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A disputa entre China e Estados Unidos por terras raras ganhou força com a transição energética e a corrida tecnológica. Charles Pennaforte, professor de relações internacionais da Universidade Federal de Pelotas-RS, analisou o potencial do Brasil como alternativa estratégica nessa cadeia global.

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Transcrição
00:00A demanda global por terras raras, impulsionada principalmente pela produção de carros elétricos,
00:06energia solar, semicondutores e tecnologias militares, só vem aumentando.
00:11E esse é mais um tema de disputa entre China e Estados Unidos.
00:15Mas o Brasil pode acabar se dando bem neste mercado e servir de alternativa estratégica nesta cadeia produtiva.
00:22Nós vamos falar mais deste potencial brasileiro em terras raras com o professor doutor Charles Penaforte
00:28do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas.
00:34Oi, professor Charles, seja muito bem-vindo, uma boa tarde para o senhor. Feliz Natal, tudo bem?
00:41Tudo bem, Feliz Natal para vocês também, é um prazer estar aqui.
00:44Obrigado, a nossa analista Mariana Almeida também vai participar aqui da entrevista conosco.
00:49Professor Charles, nessa disputa Estados Unidos e China por terras raras, o Brasil pode ser beneficiado?
00:56A gente tem a segunda maior reserva desses minerais críticos e hoje tem pouca exploração.
01:03Mas além da exploração, é preciso processamento e nós não temos essa expertise.
01:07Só a China, por enquanto, tem essa questão do tratamento.
01:11Como é que a gente pode se dar bem ou usar essa segunda maior reserva em nosso favor?
01:18Bom, esse tema das terras raras é um tema recorrente, só que ela ganhou visibilidade a partir da disputa entre Estados Unidos e China.
01:29O Brasil realmente é a segunda reserva mundial, mas nós carecemos de investimento nesse segmento.
01:36Então é muito complicado a gente, de uma hora para outra, conseguir avançar nesse processo.
01:42É claro que nós temos que dar o pontapé inicial, mas existe uma série de perspectivas que inicialmente dificultam.
01:49A questão, como eu falei, do investimento, a questão da nossa capacidade de refino, de prospecção,
01:54marcos regulatórios que são fundamentais sob o ponto de vista de uma segurança jurídica, a questão ambiental.
02:02Então a gente tem que, nesse momento, nós temos que avançar nessa discussão,
02:07aproveitar esse momento de discussão sobre terras raras e avançar nesse sentido.
02:11Mas é um processo que demanda um relativo tempo, mas, como eu falei, chegou a hora de nós avançarmos nessa discussão
02:22que já que o Brasil, por ter aí a segunda reserva, pode ter um papel de preeminência, principalmente geopolítico,
02:31que é o mais importante para o Brasil, e agregar essa produção também para o que a gente possa fazer enquanto país, enquanto indústria.
02:40Não basta só nós exportarmos terras raras, nós temos que também transformá-las em algo que traga para o Brasil recursos e,
02:51e também, logicamente, avanço tecnológico.
02:53Acho que o mais importante é a gente ter essa noção dessa dificuldade inicial,
02:57mas que, se vencida, a gente pode se destacar tranquilamente no cenário internacional.
03:02Agregar valor, né? Também.
03:04Não só o mineral crítico, mas agregar valor, não é isso?
03:08Isso, isso mesmo.
03:09Porque a grande discussão, nós estamos presos ainda muito a uma mentalidade,
03:15vamos dizer assim, entre aspas e colonial.
03:17A gente só quer produzir produtos primários, exportar produtos primários.
03:22Mas transformar esses produtos, agregar valor a eles, isso que é o mais importante.
03:26No caso dessas terras raras, o mais importante é que isso envolve segmentos avançados de tecnologia.
03:33Então, chips, computador, baterias, agora elétricas, etc.
03:37Então, o Brasil tem que aproveitar que tem e ter a capacidade de transformar isso em produto de valor agregado.
03:45Só que isso também demanda uma política industrial, uma política tecnológica,
03:50que é fundamental para a gente se desenvolver.
