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A megaoperação no Rio de Janeiro escancara o domínio das facções. No Visão Crítica, o jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso explica que o "controle territorial armado" é o que define o sofisticado e milionário "modelo de negócio" do crime organizado no RJ, cuja receita principal é a venda de drogas.

Ele destaca o armamento pesado como base de sustentação do poder econômico e político dessas organizações.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/p89bQeyWBNQ

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Transcrição
00:00É o armamento, a utilização de fuzis, e fuzis que chegaram supostamente ao Brasil de várias regiões,
00:10vieram de vários países da Europa, produtores, de Israel, muitos de origem norte-americana,
00:15muitos chegando por contrabando através do Paraguai e do Paraguai ao Brasil.
00:19Alguns, eu fico imaginando, parece que o estado do Rio tem fronteira com países.
00:25Não tem, né? Tem a divisa, não fronteiras, afinal, entre os estados, tem que lembrar, é divisa entre os estados,
00:31é com São Paulo, Rio de Janeiro, perdão, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
00:36Tem a questão marítima e tem a questão aérea, que o aeroporto do Galeão disse que era um queijo suíço,
00:42já houve várias apreensões de armas, mas a quantidade, por exemplo, de armas, as mais certificadas, de drones,
00:49porque a utilização do drone me lembrou imediatamente a todos nós, né, que acompanhamos a guerra da Ucrânia.
00:54Como é que é isso, nas tuas pesquisas, que você chegou a estar em campo vendo isso,
01:00cada vez mais você tem esses grupos armados, que eu vou depois discutir se é terrorismo ou não,
01:04organizações terroristas ou não, deixo para daqui a pouco,
01:07dessas organizações que têm o controle territorial, quer dizer, como se fosse,
01:12para você que nos acompanha, é como se fosse um estado dentro do estado.
01:16Como lembrou rapidamente o general, dentro daquela área, quem manda é a facção X ou I+.
01:21Não é a prefeitura, o governo do estado ou o governo federal. Bruno.
01:25Bom, boa noite a todos. Prazer em bater esse papo aqui com vocês.
01:30Eu acho que, estando no Rio de Janeiro, né, depois de pesquisar há muito tempo São Paulo,
01:34eu acho que tem duas características que definem as peculiaridades do Rio de Janeiro, né.
01:40Primeiro você tem uma longa relação da contravenção e do jogo do bicho, que é a principal máfia brasileira, né,
01:48com a polícia, o que torna a situação muito complexa no Rio de Janeiro.
01:52Essa relação estreita do jogo do bicho e da contravenção com a polícia,
01:57o que levou até a formação das milícias e o papel que a polícia acaba tendo até na criminalidade do Rio de Janeiro.
02:03E segundo, o controle territorial armado que define o modelo de negócio do Rio, né.
02:10Desde quando as drogas começaram a ser vendidas a partir dos anos 80,
02:16o mercado consumidor e o mercado vendedor do varejo eram próximos.
02:21Então, pra você vender a droga, você exercia o controle daquele território
02:24pra poder vender pras pessoas que iam comprar no morro ou nas comunidades.
02:28E isso fez com que disputas territoriais fossem sinônimos de disputas de mercado.
02:34E esse é um mercado bilionário, que com o passar dos anos,
02:37hoje a gente tem 50 anos de tráfico de drogas na América Latina,
02:41foi se tornando cada vez mais sofisticado.
02:43Inclusive o varejo deixou de ser o foco principal
02:46pra que esses grupos passassem a atuar no atacado,
02:49chegassem nos Andes, nos países produtores,
02:51e conseguissem construir um corredor de transporte.
02:55Dos Andes até os mercados internacionais faturando em dólar
02:59e ganhando muito mais dinheiro do que nunca.
03:01O que permitiu também todo um trabalho de lavagem de dinheiro
03:04e uma economia muito mais sofisticada
03:07do que a gente via há 15, 20 anos atrás.
03:11E aí, nesse caso, por conta dessa característica do controle territorial armado,
03:16em algum momento, a partir dos anos 90,
03:19você verificou uma corrida armamentista entre os morros,
03:24para que se tornava um sinônimo de poder.
