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Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, aborda a atuação do crime organizado no Brasil.

Rodrigues explica as estratégias de investigação das bebidas adulteradas com metano. O diretor também discute a regulação das apostas esportivas (bets). Reportagem: Victoria Abel.

Assista na íntegra: https://youtube.com/live/qsE2hdBBY9M

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Transcrição
00:00A gente vai voltar para Brasília em uma interviça exclusiva a Jovem Pan, o diretor-geral da Polícia Federal afirma que o crime organizado se ampliou no Brasil.
00:11Repórter Vitória Abel.
00:13Conversamos agora com o diretor-geral da Polícia Federal, o doutor Andrei Rodrigues, para falar sobre as operações da Polícia Federal, além de outros temas relacionados à segurança pública no Brasil.
00:24Doutor Andrei, seja bem-vindo a Jovem Pan, obrigada pela entrevista.
00:28Obrigado, é um prazer falar com você, Vitória, e com todos que nos acompanham.
00:32Doutor Andrei, eu queria começar perguntando, porque recentemente surgiu muitas operações relacionadas à lavagem de dinheiro nas bets, inclusive envolvendo influenciadores digitais.
00:44O senhor acredita que esse esquema de lavagem de dinheiro por meio das bets, ele tem se tornado mesmo um padrão?
00:52E é possível que bets que estejam reglamentadas pelo governo estejam participando desse esquema?
01:00Veja, Vitória, a temática de lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio é foco de atenção da Polícia Federal já há algum tempo, e falo especificamente durante a nossa gestão.
01:11Um dos principais pilares do enfrentamento ao crime organizado é a descapitalização, ou seja, é retirar o poder econômico do crime organizado e também prender as lideranças.
01:22E há um fenômeno que não é tão recente, mas acentuou-se há pouco, que é a penetração do crime, seja organizado ou não, mas a penetração de criminosos na economia formal,
01:37em atividades que têm uma aparência de legalidade, licitude, mas que na verdade estão utilizando o sistema formal econômico para lavar dinheiro, para ocultar patrimônio.
01:48E você cita alguns casos, cita o caso de Betis, que são importantes, fizemos uma operação relevante semana passada com um dito influencer e que tem ou tinha um patrimônio de fato muito grande,
02:00e agora a investigação segue e está em curso para que a gente identifique as eventuais ilegalidades.
02:08Então essa de fato tem sido uma preocupação nossa, de uma atuação muito forte na descapitalização do crime organizado e lavagem de dinheiro,
02:17seja com Betis, seja em qualquer sistema econômico que ocorra.
02:23Agora, o senhor também falou recentemente que existe, inclusive acho que foi em um evento fora do país,
02:29que existe um certo exagero da mídia quando a gente fala da participação de facções criminosas,
02:34por exemplo, no caso do metanol, que é um caso de contaminação de bebidas,
02:39a gente parece ser um caso coordenado de contaminação de bebidas.
02:43O senhor acha que, de fato, nem sempre a organização criminosa está presente nesses casos?
02:50No caso do metanol, não tem nenhuma participação de organização criminosa?
02:54Vitória, a minha crítica é a antecipação de fatos que a investigação é que vai dizer.
03:00Hoje, de fato, eu acho que há um exagero, um excesso em atribuir a determinadas organizações criminosas
03:07que têm maior visibilidade, inclusive, fatos que são muitas vezes ordinários e corriqueiros
03:15e aí eu não sei com que interesses de divulgação, de interesse da mídia,
03:21de interesse de autoridade se promoverem ou se posicionarem e terem mais visibilidade.
03:27Mas isso pouco importa.
03:30A Polícia Federal também tem se aprofundado na investigação que vê o uso das emendas parlamentares,
03:36como que essas emendas estão sendo utilizadas.
03:39Vocês acreditam, pelo que o senhor acompanha das investigações,
03:42que existe um padrão de desvio que não necessariamente feito por deputados,
03:49mas por pessoas ali que estão trabalhando no pagamento de emendas?
03:53Existe um padrão nesse desvio?
03:54Veja, Vitória, eu não posso falar em detalhes das operações que a Polícia Federal conduz.
04:01O que nós podemos garantir é que todas essas investigações,
04:05inclusive referente a eventual desvio de emendas parlamentares,
04:11são tratadas com a responsabilidade e com a seriedade
04:14de quem conduz investigações de maneira técnica.
04:17Nós não podemos criminalizar a política, isso já nos levou a efeitos danosos ao país.
04:23Nós temos que respeitar a atividade política, temos que respeitar a destinação de emendas parlamentares
04:28e, ao mesmo tempo, sermos muito severos e rigorosos no controle e na apuração de eventuais desvios.
