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A operação dos Estados Unidos para capturar Nicolás Maduro durou 47 segundos e não teve reação militar. Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, Robinson Farinazzo, especialista em guerra, analisou os bastidores da ação, o enfraquecimento das Forças Armadas venezuelanas e as consequências geopolíticas.

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Transcrição
00:00A operação militar norte-americana para capturar Nicolás Maduro foi rápida e cirúrgica.
00:05A Casa Branca informou que a ação levou 47 segundos.
00:09Não houve reação da segurança pessoal de Maduro e nem de tropas venezuelanas.
00:14Então, para entender mais sobre a incursão norte-americana na capital Caracas,
00:19eu vou conversar agora com o Robinson Farinazo, especialista em guerra.
00:23Oi, Robinson, muito bom dia para você.
00:26Prazer tê-lo nesta manhã de domingo aqui conosco.
00:28Tudo bem contigo?
00:30Tudo bom? Como é que está o senhor? Tudo bem?
00:32Grande abraço para toda a audiência aqui da CNBC Times Brasil.
00:36Grande abraço para você também.
00:37O nosso analista Rodrigo Loureiro vai participar desse nosso bate-papo.
00:41Agora, Robinson, acho que o que chamou a atenção de todo mundo
00:43foi a falta de reação das Forças Armadas da Venezuela, da segurança pessoal,
00:50porque em outras ações militares, por exemplo, nos Estados Unidos,
00:54quando foram capturar Bin Laden em 2011, você tinha uma reação,
00:59as forças ali tentando reagir ou tentando fugir, a gente viu inclusive tiroteio.
01:05Por que que isso aconteceu? Por que que foi rápido e praticamente Nicolás Maduro
01:09apresentou pouca resistência?
01:12Olha só, quando mataram o Bin Laden em Abotabad em 2011, nós temos que lembrar que Abotabad
01:25é para os paquistanes, o que é a resende aqui no Brasil, é a sede da academia militar deles.
01:32Não houve reação nenhuma.
01:33Nesse caso aqui do Maduro, parece que os soldados teriam sido desmobilizados para o final do ano.
01:42Eu desconfio que nos dois casos, tanto no caso do Bin Laden, quanto nesse caso aqui do Maduro,
01:49houve inside information, alguém de dentro do governo passou toda a informação.
01:54Porque não é possível você, e alguém colaborou, porque não é possível você,
01:58num país que nem a Venezuela, que tem um bom sistema de radares, uma boa cobertura de radares,
02:03aeronaves entrarem, pousarem na casa do presidente.
02:07Ninguém, não tem tiro. Cadê a guarda presidencial?
02:10A casa deveria ser guardada.
02:13E não houve nada.
02:14Quer dizer, provavelmente houve colaboração do governo.
02:18A gente não pode acreditar que assim que foi um milagre militar.
02:21Fica muito difícil.
02:22Robinson, bom dia. Obrigado pela sua participação aqui nesse plantão.
02:28Aqui quem fala é Rodrigo Loureiro.
02:30Robinson, a gente viu nos últimos dias os Estados Unidos intensificando as suas operações militares.
02:36Nos últimos dias, que eu diga, antes da ação militar para a captura de Nicolás Maduro.
02:41Só que havia ainda muita dúvida em qual seria o objetivo final dos Estados Unidos.
02:47Se seria realmente essa captura ou se seria apenas uma forma de pressão.
02:51Essa captura, de fato, essa operação de captura, ela te surpreende por ter acontecido assim tão rapidamente?
02:59Ou foi algo que já estava, de repente, num roteiro pré-estabelecido?
03:04Olha, Érico, a tua pergunta é excelente.
03:08Na minha opinião, é para fazer pressão também para o resto do regime, porque nós temos que lembrar que o Maduro é só a figura de proa do regime.
03:18Você tem os militares, você tem o PSUV, etc.
03:21Eu acho que essa captura surpreendeu todo mundo.
03:24Ninguém esperava por isso.
03:25Isso é uma verdade.
03:27É uma verdade.
03:28Ninguém esperava por isso daí.
03:30Mas, assim, a gente precisa ver o que vem daqui para frente, né?
03:35O que vem daqui para frente?
03:37Como é que vai ficar o governo da Venezuela?
03:39Os demais integrantes?
03:41O Diosdado Cabello, o Vladimir Padrino.
03:44Como é que isso vai ficar?
03:46Não sei.
03:47E a gente tem que olhar uma outra coisa, está vendo?
03:49É uma consequência que eu não estou vendo, ninguém está falando muito aí.
03:53O Trump, ele está num processo de agigantamento das funções da Casa Branca.
