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Com a tarifa de 50% prestes a entrar em vigor, o sócio e economista-chefe da Oriz Partners, Marcos De Marque, comenta no Conexão os riscos econômicos da semana. A conversa analisa as chances de negociação entre Brasil e EUA, os efeitos imediatos no mercado financeiro, as perspectivas para a taxa Selic e os desdobramentos da reunião do FOMC.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00Vou continuar aqui no Conexão, porque agora a gente conversa com o Marcos de Marque,
00:04que é sócio-economista-chefe da Oris Partner.
00:08Marcos, muito obrigado pela tua presença aqui.
00:11Claro que a gente ainda continua na chamada situação de hipóteses, né?
00:15A gente abre uma margem para a interpretação, o relógio continua correndo,
00:21ainda não vimos nenhuma manifestação sólida do Donald Trump em direção ao Brasil,
00:26mas se a gente pesgar agora o que aconteceu no final de semana e virou notícia nessa segunda-feira,
00:32o acordo entre Estados Unidos e União Europeia, que lá no tal do dia da libertação, 2 de abril,
00:38era de quase 40%, 39%, baixou para 15%.
00:42Obviamente que a situação aumenta a pressão para essa comitiva tentar bater as portas da Casa Branca
00:49e conseguir alguma coisa parecida.
00:51Mas a gente também tem, olhando para as duas últimas semanas, que os acordos feitos,
00:56aí eu lembro de Japão, Tailândia, Filipinas, tudo ficou flutuando entre 15% e 20%.
01:02Então, o mercado, que aí eu chego na parte da sua expertise,
01:06já está olhando com um fio de esperança para esses 15%, 20%?
01:12Ou o mercado, como se diz na aviação, embrace for impact, né?
01:17Prepare-se para o impacto, acham que vai ser 50% mesmo e vida que segue.
01:24Boa noite, Marcelo. Prazer estar falando com vocês aqui da Times Brasil.
01:28Olha, a minha sensação é que, por hora, o mercado não precificou completamente
01:33a possibilidade de um acordo até sexta-feira,
01:38mas também não descarta eventualmente alguma discussão que leve a uma prorrogação,
01:45o adiamento das tarifas. O que eu acho que é importante dizer aqui, Marcelo,
01:49é que, como a gente tem visto ao longo dos últimos meses,
01:54essas decisões têm ficado muito na mão do próprio presidente, né?
01:58Essas reuniões que a comitiva brasileira está tentando,
02:03o vice-presidente Alckmin tentando também,
02:07a gente vê que até agora não chegou em nenhuma autoridade que, de fato, faça a diferença.
02:11E, nesse caso, é o próprio presidente Trump que vai fazer a diferença.
02:14Então, a gente viu, por exemplo, após o tarifácio, lá em abril,
02:20várias declarações do próprio secretariado do presidente Trump
02:24que entraram em conflito com afirmações que foram feitas nos dias seguintes
02:29pelo próprio presidente Trump.
02:30E o que indica que isso, de fato, está muito na mão dele.
02:32Então, a gente está aí, já desde o começo do mandato do presidente Trump,
02:37em decisões que ele acaba tomando por si só,
02:40com pouco auxílio aí do entorno dele da Casa Branca.
02:45Agora, Marcos, claro que a gente está olhando para esta semana,
02:50a conclusão vai chegar só na sexta-feira,
02:52a gente ainda tem mais três, quatro dias de uma certa angústia,
02:58para dizer o mínimo,
02:59mas já começamos a caminhar num terreno meio pantanoso, né?
03:03A B3 teve uma queda considerável hoje,
03:08perdemos aquele teto confortável dos 140 mil pontos,
03:12já estamos mais perto dos 130 mil pontos para 140 mil pontos.
03:17Quer dizer, na tua leitura,
03:21isso é uma fuga do investidor externo,
03:24que está inseguro,
03:26ou é um investidor interno,
03:28ou a gente ainda não consegue ter essa medida?
03:30Claro que o mercado especulativo, ele espera confiança,
03:35a gente não consegue ter nenhuma certeza absoluta,
03:38e esse esvaziamento da B3, do índice Bovespa,
03:41já era previsto, já era esperado.
03:44Mas você consegue medir se isso é mais uma fuga externa ou interna?
03:49Não, Marcelo,
03:50quando a gente debruça nos dados da própria B3,
03:53que a gente tem ali o fluxo por tipo de instituição,
03:57a gente vê que, de fato, o estrangeiro se apugentou um pouco
04:02diante dessa notícia do dia 9,
04:04no último dia 9, da tarifa dos 50%.
