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A operação dos Estados Unidos na Venezuela abriu uma crise diplomática na América Latina. Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, Andrew Traumann, professor de História da UniCuritiba, analisou os limites jurídicos da ação, os precedentes globais e os impactos geopolíticos para a região.

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Transcrição
00:00A operação dos Estados Unidos na Venezuela abriu uma crise diplomática e jurídica com reflexos em toda a América Latina.
00:07Washington diz que foi uma ação policial contra o narcotráfico.
00:11Críticos falam em violação da soberania e do direito internacional.
00:16O episódio levanta dúvidas sobre limites de poder, precedentes e os impactos nas relações regionais.
00:22Eu vou ter uma conversa agora sobre esse cenário ao vivo com Andrew Trauman, professor de História das Relações Internacionais.
00:30Tudo bem, professor? Ótima tarde. Seja muito bem-vindo.
00:34Tudo bem, boa tarde. É um prazer estar aqui com vocês.
00:37Bom, professor, a gente sabe que uma movimentação, uma intervenção, um acontecimento desse tipo mexe com o tabuleiro das relações geopolíticas.
00:46O que a gente já pode antecipar de efeito imediato e o que deve acontecer a médio e longo prazo?
00:56Bom, vamos falar primeiro internamente.
00:59Eu acho que dia após dia nós vamos conseguir ter um panorama mais claro do que está acontecendo, do que vai acontecer na Venezuela.
01:07Eu acredito que as pessoas que estavam celebrando a queda do Maduro, especialmente a comunidade venezuelana ao redor do mundo,
01:17a diáspora venezuelana, devem estar se sentindo um pouco frustrada com a nomeação da Delsi Rodrigues, vice-presidente do Maduro,
01:26como agora nova presidente da Venezuela.
01:28E também o fato de que o Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, estão negociando com o Delsi Rodrigues.
01:37Ela é considerada a presidente.
01:39Claro que eles colocam uma série de ressalvas de que ela deve fazer a coisa certa, ou seja, obedecer os Estados Unidos,
01:47senão pode até ter uma nova, uma segunda onda de ataques.
01:50Mas a oposição foi descartada, a Corina Machado foi descartada, o González Lúcia foi descartado,
01:59aquele que teria vencido as últimas eleições na Venezuela, e ele está negociando com quem está no poder.
02:06Porque uma coisa que eu tenho dito nas entrevistas, Natália, é que nós estamos falando de um regime.
02:12Nós estamos falando de um governo que está aparelhado ali há 27 anos.
02:15O legislativo, o judiciário, você não derruba um regime completo, aparelhado, apenas tirando o seu líder.
02:25Então, assim, o primeiro momento que a gente está vendo é um certo assentamento da poeira.
02:31Pelo menos internamente seria isso.
02:34Exatamente, porque o movimento chavista, ele é inclusive anterior a Nicolás Maduro.
02:40Nicolás Maduro era a figura ali importante, central, presidente, mas a saída dele não significa, de fato, o fim desse movimento.
02:49E aí, nesse contexto, professor, qual que deve ser o impacto nas relações entre América Latina e Estados Unidos?
02:57Acredito que todo mundo está meio preocupado agora com o que está acontecendo.
03:02Porque o que nós vimos, e eu vou concordar com o que você disse em relação aos críticos, foi evidentemente uma violação da Venezuela.
03:12O presidente, vamos falar português, claro, o Maduro foi sequestrado.
03:16Eles entraram no país, sequestraram o Maduro e sua esposa, colocaram no navio e levaram para Nova York.
03:23Aquilo não tem nenhuma legalidade.
03:25O Congresso norte-americano não foi consultado.
03:27Ninguém foi consultado, ou seja, foi uma ação totalmente unilateral.
03:31Eu acredito que pouquíssimas pessoas sabiam dessa operação em curso.
03:37E agora a gente sabe que ontem, naquele discurso, não foi uma entrevista coletiva porque ele não permitiu perguntas,
03:45o Trump falou, olha, eu quero que o presidente da Colômbia fique esperto.
03:51Ele usou essa expressão, que a Colômbia fique esperto.
03:54E também mandou algum recado para Cuba, embora ele ache que o regime cubano vai cair sozinho, vai cair por si só.
04:02Essa é uma coisa para a gente discutir, porque faz 60 anos e não caiu ainda, mas enfim.
04:08E a Colômbia fica preocupada.
