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O historiador Jorge Caldeira participou do programa Entrevista com D’Avila desta quinta (30) para desfazer o mito do Estado como único motor do desenvolvimento, além de defender a descentralização do futuro econômico do Brasil. Ele apontou que investimentos em áreas como energia solar distribuída e agricultura de baixo carbono estão superando grandes projetos centralizados (como Belo Monte), mas o governo ainda opera com a mentalidade dos anos 70, perdendo a chance de capitalizar a favor mundial pela transição energética.

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Transcrição
00:00Tem um ponto importante que você sempre trouxe, eu falo que você está sempre a casa dos barões de Mauá do Brasil,
00:06desde a primeira vez que você escreveu a biografia do barão de Mauá, o Gastão Mesquita com o Lorde Lóvel,
00:11ele era um outro também barão de Mauá da época dele e tal.
00:17Apesar do mérito extraordinário desses barões de Mauá, toda vez que eles ficaram grandes e fortes,
00:25parece que o Estado, com espírito centralizador e antimercado, tenta parar.
00:30Com Mauá foi assim, agora é muito difícil romper essa barreira, como você bem falou, centralizadora,
00:38e criar um modelo à parte que o Estado sinta que ele não está perdendo o controle desse Brasil experimental que você está falando.
00:46Como é que nós vamos passar esta barreira que existe sempre do governo centralizado,
00:54olhar o empresário, olhar essas pessoas que inovam, experimentam e vencem,
01:01não como um ativo importante da nação, como você está trazendo,
01:04mas como algo temerário que pode colocar em risco a nação?
01:09A parte, vamos dizer assim, de governo, para quem conhece, ou eu,
01:16para quem valoriza muito a história dos governos locais e dos governos estaduais,
01:21grandes provinciais, sabe que esses têm papel também na elaboração de uma economia aberta,
01:29de fazer, etc e tal.
01:31O governo central do Brasil era uma pequena máquina burocrática, na época da colônia,
01:36separada de tudo o resto para colher imposto e gastar fora.
01:40Então...
01:41Só controlava o fã de exportação e não pagava o resto.
01:43E o Brasil era exportador líquido de tributos, na colônia inteira.
01:48Então a função do governo central na colônia era captar dinheiro e prestar poucos serviços.
01:56Ou vender muito caros poucos serviços que prestavam como você quiser.
02:03De alguma forma, essa mentalidade permanece.
02:06A ideia de que o governo central era muito pequeno.
02:10O governo central, no fim do Império, era 1% do PIB.
02:12Em 1964 era 6%, 7%, 8%.
02:17O governo central cresceu com uma proporção do PIB durante o regime militar.
02:22Hoje é 35% do PIB.
02:24O governo militar pegou...
02:25O Roberto Campos pegou com 6% e entregou com 11% em 3 anos.
02:29Bom, teve o gás, né?
02:30Teve o gás lá.
02:31Não, o gás lá, mas não é isso.
02:33Então, o que eu estou querendo é só botar um pouco de perspectiva histórica para dizer o seguinte.
02:38O governo central hoje realmente é um problema...
02:42Do jeito que o governo central está, é um problema para o desenvolvimento brasileiro.
02:48Por quê?
02:48Porque se você consegue fazer 3 de Itaipu pondo placa solar no teto de 4 milhões de casas,
02:55você não precisa muito de governo central para resolver questões complicadas.
02:59restará a questão de tarifa.
03:02Mas, certamente, as mudanças que agora favorecem o Brasil, as mudanças mundiais que agora favorecem o Brasil,
03:10são mudanças que ficam mais bem feitas com descentralização do que com descentralização.
03:16Isso, acho que é um ponto que não tem muito a ver com a qualidade do governo central brasileiro,
03:24que hoje é muito ruim, não é que é ruim, é muito ruim, né?
03:29Mas com a percepção de que o que é bom para o Brasil está em outro lugar.
03:33Que é uma coisa que, mesmo quem acha ruim o governo central não consegue montar uma ideia de desenvolvimento
03:41que faz assim, não, aqui nós vamos, o governo central vai parar de atuar nisso, nisso, nisso, nisso, nisso daquilo
03:49e as coisas vão melhorar, né?
03:52Por quê?
03:53Porque tem um monte de coisa que não precisa mais.
03:55Eu vou dar um exemplo de escala.
03:58Para construir a última grande usina, que ele ia chamar usina Dilma Rousseff.
04:06Belo Monte.
04:06Belo Monte.
04:08Custou 40 bilhões de reais.
04:10É o que custou fazer 10 Belo Monte de Solar.
04:16Então, não é a coisa que perde o sentido.
04:18Qual é o sentido de você fazer um planejamento de uma coisa que o mundo mudou e que não se faz mais com esse tipo de planejamento?
04:28Então, como é que você faz para que explorar a capacidade de segurança alimentar, segurança energética do Brasil?
04:37O Brasil tem 6 milhões de propriedades rurais.
04:41Os Estados Unidos têm 2.
04:43É muito mais descentralizada a propriedade no Brasil.
04:47As pequenas propriedades, né?
04:48As pequenas propriedades, 5 milhões de pequenas propriedades, sítio.