03:53Então, não é só exportar matéria-prima.
03:58Nós temos que transformar essa matéria-prima em algo que dê retorno maior para o Brasil.
04:03Então, a gente tem que também ter essa visão de que só exportar não vai resolver o problema do Brasil
04:09sob o ponto de vista estratégico.
04:11Sob o ponto de vista comercial, até você pode encontrar uma certa resolução sobre isso.
04:16Mas do ponto de vista estratégico, do projeto de um país de longo prazo,
04:19que almeja avançar do ponto de vista tecnológico, de competir também nesse segmento,
04:26é fundamental que a gente tenha essa visão de não só exportar terras raras, esses minerais,
04:35mas também transformá-los em algo que dê retorno para a gente.
04:38A gente está trazendo exatamente a questão de mudança de mentalidade, volume de investimento, mudança regulatória.
04:48Tem um conjunto de questões que precisam avançar no debate para poder destravar esse assunto aqui no Brasil.
04:54E isso leva tempo.
04:55Eu ia te perguntar sobre tempo, porque a gente teve esse pico agora de demanda,
05:00de assunto com acirramento lá nos Estados Unidos e China sobre as terras raras.
05:04O fato de ser tão acirrado, tão concentrado, também tem ativado a busca por alternativas.
05:11Então, o Japão está desenvolvendo alternativas já em relação à possibilidade de poder avançar em chips
05:16sem ser com os de terras raras.
05:18O Brasil pode perder o bonde na hora que a gente resolver a questão, ela já ter passado?
05:23Qual é o tempo que a gente tem para fazer esse debate?
05:26Bom, existem vários aspectos que devem ser levados em consideração.
05:31Nós temos o tempo político, que é diferente do nosso.
05:33Nós temos o tempo econômico, que é muito mais dinâmico.
05:36Então, esses fatores têm que, de alguma maneira, caminharem juntos.
05:41Então, essa questão de um avanço tecnológico, de uma política industrial, etc.,
05:46ela não pode ficar presa a um marco temporal de governos.
05:51Então, isso não pode ser tratado como plataforma única de aspectos políticos.
05:57Isso deve estar envolvido sobre uma questão maior ainda,
06:01que é o plano estratégico que o país tem de desenvolvimento.
06:04Então, nós temos que ter um projeto em que, independentemente do governo que esteja
06:09e do seu aspecto político, o projeto tem que caminhar.
06:13Ele não pode ficar preso a candidato A, B ou C, o partido A, B ou C.
06:17Então, esse que é o primeiro obstáculo que nós encontramos sobre essa perspectiva.
06:23É um projeto que seja do Brasil e não de partidos políticos ou de líderes políticos.
06:29Então, isso é que, de alguma maneira, vai dificultando esse processo.
06:34Então, se nós não conseguimos caminharmos nesses dois tempos,
06:38o político e o econômico,
06:40corre o risco do Brasil perder realmente o bonde da história,
06:44vamos dizer, nesse sentido, como o pessoal coloca no popular.
06:48Mas ele tem que ser iniciado.
06:50Só que a gente precisa que toda a sociedade veja isso como um papel fundamental
06:56para o Brasil se desenvolver.
06:59O Brasil não pode ter chegado ao século XXI dependendo exclusivamente do setor agrário.
07:05É um grande problema.
07:06O que dá dinheiro, sob o ponto de vista, ele ajuda, sem dúvida nenhuma.
07:10Mas o valor agregado a esses produtos de geotecnologia são fundamentais.
07:15Então, o Brasil tem essa capacidade.
07:16O Brasil pode produzir isso.
07:18Mas tem que caminhar nesse sentido da questão política.
07:22E o problema é que é um problema atualmente no Brasil.
07:25Então, a gente tem que analisar isso como um projeto mais amplo
07:30para nós entendermos essa dinâmica.
07:33É claro que o Brasil tem hoje a questão da transição energética,
07:39essa questão da terrajaras, a questão do meio ambiente.
