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No Visão Crítica, Alessandro Visacro, analista de segurança e defesa, critica a falta de planejamento estratégico e a ineficácia das ações policiais que não atacam a raiz do problema.

Para o especialista, a operação reflete a falência da segurança pública e a falta de coordenação entre os entes federativos.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/EJY9M4xijUA

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Transcrição
00:00Foi uma surpresa para a sua interpretação, para a sua visão de segurança e defesa, os acontecimentos do Rio de Janeiro da semana passada?
00:07Não, de forma alguma. Aquilo ali é uma tragédia anunciada e eu acredito que o grande benefício que essa operação pode nos trazer
00:16é justamente escancarar, explicitar para a sociedade nacional, na qual muitos segmentos se recusam de forma obtusa a encarar essa realidade,
00:31foi justamente escancarar essa tragédia que já faz sangrar a sociedade no Rio de Janeiro já há algumas décadas.
00:41Miguel Cooper, por favor, para você.
00:43Então, professor, eu acho que, até aproveitando a sua fala sobre a Operação Carbono Oculto e um pouco o que o coronel acabou de trazer,
00:51eu acho que a gente tem uma diferença com o que aconteceu no Rio, que é crucial.
00:55Não foi uma mera operação policial, foi uma operação de retomada de território.
00:59A lógica de sufocar financeiramente o crime organizado, ela é extremamente importante.
01:04Eu acredito fielmente que é o principal caminho que a gente tem para sufocar essas organizações.
01:09Mas a situação no Rio é extremamente grave já há 40 anos.
01:13A gente tem a cidade sitiada por várias facções, não é só o Comendo Vermelho, na Penha, no Complexo do Alemão.
01:20É até importante pontuar o alvo número um da operação não foi preso, que era o DOCA.
01:24Exato.
01:24O território também não foi retomado, mas uma lógica de entra, bate, atira e sai.
01:31E aí é um momento, talvez muito importante, da gente, enquanto sociedade, discutir o que vai ser do futuro do país.
01:38Não acho que seja o caso de uma interferência externa, mas de repensar a política pública de segurança que a gente tem implementado desde a redemocratização.
01:46Almir, Felipe, por favor.
01:49Boa noite a todos. Agradeço o convite para fazer esse debate.
01:53Infelizmente, a gente que debate segurança pública sempre é chamado em momentos muito ruins para o país.
02:00E isso mostra para a gente como não é uma surpresa o que tem acontecido no Rio.
02:05Embora a gente tente nunca perder a nossa capacidade de surpreender com situações como essa,
02:11e a gente tem que sempre ter isso como algo excepcional, algo que não deveria acontecer, infelizmente acontece muito.
02:19Pegando só as nossas três últimas décadas de democracia, falando especificamente de Rio de Janeiro,
02:27quantas operações como essa nós já não vimos desde os anos 90?
02:31Quantas intervenções, chamando forças armadas, polícias estaduais, polícias federais,
02:36quantas intervenções, operações como essa já não foram feitas sob esse discurso de fazer uma política de segurança pública,
02:45de resolver os problemas de segurança pública no Rio de Janeiro.
02:48Mais de 30 anos e os problemas não foram resolvidos.
02:51Acho que como o doutor coloca aqui para a gente, de fato, essa tragédia,
02:56esse número explosivo de pessoas mortas no Rio de Janeiro, tem que fazer a gente se repensar como país.
03:02Tem que fazer a gente repensar como fazer segurança pública no nosso país de uma maneira que resolva nossos problemas,
03:09que não crie mais problemas como tem criado.
03:12Pergunta ao Alessandro Vizacro, como a gente pensar nacionalmente essa questão?
03:17Que muitos falam, mas é um problema do Rio de Janeiro?
03:21Não, se fosse, claro que eu não gostaria que fosse esse o problema do Rio de Janeiro,
03:25mas estaria restrito a uma área geográfica, Rio de Janeiro, antigamente a Baixada Fluminense,
03:30que tinha o Tenório, o Cavalcante e sua metralhadora chamada Lurdinha,
03:34esse parecia ser o grande problema, né?