03:27Quanto mais fuzil você tem, maior o seu poder na cidade.
03:31E aí acabou formando esse quadro,
03:34que é um quadro muito desafiador, de fato.
03:37Coronel José Vicente, que a experiência do senhor
03:39como secretário nacional de Segurança Pública
03:41pode parecer uma obviedade que eu vou dizer.
03:45Foi uma surpresa essa operação lá do Rio de Janeiro.
03:49Se foi uma surpresa a operação em si,
03:51a tragédia até agora, falam em 121 mortes, não se sabe.
03:56Diz o governador, expressão do governador Cláudio Castro,
04:00que só tem quatro vítimas.
04:01Os outros seriam participantes do crime organizado,
04:05supostamente.
04:06Diz o governador em declaração e estão em todos os meios de comunicação.
04:11Eu pergunto ao senhor.
04:13Foi uma surpresa?
04:14O Rio de Janeiro é um caso à parte?
04:17Tem a questão do jogo do bicho,
04:18lembrada lá pelo Bruno originalmente.
04:21A geografia da cidade possibilita a facilidade
04:24da consolidação desses grupos criminosos organizados.
04:28Pela experiência do senhor,
04:30como é que o senhor analisaria inicialmente
04:32essa questão, essa tragédia que nós estamos vivendo?
04:35O fortalecimento do Comando Vermelho, principalmente,
04:38mas tem outras duas facções importantes
04:41no tráfico de entorpecentes, além das milícias.
04:43Então, o Rio está acolhado de estruturas criminosas
04:46que dominam o território.
04:48Dominam o território significa dizer que os moradores
04:50estão submetidos a tiranos em centenas de comunidades.
04:54Então, vamos falando em duas, três.
04:56Uma estimativa, acho exagerada, da Polícia Civil,
04:58fala até em 700 comunidades comandadas pelo Comando Vermelho.
05:03Mesmo assim, que não seja desse tamanho,
05:06é uma enorme preocupação.
05:07e que nós observamos que essas facções criminosas crescem
05:12no espaço concedido pela inércia, pela ineficiência
05:15da estrutura de controle, principalmente das polícias.
05:19O Bruno até comentou a questão da vinculação
05:23do jogo do bicho, historicamente, com as estruturas policiais.
05:27Nós temos, pelo menos, dois chefes da Polícia Civil
05:29que foram presos pelo envolvimento com o jogo do bicho,
05:32mas a história está cheia disso.
05:35Tivemos um conjunto de governadores
05:37que foram presos também
05:38pelo cometimento de crimes.
05:40O histórico do Rio de Janeiro
05:41não facilita nada o que nós estamos vendo hoje.
05:45Não estranha o tipo de operação
05:47e o tipo de consequência,
05:49apesar do exagero, evidentemente,
05:50das consequências do Rio de Janeiro,
05:52dessa operação.
05:54Mas veja o seguinte,
05:56a estrutura policial do Rio de Janeiro
05:59vem de longa data
06:00usando esse expediente do invade, bate, atira e sai.
06:05Só para ter uma ideia,
06:07a Universidade Federal Fluminense
06:08fez um levantamento em uma pequena comunidade
06:11do Jacarezinho,
06:12fica até perto da cidade da polícia,
06:14tem 40 mil habitantes.
06:16No espaço de 14 anos,
06:17entre 2007 e 2020,
06:20foram realizadas 289 operações policiais.
06:25É de se imaginar
06:26se a operação policial funcionasse,
06:28lá pela vigésima,
06:30aquilo seria um paraíso.
06:31Uma comunidade pequena,
06:32tem o tamanho da cidade aparecida do norte,
06:34aqui no Vale Paraíba,
06:36mas, digamos,
06:37pela 76ª,
06:39mas 289 até 2020.
06:42186 mortos,
06:43580 presos,
06:46praticamente um morto
06:48a cada três presos.
