Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Nelson Marconi, economista e professor da FGV, analisou como a invasão americana à Venezuela, a prisão de Maduro e o discurso de Trump podem afetar petróleo, metais e a Petrobras. Ele também comentou os riscos geopolíticos e econômicos para 2026 e a relação entre Brasil e EUA.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Então, de volta, a gente abre esse bloco conversando com o Nelson Marconi, ele é economista e professor da Fundação Getúlio Vargas.
00:07Marconi, boa noite, obrigada por aceitar o nosso convite.
00:11Marconi, desde que aconteceu essa invasão americana à Venezuela, a captura de Maduro, a fala de Trump sobre a entrada de petroleiras americanas no país,
00:20o mercado de petróleo virou, claro, o foco das atenções.
00:24Ontem, depois de muita volatilidade, as cotações subiram e hoje os preços caíram.
00:30Vai demorar um tempo para o mercado entender o que vai de fato acontecer na Venezuela daqui para frente?
00:37Sim, boa noite pela Cristiane, tudo bem?
00:41Eu entendo que sim, vai demorar um bom tempo, porque ninguém sabe muito bem como que vai ser explorado pelas companhias,
00:50quais companhias vão entrar lá, já existiu uma discussão na imprensa de que o petróleo venezuelano não é um petróleo tão barato assim
00:59de ser extraído e depois transformado ao ponto de ser exportado.
01:04Não tem muito claro.
01:05A gente, do ponto de vista geopolítico, também é ainda muito incerto o cenário.
01:10Então, essa gangorra aí em torno dos preços dos grandes ativos, não só do petróleo, vai continuar, infelizmente.
01:17Agora, falando dos metais, hoje foi mais um dia de alta.
01:22Com essa tensão política no radar, a tendência, no curto prazo pelo menos, é que os preços dos metais continuem subindo?
01:31Sim, com oscilação também, porque em alguns dias a gente vai observar perdas,
01:38outras a gente vai observar ganhos, realizações de lucros, etc.
01:41Então, vai ter essa oscilação, mas a tendência é de alta, com certeza.
01:45Todo mundo vai tentar se voltar para ativos, digamos, que impliquem menor risco, maior segurança.
01:53E a gente sabe que esses metais, como ouro, dólar, etc., são metais que acabam.
01:58Ouro, dólar não, desculpe, ouro e prata, como a gente está citando.
02:01São ativos que vão acabar tendo esse caráter de segurança.
02:08Então, a tendência a gente vê, sim, de alta, ainda que com uma volatilidade, o preço desses ativos.
02:14Marconi, aqui no Brasil, quais devem ser os efeitos dessa questão geopolítica?
02:19E aí, eu gostaria que você falasse especialmente em relação à Petrobras.
02:22O que a gente pode ver em relação à Petrobras é que uma parte do que poderia ser direcionado,
02:36do petróleo, da Petrobras para outros países, vai ser atendido pela produção venezuelana.
02:43Pelo menos, ela deve aumentar um pouco.
02:45Ainda que com essas dificuldades que a gente está falando, não são mercados.
02:49Como eu falei, o mercado, o petróleo venezuelano é um petróleo um pouco mais difícil,
02:54para ser transformado e realmente ser exportado, ele tem um pouco mais de, vamos dizer, é mais trabalhoso.
03:00Mas, mesmo assim, você vai ter um aumento da oferta mundial.
03:04Isso vai diminuir, provavelmente, o preço do petróleo.
03:07Pode ter algum impacto, sim, na rentabilidade, nos investimentos da Petrobras.
03:13Então, a gente não sabe muito bem, a médio prazo, o que vai acontecer,
03:17mas que vai aumentar a oferta no mercado internacional.
03:20Isso vai, e isso vai afetar não só a Petrobras, como outras companhias.
03:24Aqui, as americanas, algumas delas podem ser beneficiadas pelo fato de estar operando lá,
03:30de passar, operar na Venezuela, mas a Petrobras, no nosso caso aqui,
03:34ela pode realmente ter uma dificuldade do ponto de vista de,
03:40tanto de preço como de, vamos dizer, de expansão de mercado.
03:43A gente viu, no fim do ano passado, aquela aproximação entre Lula e Trump,
03:48os dois chegaram a falar em química entre eles.
03:52E agora, Marconi, há algum risco dessa aproximação se desfazer?
03:58Olha, pelo menos no discurso, essa aproximação agora está se revertendo um pouco.
04:04A gente viu hoje que o discurso dos nossos diplomatas,
04:07na Organização dos Estados Americanos, foi mais duro.
04:10O próprio presidente Lula entrou um pouco mais duro nessa discussão.
