00:00Estamos de volta ao vivo e os ataques ao Irã tiveram impactos em voos internacionais que partiram do Aeroporto Internacional
00:07de São Paulo, em Guarulhos.
00:09Aeronaves das companhias Emirates e Qatar Airways, que já tinham decolado, precisaram retornar ao terminal por questões de segurança.
00:19Os voos tinham como destino Dubai e Doha, respectivamente.
00:24E agora a gente continua falando sobre isso, repercutindo esse assunto, essa situação de hoje, que tem impactos globais na
00:32economia, na geopolítica, nos negócios.
00:35Converso agora com o economista e professor de Relações Internacionais da ESPM, Roberto Húbel.
00:41Bom dia, professor. Tudo bem? Seja muito bem-vindo.
00:45Bom dia, Natália. É uma satisfação estar com vocês aqui no Times Brasil CNDC.
00:50Professor, tenho certeza de que o senhor já vinha acompanhando tudo o que estava acontecendo nos últimos dias,
00:56desde as conversas, sinalizações de tentativa de acordo, ao mesmo tempo, movimentações militares, inclusive de porta-aviões, de aeronaves, enfim.
01:07Surpreendeu, de alguma forma, as coisas terem acontecido e a maneira como elas se desenrolaram ou não?
01:15Olha, Natália, de certa maneira, não, porque em relações internacionais e também diplomacia corporativa,
01:21a gente trabalha muito com sinais em análise de riscos e cenários.
01:27E nos últimos dias, ou melhor, nas últimas semanas, até como eu escrevi hoje mais cedo,
01:32nós tivemos vários sinais, a partir dos Estados Unidos, principalmente, mas também do Estado de Israel,
01:40do governo do Estado de Israel, de que algo aconteceria no Irã.
01:46O mais emblemático foi, talvez, ontem, por parte do presidente Donald Trump,
01:52de que estava insatisfeito com as negociações com os delegados do Irã,
01:58mas que ainda não havia tomado uma decisão sobre atacar ou não o país.
02:05Além disso, e fazendo um paralelo com o que nós vimos na Venezuela,
02:09quase dois meses atrás, também, no sábado, de madrugada, na hora de Brasília,
02:16a gente percebia já a presença militar muito forte dos Estados Unidos no entorno do Irã,
02:23toda a região do Golfo, as suas bases nos países vizinhos, como o Catar, os Emirados Árabes, enfim.
02:32Então, já se tinha uma movimentação militar muito forte.
02:35E também, um terceiro sinal que eu considero importante,
02:39a dificuldade de se chegar a um denominador comum entre os delegados iranianos
02:46e os representantes dos Estados Unidos e dos seus aliados com relação ao fim do programa nuclear iraniano,
02:54que era o grande objetivo dos Estados Unidos e das outras potências.
02:58Então, não surpreende, no fim do dia, essa incursão militar.
03:01Agora, é claro, a gente trabalha com outros cenários.
03:04Por exemplo, agora, recentemente, veio a partir da imprensa de Israel,
03:09mas também citando a imprensa de outros países da região,
03:12de que o alvo dos ataques eram também o Ayatollah Ali Khamenei
03:17e também o presidente iraniano Pesketsian.
03:20Então, não se sabe o paradeiro deles.
03:23Então, além dessa incursão militar, que tem como objetivo
03:27tentar forçar a desão a uma demonstração de força,
03:31uma terceira possibilidade que a gente não pode descartar nesse momento
03:34é uma tentativa de mudança de regime.
03:37A fala que a gente viu antes do intervalo aqui na Times Brasil do presidente Trump
03:41deixa muito claro que isso está na mesa,
03:44a possibilidade de uma mudança de regime no Irã.
03:48Professor, Pablo Waller, meu parceiro aqui nesse plantão,
03:52se juntou a nós e vai trazer também uma pergunta agora, né, Pablo?
03:56Obrigado, Nath. Bom dia, professor.
03:58Olha, posso até agora lançar uma pergunta um tanto difícil,
04:01até falou de possibilidades aí, né?
04:03Mas não só você, muita gente tem relacionado
04:06esse ataque ao da Venezuela.
04:08Na Venezuela, Maduro foi retirado rapidamente, né,
04:12e levado para os Estados Unidos.
04:14Agora, Ali Khamenei não, e nem tem notícia dele.
04:17A gente pode dizer que o ataque teve frustração,
04:20já para não dizer um ataque frustrado totalmente, né?
