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A megaoperação no Rio de Janeiro, com alta letalidade, acende um debate sobre a eficácia das ações de segurança. No Visão Crítica, Frederico Afonso Izidoro, Mestre em Ciências Policiais de Segurança, critica o modelo adotado.

Para ele, o grande problema é que "se discute pouco ciência policial", indicando que a estratégia atual está focada em resultados imediatos e não em planos de longo prazo baseados em inteligência e estudos técnicos.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/EuiZmWcVkEo

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Transcrição
00:00O tema, como ontem, hoje, nós vamos continuar explorando a discussão, ainda sabemos pouco sobre o que aconteceu,
00:06precisamos esperar tudo o que vai ocorrer em relação à autópsia, né, da tragédia,
00:13dos 121 mortos, dos quais 4 eram policiais, supostamente os outros vinculados a grupos criminosos,
00:19eu digo supostos, porque nós estamos muito em cima da hora, não podemos definir.
00:24Lembre-se do massacre do Carandiru, 1992, 111 mortos, né?
00:29Na véspera da eleição municipal, e interferiu diretamente na eleição municipal, e diziam que eles estavam fugindo,
00:3592 tinham sido mortos nas celas, né, dos 111, então por isso que é necessário tempo para depois ver o que aconteceu, igual agora.
00:43Tem um pouquinho de tempo de calma, vamos ver as autópsias, vamos ver se são só entre aspas 121,
00:49nós hoje já sabemos muito mais detalhes hoje do que ontem, do que anteontem, e certamente na semana que vem saberemos mais informações,
00:55mas dentro do que se sabe, até o momento, o que nós estamos discutindo aqui, é uma reflexão ponderada, né,
01:03evitando extremismos e o oportunismo político-eleitoral, onde nós dissemos que falar de insegurança pública é um ativo eleitoral.
01:12Quantos parlamentares são oriundos da polícia civil ou da polícia militar?
01:17Você já deve ter lembrado uns 30, né, são muito mais no Brasil.
01:21Então, em termos eleitorais, é muito bom manter a insegurança.
01:25Desses, com raríssimas exceções, a maior parte deles incentiva a insegurança porque isso dá voto.
01:32Infelizmente, nos últimos 40 anos, isso teve um ponto de início aqui, foi 1986, eleição aqui em São Paulo,
01:39que eu já expliquei para vocês em um dos encontros anteriores.
01:41Ali você pode dizer que é o marco, não significa que antes a segurança pública não fosse um tema,
01:47mas a partir da eleição de 1986 e do oportunismo de Paulo, Salim, Maluf e de um candidato à época
01:54que recebeu uma votação fabulosa como deputado estadual.
01:59E nunca a insegurança foi tão grande de que quando o Maluf foi governador do estado.
02:03Ele dizia, rota na rua.
02:04O novo governo que assumiu esteve aqui conosco, o secretário de segurança do Franco Motor,
02:09Eduardo Mulaera, né, porque o nosso programa tem esse objetivo,
02:13tinha cinco viaturas à rota em funcionamento quando eles assumiram.
02:16Então, era uma farsa, né, do senhor Paulo Salim e Maluf.
02:20Então, a ideia é justamente que nós estamos agora discutindo no calor da hora,
02:23é necessário um certo cuidado com as informações para a gente realmente saber o que aconteceu.
02:29Mas, com o que nós temos, é possível uma reflexão para discutir algo seríssimo,
02:34que é o crime organizado no Brasil, que é algo que está presente especialmente nesse século, né,
02:40no século XXI, que em algumas organizações que no século XX,
02:44mas, fundamentalmente, é um fenômeno do século XXI.
02:48Recorde-se, São Paulo, 2006, por exemplo, né, a história é fundamental.
02:52Sem ela, a gente não faz nenhuma análise.
02:54Recorde-se o que aconteceu quando Cláudio Lemba era governador de estado,
02:58em 2006, a tragédia que foi aqui em São Paulo.
