00:00O mercado no Brasil e também lá nos Estados Unidos continua num ambiente de incerteza em relação ao nível de atividade do emprego nos Estados Unidos.
00:09Após um vácuo de dados por causa da paralisia do governo em outubro e parte de novembro,
00:14o principal relatório sobre o mercado de trabalho no país mostrou uma abertura de 64 mil novas vagas em novembro,
00:21mais do que as 45 mil que o mercado esperava.
00:24Por outro lado, o número de outubro ficou negativo e os dados de agosto e setembro foram revisados para baixo e a taxa de desemprego subiu para 4,6%.
00:35Para analisar a temperatura da economia americana e o que esperar agora, a gente entrevista o Bruno Yamashita, analista de alocação e inteligência da Avenue.
00:45Bruno, boa tarde. Tudo bem com você?
00:47Boa tarde, Fábio. Tudo certo. Um prazer estar com vocês.
00:51Obrigado, Bruno, pela sua disponibilidade.
00:53Ô, Bruno, olhando para esses dados do payroll que saíram ontem, novembro veio bem, outubro veio mal, agosto e setembro vieram piores do que o que se sabia até então,
01:02porque houve revisões para baixo.
01:05Dá para ter uma temperatura precisa da economia americana ou não?
01:09A gente ainda tem que esperar os próximos dados.
01:11Legal. Quando a gente analisa ao longo de todo esse ano como veio caminhando todos os dados econômicos, por mais que no meio do caminho a gente encontrasse alguns desafios,
01:25sejam eles por causa de tarifas, em outros momentos incerteza, ou agora mais para o final do ano com o shutdown, a gente consegue ver que existe um cenário acontecendo nos Estados Unidos que é...
01:36Bom, a gente vê uma certa desaceleração, sim, no mercado de trabalho, e isso é possível acompanhar com os dados de payroll, por mais que eles tenham sido defasados,
01:46mas quando a gente analisa numa janela um pouco maior, a gente acompanha uma certa desaceleração,
01:51mas, ao mesmo tempo, essa desaceleração vem depois de uma esteira muito forte, de um mercado de trabalho que foi muito forte ao longo dos últimos dois anos nos Estados Unidos.
02:02E aí, por outro lado, o que ainda faz a economia americana continuar crescendo e, de certa forma, resiliente perante todos os desafios que eles vêm enfrentando,
02:12é justamente, talvez, o crescimento salarial dos empregados acima da inflação.
02:16Então, quando a gente acompanha esse cenário, a gente vê que, sim, o risco da desaceleração do mercado de trabalho hoje é mais presente,
02:25mas, ainda com o crescimento salarial ali acima da inflação, isso, em certa parte, tem ajudado bastante a atuada da economia americana.
02:34Então, o que a gente vê agora é um ambiente um pouco mais incerto, isso a gente pega pelos dados qualitativos,
02:40por parte das próprias empresas, mas que a economia ainda segue crescendo.
02:46O que a gente pode esperar, em termos de FED, decisão sobre juros, em janeiro, a próxima reunião já é em 2026,
02:57após esses últimos dados?
02:59O tom da última decisão do FONC foi um tom que pareceu pesar mais, pender mais para o lado da manutenção dos juros,
03:09para o processo de redução que houve nas últimas três reuniões e para-se para observar agora.
03:16Esse dado do payroll, ele reforça essa linha, ele sugere que é o momento de dar uma parada mesmo e sentir como é que a economia vem em relação aos próximos dados
03:26e como é que vem os primeiros efeitos dessas reduções recentes?
03:30Exato. Então, quando a gente fala em corte de juros, nessa mudança da taxa básica de juros nos Estados Unidos,
03:39também precisa um tempo de maturação até essa taxa começar a fazer mais efeito na ponta final, que seria justamente na economia.
03:47E aí, um outro fator também para, de certa forma, atrasar um pouco esse processo, é que os dados de mercado de trabalho,
03:54ou o próprio mercado de trabalho, ele acaba sendo um dos últimos dados que vão ser ali impactados justamente,
04:01seja por uma desaceleração ou uma aceleração.
04:04Então, o que o mercado está esperando a partir de agora com base nessas últimas reuniões do Banco Central Americano?
04:11Ficou muito claro que, para o Banco Central Americano, para os participantes do comitê,
04:18a política monetária estava em um patamar, de certa forma, restritivo, dado que a gente veio acompanhando em termos dessa desaceleração.
04:27E aí, a partir de agora, o mercado espera uma certa manutenção dos juros, pelo menos para o primeiro trimestre.
04:33É o que indica alguns dados ali, principalmente para os traders, para o mercado futuro de taxa de juros.
04:39Então, o mercado espera que o Banco Central Americano, ele talvez faça algum corte só em meados de abril,
04:46e depois só em meados de julho.
04:49Então, pelo menos para esse primeiro trimestre, é esperado uma manutenção da taxa básica de juros,
04:54até pelos últimos três cortes que a gente acompanhou ao longo desse segundo semestre.
05:01Bruno, o Fed teve que fazer uma escolha agora, porque a inflação está acima da meta,
05:06está um pouco abaixo de 3% no acumulado de 12 meses, para uma meta de 2.
05:12Demandaria mais juros.
05:13No entanto, o Fed entendeu que o risco maior nesse momento é o de desaquecimento do mercado de trabalho,
05:19e decidiu baixar os juros.
05:22Ao longo dessa trajetória, observando os dados, a linha que os dados vêm percorrendo,
05:26e esse recente ciclo de afrouxamento monetário, com três reduções seguidas,
05:31pode acontecer de, durante essa caminhada, para tentar reanimar o mercado de trabalho,
05:36a inflação piorar e o Fed ter que inverter o curso?
05:43É um ótimo ponto, e aqui, quando a gente analisa essa atuada, realmente,
05:48se a gente pegar a ata do Fed e qual que foi o principal vetor para o corte,
05:53realmente foi, entre as duas balanças do duplo mandato do Fed,
05:58entre a inflação e o desemprego, o mercado de trabalho teve um peso maior
06:03nas três reuniões que a gente viu.
06:06Se a gente vê uma inflação menor,
06:11na nossa visão, talvez não seja preciso o Fed tentar se antecipar
06:15tanto assim já de um próximo corte,
06:19dado que a gente já veio numa esteira de três cortes,
06:21e aí, assim como a gente viu o final do ano passado e começo desse ano,
06:25o Fed esperou e teve um momento de maior cautela
06:29para esperar justamente aquela maturação da taxa de juros.
06:33E também a gente está falando de um pau que está chegando no ano que vem,
06:38no fim de seu mandato.
06:39Então, também é esperado que talvez agora ele adote um momento de maior cautela,
06:45de tentar entender como que vai vir essa inflação daqui para frente,
06:49para aí sim poder voltar a cortar mais juros.
06:51E por que isso?
06:52Porque eles acreditam que, apesar da inflação estar relativamente alta,
06:56eles acham que ela tenderia a convergir para a meta do Fed de 2% aí no longo prazo.
07:03Então, acredito que mesmo se a gente começar a ver uma inflação um pouco mais baixa,
07:07seja em algum mês ou outro, por questões sazonais,
07:10o Fed deve manter o curso dele.
07:12Bruno Yamashita, analista de alocação e inteligência da Avenue.
07:17Bruno, obrigado pela sua análise aqui, uma boa tarde para você.
07:20Boa tarde, obrigado.
07:21Boa tarde, obrigado.