04:00Depois do governo Trump, ele está trazendo muito poder para a presidência da República dos Estados Unidos.
04:05Se vocês notarem, vocês não vão ver mais nenhum analista americano falando em check and balances.
04:11Os check and balances não estão funcionando para Donald Trump.
04:14Ele fez uma operação lá totalmente à rebelia dos outros poderes.
04:19Então, assim, nós temos que pensar nas consequências, né?
04:22Foi uma operação bem sucedida, foi uma operação inesperada.
04:25A gente não sabe o que vem depois, mas uma certeza nós temos.
04:29O Trump, ele está aumentando os poderes da presidência americana e isso é complicado, né?
04:35Para dizer o mínimo.
04:36É, está centralizando muito o poder ali na Casa Branca, no seu gabinete.
04:41Agora, Robinson, esse ataque, essa entrada norte-americana na Venezuela, com uma ação rápida que acabou destituindo o Nicolás Maduro, um bombardeio e também a retirada do então comandante venezuelano junto com a sua esposa.
04:56Ele demonstra um sucateamento, por exemplo, do exército venezuelano, né?
05:02Que o governo venezuelano, o país, ele é muito baseado nos militares, que inclusive comanda a PDVs.
05:08Então, eu queria te perguntar, mostra aí, reflete um sucateamento do armamento ou da defesa venezuelana?
05:14E também mostra que a Venezuela acabou ficando isolada, que, por exemplo, aliados como Rússia e China acabaram não dando um apoio, pelo menos, um apoio simbólico que a Venezuela precisaria?
05:27Olha, eu acho que essa tua pergunta é excelente.
05:30Ela envolve questões centrais.
05:31Eu vou responder ela de trás para frente.
05:33China e Rússia não se envolveriam de forma alguma nesse caso venezuelano.
05:39Não é de... a Rússia, ela tem o entorno estratégico da Rússia, a Ásia Central e parte da Europa Oriental.
05:46Eles não vão se meter nisso.
05:48E a visão do chinês é o seguinte, olha, você precisa buscar a sua própria independência.
05:53Eles não tinham nem condições logísticas para isso, tem base.
05:56A China não tem base na América Latina, essa é que é uma verdade.
06:00Tem uma base na Venezuela, mas de observação astronômica não serve para nada em termos militares.
06:04Esse eu acho... agora, esse é uma questão, eles não ajudariam mesmo.
06:09Mas a Venezuela, ela se isolou dentro da própria América Latina.
06:14É uma verdade.
06:16É uma verdade.
06:18Essa verdade ajuda a responder a primeira parte da tua pergunta,
06:21quando você perguntou sobre o sucateamento das forças armadas venezuelanas, Eric.
06:26Olha, eu como analista militar, eu converso com gente do mundo inteiro,
06:30a gente troca impressões sobre forças armadas do mundo inteiro,
06:33ninguém tinha uma condição de precisar.
06:37A gente sabe que a Venezuela tem bons equipamentos.
06:40Mas nós não sabemos duas coisas.
06:42Primeiro, qual é o grau de modernização desses equipamentos?
06:46Que sistemas de míssil a cada 3, 4, 5 anos você tem que atualizar todo o software dele?
06:51Essa é uma coisa.
06:52Segundo, como é que esse pessoal está sendo treinado?
06:54Eles têm um treinamento constante?
06:55Tem um domínio da técnica?
06:57Nós também não sabíamos.
06:58E a terceira coisa que nós não sabemos, nós vamos descobrir nos próximos dias,
07:01qual é o grau de mobilização da sociedade venezuelana para a defesa do regime.
07:07Então, assim, é difícil responder isso.
07:10Eu acho que o mais provável, o mais provável, é que talvez eles não acreditassem,
07:15como eu não acreditava, acho que ninguém acreditava nisso,
07:18que os Estados Unidos fossem fazer uma operação desse tipo.
07:20Ela acabou acontecendo.
07:21Eu já ouvi falar, eu não sei até que ponto que é verdade,
07:24vou dizer para vocês assim, não tenho como comprovar, é isso que eu vou dizer.
07:27Mas que uma boa parte do exército estava desmobilizado para o feriado de fim de ano.
07:34Isso eu já ouvi falar, não sei se é verdade.
07:36Se isso aconteceu mesmo, foi um amadorismo total, né?
07:40É verdade.
07:41Loureiro.
07:41Robson, a gente sabe que a Venezuela, na posição geográfica da Venezuela,
07:46ela fica muito refém dos Estados Unidos,
07:49pelas bases que os Estados Unidos possuem, principalmente na região do Caribe.