03:00Então, hoje, continuando essas discussões, nós teremos aqui no estúdio conosco
03:04o doutor Felipe Anjos, especialista em segurança pública,
03:08e vai entrar conosco, e já está aqui o nosso convidado, o Frederico Afonso Isidoro,
03:13mestre em ciências policiais de segurança e de ordem pública.
03:17Vamos começar a nossa conversa.
03:19Eu vou, no meio da nossa conversa, citar um artigo do Página 12.
03:23Eu acompanho diariamente a imprensa da Argentina,
03:27e, claro, o que aconteceu no Brasil está no mundo inteiro.
03:29Eu passei pela imprensa norte-americana, europeia, mexicana,
03:32que também eu estudei no México, por isso eu acompanho sempre também lá,
03:36e a Argentina.
03:38E tem um artigo no Página 12, que eu passei por um especialista de segurança pública
03:42por questão de duas horas atrás, que é muito interessante.
03:45Eu vou ler um trechinho mais à frente no programa,
03:47chamado A Frente Ucraniana e o Comando Vermelho.
03:50Então, o número de milicianos do crime organizado,
03:55México, Colômbia e Brasil, que lutam como mercenários na Ucrânia.
03:59Entendendo-se que não é todos que estão como mercenários na Ucrânia
04:02que são vinculados ao crime organizado na América Latina.
04:06Mas do cartel ralisco, no Eva Reneração,
04:08que é o cartel mais violento do México, estão lá,
04:11ex-membros das Farc e, no caso brasileiro, do PCC e do Comando Vermelho.
04:16Tem até números, armas e por quê, mas mais à frente veremos isso.
04:20Então, passaria para o doutor Felipe, Angélie.
04:23Foi... é uma questão que nós discutimos ontem, eu queria falar para o senhor.
04:26Foi uma surpresa o que aconteceu no Rio de Janeiro?
04:30Em termos de proporção da ação, são cerca de 2.500 policiais aproximadamente,
04:36a Polícia Civil, Polícia Militar,
04:38essa operação e que levou até hoje, pelo que sabemos, 121 mortos.
04:44Não... bom... boa noite a quem nos assiste.
04:46Eu desci pelo convite e acredito que podemos dividir a pergunta em duas respostas.
04:53Não acredito que foi uma surpresa no modo, na maneira em se buscar combater o problema.
04:58A gente vem vendo uma repetição desse tipo de operação de grande escala,
05:03com esse impacto na comunidade e na cidade de forma geral.
05:06Inclusive, queria me solidarizar e lamentar junto à população do Rio de Janeiro,
05:11que viveu dias... um dia de pânico ontem, dias difíceis hoje também,
05:16especialmente lamentar também pela força policial também,
05:21ter sido exposta a esse nível de confronto.
05:23São quatro policiais mortos e solidarizar a família desses mortos,
05:27solidarizar a família de todos os mortos e toda aquela comunidade
05:31que tem sua vida completamente impactada.
05:33E, de novo, sem surpresa, na verdade, essa é... a gente tem uma série de dados
05:36em relação a quais são os impactos cotidianos das pessoas que moram nessas comunidades,
05:40nas comunidades vulnerabilizadas já, por natureza, por uma série de razões socioeconômicas.
05:46E não só, né? Com isso se espalhando e tendo impacto em toda a cidade do Rio de Janeiro.
05:51Então, não, não é uma surpresa.
05:54Infelizmente, temos insistido nas mesmas soluções para velhos problemas
05:59e insisti em soluções que não têm trazido resultados.
06:03Me parece que é um pouco... enfim, explica a situação que a gente está no momento.
06:11Surpreendente, talvez, a escala disso.
06:13De fato, a gente teve a operação mais mortal da história do Rio de Janeiro,
06:17um contingente policial muito significativo,
06:22empregado em comunidades grandes, especialmente o Complexo do Alemão,
06:27Vila Cruzeiro, Penha, regiões também de difícil acesso.
06:32O Rio de Janeiro tem muito essa característica territorial e geográfica,
06:35que também está tudo muito específico naquelas comunidades.
06:40E, de fato, você tem quatro policiais mortos,
06:44também uma proporção que você nunca... não tem na história recente um parálogo dessa forma.
