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A megaoperação no Rio de Janeiro revela o colapso da segurança pública no estado. No Visão Crítica, o General Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro, comenta o cenário de violência.

Ele afirma que a atuação das facções atingiu um "ponto insustentável no qual o Estado resolveu fazer uma intervenção", e que esta situação de guerra urbana "não pode ser normal em um país".

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/p89bQeyWBNQ

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Transcrição
00:00Eu queria discutir um assunto terrível, mas mais que necessário, que é a tragédia que ocorreu no Rio de Janeiro.
00:05Até agora, está sendo atualizado o mundo de mortos, no momento 121, é a ação policial mais letal da história republicana brasileira.
00:15E vocês estão acompanhando ainda, nós não sabemos, não temos o conjunto das informações sobre os acontecimentos,
00:21de pouco em pouco vão sendo revelados, quantos mortos, aonde, como, de que forma, como é que foi a operação,
00:27qual é a relação do que aconteceu com o governo estadual entre as polícias civis e a polícia militar,
00:33se teve ou não uma comunicação anterior à Polícia Federal, que é uma questão polêmica, que apareceu hoje no decorrer do dia.
00:40E foi o deslocamento à cidade do Rio de Janeiro do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski,
00:47em reunião com o governador Cláudio Castro.
00:49Inúmeras declarações, oportunismo político, que ocorrem nesses fatos que são tão terríveis, tão tristes, que nós estamos vivendo.
00:56A biovisão crítica hoje vai discutir essa questão com especialistas, começando pelo jornalista Bruno País Manso,
01:03que é autor, o Bruno, eu gosto muito desse livro, A República das Milícias, dos Quadrões da Morte, a Era Bolsonaro,
01:11é um trabalho muito bom feito.
01:14E a publicação é 2020, se não me engano, depois até o Bruno me confirma.
01:18Eu já li esse trabalho, já conversei com ele sobre isso, eu agradeço muito a presença do Bruno,
01:24a presença do coronel José Vicente, que foi secretário nacional de Segurança Pública,
01:30e em Brasília está conosco o general Santos Cruz, general da Reserva e ex-ministro de Estado.
01:37Bem, eu vou começar aqui.
01:39Primeiro, vamos começar com o nosso convidado remoto, agradecer o general Santos Cruz.
01:46General, por favor, o senhor, como é que o senhor analisa o que aconteceu no Rio de Janeiro?
01:52Não é a primeira vez que nós temos um confronto, mas nessas proporções é o primeiro.
01:58Nós já tivemos confrontos das últimas décadas, que é um fenômeno recente,
02:02se a gente pode puxar algumas coisas, nós chegamos lá nos anos 90, mais ou menos,
02:06no final na década, na última década do século XX, mas parece que esses incidentes foram crescendo.
02:14E chegou uma situação, teve até no governo Temer, não podemos esquecer,
02:18a intervenção na área da segurança somente, com a designação do general Braganeto,
02:24à época como interventor na área de segurança, mas não uma intervenção federal no Estado.
02:29É bom lembrar que o parágrafo primeiro do artigo 60 da Constituição reza que,
02:34em caso de uma intervenção federal, você não pode tramitar, discutir ou aprovar,
02:39por exemplo, uma proposta de emenda constitucional, e tem várias tramitantes no Congresso Nacional.
02:43Mas até algum momento ninguém falou nesse sentido de intervenção federal.
02:47Só recordando.
02:48Então, eu pergunto ao senhor, general, foi uma surpresa,
02:53esse, vamos chamar de incidente, que é muito mais do que um incidente,
02:57foi um massacre, e qual é a opinião do senhor?
03:04Obrigado pelo convite e a satisfação de poder participar com todos vocês aqui nesse painel.
03:12Eu vejo o seguinte, isso aí é o ápice, é um momento muito intenso,
03:20de um processo muito longo, onde o crime foi se fortalecendo,
03:27o Estado foi se enfraquecendo, tem um aspecto que a gente não discute aqui,
03:34mas que é muito importante, o enfraquecimento do Estado por ponta da corrupção,
03:38que é imensa e que tem muitas ligações com o crime organizado,
03:45a própria corrupção, é sempre um crime organizado.
03:48Então, esse enfraquecimento do Estado e fortalecimento desses verdadeiros grupos armados,
03:57não dá nem para chamar mais de grupo organizado,
03:59são verdadeiras organizações paramilitares,
04:03chegou num ponto de domínio territorial,
04:07onde não é o problema específico da droga,
04:10o principal rendimento, porque tem outras fontes,
04:13como o controle de transportes na região onde domina,
04:18controle de gás, de internet, de uma série de outros serviços,
04:23de estacionamento, de taxa imobiliária de venda de imóveis.
04:29Então, coisas absurdas, né?
04:30Fora os problemas de estupros e de controle até da vida sexual de menores, etc.
04:36Então, chegou num ponto insustentável,
04:39onde o Estado resolveu fazer uma intervenção.
04:42E essa intervenção, ela teve uma intensidade muito grande,
04:50e que depois que você desencadeia,
04:53eu tive já a oportunidade de estar em conflito de grande porte,
04:58em área urbana, em áreas semelhantes,
05:01e depois que o conflito desencadeia,
05:04você não tem perfeito controle dele.
05:05E a reação do grupo criminoso foi muito forte,
05:12eles se julgam realmente com capacidade, inclusive,
05:16de fazer retaliações durante o próprio combate.
05:19Então, fica insustentável isso,
05:22e a polícia, ela teve que se proteger,
05:29se depender, depender a população,
05:31e o resultado foi esse.
05:34Um resultado lastimável, porque é normal,
05:37não pode ser isso normal na vida de um país.
05:40Mas eu vejo que era impossível de,
05:45depois que começa, é impossível de evitar o desfecho.
05:49Bruno, Bruno Paes Manso,
05:51também é o nosso convidado.
05:53Eu citei o belo trabalho da República das Milícias,
05:56que antecede, no mínimo, em cinco anos,
05:58esses trágicos acontecimentos que nós estamos vendo agora no Rio de Janeiro.
06:02Portanto, conhece a questão e tem essa visão também
06:06do conjunto desse problema no Brasil.
06:08Nós estamos falando do Rio de Janeiro,
06:10porque tem características especiais,
06:12até geográficas, a cidade,
06:14em que essa questão do crime consegue,
06:16as organizações que nós se consolidar,
06:18mas hoje é um problema nacional gravíssimo,
06:21em todos os estados do Brasil,
06:22em alguns mais do que outros,
06:24mas em todos os estados.
06:25Nenhum estado e nenhum governador pode dizer
06:27que, olha, no meu estado não há crime organizado.
06:29Isso é balela para te enganar, né?
06:31E porque tem eleição o ano que vem.
06:33Bruno, você que pesquisou, trabalhou,
06:37e esse é um dos trabalhos do República das Milícias,
06:40tratando essa questão.
06:41Eu estava lendo um artigo da BBC,
06:44e o que me chamou a atenção,
06:45e o coronel...
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