03:36Do outro lado da Bahia, atenção, Gonçalo, que é muito violento,
03:40mas não é um problema do Rio de Janeiro, é um problema do Brasil,
03:43e mais agravado em alguns estados, que a gente, desculpe, pouco fala,
03:48que falamos de passagem em alguns dos nossos encontros, o caso da Bahia,
03:51que é gravíssimo, e veja que não, porque é uma questão político-partidária,
03:55eu faço questão de colocar isso.
03:57No Rio de Janeiro o governo é do PL, na Bahia é o governo do PT,
04:01quase 20 anos, no caso da Bahia.
04:03E no Ceará, que teve governos vinculados durante uma época ao PSDB,
04:09depois ao PSB, hoje ao PT, a situação também é muito grave,
04:15foi se agravando ao longo do tempo, para não falar de outros estados.
04:18Portanto, nessa nossa discussão, há centórios que não têm nada a ver,
04:23não estão falando de uma questão político-partidária,
04:25estão falando de uma questão de país, uma política nacional de segurança pública.
04:29Aí eu pergunto ao senhor, é o caso de recriar o Ministério da Segurança Pública?
04:34O nosso problema principal no enfrentamento à segurança pública
04:39é a estruturação do problema.
04:40Nós não podemos resolver um problema, nós não sabemos qual é o problema.
04:44e nós estamos presos a modelos conceituais que remontam a meados do século XVII.
04:51Então, nós estamos tratando aqui, abordando o tema numa perspectiva de segurança pública.
04:57Na verdade, não é um problema de segurança pública mais.
05:00Como nós temos uma estrutura conceitual muito limitada,
05:03a gente fica orbitando entre a segurança pública e a segurança nacional.
05:07Isso hoje é insuficiente.
05:08Então, quando nós temos uma operação que resulta em 121 mortos,
05:14sendo 4 policiais, ou seja, 119 criminosos mortos,
05:18se a gente fizer uma analogia com qualquer estrutura militar de qualquer exército do mundo,
05:21isso corresponde a uma companhia de infantaria, uma companhia de fuzileiros.
05:26Então, o que nós temos hoje no Brasil é um verdadeiro quadro de conflito armado.
05:32Com essa fala, eu, por favor, não me entendam mal,
05:35eu não sugiro a gente tirar da caixinha de segurança pública
05:38e jogar na caixinha de segurança nacional.
05:40Tira a polícia e coloca as forças armadas.
05:42Como a Mir falou, isso não funciona.
05:44Não tem funcionado não só no Brasil, não só no Rio de Janeiro,
05:47mas em toda a América Latina.
05:49Mas nós precisamos redefinir o problema.
05:51O primeiro passo para que nós, como sociedade,
05:55construamos uma solução é a gente entender a complexidade desse problema.
05:59O colega falou sobre o objetivo da operação foi a retomada do território.
06:05Não é exatamente essa a perspectiva da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
06:10A Secretaria de Segurança Pública, a cúpula,
06:12algumas autoridades na cúpula da segurança pública no Rio de Janeiro
06:14já admitiram que o Estado do Rio de Janeiro não tem fôlego
06:17para empreender a retomada territorial.
06:21Então, eles optaram, basicamente, por uma estratégia de atrito.
06:25Porque a cidade do Rio de Janeiro hoje é uma cidade conflagrada
06:28por disputas, por guerras territoriais entre facções.
06:33E há cerca de 1.600 comunidades que existem no Rio de Janeiro
06:36são majoritariamente controladas pelo Comando Vermelho,
06:39embora existam outras facções muito importantes.
06:42Então, o objetivo desse conjunto de esforços,
06:46denominado Operação Contenção,
06:47visa a desgastar, a solapar, a degradar as estruturas paramilitares
06:55desses grupos armados criminais que, por meio do controle territorial armado,
07:02buscam não só o controle efetivo daqueles nichos territoriais,
07:06mas também empreender a expansão desses territórios controlados por eles.
07:10Então, uma operação como a desencadeada há uma semana,
07:13ela visa especificamente a esse, vamos dizer assim,
07:17o braço armado das organizações criminosas
07:20para tentar refrear essa luta por territórios
07:24que hoje se tornou, especificamente depois da DPF 635,
07:30se tornou crônica no Rio de Janeiro.
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