06:50Coisas que vão se sucedendo, ou seja, não é surpresa no modo, não é surpresa no remédio,
06:55talvez surpresa na dosagem, dosagem que cada vez aumentando mais,
06:58e o doente cada vez mais moribundo, o doente cada vez mais à beira da morte.
07:04E depois, todas as cenas, como o senhor colocou, e, obviamente, a gente tem que investigar,
07:07o que a gente tem que fazer agora é... agora, agora, né,
07:09se faltou a inteligência antes de colocar esses policiais na linha de tiro,
07:13parece que tinha um policial que tinha 40 dias de incorporação...
07:15Exato. Eu fiquei abismado com isso.
07:17É, independente, sem, de novo, julgar e fazer qualquer tipo de avaliação do trabalho policial, né,
07:23sem ter essas informações, nesse tipo de, né, de conflitosidade,
07:28realmente me parece algo que... né, isso, você tem uma série de corpos
07:33que foram retirados da mata pela população civil.
07:37Não se sabe ainda, né, e é muito interessante, porque, assim, na verdade, trágico,
07:40porque você tem o governador do estado já decretando um sucesso nessa operação,
07:46determinando que apenas há quatro vítimas, que são os policiais,
07:49todas aquelas outras, mais cem mortos, né,
07:51determinando, sem nenhum tipo de investigação ou informação, no calor do momento,
07:55que são criminosos suspeitos, que pese não haver pena de morte no Brasil,
07:59isso é muito importante deixar claro.
08:02E a gente não sabe até agora o nome de boa parte dessas pessoas mortas,
08:06a gente tem intenção, são identificados, ou seja, como é que você consegue dizer
08:08o percurso criminal das pessoas, se é suspeito ou não,
08:10se a pessoa não foi nem identificada, ou seja, não é uma surpresa no todo,
08:17mas as proporções, de fato, assustam.
08:21E pensar de novo na população, porque a população já está sob o julgo
08:24desses criminosos fortemente armados, que atuam na base da tirania,
08:29na base do interesse comercial, você mencionou esse caso, por exemplo,
08:32de eventuais criminosos que são mercenários, ou seja, esse interesse econômico
08:37nessa atividade violenta como uma motivação principal.
08:40E é isso, o remédio oferecido pelo Estado coloca a população ainda em mais risco,
08:47em uma situação ainda mais caótica do que aquela que ela já viu cotidianamente
08:50sob o julgo das facções.
08:53O Comando Vermelho não terminou no Rio de Janeiro ontem, né?
08:55É isso que aconteceu.
08:56Ele não terminou.
08:57É, você vejo que essa é uma questão complicada.
09:01Ontem e hoje nós discutimos, não é tão simples assim.
09:04Eu acho que o doutor Felipe destacou um ponto importante, gostaria só de ressaltar,
09:09que você não pode dizer que quem tem responsabilidade cidadã política
09:13num país democrático, desde a Constituição de 1988, promulgada no dia 5 de outubro,
09:19você não pode afirmar que você tem 121 mortos, 4 policiais,
09:23e temos de lamentar, evidentemente, esses 4 policiais, e inexplicável um que tinha
09:27sido recém entrado na polícia que vai para uma operação desse tipo.
09:33A irresponsabilidade de quem o designou para que era tarefa para um confronto daquelas
09:38proporções.
09:39Então, você vai dizer que os outros 117 mortos, que sequer nós sabemos ainda o nome,
09:44origem, são todos bandidos.
09:47Quer dizer, o que o governo do Rio está fazendo é uma irresponsabilidade,
09:51pensando em eleição e achando que isso ganha eleição.
09:54Lembre-se que em São Paulo isso levou à derrota do candidato do então governador Fleury,
10:00que seria até candidato à presidência da República em 94.
10:04O massacre do Carandiru foi em 92.
10:07Então, essas análises no calor da hora, quando você começa a estudar um pouco mais,
10:11não é bem assim.
10:12Mas vamos em frente.
10:13Vamos falar agora com o mestre em Ciências Policiais de Segurança e de Ordem Pública,
10:19Frederico Afonso de Dora.
