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A possível retomada dos investimentos dos Estados Unidos no petróleo da Venezuela reacendeu o debate sobre impactos no mercado global e no Brasil. Maurício Tolmasquim, ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética, analisou riscos para a margem equatorial, preços do petróleo e a posição da Petrobras.

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Transcrição
00:00A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela muda a configuração em relação ao petróleo produzido no mundo,
00:06o que pode trazer mudanças importantes também em relação ao setor de energia na América do Sul.
00:11Mas apesar da Venezuela ter a maior reserva de petróleo comprovada,
00:16a produção do país ainda enfrenta limitações estruturais e de investimento.
00:20Mesmo com todos esses pontos, o atual cenário pode ser um estímulo à competição internacional
00:26pela atuação na margem equatorial brasileira, possivelmente colocando a Petrobras sob pressão
00:32e o aumento das exportações de petróleo brasileiro para a China.
00:36Vamos então entender melhor sobre esse cenário, principalmente em relação ao Brasil,
00:40com o ex-presidente da empresa de pesquisa energética, o Maurício Tomaskin.
00:45Oi, Maurício, seja muito bem-vindo aqui ao Fast Money.
00:48Prazer tê-lo aqui. Tudo bem contigo?
00:50Tudo bem, é um prazer enorme estar aí no programa.
00:53Prazer é todo nosso. Nosso analista também, o Felipe Machado, estará conosco neste bate-papo.
00:58Ô Maurício, a gente sabe que o petróleo venezuelano é bem parecido com o petróleo brasileiro,
01:03um petróleo mais pesado, mais ácido.
01:05Quando você tem uma espécie, vamos dizer assim agora, de abertura deste mercado
01:10ou de investimento para exploração e produção do petróleo venezuelano,
01:14você provoca aqui uma concorrência com o Brasil, porque o produto é parecido.
01:21E nós tivemos agora, recentemente, esses dias da terça-feira que foi anunciado,
01:26um problema, inclusive, de vazamento lá no Foz do Amazonas, que a Petrobras já estava explorando.
01:31O que essa ação dos Estados Unidos e que a projeção de mais investimentos no setor petrolífero na Venezuela
01:38pode refletir aqui no Brasil?
01:41Então, Eric, em relação ao petróleo, se tem verdade, nosso petróleo não é tão leve como o petróleo árabe,
01:52mas ele é muito menos pesado que o venezuelano.
01:56Então, a gente está ali no meio, vamos dizer.
01:58A Venezuela realmente tem um petróleo parecido com o Canadá, um petróleo muito pesado.
02:05Bom, em termos da margem equatorial, eu diria que diretamente não vejo um problema muito grande,
02:16inicialmente, por questões de investimento.
02:19Por que isso?
02:19Porque hoje a Petrobras tem a condição e a tecnologia e a capacidade de fazer os investimentos
02:28que são necessários da margem equatorial.
02:31Onde que pegaria?
02:33Poderia pegar mais na questão da cadeia de suprimento,
02:37porque hoje toda a indústria do petróleo já está sofrendo uma pressão enorme,
02:43porque a gente tem um fator que os preços do petróleo estão caindo,
02:47mas apesar dos preços do petróleo estão caindo,
02:49já há anos o preço da cadeia de suprimento, plataformas, sondas, vem crescendo.
02:58E os produtores de petróleo estão ficando ali meio esmagados no meio disso.
03:03Uma eventualmente retomada de investimentos na Venezuela,
03:10é claro que traria mais pressão sobre essa cadeia de suprimento.
03:14Então, indiretamente, aí sim eu acho que poderia afetar a margem equatorial.
03:20Outra maneira que poderia, mais equatorial, ser afetada é se,
03:26no curto prazo, o preço do petróleo não vai ser tão influenciado,
03:32porque no curto prazo a estimativa, a Venezuela produz hoje 900 mil barris por dia,
03:40que ela em 18 meses possa chegar a 1,5 milhão de barris por dia.
03:45Não é um aumento tão grande, é um aumento equivalente a 0,6% do mercado mundial.
03:53Mas, a médio prazo, esse aumento da produção pode, sim, afetar um pouco os preços para baixo,
04:03e isso, é claro, afetaria, eventualmente, a viabilidade da margem equatorial,
04:09porque qualquer exploração de petróleo, para se analisar a viabilidade,
04:16se leva em conta qual é a perspectiva de preços futuros.
04:20Então, vamos dizer, no curto prazo, eu não vejo os preços sendo muito alterados,
04:28no mel de prazo pode, e em termos da margem equatorial,
04:32então, esses impactos diretos que são mais relevantes do que, por exemplo,
04:38a questão de falta de investidor, que a Petrobras pode investir.
04:44Maurício, tudo bem? Boa tarde.
