00:00Para falar sobre a taxa de desemprego que caiu para 5,85 no trimestre de abril a junho,
00:06uma redução de 1,2 ponto percentual em relação ao trimestre de janeiro a março desse ano.
00:12E esse resultado é o menor já registrado na série histórica iniciada em 2012.
00:17Claro que eu quero ouvir a análise do Alberto Azental sobre esse assunto,
00:22ele já está conectado com a gente aqui para comentar o resultado.
00:25Azental, boa tarde, seja muito bem-vindo.
00:27Oi, Nath, tudo bem? Boa tarde, boa tarde a todos que nos acompanham.
00:34Nath, esse 5,8 é uma taxa de desocupação histórica.
00:41Ela nunca, um número tão baixo nunca tinha acontecido.
00:47O Brasil está quebrando recordes de ocupação, a verdade é essa.
00:53E o que está por trás, eu vou te soltar alguns números,
00:57que a população ocupada, ela chegou em 102,3 milhões de habitantes.
01:04Se você comparar com o ano passado, era 99,8 milhões.
01:08Então, de junho do ano passado para junho desse ano,
01:14a gente pode dizer que você tem 2,4 milhões de pessoas a mais ocupadas.
01:21E tem uma outra taxa que também é interessante, que a renda média subiu.
01:26Ela estava há um ano atrás em R$3.367, passou para R$3.477, subiu 3,3%.
01:35Então, se você tem 2,4% de pessoas a mais ocupadas,
01:41e você tem 3,3% de renda real a mais, Nath, eu que vou te fazer uma pergunta.
01:47O que acontece com a massa salarial?
01:51O que acontece com a massa de rendimento,
01:54que é a multiplicação do número de pessoas ocupadas pela renda?
01:59Ah, ufa, que eu acho que essa eu consigo responder,
02:01porque até com medo, quando você falou que ia me mandar uma pergunta,
02:04ela aumenta, né?
02:05Ela aumenta, eu tenho mais gente ocupada e ganhando mais.
02:12Então, a massa salarial, ela saiu de 331 bilhões mensais no ano passado,
02:20passou para 351, um aumento de 20 bilhões de reais a mais por mês.
02:29Olha que loucura, 5,9%.
02:32Eu sempre te conto, né?
02:33Eu sempre falo isso, Nath, que o melhor dinheiro na Bolsa da população
02:39é o dinheiro do salário.
02:41Exatamente.
02:42Então, são dados muito positivos para a gente comemorar,
02:45mas eu sei que eles também trazem ali alguns pontos de atenção, né, Azental?
02:49Tem.
02:50A gente ainda vai um pouco nas boas notícias.
02:52Vamos chamar a arte que a gente preparou.
02:55Nath, essa arte, a gente está sempre falando em cima dela, né?
03:00Por quê?
03:01Porque a gente compara os anos de 22 até 2025 e a gente sempre fala,
03:09lembra, que tem uma sazonalidade, que em geral, janeiro até março,
03:15a taxa de desocupação, né, que é o desemprego,
03:19começa melhor em janeiro, vai piorando até março,
03:24quer dizer, tem demissões até março e de março a dezembro ela cai.
03:28E a gente, nessa arte, percebe isso ano a ano.
03:32Quer dizer, a gente percebe essa curva, essa onda,
03:35que é essa sazonalidade intrínseca à economia brasileira.
03:40Mas tem mais uma coisa que a gente percebe,
03:43e por isso que a gente fez esses vários anos, né?
03:46São cinco anos consecutivos e a gente faz no mesmo gráfico
03:50sempre de janeiro a dezembro, por quê?
03:53Você percebe a translação dessa curva.
03:56Então, você vê como tem melhorada a ocupação da população ano após ano.
04:05É impressionante mesmo, né?
04:07Esse é o dado positivo.
04:08Tem mais dados positivos ou a gente já vai agora
04:10para os pontos de atenção que eles trazem junto?
04:13Olha, então, Nath, você já matou a charada.
04:17O ponto de atenção é que, por um lado, a gente comeora, sim,
04:22esse 5,8% de taxa de desocupação,
04:26vindo de 7% do trimestre anterior,
04:29uma queda mais do que impressionante de 1,2%,
04:33mas algo foi feito com os números.
04:38Então, o que aconteceu é que o IBGE,
04:42a partir dessa divulgação,
04:45eles adotaram o censo de 2022.
04:48E no censo de 2022,
04:51até então, o IBGE estimava que a população brasileira
04:55era da ordem de 217 milhões de pessoas.
