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Rodrigo Loureiro explicou a queda da taxa de desemprego entre setembro e novembro para 5,2%, a mínima histórica da PNAD Contínua do IBGE, e comentou o impacto da Selic e da segurança tributária no crescimento e geração de empregos no Brasil.

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Transcrição
00:00E a taxa de desemprego entre setembro e novembro renovou a mínima histórica da pesquisa do IBGE,
00:07iniciada em 2012.
00:09Vamos conferir os números, então?
00:11Os números de pessoas aqui, Rodrigo Loureiro.
00:13Vamos para o IBGE, que a gente chama de PNAD Contínua, né?
00:17Sim.
00:18Que é a taxa de desemprego.
00:20Olha só, veio caindo gradativamente este ano e se a gente comparar com o mesmo período do ano passado,
00:28né, setembro e novembro, você tem uma queda quase de um ponto percentual.
00:32Então aqui a gente tinha setembro, novembro de 2024, 6,1% na taxa de desempregados.
00:39E passa de setembro a novembro para 5,2%.
00:42E já é também uma queda em relação a agosto, outubro deste ano.
00:46Então vem caindo gradativamente.
00:49Isso mostra uma economia aquecida.
00:51Sabe quem fica de olho nisso?
00:52O Banco Central, nas reuniões para definir taxa de juros, Loureiro.
00:57Exatamente.
00:58A gente tem aqui também uma boa notícia, né?
01:01Porque mesmo com essa queda do desemprego, o Banco Central conseguiu manter a inflação
01:06sob controle.
01:07Manteve a inflação ali, pelo menos no IPCA, abaixo dos 4,5%.
01:11O que é uma boa notícia.
01:13Porque quando você tem crescimento econômico, ao mesmo tempo que você controla o aumento
01:17de preços, isso é bom.
01:19Crescimento econômico, no caso, se traduzindo aqui em geração de empregos.
01:22A política está dando resultado, a política econômica nesse caso.
01:25É, a política econômica amarga de uma taxa de juros de 15%.
01:29Porque poderia ser pior, isso aqui poderia estar, aliás, elevado, mais do que no mesmo
01:34período do ano passado.
01:35Por quê?
01:35Porque você empaca investimentos, por exemplo, da indústria, as empresas fazem ajustes
01:41na sua planilha de funcionários, mas aí você conseguiu equilibrar, quer dizer, a lição
01:48de casa está sendo feita de forma correta.
01:49Essa questão da taxa Selic em 15% de afetar os investimentos, ela não afeta os investimentos
01:55para trás, ela afeta para frente.
01:57Então, esse número aqui, talvez ele não continue caindo tanto daqui para frente.
02:02Por quê?
02:02Porque, realmente, fica difícil investir quando você tem uma taxa Selic muito alta, uma
02:07taxa de juros muito alta.
02:08Você conseguir um financiamento, você conseguir dinheiro para você investir na sua empresa,
02:12para você criar uma nova planta, por exemplo, criar uma nova fábrica e aí sim contratar
02:17mais pessoas, fica difícil quando você tem uma taxa muito alta.
02:21As pessoas, os investidores, eles preferem colocar dinheiro no tesouro, colocar dinheiro
02:25em títulos que não, não diretamente nas empresas, mas em títulos do tesouro, por exemplo,
02:32do que investir.
02:33E aí, o que acontece?
02:34As empresas não crescem.
02:36E aí, quando não cresce, você para de contratar pessoas.
02:39Então, por que a gente cresceu aqui?
02:41Por que a gente abaixou o desemprego?
02:43Porque a taxa Selic ainda não estava tão alta.
02:45Já estava alta, mas não estava tão alta.
02:47Daqui para frente, vai ficar um pouquinho mais difícil.
02:50Só que a gente vai ter também uma queda da taxa Selic para 2026.
02:54Pelo menos essa é a grande projeção e está tendo muita pressão para que isso aconteça.
02:59Por enquanto, ainda é uma boa notícia.
03:015,2% de desemprego, uma queda na série histórica, um resultado excelente, mesmo com a inflação
03:08sob controle, mas tudo isso atrelado a uma Selic de 15%.
03:14Quando a gente baixar essa Selic é que vai vir o grande desafio.