04:34E a gente tem um prazo de quando que essas investigações vão ser reveladas,
04:38até para que a população saiba quais políticos estão envolvidos com isso?
04:42Vitória, já houve várias ações que a Polícia Federal fez com responsabilização de parlamentares,
04:48com responsabilização de políticos, com indiciamentos, com busca e apreensão, com prisões,
04:54referentes a essa modalidade criminosa.
04:57Então, eu não posso dizer de mais de uma centena de operações qual é o prazo de cada uma,
05:02cada investigação tem o seu período necessário de maturação
05:06e, ao fim e ao cabo, chegará às suas conclusões técnicas e rigorosamente baseadas na lei.
05:14Por falar em política, eleições do ano que vem, já existe um temor de que a disseminação de notícias falsas
05:21acabe escalando justamente por conta até da inteligência artificial.
05:26Como que a Polícia Federal tem se preparando?
05:28Vocês estão pensando em algum tipo de esquema especial para as próximas eleições?
05:32O nosso trabalho em relação a crimes eleitorais, e nós somos a Polícia Judiciária Eleitoral,
05:39ele não parou desde a última eleição e nós já trabalhamos, inclusive, muito proximamente com o Tribunal Superior Eleitoral
05:46para fazer enfrentamento a todas as modalidades de delito.
05:51E aqui nós entramos numa pauta central, que não é apenas a divulgação de uma informação inadequada ou falsa,
06:00mas o cometimento de crimes a partir dessas informações.
06:04E é isso que a polícia apura, são crimes.
06:06Mas o senhor poderia dar um exemplo do que vocês já estão acertando para tentar coibir essas ações?
06:12Nós temos, por exemplo, uma operação que fizemos em relação a deepfake,
06:16identificando o modus operandi de como foi construída essa falsificação de imagens, de vozes,
06:26e que levaram a danos severos em relação ao processo eleitoral.
06:30Dá para fazer algum acordo com as empresas de redes sociais,
06:35para que se tenha um novo mecanismo de controle disso no ano que vem, nas eleições especificamente?
06:40Eu não tenho dúvidas. As empresas de tecnologia, elas têm sido muitas vezes parceiras,
06:47têm atuado em cooperação com os órgãos públicos,
06:52e muitas vezes ajudado nesse enfrentamento ao crime organizado e ao cometimento de delitos.
06:58E para isso seria necessária uma nova legislação de regulação das big techs?
07:01Eu não tenho dúvida que é importante uma legislação que regulamente o funcionamento,
07:06assim como todos os canais de comunicação, por exemplo, a Jovem Pan,
07:10obedece regras e obedece normas.
07:13Os veículos, digamos, tradicionais de imprensa,
07:17não podem anunciar a venda de drogas nas suas comerciais,
07:21não podem mostrar a violação de crianças na sua televisão.
07:26Por que as empresas de tecnologia poderiam fazer isso?
07:29Então, as mesmas regras, né, adaptadas, obviamente, aos novos padrões digitais de comunicação,
07:36precisam também existir para todos os veículos que trazem informação, comunicação,
07:42e aí alcançam crianças e alcançam a sociedade,
07:45inclusive com maior amplitude, muitas vezes, que os veículos tradicionais.
07:48Então, é óbvio e é muito claro que se diga, importante que se diga,
07:53que é fundamental nós termos regras de negócio também para as empresas de tecnologia.
07:59E, bom, falando ainda também sobre eleições,
08:03todo o processo de julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro
08:06está no Supremo Tribunal Federal,
08:08também diz respeito às eleições de 2022.
08:11E, no Congresso Nacional, se discute o projeto de anistia
08:17tanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro
08:19quanto aos outros participantes que se envolveram ali numa tentativa de golpe.
08:25O senhor avalia que teria alguma chance de acordo para esse projeto da anistia?
08:30Na opinião do senhor, dá para fazer um meio termo,
08:32que é o que alguns partidos de centro têm defendido?
08:36Primeiro, é importante dizer que a Polícia Federal
08:39fez uma investigação técnica, rigorosa,
08:43e apresentou elementos suficientes para o sistema de justiça criminal
08:48que teve andamento com a denúncia e com a condenação de investigados.
08:55Portanto, nós entendemos que a missão da Polícia Federal
08:58nesse processo, nessa etapa, foi concluída,
09:02inclusive com um volume de provas muito importantes que aconteceu.
09:08Eu tenho o maior respeito pelo processo legislativo, pelo Parlamento Brasileiro,
09:12e jamais ousaria que me excluírem em temas que são atinentes ao Parlamento Brasileiro.