10:20Agradeço ao senhor ter aceito o nosso convite e coloco a mesma questão.
10:23Para o senhor, foi uma surpresa?
10:25Quer dizer, o número de mortes, o tamanho da operação, a forma como foi enfrentado,
10:32e nós sabemos, infelizmente, a presença das organizações criminosas,
10:36não só no Rio, no Brasil inteiro, na região norte, nós temos no Nordeste,
10:39o general Santos Curuzontes nos falou, indo de Fortaleza para Canindé, no Ceará,
10:46a cada pequena vilarejo que ele passava, ele via escrito CV, Comando Vermelho,
10:51ou GDN, os Guardiões do Estado, Guardiões do Estado, organizações criminosas.
10:58Então, isso é um problema que são dezenas de organizações.
11:02Então, eu pergunto ao senhor, o que aconteceu especificamente no Rio de Janeiro?
11:06Foi uma surpresa?
11:07Professor Vila, boa noite. Boa noite, Felipe. Boa noite a quem nos assistem.
11:12Não, não foi surpresa.
11:15Eu pego um pouco da sua fala, professor Vila.
11:18Eu sou professor de direito constitucional há 25 anos,
11:21então você parte da premissa da própria Constituição,
11:25que trata muito pouco sobre segurança pública.
11:29E ela, sendo a lei maior do país, então ela deixa um vácuo, ela deixa chegar no ponto que chegou.
11:37Nós temos hoje uma guerra informacional, então uma guerra de narrativas já há muito tempo.
11:44Então, as fotos, como elas são postadas, os recortes, eu não vejo como surpresa.
11:51Se nós partimos da premissa que se investigava aquele cenário há um ano,
11:57partindo da premissa que dois, três dias antes teve a invasão de uma comunidade na outra,
12:02com ataques, com uma senhora morta, com 60 e poucos anos, com um garoto,
12:0830 anos para mim é um garoto, então também morto,
12:11que não tinha nenhuma relação com o próprio crime,
12:14e aí a operação foi deflagrada.
12:17É claro que uma operação com 2.500 policiais,
12:21você espera uma envergadura do outro lado.
12:24Qualquer protocolo básico dentro da operação policial
12:28impõe uma maior quantidade de efetivo policial
12:33do que aquilo que vai se deparar.
12:35Segundo o planejamento, conversei com vários colegas no Rio de Janeiro,
12:39apontava-se pelo menos mil possíveis infratores da lei armados,
12:45e pelo que as imagens mostraram,
12:47não seriam armas de pequeno porte, de pequeno calibre.
12:51Então, a imensidão de policiais.
12:53Ah, mas colocaram um policial com pouco tempo de formado.
12:57Eu aqui cometo um dos maiores gafes que a gente pode ver
13:01dentro da ciência policial, que não se confunde com a segurança pública,
13:06que é você comentar uma ocorrência longe dela,
13:08no sofá, igual eu estou aqui sentado no escritório.
13:12Mas, qual foi a posição desse policial por apenas 40 dias,
13:17por ele ter, então, uma menor experiência, né?
13:20Quem comandou a operação?
13:22Qual era o objetivo da operação?
13:24Apenas o cumprimento dos mandados de prisão, de busca e apreensão?
13:29Então, é algo complexo, é algo que foi planejado por muito tempo,
13:34e mesmo as baixas aqui, entre as forças policiais,
13:41eu comentei isso ontem e hoje,
13:44eu entendo, infelizmente, como previsível.
13:48É uma operação de uma envergadura enorme.
13:51Então, você tem, do outro lado, pelo menos mil pessoas,
13:54sabido a quantidade de armas de longo alcance,
13:58as mais diversas espécies de calibres dos fuzis ali existentes.
14:02Havia, sim, uma possibilidade real, como aconteceu,
14:06de você ter agentes de segurança vitimados.
14:10Não entendo, preliminarmente, como uma falta de inteligência
14:15ou uma falta, aí, de planejamento.
14:18Era o caso concreto.
14:20Não vejo, Vila, por mais que possa surpreender,
14:23alguma surpresa nesse sentido.
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