03:17Como manter esse desemprego baixo e como manter crescimento, mesmo em um cenário um pouco
03:23mais adverso.
03:24E a população ocupada no geral, no setor privado e com carteira assinada também, foram
03:28recordes.
03:29Então, a gente tem esse equilíbrio.
03:31Baixa o desemprego, aumenta, claro, o número de pessoas ocupadas com carteira assinada e
03:38a gente vai conferir.
03:39Então, o ano acabou.
03:40Vamos começar agora já projetado 2026, como você disse.
03:44Março deve ser aí a projeção dos primeiros cortes na taxa de juros aqui no Brasil.
03:49Vamos ver como a economia vai reagir a isso, né, Rodrigo?
03:51E tem um outro ponto também que a gente precisa sempre observar, que é o seguinte, quando
03:55a gente olha esse número, que é um número cru, 6,1 para 5,2, a gente tem que também
04:01observar outro número que é o seguinte, qual que é o salário que está sendo pago
04:05para essas pessoas.
04:06Porque não adianta também abaixar o desemprego, contratar muitas pessoas e o salário cair.
04:13O poder de compra diminui.
04:14Tem que ser empregos bem remunerados para que a roda da economia gire, porque senão
04:19você vai ter muitas pessoas trabalhando em empregos que não são muito bem remunerados,
04:24a economia não gira e aí você tem o mesmo problema que tem, por exemplo, na Índia,
04:28onde você tem um crescimento econômico grande, mas o desenvolvimento em si, né, o desenvolvimento
04:34das pessoas, o desenvolvimento das cidades, ele é baixo, ele é pequeno, porque a renda
04:38per capita é baixa.
04:40Aqui no Brasil a gente tem esse desafio também, de aumentar a renda per capita, de
04:44aumentar o poder de compra dos brasileiros, para aí sim a economia girar mais.
04:48Até porque o salário mínimo já foi aprovado, né, claro, teve um reajuste, mas ainda há
04:53uma defasagem, né, em relação a outros países do mundo.
04:57Vamos dar uma olhada, tem mais números, mais dados dessa pesquisa aqui do IBGE, da
05:02PNAD Contínua e ao mercado de trabalho que eu estava falando.
05:05Então, o número de desempregados hoje, aliás, nesse período de setembro a novembro,
05:10está em 5 milhões e 600 mil pessoas, ocupados 103 milhões de pessoas.
05:17No setor privado são 53 milhões e com carteira assinada quase 40 milhões de pessoas.
05:24Então, seriam só 13 milhões ali, não sei se podemos dizer na informalidade, mas sem
05:29carteira assinada, porque tem outros tipos de contrato, né, pode ser especializado, pode
05:33ser o pessoa jurídica, o PJ, que a gente chama, mas dos 53 milhões do setor privado
05:40ou dentre os ocupados de 103 milhões, 40 milhões com carteira assinada, Rodrigo Loureiro.
05:46É, aqui a gente está vendo aquele efeito da pejotização, isso está acontecendo em
05:50diferentes setores, porque o emprego de carteira assinada tem um custo grande para as companhias,
05:55tem um custo grande de encargos financeiros, de imposto, enfim.
05:58E aí você tem uma pejotização, você contrata as pessoas como pessoas jurídicas, né,
06:03você contrata empresas para prestarem serviços, isso está acontecendo em diferentes setores.
06:08Mas é interessante que a gente vê, a gente vê esse número caindo, né, o número de
06:12desempregados, o número de pessoas ocupadas e o número do setor privado aumentando.
06:17Para esse número aumentar, o que a gente precisa fazer?
06:19Trazer mais empresas, trazer empresas internacionais para operarem no Brasil,
06:24porque aí você gera empregos aqui, assim como os Estados Unidos estão fazendo.
06:29Essa é a política de Donald Trump.
06:30Eu trago empresas asiáticas, eu trago outras empresas para dentro dos Estados Unidos,
06:35porque aí eu emprego americanos.
06:38E quem vai pagar o salário desses americanos?
06:40As empresas internacionais.
06:42Então é dinheiro que vem de fora dos Estados Unidos pagando o salário dos americanos.
06:47A gente precisa fazer o mesmo no Brasil, precisa trazer cada vez mais empresas.