04:46Maurício, esse episódio da Venezuela, vamos dizer assim,
04:51a gente sabe que a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo,
04:54mas, hoje em dia, está com a indústria sucateada,
04:56produz menos de um milhão de barris por dia,
04:58então, falta muito para ela voltar a ser aquela grande produtora de petróleo,
05:03a fundadora da OPEP.
05:05O presidente Donald Trump afirmou que estima em 18 meses
05:09que as empresas americanas entrem na Venezuela e comecem a produzir petróleo lá.
05:15Esse prazo é factível?
05:16Qual é o prazo que o senhor acredita que seria um prazo mais realista
05:20para que as empresas americanas passem realmente a explorar petróleo
05:23do jeito que o presidente Donald Trump quer?
05:25Então, tem lá uma parte da produção, que é essa que eu falei,
05:30de passar de 900 mil barris por dia para algo como 1,8,
05:371,6 milhões de barris por dia, que é mais ou menos rápido,
05:41que levaria uns 18 meses depois das empresas retomarem a produção.
05:47Então, se vai levar 18 meses para elas conseguirem entrar, retomarem,
05:53então levaria mais 18.
05:55Agora, o que depende de exploração, de novos investimentos,
06:02aí isso leva mais tempo, 3, 4 anos.
06:05Não é uma questão tão rápida.
06:08É claro que a Venezuela tem uma vantagem quando a gente compara,
06:14por exemplo, com a margem equatorial,
06:15porque tem parte da reserva que já está descoberta.
06:19A margem equatorial ainda está,
06:22não se tem na comprovação, que tem petróleo.
06:25Então, sem dúvida, isso é uma vantagem.
06:28Mas a situação da indústria petorífera venezuelana é muito ruim,
06:35é o sucateado.
06:37E isso leva um tempo para poder justamente fazer investimentos
06:43em novos campos, em novas explorações.
06:48Maurício Tomaskin, queria muito agradecer a sua participação aqui no Fast Money.
06:52Muito obrigado por trazer esse olhar em relação a esse mercado do petróleo.
06:58Um grande abraço para o senhor e um ótimo restinho de semana.
07:01Obrigado, até logo.
07:04Obrigado.
07:05Felipe, a gente está acompanhando, então, essa questão do petróleo.
07:08Amanhã, inclusive, está prevista uma reunião de Donald Trump
07:12com as principais companhias do petróleo dos Estados Unidos,
07:15entre elas a Chevron, a Conoco...
07:20Philips.
07:20Philips, também a Exmobil, para justamente tratar de como será feita a operação,
07:25os investimentos, a extração do petróleo na Venezuela
07:28e como é que vai ser essa questão de enviar esse petróleo também para os Estados Unidos.
07:33Porque é um mercado importante, a gente está vendo que, inclusive,
07:36está mexendo com o preço hoje do petróleo, porque faltam detalhes.
07:39E o petróleo voltou a subir, o barril do Brent voltou a subir forte.
07:43Então, precisa o mercado todo, você, investidor que nos acompanha,
07:47ficar atento também a essa questão do petróleo na Venezuela.
07:50Com certeza.
07:51Eric, tem uma característica, que a gente está entrando um pouquinho mais no campo técnico.
07:56O que acontece?
07:56O petróleo, como a gente viu aqui o Maurício Tomaskin falando,
07:59o petróleo nos Estados Unidos é um petróleo mais leve,
08:01o petróleo do Brasil é um petróleo médio,
08:03e o petróleo na Venezuela é um petróleo muito pesado,
08:05quer dizer, um petróleo bruto, pesado, como eles chamam.
08:07Ou seja, é mais difícil fazer o refino desse petróleo.
08:11As refinarias americanas estão acostumadas a fazer esse refino de um petróleo mais leve,
08:16que é o petróleo americano, ou de um petróleo médio,
08:18que é o petróleo que vem do Canadá.
08:20Que é o principal fornecedor de petróleo para os Estados Unidos.
08:22Exatamente.
08:23Apesar de todas as tarifas e toda a briga que eles estão tendo internamente,
08:27o Canadá ainda é o maior exportador para os Estados Unidos.
08:29Mas, voltando, o petróleo americano, o petróleo da Venezuela,
08:32que é o petróleo mais pesado,
08:33ele teria que ter uma espécie de alguma reforma nas próprias refinarias americanas
08:38para que esse petróleo venezuelano seja processado,
08:41seja refinado na medida, na quantidade que os Estados Unidos estão pensando,
08:46que o presidente Donald Trump está querendo.
08:47Então, para refinar um petróleo pesado nas refinarias americanas,
08:51teria que ter muito petróleo pesado para valer a pena fazer essa reforma
08:54e fazer esses investimentos nas refinarias também americanas.
