00:00A 6h34 o Comitê de Política Monetária acaba de divulgar a nova taxa Selic e a decisão do Comitê de Política foi de aumentar a Selic em 0,25 ponto percentual para 15% ao ano.
00:21Havia uma grande dúvida e divisão no mercado de apostas sobre se o Copom manteria a Selic em 14,75% ou se aumentaria para 15% prevaleceu a segunda opção.
00:32Portanto, a taxa básica de juros do Brasil sobe para 15% ao ano.
00:38A gente está aqui na tela com o comunicado que acabou de sair do Copom.
00:41Vamos acompanhar aqui então a explicação dos motivos para esse aumento.
00:45O ambiente externo mantém-se adverso e particularmente incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos,
00:54principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos.
01:00Além disso, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos também têm sido afetados com reflexos nas condições financeiras globais.
01:08Tal cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes em ambiente de acirramento da tensão geopolítica.
01:17Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda tem apresentado algum dinamismo,
01:25mas observa-se certa moderação no crescimento.
01:29Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.
01:36As expectativas de inflação para 2025 e 2026, apuradas pela pesquisa Focus, permanecem em valores acima da meta,
01:44situando-se em 5,2% e 4,5%, respectivamente.
01:49A projeção de inflação do Copom para o ano de 2026, atual horizonte irrelevante de política monetária,
01:56situa-se em 3,6% no cenário de referência,
02:00aqui, portanto, o Copom projetando que para 2016 a inflação cairia, em relação ao que a gente tem hoje,
02:07iria para 3,6%, o que estaria dentro da faixa permitida, vamos dizer, porque a meta é de 3%.
02:14O teto vai até 4,5%, o Copom está prevendo 3,6%, portanto, acima do centro da meta,
02:20mas abaixo do limite máximo, isso para 2026, para o ano que vem.
02:24O comunicado segue aqui.
02:26Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual.
02:33Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se.
02:38Vamos rolando aqui a tela, por favor, para a gente continuar lendo o comunicado.
03:08Estamos ali no item 3.
03:11Entre os riscos de baixa, ressaltam-se, um, uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica
03:17mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação.
03:22Dois, uma desaceleração global mais pronunciada, decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza.
03:30E três, uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
03:35Aí, aqui abaixo, um trecho em que o Copom destaca que vai seguir acompanhando com atenção os desenvolvimentos, os índices.
03:43Vamos pular aqui para um outro parágrafo, que ele diz.
03:45O Copom decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para 15% ao ano.
03:52E entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta,
03:57ao longo do horizonte relevante, sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços.
04:05Essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
04:13Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros
04:20para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, que o Copom está dizendo, então, que pararia a alta de juros nesses 15%.
04:30E, então, avaliaria se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado,
04:37é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.
04:41O Comitê enfatiza que seguirá vigilante e, aqui embaixo, a votação, então, apresentando aqui que todos os diretores do Banco Central,
04:49que fazem parte do Copom, votaram por essa decisão.
04:53Temos aqui, então, 15%, taxa de juros subindo no Brasil e a perspectiva de parar por aí se nada mudar.
05:00Nosso analista de economia e política, Vinícius Torres Freire, entra aqui agora para falar dessa decisão.
05:05Vinícius, o mercado estava dividido, alguns apostavam nessa decisão, outros apostavam que ia ser mantida.
05:11O que é que você achou do tom, aqui, então, além da decisão, o tom que o Copom adotou nesse comunicado?
05:17Fábio, é o seguinte. Primeiro, claro, aumento da taxa.
05:22No mercado, nas apostas no mercado de dinheiro mesmo, estava uma tendência um pouco maior para alta.
05:28Entre os economistas, havia uma divisão maior ou até mais gente achando que ficaria em 14,75%.
05:33Agora, no mercado de dinheiro mesmo, as apostas estavam mais ou menos, quase dois terços para uma alta.
05:38Agora, no comunicado, a gente tem duas novidades importantes.
05:41Primeiro, que avisou que para.
05:43Segundo, ele mudou um pouco, bastante a linguagem, no sentido da linguagem sutil do Banco Central,
05:48é que as taxas de juros ficarão em um patamar significativamente contracionista por um período bastante prolongado.
05:58Ele disse que, olha, vai longe, não tem perspectiva nenhuma de abaixar.
06:02E esse recado foi dado pelo quê?
06:06Para fazer com que as taxas do mercado reais, o BC define a Selic, uma taxa de curtíssimo prazo.
06:12Agora, tem outras taxas no mercado que podem cair ou diminuir, a depender das apostas dos agentes financeiros.
06:18Então, ele quer fazer com que essas taxas de juros do mercado, de prazos mais longos,
06:22dois, três, quatro, cinco anos, não comecem a cair,
06:26imaginando que o BC, em breve, vai começar a diminuir também as suas taxas.
06:29Então, o BC está fazendo o comunicado duro, aumentando a taxa Selic,
06:34e no gogó e no comunicado deles, dizendo, olha, gente, não esperem tão cedo,
06:39é bastante prolongado, é mais do que vocês imaginavam.
06:42No entanto, ele tinha até falado no comunicado, lá um pouco mais para cima,
06:45que a moderação do crescimento não é mais incipiente.
06:49Ele fala em moderação.
06:50Falou que o crescimento agora está realmente começando a perder força,
06:55um tom um pouco mais alto.
06:57Mas isso não foi suficiente para mudar a decisão e nem para deixar o comunicado menos duro.
07:01O que ele está dizendo?
07:02Que as expectativas de inflação estão desancoradas.
07:05A gente tem repetido semana a semana, que estão em 4,5% para 2026.
07:11E a própria projeção do BC, por horizonte relevante, quer dizer, daqui a 18 meses,
07:16continua em 3,6%.
07:18Não encheu, não caiu para baixo.
07:19Então, é assim, é um comunicado duro, diz que para, mas isso não é sinal de arrefecimento da política.
07:26Vai ficar arrochada por um período bastante prolongado.
07:30Essa é a mensagem principal do comunicado.
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