04:23Mas pode ser que teve alguma frustração nesse meio de campo,
04:27e não só porque vocês têm falado isso,
04:29porque também o próprio Trump, naquele discurso dele,
04:33ele disse para os iranianos, né,
04:35agora vocês podem aproveitar,
04:38aliás, têm que aproveitar para tomar o poder.
04:41Ou seja, ele dizia que o poder estaria à mercê de alguém
04:44e que o povo deveria, né, agora aproveitar.
04:47Então, será que faltou alguma coisa nesse fato histórico
04:50que a gente está contando, né?
04:53Bom dia, Pablo.
04:54Então, eu comparei antes a Venezuela com o Irã,
04:58mas até a segunda página.
04:59Depois da segunda página,
05:00a gente tem conjunturas totalmente diferentes.
05:02Estava muito claro,
05:04pelo menos desde setembro do ano passado,
05:06a vontade política do governo norte-americano
05:10de derrubar o ditador Nicolás Maduro na Venezuela, né?
05:14Tanto que ele responde um processo na justiça norte-americana,
05:18no estado de Nova York,
05:19o seu envolvimento com os cartéis, né,
05:22conforme a denúncia do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
05:24Isso não acontece no caso iraniano, né?
05:27Então, talvez a consequência,
05:30e isso vai se confirmar ao longo do tempo,
05:32depois a gente saber o paradeiro,
05:34tanto do presidente do Irã como do Ayala Talal Khamenei,
05:38né, se estão vivos,
05:40se buscaram refúgio em outro país,
05:42se continuam no Irã,
05:44fica esse gap,
05:45essa possibilidade de mudança de regime.
05:47Na Venezuela, não, aconteceu mudança de regime.
05:50Maduro foi capturado,
05:51preso, enviado para Nova York.
05:53Delci Rodrigues, a sua vice-presidente,
05:56continua no poder,
05:57tutelada por Washington,
05:59sem nenhuma perspectiva,
06:00pelo menos no curto ou no médio prazo,
06:02de realização de eleições na Venezuela.
06:05Isso contrasta com essa declaração do presidente Trump,
06:08de algumas horas atrás, né,
06:09dizendo para a população iraniana,
06:11ir às ruas e tomar o poder, né?
06:13Fica a interrogação se de fato era o objetivo
06:16a mudança de regime
06:17ou como consequência dos ataques dos Estados Unidos
06:21houve essa captura,
06:24essa derrubada,
06:25essa fuga,
06:26daqui a pouco também pode ser uma possibilidade,
06:29das lideranças iranianas
06:30e aí sim criando este vácuo de poder,
06:32como você menciona na pergunta.
06:35Está tudo muito em aberto.
06:37As informações que a imprensa iraniana,
06:39as agências estatais de notícias do Irã,
06:42colocam é que o presidente Pezesquian
06:45estaria em segurança,
06:47mas nada falam até este momento
06:49sobre a situação do Ayatollah Ali Khamenei.
06:53Isso vai se desenrolar ao longo do tempo.
06:56De novo, e essa transição,
06:58eu acho que é importante destacar,
06:59enquanto que na Venezuela você tem
07:01de curas de oposição históricas
07:04que estariam aptas a se candidatar
07:06em uma eventual eleição,
07:08a própria Maria Corina Machado,
07:09Edmundo Gonzalez,
07:11que foi candidato às eleições
07:13no último pleito
07:14e teria vencido
07:15pelas fontes não oficiais,
07:19além de outros nomes da oposição,
07:21no Irã você não tem uma oposição
07:25tão organizada
07:26quanto na Venezuela.
07:28Tem ali um nome que representa
07:30a figura do antigo Xará Pérsia,
07:32a família Paleve,
07:33que está exilado no exterior.
07:36teria uma outra possibilidade também
07:39do próprio Pezeskin
07:40tomar o poder,
07:41assumir o controle do governo.
07:43Esse é um cenário que alguns analistas,
07:45principalmente os Estados Unidos,
07:46têm colocado.
07:47E uma terceira possibilidade
07:49é de fato uma insurreição
07:50de algum grupo político dissidente.
07:54Diferentemente também da Síria,
07:55que eu acho que é um outro paralelo
07:56importante nós analisarmos,
07:58você não tem dentro do Irã
08:00um grupo de oposição,
08:02seja armado ou não,
08:04tão organizado que pudesse
08:06assumir o governo do país
08:07neste momento.