04:15A gente precisa ver até quanto que isso tem de retórica,
04:18quanto que vai ocorrer na prática.
04:20Quer dizer, essa aproximação também pode acabar por outros motivos,
04:25voltando a ocorrer, principalmente por causa de questões comerciais.
04:30Pode ser um jogo de idas e vindas.
04:32Mas o fato é que este evento em si, que foi esse ataque à Venezuela,
04:41ele estremece as relações entre o Brasil e os Estados Unidos,
04:45e assim esperava que fosse, que o governo Lula tivesse uma reação relativamente dura
04:51a essa movimentação.
04:53O que você vai esperar é um distanciamento.
04:56E isso vai ficar mais claro ao longo deste ano,
05:00porque a gente tem um processo eleitoral, logicamente, no final deste ano,
05:04e isso vai, logicamente, ser, eu diria, no mínimo, muito emocionante,
05:09ao longo deste ano, que pode acontecer nessa relação.
05:12É isso aí.
05:13Eu vou passar para a pergunta do nacionalista Felipe Machado.
05:16Felipe, por favor, fique à vontade.
05:19Tudo bem, Marconi? Boa noite para você.
05:20Marconi, depois do sucesso da operação na Venezuela,
05:25o presidente Donald Trump vem escalando um pouco o seu discurso bélico,
05:29vamos dizer assim, já ameaçou a Colômbia, já ameaçou Cuba,
05:34enfim, já ameaçou a Groenlândia, recentemente.
05:36A gente viu agora há pouco a porta-voz da Casa Branca
05:41falando que pode ser usado, inclusive, forças armadas,
05:45forças militares para ocupar a Groenlândia.
05:48Como é que você acha que esse discurso bélico do presidente Trump
05:50pode influenciar os mercados ao longo de 2026?
05:55É, ele é um discurso que, se realmente ele for, vamos dizer,
05:59virar a prática, né, virar a prática do, vamos dizer, dos Estados Unidos,
06:04ele muda completamente a ordem internacional geopolítica
06:08e que vai ter influência econômica, logicamente, né?
06:12Você aumenta muito o risco, tanto o grau de protecionismo,
06:15quanto o risco, né, de você ter outros eventos maiores
06:20do ponto de vista de conflitos, né, e restrições a acesso a mercados, né?
06:27A gente vê com outras guerras que estão acontecendo aqui,
06:30como a guerra da Ucrânia e tal,
06:31todo impacto esteve do ponto de vista de custos e tudo mais.
06:34Isso deve se repetir, né?
06:36A gente espera que isso seja mais retórico do que realmente prático,
06:40mas se ele for colocar na prática isso que ele está falando,
06:44isso pode ter uma repercussão mundial muito grave, né?
06:48Mais grave seria se realmente ele fizer tudo isso
06:52e as outras grandes nações não reagirem, né,
06:55quer dizer, de forma adequada e também adotarem estratégias parecidas, né,
06:59quer dizer, o cenário, um cenário muito ruim,
07:02e outro também que a gente pode ter como perspectiva,
07:05ou pelo menos pensar, elucubrar um pouco em cima dele,
07:07é você pensar que os Estados Unidos, né,
07:09eles vão ter que aumentar a influência na América Latina, né,
07:13a Rússia tentando aumentar a influência dela ali,
07:16passando a Europa Oriental para o resto da Europa,
07:19pelo menos um pedaço da Europa,
07:20e a China aumentando a influência dela na Ásia,
07:24principalmente no Sudeste da Ásia, no Sul da Ásia.
07:26E seria, do ponto de vista da reorganização, né,
07:31da produção mundial, três grandes blocos,
07:34que isso não vai acontecer do dia para a noite, né,
07:36mas a gente pode também pensar que é uma possibilidade,
07:40e isso tem implicações para o comércio, para os preços e tudo mais.
07:44A curto prazo, o que a gente vê é que se os Estados Unidos
07:46adotarem essas medidas, a gente pode ter aí,
07:50lógico, do ponto de vista político, muito sério,
07:52do ponto de vista social também,
07:54mas do ponto de vista econômico,
07:56uma desorganização muito grande do sistema produtivo.
08:00Com mais inflação, com mais recessão,
08:02com restrições a mercados,
08:04a gente pode ver aí muita instabilidade, né,
08:07é isso que pode acontecer.
08:08Marconi, muito obrigada,
08:10é sempre um prazer receber você aqui no nosso jornal.
08:14Boa noite.
08:14É um prazer conversar com vocês também, boa noite.
08:16Até a próxima.
08:16Até a próxima.

Recomendado