05:00217.
05:01E na prática, é 212,6.
05:04Então, o Brasil tem menos gente,
05:07segundo o censo de 2022,
05:09do que os dados que o IBGE utilizava.
05:13E o IBGE visita 211 mil residências
05:18em 3.500 municípios,
05:21em todos os estados e no Distrito Federal,
05:24para realizar a pesquisa.
05:27Então, quando você tem uma determinada amostra
05:30para um determinado universo,
05:32quer dizer, o conjunto,
05:33você tem um determinado porcentual.
05:37Agora, quando você muda,
05:39no caso da fração,
05:41o denominador,
05:42a população diminui de tamanho,
05:45você acaba mudando a taxa,
05:48você acaba mudando o coeficiente.
05:51Então, a conta é outra,
05:53é um outro cálculo.
05:55Então, em parte,
05:57esse record,
05:58que 5,8,
06:01ele reflete uma mudança de metodologia.
06:06Então, isso tem que estar claro.
06:08A gente tem que comemorar
06:09que os números estão ótimos,
06:12que a taxa de desocupação está muito baixa,
06:16mas esse 7,
06:18num trimestre,
06:19se transformar em 5,8,
06:21carrega,
06:23e aí é difícil dizer
06:24quanto dessa queda de 1,2
06:27é devido à mudança de metodologia,
06:31mas ele, com certeza,
06:32carrega essa mudança de metodologia,
06:35Nati.
06:36Olha só que interessante,
06:37que importante a gente ficar atento a isso.
06:39Agora, você consegue,
06:42eu sei que nem tudo é possível prever,
06:44mas nesse contexto aí,
06:45das tarifas,
06:46teve um alívio para alguns setores,
06:48não para todos.
06:50Você vê no horizonte mudanças importantes?
06:53Quero dizer,
06:54uma piora nesses índices, Zé Zental?
06:58Então, eu acho,
06:59quando a gente volta ao assunto tarifa,
07:02o que acontece é que tem setores
07:04que foram menos prejudicados,
07:07desde ontem,
07:08com aquela tabela de 700 itens,
07:12e a gente não pode falar em média,
07:14porque não adianta falar,
07:15o Brasil não vai sofrer tanto na média,
07:19ou o PIB não será tão impactado na média,
07:22porque aqui não é uma questão do país
07:25como um todo,
07:26em termos geográficos,
07:28nem da população como um todo.
07:31Aqui é indústria por indústria,
07:35setor por setor,
07:37empregados nessa indústria por indústria,
07:40quer dizer,
07:41cada município que tem esses setores
07:43ou indústrias,
07:44quer dizer,
07:45é específico.
07:47Quem não está na lista da exclusão
07:50e vai sofrer a punição ou penalidade
07:54de um aumento de tarifa
07:55de 10% para 50%,
07:57esses setores,
07:59essas indústrias,
08:01esses funcionários
08:02e esses municípios vão sofrer.
08:05Eles vão sofrer bastante
08:06e no curto prazo.
08:08Então,
08:09isso representa 1,6 quanto do PIB brasileiro.
08:13Parece que é pouco,
08:15porque a questão não é olhar como um todo,
08:17a questão é olhar setor por setor.
08:19E aquele setor que for atingido,
08:22esse vai sofrer.
08:24Então,
08:24estou te dando que resposta?
08:26Olhando a desocupação como um todo,
08:29do país como um todo,
08:31provavelmente o país é muito grande,
08:33tem muita gente,
08:35ah,
08:35você não vai sentir tanto.
08:37Você não vai sentir tanto no PIB,
08:39você provavelmente não vai sentir tanto
08:41na taxa de desocupação.
08:43Então,
08:44quando você fala Brasil como um todo,
08:46ah,
08:46não vou sentir tanto.
08:47Mas quando você for tal indústria
08:49que faz exatamente tal coisa
08:51e que,
08:52vamos supor,
08:53aquela empresa
08:5480% exporta para os Estados Unidos,
08:57essa empresa que vai ter uma sobretaxa,
09:00essa vai sofrer.
09:01Então,
09:02é um pouco essa minha análise
09:04e linha de raciocínio
09:05em relação aos problemas
09:06que a gente vai enfrentar
09:07daqui para frente.
09:08Impactos localizados,
09:10setorizados.
09:10Muito obrigada,
09:11Alberto Azental.
09:12Obrigado,
09:13até a próxima.
09:13Boa tarde.
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