitar
14:28para ouvir também,
14:29porque já pesquei
14:31análises muito diversas
14:33sobre China
14:34e Rússia
14:35nesse contexto,
14:36que também,
14:37claro,
14:38se manifestaram
14:39questionando
14:40a intervenção
14:41dos Estados Unidos,
14:43a questão da soberania
14:44das nações,
14:46mas há também
14:46quem diga
14:47que, por exemplo,
14:47a China,
14:48acaba ganhando
14:50mais espaço
14:51e influência
14:51sem necessariamente
14:52ter ela mesmo
14:54se exposto ali
14:54a uma ação militar.
14:56Como que você vê
14:58ganhos e perdas
15:00para essas duas nações
15:02que eram tão próximas
15:04ali da Venezuela
15:05ainda são?
15:08Olha,
15:08esses dois países
15:09utilizavam a Venezuela
15:10e Cuba também
15:11como bases
15:12de treinamento,
15:13bases de espionagem,
15:14bases de influência,
15:17compravam petróleo
15:18a preços baratos
15:19da Venezuela,
15:20então é muito engraçado
15:22que falam
15:23sobre uma intervenção
15:25americana
15:25para tomar o petróleo,
15:27mas esquecem
15:29que quem toma
15:29hoje o petróleo
15:30da Venezuela
15:31é Cuba,
15:32é a Rússia e China
15:34e que esses benefícios
15:35não vão para a população.
15:37Então são dois pesos
15:38e duas medidas,
15:38mas o que eles perdem?
15:40Eles perdem influência,
15:41eles perdem um acesso
15:43à região do Caribe
15:44e, obviamente,
15:45bases de treinamento
15:46até mesmo para espionagem
15:48na América Latina
15:49e nos Estados Unidos,
15:50já que eram
15:51centros de treinamento.
15:53Então isso é uma perda
15:54muito clara
15:54para a China
15:56e Rússia na região.
15:58A Rússia, obviamente,
16:00perde um controle
16:02indireto
16:03de reservas de petróleo
16:04muito maior que isso
16:05e a China
16:06vai procurar
16:06outros players
16:09para comprar petróleo,
16:10pode até aumentar
16:10a compra de petróleo
16:11do Brasil.
16:12Porém,
16:13o que eles ganham?
16:14A gente tem hoje
16:15na Rússia
16:16uma negociação
16:17territorial
16:18sobre a questão
16:19da Ucrânia.
16:21Isso pode ser utilizado
16:22como uma espécie
16:23de leverage
16:24para os americanos
16:25para que os americanos
16:26aceitem
16:27mais territórios
16:29no acordo
16:29de paz da Ucrânia,
16:30que a Ucrânia
16:31ceda mais territórios
16:33para a Rússia.
16:34Então isso vai ser, sim,
16:35colocado na mesa
16:36de negociações.
16:36E, por outro lado,
16:38os chineses
16:38fizeram recentemente
16:40um treinamento
16:41para mostrar
16:42como poderiam
16:43tomar Taiwan
16:44e que querem fazer,
16:45ou querem estar prontos
16:47para tomar Taiwan
16:48até o final de 2027.
16:50Não que isso ocorra,
16:52mas cria-se uma retórica
16:54de se os Estados Unidos
16:55podem fazer isso
16:56com a Venezuela,
16:57a China também
16:58poderia fazer
16:59uma situação
17:00similar com Taiwan
17:01e não poderia
17:02os Estados Unidos
17:03impedir
17:03por uma questão
17:04não só de geopolítica,
17:06mas uma questão moral
17:07do que está fazendo.
17:08Então há um ganho retórico
17:10e um ganho militar
17:12nesses dois países,
17:13já que tem os dois
17:14pretensões
17:15de tomar
17:16outros territórios
17:17no planeta.
17:18É, balança, né,
17:19e mexe demais
17:20com o xadrez
17:21da geopolítica,
17:22do comércio
17:23e de tudo mais.
17:24Eu quero agradecer
17:25Igor Lucena,
17:26economista,
17:27CEO da AmeriConsulting,
17:28doutor em relações
17:29internacionais,
17:30pela entrevista
17:31tão completa
17:32ao vivo
17:33aqui com a gente
17:34nesse plantão.
17:35Muito obrigada
17:36por isso, Igor,
17:37e bom domingo
17:38para você.
17:40Obrigado
17:40e bom domingo
17:40a todos.
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