07:52A minha pergunta, você que é um especialista nessa questão militar,
07:58esse ataque contra a Venezuela, ele abre um precedente para que os Estados Unidos
08:02também invada, caso desagrade no futuro, outros países aqui da América do Sul?
08:09E qual que seria a dificuldade de fazer isso em países que não estão ali,
08:14tão geograficamente bem posicionados como está a Venezuela,
08:18para um ataque dos Estados Unidos?
08:20Não, perfeito.
08:22Abre um precedente.
08:23Até porque vocês têm que olhar uma coisa.
08:25Esses poderes que o Trump está angariando para si na Casa Blanca,
08:30ele não vai devolver.
08:31E o seu sucessor também não vai querer se interessar e se livrar desses poderes.
08:35É uma verdade.
08:36Poder ninguém devolve, gente.
08:38Você pode emprestar carro, o pessoal devolve.
08:40Mas poder ninguém devolve.
08:41Esse agigantamento da presidência da República dos Estados Unidos,
08:45na minha opinião, ele vai continuar aí.
08:48É a impressão que nós temos.
08:50Agora, eles já provaram que tem condições de intervir em qualquer país na América Latina.
08:55Eu acho que o Trump deve começar agora uma campanha
08:59para a gendarmerização das Forças Armadas Latino-americanas,
09:03que elas estão mais ou menos nesse patamar.
09:05Se você olhar as Forças Armadas Latino-americanas, nenhuma delas tem.
09:08Armas nucleares, capacidade satelital, mísseis de longo alcance, um programa de drones efetivos,
09:15marinhas com capacidades ofensivas.
09:17Eu acho que ele, por uma questão de controle americano, ele está falando muito em controle ocidental,
09:23eu acho que os Estados Unidos devem fazer uma pressão velada, mas muito forte, nos bastidores
09:28para agendarmerizar as Forças Armadas Latino-americanas.
09:32Ou seja, deixar elas com mais características de segurança interna, de operações policiais,
09:39do que Forças Armadas com reais capacidades ofensivas.
09:42Robinson, uma das justificativas, ou a justificativa principal dos Estados Unidos
09:48para fazer essa operação na Venezuela, foi a questão do narcotráfico e do terrorismo.
09:56Você acredita que isso se justifica ou não?
09:58Foi só um pano de fundo justamente para os Estados Unidos estabelecerem bases,
10:03estabelecerem, vamos dizer, o que Donald Trump pretende,
10:06limites na América do Sul para a entrada de adversários,
10:09e ele começar a colocar, como se fosse o jogo War, acho que todo mundo já jogou,
10:13começar a colocar os seus bonequinhos, começar a habitar alguns espaços também
10:19aqui na América do Sul, alguns territórios.
10:22Olha, eu acho que mesmo que...
10:25Você pode ver que a própria expressão narcoterrorismo já está desaparecendo nos últimos dias.
10:30O que a gente mais ouve é Chevron, Citbo e outras empresas aí.
10:36Escancarou que o negócio, o petróleo está escancarado,
10:38que a coisa é petróleo.
10:40Só que, assim, né, gente, o direito internacional acabou, né?
10:45Acabou. O que o Trump está falando aí, olha,
10:48se o dia de amanhã a Rússia tiver capacidade,
10:51quiser capturar o Zelensky,
10:54está valendo.
10:55Se a China quiser usar ações militares contra a Taiwan,
10:59está valendo também.
11:00Israel vai ter carta branca em Gaza.
11:02O que ele fez, na verdade, na prática, foi detonar aí o direito internacional.
11:09Eu acho que não volta mais.
11:10Eu já vejo gente aí, muitas pessoas falando em dissolução da Organização das Nações Unidas,
11:17a ONU, porque ela foi completamente...
11:18Nos últimos acontecimentos da Ucrânia para cá,
11:23a ONU tem se mostrado completamente incapaz de dar o rumo aos acontecimentos.
11:29Então, assim, eu acho que vai ficar claro que a questão é petróleo.
11:33Agora, o problema todo é o seguinte, né?
11:37Nós temos que ver nos próximos anos se, vamos lá,
11:40se o governo venezuelano, o regime vai cair mesmo.
11:44Vai cair, porque ainda não caiu.
11:45Caiu Maduro, não caiu o regime.
11:46E dali para frente, uma administração pro-americana, a vida dos venezuelanos vai melhorar?
11:53São essas questões que nós temos que perguntar.
11:55Porque, por exemplo, países que foram invadidos por causa de petróleo,
11:58a vida de ninguém melhorou, Iraque e Lívia.
12:01Ninguém está vivendo melhor lá.
12:03Então, a gente tem que ver isso daí, né?