04:11Eu acredito que Peru e Bolívia, como produtores de cocaína, também deveriam ficar,
04:17embora a gente está vendo já que a história da cocaína era muito mais um pretexto,
04:23porque na entrevista de ontem ele só falou de petróleo,
04:26praticamente toda a questão do narcotráfico foi deixada de lado,
04:30e o Trump também não mencionou a palavra democracia nenhuma vez.
04:34Então, não é sobre democracia, as drogas foram um pretexto,
04:40ele está totalmente focado na questão do petróleo.
04:42Se o governo for democrático ou não, não importa.
04:45O que importa para ele é que sigam as diretrizes.
04:48E respondendo a sua pergunta, o Javier Milley foi o único presidente da região
04:53que comemorou abertamente, e todos os outros se veem preocupados
04:58porque se abre um precedente perigoso.
05:00E eu diria mais, Natália, se abre um precedente perigoso a nível mundial,
05:05porque agora, se os Estados Unidos fizeram isso,
05:08quem garante que a China não pode fazer isso com Taiwan, por exemplo?
05:12Exatamente, professor.
05:14E é mesmo te perguntar sobre China e sobre Rússia,
05:18que, claro, perdem uma área de influência importante,
05:22não de imediato, mas a médio prazo devem perder esse acesso ali,
05:28essa influência na Venezuela e, consequentemente,
05:31outros braços acessíveis por ali.
05:34Mas abre esse precedente, então, para a China em relação a Taiwan,
05:38para a Rússia em relação à Ucrânia em algum aspecto também?
05:42Com certeza, com certeza.
05:44Eu acredito, por isso que quando eu falei,
05:47eu acho que poucas pessoas fora do país sabiam,
05:50eu tenho certeza de que o Vladimir Putin estava ciente de que isso ia acontecer.
05:54E se isso não foi abertamente conversado entre eles,
05:58eu acho que agora está um pouco tácito de que, olha,
06:02a América Latina é o meu quintal, eu vou intervir,
06:05mas também está liberado aí China com Taiwan, Rússia com Ucrânia.
06:10A gente está vendo que o Trump tem sido já há muito tempo um mediador muito pró-Rússia,
06:17ele está praticamente forçando o Zelensky a entregar vastas porções da Ucrânia
06:22para o Putin em troca da paz.
06:25Então eu acho que abre um precedente, sim, para a anexação de partes da Ucrânia
06:30e de um controle maior da China sobre Taiwan,
06:33porque o plano do Trump é meio que isso,
06:36criar um mundo dividido entre Estados Unidos, Rússia e China,
06:40e cada um no seu quadrado, assim, com os Estados Unidos aqui no hemisfério ocidental.
06:44Professor, o senhor vê, tem chance ou algum risco dessa ação ser questionada
06:50internamente nos Estados Unidos?
06:52Porque teria que ter passado pelo Congresso, de alguma maneira,
06:55essa decisão dessa intervenção, da forma como aconteceu?
07:00Ela já está sendo muito questionada,
07:03tanto pelos meios de comunicação, quanto pelo Congresso,
07:08claro, muito mais pela oposição, né, do que pela situação.
07:12Juridicamente falando, a alegação do Trump é aquela que você mencionou
07:20no início da nossa conversa, que foi uma operação policial,
07:23não foi uma operação militar, a gente estava cumprindo o mandato judicial, né,
07:28então, por isso, não precisaria de uma autorização,
07:35porque se você faz uma audiência, tem que ser pública no Congresso,
07:39o Nicolás Maduro, evidentemente, tomaria conhecimento,
07:41e se esconderia em outro lugar, essa é a desculpa básica de que,
07:46por isso que teria que ser uma operação secreta,
07:49mas é completamente ilegal o que foi feito, não foi uma ação policial,
07:54foi uma ação militar, nós vemos bombardeios na Venezuela,
07:58que não é a operação policial.
08:01Bom, professor, o senhor já mencionou aqui, né,
08:04que esse argumento, esse embasamento aí de combate ao narcotráfico
08:09é muito mais um meio do que o fim, né,
08:11e que o fim estaria muito mais ligado a questões mesmo comerciais,
08:15mais transacionais, ao petróleo, a grande riqueza ali da Venezuela.
08:20Agora, considerando esse argumento aí do combate ao narcotráfico,
08:24a retirada do Maduro de Sena pode, de fato, ser eficaz?
08:29Eu acho muito estranha essa argumentação,
08:34desde o começo eu achava muito estranha essa argumentação,
08:36porque a Venezuela, ela não é um país produtor de cocaína.