04:07Então, acho que você tem, sim, de fato,
04:12uma turma, o pessoal, os estrangeiros, os gringos,
04:15como a gente fala,
04:16saindo um pouco das posições,
04:18mas acho que vale a pena lembrar também,
04:20Marcelo, uma questão muito relevante,
04:22que ao mesmo tempo que a gente tem esse vento negativo
04:26batendo nos ativos brasileiros,
04:29a gente ainda tem um contexto global de dólar fraco,
04:33onde o capital internacional tem buscado alternativas fora do dólar,
04:39e por isso mesmo,
04:40a gente não vê uma perda de valor tão grande da Bolsa brasileira.
04:44Acho que é interessante contextualizar um pouco aqui
04:47que se a gente pegar a Bolsa brasileira,
04:50a Bolsa do México,
04:52a Bolsa da Colômbia,
04:53de janeiro para cá,
04:55da posse do presidente Trump para cá,
04:57a variação em dólar dessas bolsas que eu acabei de citar
05:00são muito parecidas.
05:02O que eu estou querendo dizer aqui
05:04é que até esse momento que a gente tem visto
05:06os ativos de risco,
05:08os ativos dos países emergentes,
05:10que no caso o Brasil também,
05:12eles têm flutuado muito em sintonia com os demais ativos do mundo.
05:17Mesmo no meio dessa onda de incerteza causada pelas tarifas,
05:22o que a gente vê são os ativos ainda relativamente bem comportados
05:26e respeitando muito a dicotomia de dólar forte, dólar fraco.
05:31Hoje, por um acaso,
05:32tivemos um fortalecimento grande do dólar,
05:36depois do acordo que a gente teve entre Estados Unidos e a União Europeia,
05:40e eu acho que esse é um foco muito importante para a gente entender.
05:44Obviamente que se chegarmos lá sexta-feira
05:47e as tarifas de fato forem implementadas,
05:50aquelas ações das empresas mais expostas
05:52vão sentir algum impacto importante,
05:55mas o contexto global tem falado
05:56muitas vezes mais alto do que a questão local,
06:01no caso do Brasil.
06:02Marcos, em qualquer noticiário internacional relevante,
06:06a gente olha a lista das principais bolsas do mundo,
06:10a B3 aparece lá.
06:12Depois de um terremoto, e sejamos francos,
06:16o Donald Trump está provocando um terremoto na ordem mundial,
06:20nas cadeias globais de valor e de alianças,
06:25depois de um terremoto existe a chamada adequação das placas tectônicas.
06:30Esse momento mais tenso vai passar.
06:33Então, esse seria talvez uma porta de entrada,
06:36quando aquela corda está no ponto baixo,
06:39que você entra para pular,
06:40poderia ser um ponto de entrada para aquele investidor
06:44que é um pouco mais ávido, um pouco mais corajoso
06:46em assumir risco?
06:48Pode ser uma chance de um investimento a médio prazo?
06:51Olha, eu teria um pouco de cautela ainda,
06:55porque o que vem da cabeça do presidente Trump
06:58é sempre difícil de decifrar.
07:01Então, eu acredito ainda que o momento exige cautela,
07:05no final das contas,
07:06a gente ainda estamos flertando com taxas de juros elevadíssimas
07:11aqui no Brasil,
07:12então a questão do risco-retorno
07:13ainda joga a gente a buscar um conforto ali no baixo risco
07:18e no retorno alto dos juros.
07:21Então, por enquanto,
07:22eu acho que essa cautela ainda vai permanecer.
07:25O que eu gostaria de lembrar,
07:26Marcelo, é um ponto bastante importante,
07:29só lembrando como é que foi o começo
07:31dessa história inteira das tarifas,
07:34é que lá no momento em que o Trump anunciou,
07:37principalmente, a tarifa sobre a China,
07:39o que a gente viu fazer bastante efeito sobre ele
07:42foram os empresários,
07:44os CEOs das empresas grandes,
07:46chegarem na Casa Branca e explicarem quais eram as consequências
07:50daquilo que foi decidido
07:52e até certo ponto,
07:53algumas empresas conseguiram um waiver
07:56sobre os produtos dela.
07:59Pega, por exemplo, a Apple,
08:00que conseguiu alguns waivers
08:03com relação à importação de celulares, etc.
08:05Então, eu acho que, por hora,
08:08temos que observar como os empresários americanos
08:12que serão afetados,
08:14suas empresas serão afetadas
08:16por tarifas mais altas,
08:18vão lidar com a situação,
08:19a abertura que o presidente Trump dará
08:22para essas conversas,
08:23que até agora nenhuma.