08:09Então isso poderia levar
08:10até a uma situação
08:11de uma guerra civil
08:13e uma instabilidade política
08:14muito semelhante
08:15com o que a gente viu
08:16dadas as proporções
08:17em outros países da região,
08:19como por exemplo
08:20a própria Líbia,
08:22depois da Primavera Árabe,
08:23mais de 10 anos atrás.
08:26Professor Roberto,
08:27a gente deve,
08:28acompanhando aqui,
08:30não tem de fato
08:31confirmação de mortes
08:33de lideranças
08:34confirmada nesse momento,
08:36tem fontes que reportam
08:37possíveis eliminações
08:39de comandantes militares
08:40dessa operação,
08:42mas também não tem
08:43prova de vida.
08:45E eu quero saber
08:45da sua expectativa
08:47nas próximas horas,
08:48nos próximos dias,
08:50da importância
08:51e das narrativas
08:52que podem vir
08:53nessa sequência,
08:54caso não se tenha
08:55essa comprovação
08:56de que a Alica Menei
08:57e o presidente
08:58de fato estão vivos
08:59em segurança,
09:00onde é que estão?
09:01Até que ponto
09:02essas informações
09:02devem ser confirmadas
09:04ou não é estratégico
09:05que elas sejam confirmadas?
09:07É estratégico
09:08que elas sejam confirmadas,
09:10principalmente por parte
09:11do governo iraniano,
09:14no sentido de,
09:14primeiro,
09:15demonstrar um certo
09:16grau de estabilidade
09:17institucional
09:19para a população iraniana,
09:21evitar qualquer
09:22insurreição,
09:23qualquer tentativa de golpe,
09:25que aí seriam
09:25dois problemas,
09:26além da invasão
09:27e da impulsão militar
09:29para os Estados Unidos
09:29e de Israel,
09:31seria uma insurreição interna,
09:34algo que já vinha acontecendo
09:35no começo do ano,
09:36as manifestações
09:37poderiam ganhar
09:38um combustível a mais
09:42para uma tentativa
09:43de proteção,
09:43então é estratégico
09:44nesse sentido.
09:45Um outro sentido também
09:46é um recado
09:47para a comunidade
09:48internacional,
09:48dizer que as lideranças
09:49iranianas continuam vivas,
09:52continuam com a força política,
09:54sobre o comando
09:55da força militar
09:56e que responderão
09:58aos ataques
10:00dos países envolvidos
10:01e também sinaliza
10:03que estes são ainda
10:04os responsáveis
10:05pela negociação
10:06com os Estados Unidos
10:08em uma eventual continuidade
10:09dessas negociações,
10:10então a gente pode esperar sim,
10:12não sabemos quando,
10:13mas muito provavelmente
10:14nas próximas horas,
10:15nos próximos dias,
10:16essa confirmação
10:17ou não.
10:18A gente já tem como referência
10:20a guerra no ano passado,
10:21chamada Guerra dos 12 Dias
10:22entre Israel e o Irã,
10:24em que também havia,
10:26me lembro de comentar
10:26exatamente aqui
10:27na Times Brasil,
10:29a questão sobre
10:30qual era o paradeiro
10:31de Kamenei e de Pesestian
10:32e ali na questão
10:34do mesmo dia,
10:35no dia seguinte,
10:35nós já tivemos
10:36essa confirmação
10:37que eles estavam ainda,
10:39estavam em um local seguro,
10:40principalmente um banco,
10:41algum tipo de refúgio militar,
10:44mas continuavam governando.
10:45Isso é fundamental,
10:46seja numa democracia,
10:47num regime autoritário,
10:48sempre demonstrar
10:50que a figura de liderança política
10:52está viva,
10:54está atuante
10:54e que não foi destituída
10:56do poder,
10:57justamente como um mecanismo
10:58até de controle
10:59e de coesão interna
11:01naquele país.
11:03Muitas respostas,
11:04muitos elementos,
11:05então,
11:05que a gente tem que aguardar
11:06para entender
11:07o que está acontecendo
11:08e o que está por vir.
11:10Eu quero agradecer
11:10Roberto Hubeu,
11:11economista e professor
11:12de Relações Internacionais
11:14da ESPM,
11:15pela participação com a gente
11:16nesse sábado.
11:17Então,
11:17muito obrigada,
11:19bom fim de semana
11:19e até a próxima.
11:21Obrigado,
11:21bom final de semana a todos.
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