08:40A Venezuela, os países produtores de cocaína são Colômbia, Bolívia e Peru.
08:45A Venezuela é uma passagem, mas até aí o Brasil também é uma passagem,
08:51né, para o narcotráfico rumo à Europa, rumo à África, etc.
08:55E quando o Trump falava do fentanil,
08:59o fentanil é uma droga que é fabricada por cartéis no México,
09:03entram nos Estados Unidos, a Venezuela não tem nada a ver com o fentanil.
09:07A Venezuela era, sim, passagem de cocaína, como o Equador é passagem de cocaína,
09:11mas é interessante que os países produtores de cocaína,
09:16Bolívia, Peru e Colômbia, com exceção da Colômbia,
09:18muito mais por razões políticas do que por razões de tráfico de drogas,
09:23ninguém está falando de Bolívia e Peru, só da Colômbia,
09:26mas a Colômbia sabe que tem uma questão,
09:28porque o Gustavo Petro é de esquerda,
09:32quando houve a conferência da ONU,
09:35ele esteve em Nova Iorque numa manifestação para a Palestina,
09:39nas ruas de Nova Iorque, enfim,
09:41já falou muitas coisas negativas sobre o Trump,
09:43então é uma coisa pessoal.
09:45E ele também, o Petro também tem uma Magnitsky agora,
09:51ele também e a esposa estão atingindo aquele problema
09:53que o ministro Alexandre de Moraes também teve,
09:56de veto a visto e cartões de crédito, etc.
10:01Mas não sabemos se haverá uma intervenção na Colômbia também,
10:04é uma questão meio complexa, mas...
10:06Professor, fica parecendo que essa argumentação de combate ao narcotráfico
10:13pode ter também uma busca por melhorar a popularidade,
10:19a aprovação do presidente Donald Trump nos Estados Unidos,
10:23o senhor vê essa conversa também,
10:25ele tentando reverter essa queda de popularidade que a gente tem visto?
10:29Eu vejo assim, todas as guerras, elas precisam ter uma justificativa moral,
10:37sempre, ninguém vai...
10:39Quando a gente teve, por exemplo, a invasão do Iraque, lá em 2003,
10:43o argumento do presidente Bush era a democracia,
10:46vamos levar a democracia e a liberdade ao Iraque.
10:50No caso do Afeganistão, era acabar com o regime talibã,
10:54que violava direitos humanos e maltratava as mulheres,
10:56e tudo isso é verdade, não estou dizendo que seja mentira.
10:59Mas a gente viu que a situação nesses países não melhorou
11:02depois da invasão norte-americana.
11:04O talibã voltou ao poder, no Iraque surgiu o Estado Islâmico,
11:08e como há, de fato, uma grande crise de consumo de drogas nos Estados Unidos,
11:14é uma crise de saúde pública bastante grave,
11:18então ele usa isso como argumento para dizer,
11:20olha, estou defendendo, ele disse isso no discurso que a gente acabou de assistir,
11:23né?
11:24Eu estou fazendo isso para defender os americanos e tudo isso,
11:28então, claro, tem a ver com resgatar a popularidade,
11:31porque segundo as últimas pesquisas,
11:33a popularidade do Trump está em torno de 35%, 36%.
11:36Então, isso nós estamos começando ainda o segundo ano de mandato,
11:40então é uma situação bastante complexa,
11:43e é muito comum que líderes busquem uma guerra, um conflito e tal,
11:49para tentar aumentar o patriotismo da população e coisas do tipo.
11:53E claro, né, professor, a gente está aqui esmiuçando as reais motivações, etc.,
11:59mas sem deixar de lado, sem ignorar de maneira alguma,
12:03o fato de que Nicolás Maduro estava ali mantendo uma ditadura,
12:09e com vários crimes, etc., isso não está em xeque, né?
12:13A gente está discutindo mesmo essa questão do embasamento jurídico
12:17para a intervenção que a gente presenciou.
12:18Quero agradecer Andrew Traumann,
12:21que é professor de História das Relações Internacionais,
12:23pela participação com a gente nesta tarde.
12:25Muito obrigada, professor.
12:27Ótimo domingo por aí.
12:29Eu que agradeço.
12:30Até uma próxima.
12:31Tchau, tchau.
12:31Até.
12:32Tchau.
12:33Tchau.
12:34Tchau.
12:35Tchau.
12:36Tchau.
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