04:51Essa região inteira cresceu vendendo sítio de 15 alqueires.
04:56Hoje chamaria sítio, mas é uma propriedade rural de 15 alqueires.
04:58Tudo relacionado a energia e alimentos ficará melhor se você souber dar sentido econômico melhor para isso.
05:09Mercado.
05:10O sentido econômico é mercado.
05:11Melhorar a posição de mercado.
05:13Criar a cultura que alguém que tem uma propriedade de 20 alqueires consegue ter renda para sustentar e educar a família.
05:18Coisa que hoje em dia está ficando cada vez mais difícil.
05:20Mas não é, enfim, o potencial do Brasil, quando você olha descentralizado nesta situação mundial,
05:34que é energia elétrica centralizada, Belo Monte, era de um tempo que não tinha alternativa.
05:40Então você tinha que fazer um troço gigante, tinha que ter planejamento centralizado.
05:43Energia solar você não precisa.
05:45Então o que mudou?
05:46Mudou o tipo de negócio possível.
05:49Inclusive a geração distribuída.
05:51E a geração distribuída.
05:52E biodigestor.
05:55E ter um monte de outras coisas.
05:56Nessa coisa de energia, a pequena propriedade pode fazer óleo diesel, pode fazer um monte de outras coisas que não podia.
06:05Só que a gente não planeja para isso.
06:07Quer dizer, não se planeja o Brasil pensando nisso.
06:09Se planeja o Brasil dos anos 1970.
06:13Planejar é o Estado Central ter um montão de dinheiro e distribuir como favor um montão de coisa.
06:17E isso é que vai fazer riqueza.
06:19Certamente, o caso da energia que eu estou dando, do exemplo da energia que eu estou dando aqui, certamente não é isso que faz futuro.
06:27Só que hábito é hábito.
06:30Quer dizer, acho que tem a ideia de um governo central poderoso, distante, civilizado.
06:36Porque quando você tem uma população de 98% de alfabetos, você concentra civilizados no Estado.
06:42Ok, os alfabetizados.
06:43Quando você tem 100% de alfabetizados, que é o caso de hoje, você não precisa paternalismo de 200 espécies.
06:53Quando tem um SUS funcionando, que é outra construção nacional, que é nacional, você não precisa dizer, vou criar um sistema de saúde.
07:03Vamos operar melhor o que existe.
07:05Agora, um dos livros que você escreveu, o Paraíso Restaurado, você tratava ali esse enorme potencial do Brasil como uma potência global ambiental.
07:17Ou seja, o Brasil tem tudo para transformar esse potencial ambiental no grande motor do crescimento econômico sustentável.
07:26E ali você mesmo deu alguns dados aqui, como o que parecia arrojado naquela época já foi ultrapassado.
07:33Mas parece que isso não está muito na nossa mentalidade ainda.
07:36Como é que transformar meio ambiente em riqueza e crescimento econômico?
07:41É o seguinte, é porque alguns programas políticos fizeram isso.
07:47O Partido Novo fez.
07:49Não vamos fazer propaganda aqui, porque é verdade.
07:51Então, é o seguinte, só que naquela época dizer isso era quase uma loucura.
07:57Você podia apanhar na rua falando isso e...
07:59Quase apanhei.
08:01Então, só que aí você vai ver o que cumpriu quatro anos depois.
08:06Em 1922, quando esse programa foi feito, a energia solar era 2% da energia brasileira.
08:11Hoje é 23%.
08:12Como?
08:13Foi feito.
08:14Agora, o que cresce de maneira descentralizada não faz parte do radar da autoridade federal,
08:28do governante descentralizado.
08:30Não faz parte.
08:31Ele supõe que crescimento depende de juntar muito recurso aqui para redistribuir lá.
08:37Basicamente isso.
08:39E o Brasil hoje não precisa disso.
08:41O Brasil está numa situação boa, como eu já disse, macroeconomia arrumada, reserva,
08:50segurança alimentar, segurança energética e uma situação que o mundo está pagando
08:56para fazer transição energética, que o Brasil já fez.
09:00O Brasil é vendedor de transição energética.
09:04Deveria cobrar o preço para fazer isso.
09:06Mas aqui a gente ainda pensa que, enfim, aí também, aí é o outro lado também.
09:15É difícil para um agricultor entender que o negócio dele mudou a tom de pressa.
09:21Eu estou fazendo aquilo há dezenas de anos.
09:23Para mim fazer era daquele jeito, plantar era daquele jeito, e ela abre a terra.
09:26A ideia de que eu vou começar restaurando floresta, que hoje é um negócio grande no Brasil,
09:33milhões de hectares.
09:34É, as terras degradadas, né?
09:36As terras degradadas estão virando.
09:38Os planos de carbono...
09:39Eu estive de Mato Grosso do Sul que tem um plano de carbono neutro em cima de terra degradada,
09:44que é o certo.
09:46Proteger o que tem e vão melhorar a qualidade da terra e vão ser carbono neutro, sim.
09:51É disso que estamos falando.
09:53O que quer dizer isso?
09:54Plantar uma caúba lá e fazer querosene de aviação.
09:58O que não era negócio vira um bom negócio.
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