07:42Tudo isso coloca o Brasil num papel de proeminência.
07:45Só que é um papel de proeminência que deve ser incentivado de uma maneira
07:50cada vez maior, colocado em prática e que seja liderado realmente pelo Brasil,
07:55independentemente de qualquer tipo de alteração política no país.
07:58Então, para mim, o obstáculo inicial seria esse.
08:03Se nós conseguimos ultrapassar isso, fica muito mais fácil, tranquilamente.
08:07Mas a gente sabe que existe um certo descompasso aí entre política e o tempo econômico
08:16que é o que cria mais dificuldade para o Brasil.
08:19Charles Penaforte, muito obrigado, doutor, pela sua participação aqui no Fast Money.
08:24Um ótimo, uma ótima quinta-feira e acho que não vamos nos falar.
08:30Então, um feliz ano novo para o senhor.
08:31Tudo de bom?
08:33Obrigado.
08:33Para vocês também.
08:34Um abraço.
08:35Um abraço.
08:36Mariana Almeida, ainda nessa linha das terras raras,
08:39hoje o Brasil tem um centro praticamente de exploração,
08:44que é lá em Minasul, em Goiás.
08:45Inclusive, a empresa Serra Verde, que é uma empresa norte-americana.
08:48Mas esse é um ponto-chave que o Brasil, inclusive falando em Estado,
08:52poderia, com leis e até a arrecadação em cima disso,
08:58poderia fazer um caixa interessante com investimentos também,
09:01não só nessa área, mas para outras áreas com o dinheiro de terras raras,
09:05que hoje, nesse momento, você falou do bonde,
09:08mas nesse momento são tão importantes e virou a menina dos olhos do mundo,
09:13justamente por causa de semicondutores, os carros elétricos.
09:16Então, para não perder o bonde, seria necessário agilizar isso
09:21para a gente capitalizar e até capitalizar mesmo,
09:24monetariamente falando, porque é importante.
09:27Você traz dinheiro para o país, você pode investir em outras áreas
09:30e melhorar cada vez mais o Brasil.
09:32Sem dúvida, Cláudia.
09:33Acho que o que a gente assistiu ao longo de 2025
09:35foi um grande crescimento das negociações internacionais,
09:40bilaterais, inclusive, e a imposição de...
09:42É um grande xadrez, onde você vai ter momentos de sentar à mesa
09:46com os outros líderes, cada um, né?
09:47Cada país com líder e botar alguma coisa que você tem para oferecer
09:50para ganhar algo que você demanda.
09:52Então, ter um pouco mais de nitidez sobre o que é que o Brasil pode fazer
09:56em termos do desenvolvimento desse pedaço da cadeia.
09:59Vamos lá, a cadeia de inteligência artificial,
10:01a cadeia que tem os semicondutores,
10:04mas a cadeia que também acaba entrando agora em diversas outras produções,
10:08como são os carros,
10:09ela é o espaço onde está sendo gerado valor.
10:12E o Brasil tem um ativo importante nessa cadeia,
10:16sub-explorado até aqui.
10:18Então, o que ele vai fazer sobre isso?
10:20Como é que ele pega isso e usa essa visão possível,
10:23com cenário A, B e C, para sentar à mesa e negociar?
10:26Guardadas as devidas proporções,
10:28foi o que salvou, entre aspas, a China
10:30no processo de negociação com o Donald Trump, né?
10:33No momento em que tudo ia escalando,
10:36de uma maneira que ia ser muito mais caótica, né?
10:38Quando estava acima de 145% a taxação,
10:41o que ganhou os Estados Unidos?
10:43Acesso prioritário às terras raras.
10:44Depois teve um vai e volta, não vai e vem ainda,
10:46mas é isso, é fator de negociação.
10:48Se negociação é a forma como o mundo vai acirrar ainda mais agora
10:51e fazer sua relação, o Brasil tem que saber o que é.
10:54Porque sentar sem saber o que quer,
10:56aí, em geral, dá errado.
10:58E causa uma insegurança.
11:00Até já, Mariana Almeida.
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