06:50Agora,
06:50essa operação escalou,
06:52digamos assim,
06:52no Rio de Janeiro,
06:53porque teve mais mortos do que presos.
06:55operações desse tipo,
06:58acostumado a ver essas questões,
07:01ao longo de tanto tempo,
07:02que foi envolvido há 62 anos
07:04a questão de segurança,
07:06elas mostram o exagero evidente.
07:12Exagero,
07:12podemos até colocar os rótulos
07:14que estão aparecendo de massacre mesmo,
07:16como foi o massacre do Carandiru,
07:17que teve menos mortos do que essa operação.
07:20Isso é uma vergonha
07:21para qualquer instituição policial,
07:22um resultado desse tipo.
07:24As informações dão conta
07:26de que houve um bom planejamento.
07:29Um levantamento de inteligência,
07:31por decorrer de um ano,
07:32que chegou a levantar
07:34cerca de quase 200 locais
07:37para o mandado de busca e apreensão.
07:39É difícil fazer esse levantamento.
07:41E mais cerca de 60 mandados de prisão
07:45no trabalho coordenado
07:47com o Ministério Público do Rio de Janeiro,
07:49que não é tão atuante como o de São Paulo.
07:51Mas, mesmo assim, foi feito trabalho.
07:54Aparentemente, o que aconteceu
07:55foi um mau exercício operacional.
07:58Ou seja, um plano bom, mal executado.
08:01Um dos policiais mortos tinha 40 dias de experiência.
08:04Você não vai...
08:05Isso chamou a minha atenção, inclusive.
08:07Desculpa.
08:07Você não vai para um contexto desse,
08:08a não ser com um pessoal muito experiente.
08:10Além disso, nós tínhamos ali um batalhão
08:12com muita experiência de combate de rua,
08:14de proximidade, que é o caso do BOP,
08:16e também aquela estrutura policial da CORE,
08:19que é uma estrutura de combate.
08:21Mas, o restante do contingente...
08:24A gente sabe como é que funciona isso.
08:26Pega o pessoal do policiamento,
08:27que você fala toda hora,
08:28faz policiamento comunitário,
08:30ajuda a velhinha a atravessar a rua,
08:32e coloca uma operação dessa.
08:34O controle de tropas
08:36que não tem esse tipo de experiência,
08:38o general tem uma experiência muito grande
08:40nessa área de combate,
08:42é crítico você colocar o pessoal
08:45sem experiência, inclusive emocional,
08:47de confrontos.
08:49O que vai acontecer?
08:50Esse pessoal vai tirar na sombra.
08:53Há uma pesquisadora de São Paulo,
08:54fez uma pesquisa na Polícia do Rio de Janeiro,
08:55constatando exatamente isso.
08:57O pessoal sem treinamento adequado,
08:59sem supervisão adequada,
09:01entra numa situação de confronto,
09:02ele atira em qualquer coisa,
09:03porque ele tem medo.
09:04Não está preparado para isso.
09:06Além disso, você tem
09:07certas vulnerabilidades éticas.
09:11Afinal de contas,
09:11se deixar cerca de 50 mil mortos na mata,
09:15a polícia abandonou,
09:16a polícia que matou,
09:18não deixou para preservar o local,
09:19daí a população foi lá buscar os seus mortos,
09:22os mortos da comunidade,
09:24viu um relato de um pai
09:24pegando o corpo do filho
09:26para levar para a Praça de São Lucas.
09:28O retrato da tragédia é imenso.
09:32É uma vergonha que vai passar pelos tempos,
09:34como é o Carandiru,
09:35que vai completar agora em novembro,
09:36eu acho que são 18 anos,
09:3943 anos,
09:40Isso foi em 92,
09:42perfeito.
09:43E é uma mancha monumental,
09:45afetou profundamente
09:46o comportamento da estrutura policial de São Paulo.
09:49O que nós esperamos,
09:50obviamente,
09:51temos que discutir mais coisas aqui,
09:53é que esse seja,
09:55no mínimo,
09:55um marco
09:56para se pensar o seguinte,
09:57não podemos fazer mais isso
09:59para melhorar.
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