06:50Então eu vou colocar aqui um tempero, precisa de segurança jurídica e tributária, meu amigo.
06:56Exatamente, precisa...
06:57Isso dá uma complicada aí, ou coloca uma pedrinha, né, para a chegada dessas empresas de fora.
07:06Com certeza.
07:06O Brasil tem um grande desafio de segurança jurídica e tributária,
07:10o Brasil é um país extremamente burocrático, a gente sempre escuta isso,
07:14é um país que tem imposto como qualquer país, aí eu acho que é um pouco de desculpa das multinacionais.
07:21Mas precisa trazer essas empresas, precisa dar algumas vantagens competitivas,
07:25mas nem tanto também, porque senão você atrapalha as empresas brasileiras.
07:28Então, mas a segurança tributária aí não é questão de você beneficiar ou não e dar isenção de imposto.
07:34A questão é o seguinte, você tem uma regra.
07:36Aí agora, no final do ano, o Congresso aprovou um projeto que, além de aumentar o imposto de Betis e Fintechs,
07:44também cortou 10% de benefícios fiscais.
07:48Então foi pego de surpresa essas empresas.
07:50O que eu falo de segurança tributária é justamente explicar, não, vai ser X de imposto.
07:55Então, ok, eu sei qual é o cenário que eu preciso trabalhar e não ficar mudando.
07:58Agora você tem isenção, agora não tem mais.
08:00Mas é essa a questão da segurança tributária, porque eu acho que isso, você colocando um ambiente mais claro,
08:07mais transparente, você acaba atraindo mais as empresas, porque elas sabem como podem trabalhar aqui no Brasil.
08:13Com certeza.
08:15Esse ambiente de tira casaco, põe casaco, uma hora eu tenho que pagar um imposto, outra hora eu não tenho mais que pagar.
08:21Entra um governo, ele tem uma política de imposto X, entra outro governo, uma política totalmente liberal,
08:27uma política de imposto Y que é muito mais favorável para um tipo de empresa do que para outro.
08:32Enfim, essa insegurança, essa instabilidade tributária, isso faz com que as big techs, as companhias gigantescas de fora,
08:41elas olhem para o Brasil e falem assim, olha, eu poderia investir hoje porque hoje a condição está favorável.
08:46Mas e amanhã? Como é que vai ficar amanhã? Será que eles vão implementar um novo imposto?
08:50Será que eles vão mudar alguma regra e que vai custar para mim essa operação?
08:54Porque às vezes eu tenho uma margem de lucro baixa.
08:56Se mudar alguma coisa, a minha margem de lucro que já é baixa, ela deixa de existir.
09:01Então não vale a pena eu gastar bilhões de dólares, bilhões de reais que seja, para investir no Brasil.
09:07Eu vou para outro país, eu vou para um país onde eu tenha realmente essa segurança tributária,
09:11onde as mudanças em torno de impostos, elas não sejam tão radicais.
09:16Tudo bem você fazer alguma alteração e acho que é necessário que você se adapte ao mundo como ele vai evoluindo.
09:22Mas o problema é quando essas mudanças são muito drásticas.
09:27Aí as empresas sofrem muito e elas procuram terrenos mais férteis e terrenos mais estáveis,
09:32onde essas mudanças não afetam tanto, onde você não tem tantas mudanças.
09:37Claro, eu falei, a gente precisa dar vantagens para as companhias internacionais virem para o Brasil.
09:43Sim, mas a gente também tem que investir nas empresas brasileiras.
09:46As empresas brasileiras precisam também ter força para competir contra essas gigantes.
09:51Não adianta eu trazer Amazon, Apple, Google, enfim, para o Brasil e esquecer das empresas brasileiras,
09:59esquecer das varejistas brasileiras, das empresas de tecnologia do Brasil,
10:02porque aí você perde essas companhias e aí você tem todo o lucro voltando também para fora.
10:08Vai ter investimento dentro? Vai.
10:10Mas vai ter também lucro saindo do Brasil.
10:12Isso que tem custo.
10:12E a gente vê agora no final do ano muitas remessas saindo, remessas de dólar sendo enviadas para fora do país,
10:21justamente nesse movimento de fim de ano dessas empresas.
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