08:57Então, eu acho que é tudo isso que está em jogo.
08:59Então, a gente tem essas três principais petrolíferas americanas.
09:02A Chevron, que a Chevron é a única companhia americana que continua lá,
09:06porque as outras companhias saíram depois do processo de destatização do petróleo,
09:10que foi feito em 2007 lá pelo presidente Hugo Chávez.
09:13Então, a Chevron decidiu ficar, mesmo com uma negociação meio ruim,
09:17mas as outras americanas saíram.
09:18A Chevron falou, não, já tive investimentos aqui, vou continuar.
09:21Então, agora a ConocoPhillips e a ExxonMobil,
09:23elas voltam para a Venezuela,
09:25provavelmente, após essa reunião com o presidente Donald Trump,
09:28vai ser definido de alguma forma como é que vai ser,
09:30como é que serão esses investimentos.
09:32Vamos imaginar, o presidente Donald Trump está todo mundo otimista,
09:34o petróleo da Venezuela, o petróleo da Venezuela,
09:37mas vamos lembrar que tem realmente essa característica,
09:39é um petróleo de refino pesado,
09:41que vai exigir das companhias americanas bastante investimento,
09:44inclusive nos Estados Unidos,
09:45para levar esse petróleo para os Estados Unidos e fazer esse refino lá.
09:48Porque, como eu disse, as refinarias americanas
09:50estão mais acostumadas com o refino de petróleo médio e mais light.
09:54Então, são investimentos que vão ter que ser feitos, Eric,
09:58que não são investimentos banais, não é assim,
10:00agora o petróleo é dos Estados Unidos, agora está tudo fácil.
10:03Não, o petróleo, os investimentos vão ter que ser feitos na Venezuela,
10:06para a extração...
10:07Demanda muita tecnologia.
10:08Exatamente.
10:08Hoje a Venezuela produz, como a gente viu o próprio Maurício falando,
10:11menos de um milhão de barris por dia.
10:13E a Venezuela já chegou a produzir três milhões de barris por dia,
10:16até quatro milhões de barris por dia.
10:17Vamos lembrar que a Arábia Saudita, Eric,
10:19produz nove milhões de barris por dia.
10:21Ou seja, está muito longe da Venezuela estar naquele campo,
10:25vamos dizer assim, naquele cenário ideal.
10:28Então, vai ter que ter investimentos na Venezuela,
10:30para a extração, para aumentar essa produção de petróleo lá,
10:33e também nas refinarias americanas,
10:35para poder refinar esse petróleo,
10:36que é um petróleo mais pesado,
10:38transportar esse petróleo para os Estados Unidos,
10:41para usar as refinarias americanas nesse petróleo mais pesado.
10:44Então, são investimentos que estamos falando de bilhões de dólares,
10:47e um prazo, a meu ver, muito maior do que os 18 meses
10:50que o presidente Donald Trump está estimando.
10:52Hoje de manhã, no pré-marketing, no primeiro jornal aqui do Times Brasil,
10:55licenciado exclusivo CNBC,
10:57eu conversei com o Marcos Pegoretti.
10:58O Marcos, ele é CEO da Cião Petróleo,
11:02que é uma empresa ligada a petróleo aqui do Brasil,
11:05e ele está tentando um acordo,
11:07tem já algumas conversas adiantadas,
11:10para operar também parceria lá na Venezuela.
11:12E ele disse que, para fazer o refino desse petróleo pesado,
11:16é preciso muita energia.
11:17Então, assim, eles, inclusive, estão falando de energia renovável,
11:21de usar alguma energia mais limpa,
11:24mas ele trouxe isso,
11:24que demanda energia pesada para fazer esse refino.
11:27Lembrando que esse óleo mais pesado, mais ácido,
11:30ele é bom para fazer asfalto,
11:32para o diesel industrial,
11:33que fomenta grandes fábricas, grandes indústrias.
11:36Por isso, também, os Estados Unidos estão muito interessados.
11:39Porque nessa de fazer a América grande de novo,
11:41make America great again,
11:43vai precisar de bastante energia,
11:45vai precisar ali bastante petróleo, né, o Felipe Machado?
11:48Com certeza, Eric.
11:49Mas imagina, você falando,
11:51eu estava aqui só pensando,
11:52imagina que ironia.
11:53Quer dizer que os Estados Unidos
11:53vai precisar de energia renovável
11:55para refinar o petróleo,
11:57para mover as...
11:59É uma ironia, uma contradição, né?
12:00É uma contradição, né?
12:01É uma grande ironia que a gente vai ver isso,
12:05provavelmente, ao longo desse ano.
12:06É isso aí.
12:07Já já a gente volta a conversar.
12:08Obrigado, viu, Felipe?
12:09O conselho da Warner Bros Discovery
12:11voltou a...
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