12:06Agora, vem tempos sombrios para a América Latina, meus amigos.
12:10E o Loureiro e Robson, foi interessante, né, Robson, você falar da ONU,
12:15porque a ONU está totalmente esvaziada, perdeu o protagonismo.
12:19Você vê líderes do mundo inteiro, inclusive o presidente Lula aqui no Brasil,
12:22pedindo a retomada do protagonismo, que a ONU se fortaleça em relação a essas ações isoladas,
12:29de Rússia, né?
12:30A gente vê ali ensaios militares, treinamentos militares da China,
12:34tentando pressionar ali Taiwan, agora dos Estados Unidos, né?
12:39Israel avançando, por exemplo, sobre Irã.
12:42Então, assim, a ONU vai precisar ser totalmente reestruturada,
12:46se quiser voltar a ser a organização das Nações Unidas.
12:49Porque hoje é para inglês ver, né, Loureiro?
12:52É, exatamente.
12:52E aí, eu queria até aproveitar esse gancho, né, para perguntar para você, Robinson.
12:57A gente viu, nas últimas décadas, há muito tempo, aliás,
13:01que o orçamento do exército norte-americano é gigantesco,
13:05ultrapassa ali o orçamento de vários e vários países somados para o setor de defesa.
13:11A gente viu a Rússia ter um poder militar gigantesco para pressionar a Ucrânia.
13:17A gente está vendo isso acontecendo.
13:20Estamos virando uma terra sem leis, Robinson,
13:23em que a lei do mais forte é a que vai se sobressair
13:28e que vai prevalecer a quem tem um exército maior.
13:31E como, e aí a pergunta de um trilhão de dólares,
13:35como que a gente resolve isso?
13:36Porque, no caso da ONU, por exemplo,
13:38que deveria ser a organização para tentar colocar algum limite nessa questão,
13:43parece que a ONU perdeu completamente a sua influência.
13:47Ó, você tem que lembrar uma coisa.
13:49A decessora da ONU, que é a Liga das Nações,
13:52ela foi empurrada para o corner do ringue, né,
13:56pelo caso da Guerra Civil Espanhola,
13:59e a invasão italiana na Etiópia, na Abissínia,
14:03que desmoralizou completamente a sociedade, a Liga das Nações,
14:07tanto que depois da Segunda Guerra Mundial, ela é dissolvida, né.
14:12Então, assim, esses grandes conflitos,
14:15é só porque nós estamos vivendo uma mudança de ordem mundial, né, meus amigos?
14:18Então, eu acho que vai chegar um ponto que a ONU vai perder completamente o seu sentido.
14:25Olha, seria o caso, no momento,
14:32da liderança da Organização das Nações Unidas,
14:34o secretário-geral assumiu o protagonismo,
14:37mas ele desapareceu praticamente nos últimos conflitos.
14:40Desapareceu.
14:42O Tribunal Penal Internacional está sendo desmoralizado também.
14:46Então, nós temos uma mudança de ordem mundial, né,
14:49e quais vão ser as consequências?
14:51É difícil saber.
14:52Mas a ONU, ela já está se mostrando completamente arcaica
14:56para esse mundo novo que está se desenhando aí,
14:59onde está valendo aí o predomínio da força, né?
15:03Porque você pega, por exemplo, né, só para encurtar a resposta,
15:06esse caso da Venezuela.
15:09Muita gente da Europa,
15:11que mesmo que não gostasse do Maduro,
15:13está relutante,
15:14relutante em aplaudir,
15:16porque o Trump já falou o que é a Groenlândia também.
15:19E já estão publicando nas redes sociais
15:21mapas da Groenlândia para bandeira americana.
15:26E como eu te falei,
15:27como o Trump está gigantando,
15:28eu chamo de processo de elefantize da Casa Branca, né,
15:32está gigantando os poderes da presidência,
15:35o dia de amanhã,
15:36se ele invadir a Groenlândia,
15:37já tem um precedente em Venezuela,
15:39se ele invadir a Groenlândia,
15:40o que a Europa vai fazer?
15:42O que a pequena Dinamarca vai fazer?
15:44Robson Farinazzo,
15:48queria muito agradecer a sua participação
15:50nesse plantão Especial Times Brasil,
15:52licenciado exclusivo CNBC.
15:54Um grande abraço para você, meu amigo,
15:56e um bom domingo.
15:58Bom domingo para vocês.
15:59Contem sempre conosco.
16:00Parabéns pelo programa aí.
16:01Muito obrigado, viu, Robson?
16:03Obrigado.
16:04Obrigado.
16:05Obrigado.
16:06Obrigado.
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