08:26E se, por um acaso,
08:28a gente viu circular ao longo do dia
08:30os comentários do presidente Trump
08:32de que, para quem não chegar a um acordo
08:34com os Estados Unidos,
08:36nos próximos dias a tarifa ficará entre 15% e 20%.
08:39Será que o Brasil cai nessa categoria?
08:40Isso não está claro.
08:42A gente fica muito na dependência
08:43do que vai sair da cabeça dele.
08:46E acho que esse é o grande problema
08:47e o que deixa a gente cada vez mais ansioso
08:49conforme passa cada hora aqui no Brasil.
08:52Marcos, para a gente arrematar a nossa conversa aqui,
08:55um minutinho mais de papo,
08:57tem uma frase péssima
08:58que eu, particularmente, acho ótima
09:00porque ela é autoexplicativa.
09:02Nada é tão ruim que não possa ficar pior.
09:04Por que eu estou falando isso?
09:05Porque essa semana a gente tem COPOM,
09:07temos FOM nos Estados Unidos,
09:09ou seja, o Comitê de Política Monetária do Brasil,
09:12dos Estados Unidos,
09:13e não coincidentemente os dois falam de taxa de juros.
09:17Como é que o mercado está esperando essas duas notícias?
09:20Olha, eu acho que existe um consenso bastante grande
09:23tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos.
09:25Nos Estados Unidos a gente terá a reunião
09:28no meio da tarde, na quarta-feira.
09:30O consenso é que a taxa de juros seja mantida.
09:34O que a gente tem que olhar são alguns detalhes.
09:36Eu acho que existe a possibilidade de alguma dissidência
09:39dentro do colegiado do FED.
09:42Dois diretores expressaram ao longo das últimas semanas
09:45o desejo de ter taxas menores.
09:48Então, é possível que isso acabe acontecendo.
09:50Eu chamaria atenção para isso.
09:52A outra coisa que eu acho muito relevante
09:54é ver como essa entrevista coletiva
09:56do presidente do FED, o Jeremy Powell,
09:59que vai dizer muito ali as perguntas
10:02sobre a relação inflação-atividade.
10:06A gente sabe que a atividade econômica nos Estados Unidos
10:08está mais fraca do que estava no ano passado,
10:10mas a gente já começa a ver, por exemplo,
10:13sinais de melhora de consumo, melhora da manufatura.
10:16São melhores pequenas?
10:17São, mas estão nessa direção.
10:20O mercado de trabalho, que tinha mostrado algumas fraquezas
10:23nas últimas semanas, também com alguma melhora.
10:25E, por fim, ainda a gente vai sentir
10:27nos dados de inflação nos Estados Unidos
10:29o repasse das tarifas,
10:32numa medida não tão grande, mas vai aparecer.
10:34Então, joga muito o FED de ser bastante cauteloso.
10:37E eu acho que hoje pensar num cenário
10:40em que o FED não faça nenhum corte esse ano
10:42é possível.
10:44Eu acho que o mais provável é um ou dois cortes,
10:46mas se eu falasse há um mês atrás
10:49que talvez não teríamos nenhum corte esse ano
10:51para isso ser difícil,
10:52hoje já parece ser factível.
10:54Mas eu ainda aposto em um ou dois cortes de juros.
10:57E no Brasil...
10:58Oi, desculpa, Marcelo.
10:59Não, pode concluir para a gente encerrar, Marcos.
11:01Tá, não.
11:02Aqui no Brasil, acho que a Selic é 15%,
11:04será mantido, acho que não teria um segredo aqui.
11:06Mas a questão de como o colegiado vai explicar
11:10a questão do bastante prolongado,
11:13que precisa manutenção da taxa de juros
11:15por um período longo nesse patamar,
11:17e como o Banco Central tem visto
11:19os dados econômicos mais recentes,
11:21especialmente a inflação,
11:22que tem vindo mais benigna,
11:24mas que dificilmente abre espaço
11:26para redução de juros esse ano.
11:28Atividade desacelerando,
11:29o crédito hoje mais fraco também,
11:31inflação mais fraca,
11:33mas as expectativas de inflação
11:35ainda muito aquém da meta.
11:37Então, essa é a disputa que a gente vai ver
11:40ao longo dos próximos meses,
11:42e provavelmente com corte de juros
11:44no começo do ano que vem.
11:45Obrigado pelas indicações,
11:48Marcos de Marque,
11:49anotadas,
11:50a gente vai conferir aí ao longo da semana,
11:52mais precisamente quarta e quinta-feira.
11:54Conversei com Marcos de Marque,
11:56sócio economista-chefe da
11:57Oris Partner.
11:59Até uma próxima, Marque.
12:00Muito obrigado.
12:00Obrigado.
12:01Obrigado.
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