09:18O que eu posso falar em relação ao trabalho que fizemos
09:22é que é um trabalho muito robusto, consistente,
09:26que apresentou as provas necessárias,
09:28e que vários juristas, inclusive,
09:31comentaram do não cabimento de processo de anistia para determinados delitos.
09:36Agora, isso não é uma pauta da Polícia Federal.
09:39Eu quero, sempre que o trabalho seja concluído,
09:42que as pessoas julgadas, um julgamento claro, transparente, regular,
09:47com ampla defesa,
09:48e que cumpram as condenações a que foram submetidos.
09:53Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes
09:54também reabriu um processo contra Jair Bolsonaro
09:57sobre a suposta interferência dele na Polícia Federal,
10:00uma denúncia que foi feita pelo ex-ministro, agora senador Sérgio Moro.
10:04O senhor avalia que já existem provas ou suspeitas
10:09de que realmente o ex-presidente fez uma interferência na polícia
10:13para tentar favorecer familiares?
10:15Vitória, isso independe de opinião pessoal
10:18de quem quer que seja em relação a esse fato.
10:21O que nós recebemos foi uma decisão da Suprema Corte
10:25a partir da manifestação da Procuradoria da República
10:29em razão de descoberta de fatos novos
10:32que ensejaram a reabertura desse processo de investigação.
10:36Então nós, com absoluta serenidade, recebemos esse material,
10:40encaminhamos a nossa área técnica,
10:42que agora vai fazer a investigação,
10:44cotejando os acontecimentos,
10:46que são públicos e notórios,
10:49ocorridos no governo anterior,
10:51e que dizem respeito à eventual interferência
10:55na rotina aqui da instituição da Polícia Federal.
10:59Eu queria falar um pouco da PEC da Segurança.
11:01O relator Mendonça Filho disse que vai fazer diversas mudanças no texto
11:06para apresentar.
11:08Um dos pontos do texto que tem sido criticado por parlamentares
11:11é o empoderamento da Polícia Federal,
11:15até levando a Polícia Federal também a investigar crimes ambientais nos estados.
11:21Isso teria incomodado um pouco as corporações estaduais.
11:24Como você acha que esse texto vai ser desenhado?
11:27É importante que nesse modelo a Polícia Federal
11:29tenha uma centralização mesmo de investigação dos crimes organizados no país?
11:35Vitória, a PEC é uma grande oportunidade do Brasil
11:39avançar no enfrentamento ao crime organizado
11:41e melhorar o seu sistema de segurança pública.
11:46E ali tem vários elementos.
11:47Eu destacaria, por exemplo, a questão da coordenação nacional.
11:52O crime organizado não é mais local,
11:55ele é nacional e muitas vezes transnacional.
11:58E que, portanto, precisa de uma resposta uniformizada
12:01e o que, em medida alguma,
12:03retira o poder e a atribuição das polícias estaduais.
12:06Mas um olhar central e nacional e até internacional
12:11é importante para que o enfrentamento seja mais qualificado.
12:15Em relação à eventual ampliação do papel da Polícia Federal,
12:19eu não vejo por que pessoas temerem
12:22que a Polícia Federal vá atuar mais em uma pauta ou outra.
12:27Você cita a questão ambiental.
12:28A Polícia Federal já atua na questão ambiental.
12:31Tem responsabilidade sobre isso.
12:32Veja a questão das queimadas.
12:33Às vezes tem um parque nacional ao lado de um parque estadual.
12:37O fogo vai pegar os dois parques ao mesmo tempo.
12:41E a Polícia Federal só poderia limitar-se a investigar
12:44um pedaço desse processo.
12:47E o outro fecharíamos os olhos.
12:49Então isso não tem sentido.
12:51É importante esse enfrentamento uniformizado.
12:54A ideia com essa PEC seria, inclusive,
12:56trazer as investigações envolvendo o PCC, por exemplo,
12:59para essa agência e, portanto, sob ali a coordenação da Polícia Federal?
13:04A proposta da PEC permite essa coordenação nacional
13:08e essa visão global do crime organizado.
13:12E traz também uma pauta central,
13:15que é o financiamento da segurança pública.
13:17Que são os fundos que precisam existir constitucionalmente
13:21e que não sejam contingenciáveis.
13:24Então isso são avanços extraordinários
13:26que nós teríamos com a aprovação da PEC.
13:30E, é claro, sempre há oportunidade de debate,
13:32de melhoria, de sugestões.
13:34Eu acho que esse é o papel do Parlamento,
13:36que o Parlamento está cumprindo.
13:38Obrigada, doutor Andrei.
13:39Conversamos com o doutor Andrei Rodrigues,
13:41diretor-geral da Polícia Federal.
13:43Obrigada.
13:46Obrigado.
13:52Obrigado.
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